21 de set de 2009

Recomeço

Estou recomeçando...
Devagar e mansamente, diferente, consistente, consciente.
Lentamente...
Experiências ensinaram-me a conviver com a solidão.
Já não tenho medo.
Acabou a pressa.
Vivo cada dia como se fosse o último.
Já não me importam as idéias que não edificam.
Os comentários que não acrescentam.
As atitudes racionalizadas.
Permito-me viver...
Sonhar... Ser...
O silêncio não assusta.
E a alegria, antes contida.
Encontra-se refletida no olhar.
Quero o amor que mereço.
Nem mais, nem menos.


Wanderlúcia Welerson Sott Meyer
Publicado no Recanto das Letras em 21/09/2009
Código do texto: T1822843

16 de set de 2009

Ausência

É vazio o sentimento que preenche a alma
Sinônimo da falta que se sente
O amor que se espera...
É estranha a dor que provoca
Um sonho inacabado e bom
O sorriso na lembrança
O carinho que ainda toca a pele
É distante o amor que almeja
Nem se sabe ao certo de sua existência
O que incomoda é o desejo que não cessa
A hora que passa, os dias...
Nada que possa aliviar a ânsia
É ideal imaginário ou esperança?
Não se sabe...
O fato é que alimenta
É certo não se saber viver
Sem sonhar...

Wanderlúcia Welerson Sott Meyer
Publicado no Recanto das Letras em 16/09/2009
Código do texto: T1813352

14 de set de 2009

Cada gota...

Se cada lágrima pudesse ser traduzida
Cada gota decifrada
Cada dor sentida
Saberias o quanto pode alguém te amar
Da forma que sempre fora
Sem pretensão de modificá-lo
Tornando-o projeto dos meus desejos.
Amor que é amor não morre
Nem se o tempo e a distância
Não lhe permitem caminhar
No entanto,
Há saudade...
Nela me encontro em você
Transbordam dos olhos as lágrimas
Todas suas...
Todas nossas...
Cada gota...


Wanderlúcia Welerson Sott Meyer
Publicado no Recanto das Letras em 14/09/2009
Código do texto: T1809657

13 de set de 2009

"Nenhum homem é uma ilha."

“Nenhum homem é uma ilha.”

Chardin

Mesmo que a solidão lhe visite
Não permita fazer morada

Há um tempo pra pensar

Talvez, sozinho

Quando possível...

Contudo, a criação acontece

Quando, através de inferências

Colocamos-nos abertos

As novas experiências.

Wanderlúcia Welerson Sott Meyer
Publicado no Recanto das Letras em 13/09/2009

Código do texto: T1808614


11 de set de 2009

Poética resistência feminina

Estranha paisagem que insiste em permanecer intacta, ou talvez seja a alma que persiste em não mudar? Um quarto bem definido em suas formas, amplo e claro. Paredes que nunca responderam aos apelos e um silêncio sepulcral que antes torturava. Acostuma-se com a solidão, assim como se pede aplausos e reconhecimentos. Quadros que nada dizem, perfume de mulher rompendo o ar inerte. Milhares de pensamentos confusos e o desejo de prosseguir. Alma feminina que sonha e redescobre o óbvio. Guardou-se temporariamente o encanto, adormeceram sonhos e palavras. Um caminho de pedras, trilhado pela insegurança, a destituição de certezas, o receio do que há de vir. Ocultou-se a menina, acordou a mulher! Seu coração bate descompassada... mente, por que ainda vivo, almeja todos os sentimentos que lhe fizeram pulsar, em busca da vida. Um ar feminino de fortaleza recriada e endurecida. Repleta de sonhos... perdida. Entregue a tudo que sente na luta incessante e ardente de emoções que as sustentem. Coragem, olhar de valente. Contraste do colo que pede, por muitas vezes ausente. Aprende-se que nem sempre presente está o amor que se estabelece. Nas juras, sonhos e promessas... não restam nem mesmo as lembranças. O ritmo desordenado que impomos à vida, nos leva a esquecer sentimentos, negar o que tanto almejamos. Como flor que seca, petrifica também a alma. E se lágrimas caem como chuva, já não há mais o terreno fértil, nem sementes... Só se consegue a lama úmida, causada pelo o descaso e o abandono. Alma feminina, guerreira, sonhadora e incorrigível. Ergue-se em um átimo. Desperta, move-se. Se a paisagem não se movimenta... Transformar-se-á em luz.

Wanderlúcia Welerson Sott Meyer
Publicado no Recanto das Letras em 10/09/2009
Código do texto: T1803124