12 de dez de 2013

Escolhas

Escolho caminhos de terra, paisagens de flores, ruídos que não sei distinguir e que estimulam a imaginação aparentemente estática...
Escolho o cheiro do verde, florestas cerradas, mistérios insondáveis, surpresas inesquecíveis...
Escolho olhos fixos, abertos e diáfanos; diálogos menos formais e mais sinceros; transparência de ideias, diversidade de opiniões e incertezas...
Escolho questionar o óbvio, transgredir o presente, caminhar mesmo que lentamente e vivenciar na simplicidade o inesquecível.

Escolho viver!

Wanderlúcia Welerson Sott Meyer

Aleatório

Percebam o que diz esse meu silêncio...
Quero espaços inconclusos
Retalhos coloridos
Expectativas indefinidas
Largos sorrisos despretensiosos
Momentos ociosos de pura reflexão
Quero incômodos que permitam vida
Verdades que se transformem
Certezas que traduzam imprecisões
Equívocos que possibilitem desenvolvimento.
Contraditório segmento de reta
De caminhos aleatórios que me conduzem
Na direção que não desejo, mas preciso seguir.



11 de nov de 2013

Filhos

De mãos dadas com um dos meus filhos, comecei a observar suas mãos, Antes, prendiam-me apenas um único dedo, hoje... Se parecem com as minhas... dedos longos, finos. Eles estão crescendo...

Toquei sua pele e vi um pequeno hematoma... Ainda brincam muito e nunca sabem onde adquirem os pequenos roxos que aparecem na pele clara. Toquei, senti e tive vontade de lhe subtrair aquela diminuta e temporária mancha. Não posso! 
Essa impossibilidade aumenta enquanto eles crescem. Não vou poder subtrair-lhes dores ou evitar situações desconfortáveis. Eles viverão... Amadurecerão com as circunstâncias. É natural e saudável que assim seja! 
Como pais, oferecemos bases... Indicamos caminhos, facilitamos até onde a vida nos deixa. Semeamos fé e segurança... Despertamos a sabedoria... Oferecemos alicerces... Amamos! 
Todo o restante a vida oferece! A forma como perceberão, as ações, a ética, a religiosidade, as escolhas... Serão deles. Assim como não consigo impedir que se machuquem na infância, tenho consciência de que atravessarão desordens e alegrias por todo o caminho. Continuarei, enquanto o Senhor da Vida possibilitar, a oferecer-lhes colo, a ouvir-lhes as queixas, a dizer-lhes que a natureza nos ensina que tudo se renova. 
Eu os percebo melhores do que sou... Viajo em olhares e atitudes que me tornam melhor do que já fui. Entrego-lhes parte de minha vida, sem nem sequer pensar em retorno. Saio, brinco, sorriu, perturbo...os faço sorrir. 
Se quietos estão, se percebo tristeza...aconchego, acaricio, me entrego. 
Assim como fui amada, amo! É nessa extensão de amor que me torno mais humana e compreendo, sem muito entender... Que tudo isso me transforma, tornando-me... Tornando-os a cada dia seres mais que humanos, conscientes de sua essência espiritual e Divina!

30 de out de 2013

Amor próprio

Por que permitimos a repetição de histórias, oferecemos espaço para que sentimentos que nos ferem sejam instalados? E o que fazer quando descobrimos que buscamos aquilo que menos queremos? O Ser humano, em seu processo evolutivo esquece de que não estamos fadados ao sofrimento. Precisamos evoluir, é condição de existência, porém, padecer é uma opção pessoal. Se alguém nos machuca, se nos ferem, à permissão é nossa. Podemos fazer outras escolhas. Escrevi um dia, que ninguém morre de amor, mas de desamor. Ando descobrindo, que muitos morrem da ausência de amor por si mesmos. Verdadeiramente, é o primeiro amor essencial de nossas vidas!

26 de out de 2013

Saudade

A saudade sussurra como o vento
Chega de repente...
Trazendo lembranças, momentos e odores.
Instala-se
Segue balançando as folhas da vida
Algumas caem, transformam-se.
Outras viajam distantes, para lugares ignorados.
É nota definida impregnada de histórias
Só sente quem viveu, deixou-se conduzir.
Entregou-se à leveza
Distanciou-se do assombro de não existir.
Só sente quem define, imprime, entrega
Sem medo de feridas, confere as cegas.
Pior do que senti-la?
Arrependimento, contrição.
Medo de conferir à vida
Cessão contrária à repressão
Remorso de não ter feito
Receio sem explicação.
Saudades quando nos chegam
Trazem lágrimas, sorrisos, encantos.
Certeza de existência

Verdadeiro acalanto!


Wanderlúcia Welerson Sott Meyer

11 de out de 2013

Libertação

Não há caminho de volta.  A paisagem muda, as situações já não são as mesmas e, é bom que assim seja. O encanto da vida reside exatamente nesse vir a ser. Momentos em que a respiração indicada que se faz necessária à transformação de gases tóxicos em oxigênio. Respirar intensamente, cada segundo dessa misteriosa e fascinante experiência de viver, dispondo-se a despir-se de roupagens surradas, libertando a alma opressa, traduzindo vontades incompreendidas e absolutamente saudáveis.
 

29 de set de 2013

Serenidade

Tudo está tão claro!
Tranquilidade traduzida em vontade
Espera serena de quem aprende que há sentimentos extensos
Nobres e estáveis que envolvem sem absorver
Nem tantas dores, nem pranto
Encanto incompreendido da realidade vivida
Buscar-se, amar-se, entregar-se
Sem muito espera, doar-se...
Pacífico coração que compreende, aceita, redime
Redimensiona o que antes pouca vida apresentava
Reserva de sensações inalteradas
Germinam quando menos se espera
Supera, sossega e sorri
É fato!
Nada é absolutamente exato...



Entrelaçando natureza e vida!

Há três meses, trouxe pencas de bananas verdes da casa de minha mãe. Estavam no quintal “de cima”, como chamamos desde a infância, parte do quintal do grande terreno de árvores e flores que nasci. Estavam realmente muito verdes, mas, a impossibilidade física de subir sozinha para apanhá-las, fez com que mamãe me pedisse para trazê-las. “Vão estragar no pé...”, disse ela.
As bananas ficaram na fruteira sem nenhum sinal de amadurecimento, quase todos os dias as observava e, confesso que fui desistindo da possibilidade de comê-las. Alguém passava e dizia: “Jogue fora, não vão amadurecer!” Mas, sou insistente... Fui observando e vigiando se apareciam tons amarelados ou, sutis sinais que demonstrassem que a persistência e o tempo me ofereceriam doces e tenros frutos.
Não as coloquei em plásticos ou caixas fechadas para que amadurecessem mais depressa, forçadas pelo calor da estufa e menos saborosas. Acordava cedo, como sempre faço, mudava-as de lugar e esperava.
Certa manhã olhei, novamente, para as pencas verdes e pensei: “Penso mesmo que não irão amadurecer, amanhã vou me desfazer delas!” No dia seguinte, busquei uma sacola plástica e comecei a retirar os frutos, afinal, eram três meses de espera... Pois qual não foi minha surpresa, quando percebi que algumas amadureciam, tons amarelos esverdeados. Desisti do descarte e esperei... Poucos dias depois, saboreei a primeira... Doce, simplesmente e naturalmente, doce!
Tanto floreio e história me fez refletir sobre relacionamentos e pessoas. Por vezes, nos deparamos com seres humanos que passam a fazer parte de nossas histórias. Dominados por nossas paixões primevas, investimos no crescimento e amadurecimento dos mesmos. Nossa sede de que se adaptem aos nossos sonhos e desejos, nosso anseio de que cumpram e resgatem nossas vidas não vividas, por vezes, nos cega. Depois de um tempo de delírio, de entrega, começamos a exigir que o outro seja nosso espelho, que correspondam às nossas expectativas. O fato é que o tempo do outro não corresponde ao nosso e, pensamos em desistir ou até desistimos. O amadurecimento paulatino, lento e inviolável nosso ou de quem quer que seja, independe da vontade, requer paciência. Ninguém é ou será porque o outro deseja que seja! Ensinamento que a própria natureza traduz.
O Amor também se constrói e consiste desse olhar paciente sobre aquele que conosco vive e convive. Certamente, se observássemos e esperássemos mais um pouco, muitas dores evitaríamos, muitas mágoas deixariam de existir. Não há estufas que acelerem o que só o tempo, o trabalho, a paciência e a fé podem conduzir sem atropelos e consternações.


3 de set de 2013

Caminhos

Quando nosso coração segue acalentado pelos sonhos de vida plena, dores e perdas tornam-se aprendizados. Mesmo que, temporariamente, não muito distantes acontecimentos que nos serviram de reflexão, que provocaram dores e que estabeleceram distâncias... Acomodam-se em reminiscências, em saudade. Fato é sentir! Recordar com serenidade de pessoas e momentos que passam a ser eternos pela intensidade das emoções que despertam... Sorrisos e lágrimas que provocaram. Acomodando com tranquilidade esses sentimentos que nos integram, abrimos os olhos para as possibilidades oferecidas pela vida! De semente que necessita de forças para romper a terra, de frágeis galhos que passam por intempéries, de tronco que se traduz em sombra e aconchego a quem precisa, de frutos que alimentam... Um ciclo que nos conduz a eternidade. Basta observar, sentir, administrar e deixar-se levar! Fatos que carecem de tempo para se organizarem, outros que necessitam de discernimento e vontade.

Wanderlucia Welerson Sott Meyer

25 de ago de 2013

Constelações

Fui contar estrelas, hábito antigo que adquiri na infância, buscando no infinito, palavras de alento que pudessem descrever meus sentimentos. Observei as que meus olhos alcançaram e me perdi concentrada nas dúvidas que assolam. São minhas e múltiplas, tão incontáveis quanto às estrelas que vejo. Fiquei imaginando que cada uma delas correspondia às pessoas que encontrei nesta existência. As que partiram... As que nunca chegaram a ser... as que marcaram pelos sorrisos e as que só lágrimas trouxeram. A constelação correspondia ao conjunto de sentimentos diversos que naquele momento nutria. Algumas grandes, brilhantes e definitivas; outras ofuscadas, pequeninas e esquecidas. Todas em um contexto harmônico definido pela inconstância de luzes elusivas. Simetria complexa de vida onde cada um ocupa o lugar que lhe cabe. Sábio silêncio iluminado que neste momento transborda serenidade e paz. Certeza de pertencimento, estamos onde podemos florescer. E as dúvidas que ainda permaneciam, pareciam menores, menos densas. Sabe-se da espera que pode ser breve, espera-se não ser longa. Destino para todo sempre inconcluso... Eternidade, eterna idade!

7 de ago de 2013

Abstrações

Entardecer silencioso, pensamento em desalinho
Desejo oculto, ignorado e vivo
Procuram-se os olhos, pretende-se o toque
Resgatam-se sonhos, soçobram pensamentos
Alimenta-se de um amor que sempre soube existir
Não há realidade que lhe prenda
Raridade de amor sempre esperado
Corações que se pegam
Integram emoções e lampejos
Iluminariam o mundo
Contemplando a simplicidade almejada
Conferindo-lhe vida!


5 de ago de 2013

Permissão de amor

Peço permissão à vida para encontrar aquele que me encanta. 
Há algo de contradição em suas palavras 
Algo de triste em seu olhar 
Algo de serenidade, ocultando desejos Algo delicado em sua alma firme 
Maturidade adquirida pela lida 
Sedução sentida, pretendida. 
Peço permissão a vida para entregar-me 
Deixar-me conduzir pelo amor que sinto 
Sentir suas mãos tocando meu corpo 
Beijá-lo o suficiente para me perder 
Senti-lo uno e próximo aos meus anseios 
Tocá-lo suavemente ]
Deixando-me conduzir pelo fascínio dos sentidos 
Perdidos... 
Êxtase de me sentir mulher!

27 de jul de 2013

Tola distância

Tola distância que parece estabelecer o impossível
Não imaginas a força de um desejo
Não podes compreender o inevitável
Quando o amor prevalece.
Fatos e certezas pouco acrescentam
Vale a vontade de quem ama
Mesmo que a paciência seja um exercício
Mesmo que o tempo silencie anseios
Há de se viver o que fatalmente está escrito
Como polos que se atraem
Assim será o caminho
Pedras, dores , desalinhos
Profundo sentimento de estar sem ser
Tudo temporário e transitório
Certeiro será o reencontro
Possibilidade de entrega
Uno, conecto e preciso
Amor de porto-seguro
Amar de amor!




25 de jul de 2013

Manifestação de fé

As manifestações de fé podem vir de diferentes línguas e interpretações do Evangelho de Jesus, essência de Amor. O que diferencia, o que realmente importa, é a mensagem espargida de maneira humana, sincera e verdadeira. Aquela que toca sinceramente o coração das pessoas. Missionários que falam em nome do Cristo, que praticam à coerência com lições de fé, caridade e amor ao próximo que precisam ser aprendidas e apreendidas pelos corações humanos. Madre Teresa de Calcutá, Chico Xavier, Papa Francisco e tantos outros missionários que perpetram os ensinamentos de Jesus, levando alento, esperança e amor aos que sofrem de carência material e espiritual. A energia emanada das orações e preces proferidas transformam a atmosfera espiritual da terra, possibilitando a edificação do Reino de Deus no coração em nossos corações.

17 de jul de 2013

E por falar em amor...

Enquanto sonhamos, continuamos alimentando expectativas. Tão nossas e necessárias... Razões para sustentar o sorriso e seguir. Nas estações que a natureza nos oferece aprendemos que existe tempo para tudo... Aquecer, florescer, frutificar, recolher. Há estações de inverno que nos visitam por tempo indeterminado, nos recolhemos, refletimos, permitimos que a dor se manifeste, deixamos que a vida nos ofereça o caminho. Momentos de resignação em que nos desligamos das ilusões do mundo, desejando mais do que o superficial. A essência divina que em nos reside desde os primórdios de nossa existência, convida-nos ao sentimento verdadeiro, aquele que se encontra longe das paixões efêmeras do mundo, que provoca a fusão de almas em um só coração. A primavera floresce, os sentimentos são amadurecidos por dores ocasionais de evolução natural interna e eterna, almas entregam-se aos sonhos, a ventura, instância de vida. Deixar a vida florescer é provocar a continuidade natural daquilo que já está reservado, nenhum acaso... Somente reencontro procrastinado de sentimentos que sempre existiram.

Wanderlúcia Welerson Sott Meyer

16 de jul de 2013

Saudade e amor...eternos

Em cada pequeno espaço dessa casa de enormes proporções, que me acolheu na infância, vejo você... Lembro-me, do colo amigo, das músicas que cantavas, do sorriso farto e das inúmeras vezes que lhe chamava. Homem simples, pouco estudo, levantando-se cedo, trabalho árduo e duro. Suas roupas sujas de óleo, sempre foram um motivo de orgulho para mim... Admirava o ser humano que havia me oferecido à oportunidade da vida. Cresci, aprendendo ser leal, honesta, gentil e nada disso aprendi nas escolas que frequentei. Eram vocês, pai e mãe, pessoas que somente o bem fizeram que me ensinaram o dever para com a vida, o amor a Deus, o respeito indistinto a quem quer que fosse. O tempo lhe trouxe dores que sua alma sensível não conseguiu absorver, o vi sofrer... No início, sem entendimento e á medida que os anos passaram com compaixão, na verdade, sem saber o que fazer para ajudá-lo. Nenhum de nós soube pai e nada, nem a dificuldade que tínhamos de nos aproximar de sua dor, fez com que o amor construído esmorecesse. Seu coração infantil, meu querido velho, confiou demais em pessoas indevidas e o vimos expiando sem nada podermos fazer. Hoje, sentindo sua falta compreendo que o seu olhar triste e distante, carregado de decepções e mágoas, não suportava mais. O vi, pela última vez, sereno, de olhos cerrados e sem vida... Senti que parte de mim seguia com você, roguei a Deus que o acolhesse, tentei lhe dizer mais uma vez o quanto o amava, pedindo-lhe que se entregasse a providência Divina e que compreendesse que não há sentimento maior do que o Amor. Sei das dores que viveu, das histórias que o consumiram, porém, nada disso lhe servirá de alento...onde quer que estejas, amparado pela espiritualidade que nunca desampara, encontrarás motivos para seguir, nada ao acaso, sem propósito... E, nós que aqui ainda estamos, rogamos a benção do pai amoroso que fostes. Procuro me lembrar do colo, das noites que cantavas para nós observando a lua, do trabalho que lhe dávamos quando mamãe saia para trabalhar, do pouco que tínhamos e do muito que nos destes. Fique em paz querido... 

Wanderlúcia Welerson Sott Meyer

12 de jul de 2013

Fatos

Dos olhos que um dia tocaram a alma, quase nada restou. 
O que se vê são ideais encobertos, desejos não resolvidos,
Caminhos bifurcados e distâncias insuperáveis.
Anos passaram céleres, lembranças impressas em lágrimas
Distorções de enredos que jamais se resolveram
Ecoam sinfonias nada originais
Harmonia perdida em escolhas equivocadas.

Wanderlúcia Welerson Sott Meyer

Recomeço

Ao abrir a janela os olhos procuram percepções de vida, momentos de real significado. Azul de inverno, pássaros que livres fazem sua escolhas. A alma, aquecida por lembranças, parece perceber aromas, sabores e odores que não mais existem. O dia convida a recomeçar... Como se desejasse também reviver lembranças felizes, segue com olhar a paisagem que se perde ao longe. Pode-se sentir o calor das mãos que acariciam os cabelos, a firmeza do abraço que acolhe, sensação de proteção irrestrita, o silêncio que lhe visita a alma aquecendo suavemente o corpo. Retratos imaginários de realidade distante. Fatos desconhecidos... Reserva de amor que não se perde, jamais se olvida.

Wanderlúcia Welerson Sott Meyer

4 de jul de 2013

Impressões cognitivas





Com o tempo a gente se rende,
Passa a aceitar o que de nós independe.
Rende-se aos ventos, assentos e estágios.
Rende-se aos fatos que pedem tempo
Rendição raciocinada de quem tenciona evoluir
Reconhece no processo a morosidade
Imaturidade circunstancial
Aprende que mais vale perdoar-se
Do que remoer consequências
Liberta-se de queixas infundadas
Conduzindo-se  levemente ao que denominam destino.
Com o tempo, percebe-se que tempestades movimentam
Que certezas estacionam
Que quando a exigência é maior que a possibilidade
Desperdiçamos energias preciosas
Com o tempo,
Sem lamento, tranquiliza-se a inquietude da alma
Espera-se serenamente...
Sabe-se Ser!




2 de jul de 2013

Opressão

Leve alma que presa à matéria densa, sente a ausência de liberdade.
Sonhos adiados e pequenos diante das possibilidades
Represa de sentimentos que se rompem em lágrimas
Amor que se ofusca, nenhuma busca
Exagero de normas impostas e indiscutíveis

Peso que estaciona a vontade.

18 de jun de 2013

Vazio significativo

Que vazio é esse que as pessoas dizem sentir? Vazio de vida, de toque, de olhar. Simplicidade e cumplicidade que se perde no atropelo dos dias. Guardamos sonhos que nos sobrecarregam, os anos passam e eles não deixam de existir. Sobrepeso que se conduz sem perceber. Incomodam, desassossegam a alma e, sutilmente nos sugerem mudanças. Inquietude saudável desperta por olores passados e anseios de futuro. Existências que necessitam de vivências menos estruturadas e mais perceptivas. Zelo que se deve ter com a oportunidade diária de recomeço. Necessidade básica de perceber que vivemos momentos insubstituíveis, únicos. Ninguém está completamente vazio, é preciso ter coragem para revirar os compartimentos da alma e selecionar o que nos é essencial.

Wanderlúcia Welerson Sott Meyer

17 de jun de 2013

Educar

Sempre ouvi dizer que educar é uma arte. Como tudo que envolve arte, educar é um processo que exige tolerância, paciência e persistência. Requer aprimoramento diário, arestas que são aparadas carinhosamente e, por vezes, com insistência e certa dose de autoridade que demanda exemplo. Alertas que fazemos a nós mesmos e aos que nos são confiados. Algo que já aprendi, é que nossas atitudes devem ser coerentes e que nossas palavras só têm peso quando exemplificadas. Educar é saber ser firme quando necessário e acolher quando se percebe a fragilidade da alma. Percepção que só acontece se estivermos atentos e disponíveis para o exercício do amor.

Wanderlúcia Welerson Sott Meyer

11 de jun de 2013

Amor

Cenas cotidianas me encantam. Procuro observá-las com olhos de aprendiz. Aquilo que absorvo como aprendizado de vida pode vir de situações simples e inusitadas. É o olhar que diferencia o valor. Desperdiçamos tanto tempo nos “pre-ocupando” e, perdemos diversas oportunidades de ver além das vidraças empoeiradas da alma.
Adoro esperar ônibus, faço isso com frequência. Aprendo com o que vejo e ouço. Ontem, quando a porta do ônibus se abriu e, eu aguardava que os passageiros descessem para que pudesse subir, observei uma cena extraordinária e, generosamente, impregnada de afeição. Um casal de idosos, cabelos em neve, traços definidos de história demarcados no rosto. O senhor desceu calmamente, estendeu a mão a sua esposa e disse: “Venha querida, estou aqui!”. Ela lhe deu um sorriso e disse: “Sempre!”. Estremeci de emoção, reconheci no gesto, no olhar, na energia traduzida em carinho sincero o verdadeiro sentido do Amor.

1 de jun de 2013

Clara vivência

Tudo está tão claro!
Tranquilidade traduzida em vontade
Espera serena de quem aprende que há sentimentos extensos
Nobres e estáveis que envolvem sem absorver
Nem tantas dores, nem pranto
Encanto incompreendido da realidade vivida
Buscar-se, amar-se, entregar-se
Sem muito espera, doar-se...
Pacífico coração que compreende, aceita, redime
Redimensiona o que antes pouca vida apresentava
Reserva de sensações inalteradas
Germinam quando menos se espera
Supera, sossega e sorri
É fato!
Nada é absolutamente exato...


 Wanderlucia Welerson Sott Meyer

9 de mai de 2013

Travessias


Há dias não escrevo. Não é que não tenha nada a dizer, fases são estilhas de vida que servem de aprendizado. Tenho passado por um período, aparentemente, sereno e, contraditoriamente, inquietante. Sentimentos nunca terão forma, variam de acordo com as circunstâncias. Acontecem como avalanche, remexendo o que reserva o inconsciente, provocando questionamentos necessários. A serenidade para se encarar às situações que vivenciamos, chega com a experiência lúcida e a fé raciocinada. Aprendi que tudo tem seu tempo e, se agirmos a favor da vida aceitando o inevitável, às circunstâncias e desordens internas, podem se transformar em dádivas. Nem sempre compreendemos os caminhos, nem sempre encontramos as saídas que desejamos, contudo, a sabedoria Divina se incube de nos oferta o melhor. Ofertar sim! Presente recebido, não sem esforço contínuo de evolução do Ser!

5 de mai de 2013

Prece


Senhor Jesus, pai de bondade, Senhor de toda a Vida!
Entrego-lhe as aspirações que vibram em meu coração.
Não são descabidas, nem ambiciosas
Refletem minha necessidade de encontro
Descoberta do que me é essencial.
Alimenta minh’alma com serenidade
Conforta meu espírito com a certeza da eternidade
Revigora e fortalece meus anseios
Conduz os caminhos
Entrego-me incondicionalmente à Vossa vontade
Oferecendo-me ao mundo como servidora
Aprendiz de Seu Evangelho de Amor.

1 de mai de 2013

Vida


Tortos pensamentos que passam como vento, sopram idéias desconexas e complexas e, seguem inconstantes e ligeiros na esperança de absorverem mais lembranças. Tudo tão solto, abstrato e perdido... Busca-se dúvidas entre convictas certezas, entrega-se a sentimentos que deveriam ter sido. Portas que se fecham, acessos que se abrem... adapta-se!  Tão logo chega a noite, misturam-se intuições e realidades, Espera-se seguir no ritmo das ondas, carregando consigo o ir e vir da vida... quase nunca estável e constante... Errante!

25 de abr de 2013

Vazios


Existe um silêncio incômodo de vozes que não mais se ouvem.
Manias, artifícios e histórias
Lembranças presentes, passados recentes e remotos
Lugares e situações que assinalaram memórias
Espaços reconstruídos pelas circunstâncias
Emoções e lembranças.

15 de abr de 2013

Viver



Envolvida pelo frio que toca suavemente a pele, permitindo-se intermináveis recomeços. O passado é história construída. Torto, avesso ou pleno, pouco importa. Cada um vive o que pode, ama o que sabe, semeia o que melhor lhe convém. Empreendem-se acertos, resultam-se equívocos. Nada proposital ou determinado, apenas pontos de vista temporários. A maturidade mostra-nos diferentes aspectos de situações triviais que poderiam ter sido conduzidas de formas diversas. No entanto, exigir excelência de quem se encontra em evolução, é como sugerir a crianças que determinem suas escolhas. As falhas integram naturalmente todo o processo de maturação do Ser. Etapas que precisam ser enfrentadas naturalmente, visões antes distorcidas que tomam forma e caminho.

11 de abr de 2013

Olhar


Seus olhos refletiam minha alegria...
E de tanto fitá-los me perdi.
Quando você se foi...
Pouco sorria.
Sua ausência arrebatou minha alforria.
Caminho a procura de harmonia.
Aspirando um amor que não me subtraia à paz.


1 de abr de 2013

Constatação


Existem situações, pessoas e acontecimentos que, apesar da distância e do tempo, ficam historiadas em nossa memória afetiva como tatuagem impossível de ser removida. Cicatrizes que, em determinados momentos, nos fazem transbordar lágrimas e sentimentos de significativa saudade.
Trajetórias escolhidas ou impostas pela lida, despertas por lembranças. Nostalgia profunda do que se viveu ou almejou.
Sem lamentos, necessário se faz investir no presente. Presentes que não perdem o brilho e a relevância quando percebemos a vida como uma sucessão de fatos nada aleatórios que nem sempre nos direcionam a todos os desejos. Iluminam portas que, por vezes, não percebemos.
O essencial é constatar a importância e significado de cada momento, sem nenhum lamento.

Wanderlucia Welerson Sott Meyer

9 de mar de 2013

Pensamento e vida



Em certos momentos, nos cansamos... Descobrimos que estamos vendo a vida com os olhos do outro. Segue-se o incômodo de ter-se perdido vagões de histórias, rompido com aquilo que nos é essencial para sentir, agir e falar, o que não nos pertence. Vazio extremo que passa a incomodar e, se não tomamos as rédeas da vida, podemos seguir algo sem sentido, sem retorno. É preciso doar, mas, também é preciso doar-se. Restituir sonhos, redirecionar caminhos, avaliar o que vale a pena. Perdas teremos em qualquer circunstância. Se optarmos por continuidade, teremos que nos acostumar com a passividade e a insatisfação. Se o nosso desejo for o de seguir novos rumos, inevitavelmente, deveremos arcar com as conseqüências e mudanças. Amadurecer sentidos e sentimentos, talvez  seja o nosso maior desafio. Estacionar significa aceitar externamente aquilo que não nos pertence, originando desconfortos físicos que nenhum remédio consegue aliviar. Caminhar, mesmo que por outras possibilidades, pode ocasionar a perda de uma suposta estabilidade, mas, também nos proporcionar experiências de profundo significado.

7 de mar de 2013

Tronco em flor - Mulher


Não procure desvendar o que espera e quer uma Mulher, nem mesmo Freud conseguiu, apenas sinta.
O sentir eleva possibilidades de encontro com o outro.
Desvende em seus olhos a sobrecarga diária de compromissos pequenos que fazem toda a diferença na vida dos que a cercam. Sinta as inúmeras vezes em que ela apenas espera que lhe ofereçam colo. Inspire-se nos inúmeros momentos em que o cansaço é visível e a vida pede continuidade. Um filho que roga presença, o desdobramento para atender aos pedidos de presença e, a culpa interminável que se carrega sem ter culpa submersa no desejo de ser fonte inesgotável. Sinta que as reclamações diárias podem ser gritos surdos de socorro de quem atende a todos, esquecendo-se de si. Sinta... Perceba que suas lágrimas não são de revolta, desistência, medo... Há em cada uma delas o desejo de porvir, a inquietude de felicidade possível. Como se fácil fosse desenvolver desejos de mudança e estabelecer caminhos para que não sofram. Sinta seus sonhos... Quase todos não lhe pertencem, quase todos são coletivos... Envolvem pessoas e caminhos.
Alimente-se com a alegria que ela transborda ao receber flores, gentilezas, amores.
Não procure desvendar o que espera e quer uma mulher, apenas aceite esse inevitável e envolvente desejo ardente de entregar-se ao mundo. Ser absoluto, Ser Mulher!

26 de fev de 2013

Amor


Quando é que se sabe o momento que alguém se torna eterno em sua vida?
Quando as lembranças nos visitam periodicamente.
Quando inquieta saber que o outro não está bem.
Quando é possível perceber a dor alheia mesmo de longe.
Quando permanece a sensação de incompletude.
Quando a distância e o tempo, não proporcionam o esquecimento.
Quando o perdão é exercício diário e indolor.
Quando se acredita que o outro possa ser feliz além de seus limites.
E, por fim, quando se respeita a decisão de partir
No desejo terno de felicidade possível
Penso que tudo isso é o que se chama de Amor!

Wanderlúcia Welerson Sott Meyer

18 de fev de 2013

Amor maduro


A maturidade nos ensina que príncipes não existem, que o amor só é para sempre se for construído e reconstruído diariamente através de erros e acertos, certezas e equívocos. Quando se faz uma escolha, faz-se necessário investir no caminho. Com o tempo se percebe que não basta trocar de “roupa”, mudar os “móveis”, reformar o exterior. O fundamental é descobrir que a perfeição é inatingível. Como seres em evolução, estaremos sempre lidando com emoções e sentimentos dicotômicos, pensamentos e palavras que edificam e destroem. Não se enganem, nossa maior escola é o lar, exercício de paciência, tolerância, amor e, principalmente, perdão.

13 de fev de 2013

Respeito... sou Mulher!



Hoje escrevo por incômodo, expressando o que vi e ouvi. Sou mulher, guerreira, independente, no entanto nunca abdiquei do espaço e jeito de ser Mulher. Cavalheiros me encantam, adoro flores, gentilezas, gosto de me sentir respeitada e me apaixono por músicas, textos e poesias que buscam desvendar a alma feminina, tão diversa e complexa, que chegam a taxa-la de incompreensível. Há anos não participo de carnavais, opção consciente que faço sem nenhum preconceito. Confesso que antes adorava participar de bailes, cantar marchinhas e ver desfiles. Este ano optei por viajar com minha família para uma região litorânea. Ficamos próximos à praia e todas as tardes grupos de jovens (muito jovens mesmo) e adolescentes reuniam-se em concentração esperando o desfile dos blocos e trios elétricos. Sou culturalmente eclética, acredito na diversidade e raramente me espanto com o comportamento das pessoas. Mas, fiquei assombrada com as letras das supostas músicas que essas pessoas cantavam e dançavam. Aquilo não era carnaval. Longe de ritmos e opções musicais, vi meninas e mulheres, cantarem e dançarem letras que nada mais eram que um retrocesso no que diz respeito à valorização da mulher. Como dançar e cantar frases que tratam mulheres como objetos e rotulam com palavras chulas seres humanos? Confesso que me senti ultrajada por todas aquelas mulheres e meninas que lá estavam sem se darem conta de que estavam sendo insultadas. Alguns podem dizer que não compreendo por não pertencer a essa época, mas, vi nos olhos e na fala de minha filha a mesma indignação. E se há tanta luta justa por igualdade e quebra de preconceito, como podem deixar que essas letras hediondas entrem em nossos lares e ouvidos como algo normal? Eu conheço e reconheço a liberdade de expressão, mas, também tenho consciência dos direitos que tenho como cidadã e mulher de não aceitar que tratem seres humanos femininos com vulgaridade e desrespeito.
Opinião que expresso como desabafo sem pretensão de convencer. Se for uma tendência que seja algo que respeite e acrescente. Que ninguém seja obrigado a receber insultos em alto falantes e enormes caixas de som, enquanto uma plateia tomada pelo ritmo dança sem refletir no que ouve.

2 de fev de 2013

Dúvida

Se me derem motivos para perder o equilíbrio, preciso buscar a compreensão e entender a limitação do outro, isso já aprendi e exercito. Difícil movimento de resignação que me envolve em sentimentos dúbios e complexos. Só fico me perguntando e, talvez porque ainda não seja tão evoluída assim, qual é o limite da acessão.

Wanderlúcia Welerson Sott Meyer

"A dúvida nos atormenta do berço ao túmulo."
Victor Hugo

24 de jan de 2013

Redenção



Há 2013 anos um ser de Luz inimaginável, fez-se presente entre nós para nos ensinar o verdadeiro significado do Amor. Magnânimo, sábio e generoso não nasceria à cata de riquezas, não almejaria o poder, nem pregaria a palavra de Deus espalhando temor e medo. Colocou-se entre os pobres e humildes e peregrinou sobrea Terra ensinando através de palavras. Apresentava uma serenidade inconfundível e espalhava generosidade e amor por onde passava. Recolheu homens simples, consolou e ensinou pelo exemplo. Nenhum ser até então demonstrou tanta coragem e fé. Sua palavra reflete paz no coração de quem a conhece. Ensinou-nos s olhar além das aparências, a não julgar, a multiplicar mesmo quando pensamos nada possuir, a buscar a fé incondicionalmente quando tudo parece ruir. Alimentou-nos com a resignação diante da dor e a crença absoluta na preexistência da alma, do Ser.  Suas lágrimas eram fraternas, não as derramava para si, rogava pelos homens que tão pouco conheciam. Um Rei sem trono, sem riquezas que possuía como dádiva o dom de Amar. Ainda hoje, sua palavra é significativa, receita certa para que busque evoluir.

Wanderlúcia Welerson Sott Meyer