18 de out de 2014

Palavras escritas

Pouco desejo entender sobre as asperezas da lida.
De que vale ver, se tantos outros encantos despertam esperança e vida!
Não discutirei retóricas ou escutarei argumentos que pouco acrescentam.
Frases superficiais, ideias inconsistentes, poucos argumentos.
Todos os sentidos que poucos apreendem,
Aguardam ansiosos pelo entendimento.
Ao observar a harmônica natureza
Penso em cada Ser, encanta-me à beleza.
Ontem, a experiência...
Agora, a eloquência escrita de mágicas palavras traduzidas em afeto.
Amanhã...
Aprenderei a observar os sinais da vida!
Ansiedade reduzida pela compreensão da inexistência do acaso.
Se a vida nos foi oferecida gratuitamente
Opto por semear abundantes sementes
Aguardando a ação generosa do tempo
Registro minha história sem nenhum lamento


29 de jun de 2014

Asas partidas

Asas partidas entre a realidade e o sonho
Canção distorcida rogando vestígios de passado remoto
Histórias de vida adornadas de retalhos nem sempre seus
Entre tudo o descuido de ter observado pouco a paisagem.
Descobre-se por entrelinhas que o que almeja
Nem sempre corresponde ao concreto
Adaptações, ajustes e aquiescências. 
O coração grita, o ser apazigua, acalma.
Evolução interior que pede alma.

Wanderlúcia Welerson Sott Meyer - Escritos

23 de jun de 2014

Introspecção



Ando buscando palavras para traduzir o que a alma sente
Viajo, passado e presente, sem compreender muito o contexto futuro.
Penso que deva ser assim...
Nesses passeios de memória e vida
Há presenças antigas tão próximas!
Quando cerro os olhos, consigo senti-las.
Esses devaneios parecem despertar sentimentos
Conveniência adormecida.
Em alguns momentos, posso tocar
Perceber a essência, o perfume,
Como se presente fosse.
Silencio profundamente os anseios
Viro páginas, reescrevo histórias.
O Ser, em construção indefinida e crescente.
Escuta os rumores da vida que pede continuidade
Ando, viajo, investigo, sinto e retorno.
Conto com o tempo para entender o que incomoda
Alimento a alma de alegria
Recolho o que de bom às circunstâncias me  oferecem
Entrego-me aos ventos
Percebendo a paisagem que faz um convite à vida

27 de mai de 2014

Do encantamento


Cedo, abro a janela do quarto. Tão cedo, que meu filho pergunta: “Já de janela aberta, mamãe?”. O acolho nos braços e lhe digo: “É para dar bom dia, ao dia!” Chego à janela aberta: “Bom dia, dia!” e os pássaros parecem responder um sonoro “Bom dia!”. Meu filho sorri e se encanta eis um bom começo.

Os atropelos da vida nos conduzem ao desencanto. Deixamos de observar momentos de rara beleza. Não nos damos conta de circunstâncias simples que preencheriam nosso caminho de flores se fossem observadas cotidianamente. São dádivas que recebemos: a natureza, as pessoas com as quais convivemos, os aprendizados. Há quem passe pela vida sem percebê-la, apenas passe. Encantar-se, permitir-se o enlevo, harmonizar-se com as situações, sejam elas de conflito ou de paz. Quando passamos a aceitar o que nos advém, esforçando-nos para laborar em prol da vida parece que conseguimos vislumbrar melhor as dádivas. Desenvolvemos a gratidão e, portanto, o encantamento. Toda reclamação é pura perda de energia! Reconciliar-se, perdoar-se, ouvir o pássaro, observar flores, agradecer... A chuva, o vento, o Sol que proporciona renovação e vida continuamente. Encantar-se pelo corpo físico que deténs e lapidar carinhosamente o princípio de vida que nos conduz ao Eterno,

18 de mai de 2014

Conversando com Deus

Senhor,
Andei pensando em Lhe pedir serenidade
Já descobri que é somente o que preciso para seguir
Daí me lembrei que para adquirir essa placidez que tanto busco
Dependo mais de mim do que da Tua vontade.
Ando seguindo os caminhos que para mim preparas
Creio que persisto porque sinto Tua presença.
O fato de não compreender causa-me certa insatisfação
Minha alma ainda imatura
Pede por caminhos de luz com os olhos cerrados
Roga por paz, sem apaziguar o próprio coração.
Entendo que o que me proporcionas é imperioso
Contudo, as recordações retidas.
Remotas memórias de felicidade plena
Suposições impressas na alma
Que aspira ascender em direção a vós.
Desperta a necessidade célere de evoluir
Ansiedade que retarda e estaciona
Processo generoso e lento
De lapidação da alma
Compreendo Senhor!
Entendo o que desejas.
Acalma meu coração
Auxilia-me a espera.
Se de serenidade preciso
Indispensável se faz o aprendizado.

13 de mai de 2014

Almas gemas

Não creio que existam almas gêmeas... Alguns relacionamentos, com o tempo se transformam em algemas ou almas que gemem. Acredito, em "almas gemas"... verdadeiras gemas preciosas que se encontram e transmitem energias revigorantes e significativas.

12 de mai de 2014

Travessias




Abarcada por uma aparente serenidade, acomoda sentimentos desconhecidos. Alguns perderam o sentido, dificilmente virão à tona. Entorpecidos causaram danos irreversíveis, agora, o esquecimento se faz necessário. No peito algo de vago e vazio, avesso às sensações e desejos de felicidade plena. Com o tempo e com as experiências oferecidas pela trajetória, aprende-se a canalizar energias para o indispensável, o real. Entende-se que a felicidade não se apresenta definida, é a construção e a valorização de momentos significativos, reabastecimento temporário da alma para o enfrentamento dos períodos de tempestades. A racionalidade controla emoções e entusiasmos primários provocando assombro e desconforto. Persevera-se, asas cativas, sonhos adiados... Estagnação temporária e precisa, espaço de vida onde é preciso silenciar, pensar e auscultar. Sondagem de percepções adormecidas, imprescindíveis à continuidade do Ser.

Wanderlúcia Welerson Sott Meyer

27 de abr de 2014

Amor próprio



Não mais baterei solicitando entrada.
Nem direi o quanto eras importante para mim.
Não lhe dispensarei os ouvidos
Nem mesmo depositarei tua cabeça
No colo delicado e macio.
As possibilidades extinguiram-se
O descaso desfez o encanto
Seguirei sem mágoa.
Há vida, caminho, estrada...
Persistirei serena,
Não mais me consumirei em teus encantos
Basta-me de pranto!

Reflexões interiores



Dos avessos que percebo entre realidades que não procuro a ilusão talvez, seja porta entreaberta refletindo possibilidades. Temo que tomada por verdades que nem ao menos sei se permanecem, a dureza das ações cotidianas possa envolver o coração em um estado de torpor indefinido. Há reações que a alma desconhece, contudo, convive por não encontrar caminhos e saídas. Ao tempo, caberá o discernimento das escolhas que nem sempre são individuais. Circunstâncias de vida que direcionam sem consulta prévia, conduzindo vontades exteriores, adaptações que silenciam os anseios e entorpecem os sentidos.

25 de abr de 2014

Desordens

Outono que arrefece,
A pele percebe o frio.
Algo abrigado, retido na alma.
Desassossega, inquieta.
Anseio adormecido
Petrificado e esquecido
Começa a ser aperfeiçoado
Desperto, aceso...
Abrasado pelo imperativo
Desejo de entregar-se a vida.
Circundado por circunstâncias inesperadas
Aquietou-se...
Agora, revolto
Carece de serenidade
Ação segura do tempo
De um momento em que o ser
Ambiciona alegria..

20 de abr de 2014

Como na primeira vez...

Como se fosse à primeira vez,
Conferiria aos sonhos
Integrando-se ao delírio de felicidade plena.
Como de fosse a primeira vez,
Despertaria sorrisos aleatórios
Permitindo-se a condução insegura
Acidental e destemida
Como se fosse à primeira vez,
Bastariam três palavras
A insensatez envolveria a consciência
Despertando caminhos e desejos
Inimagináveis e intrépidos
 Lucidez cotidiana
Onde hábitos e conveniências

Absorvem oportunidades de vida.


12 de abr de 2014

Reflexos

Cuide-se para que a imagem refletida esteja próxima da harmonia interna que tanto almejas. 
Lembre-se que, aparentemente, podes omitir desajustes e desequilíbrios... 
Procure emitir somente notas consensuais e simétricas.

Equilibra-ser diante da vida é presente sem precedentes. 
Simetria que inspira calmaria. Pertinácia de busca infatigável pela paz!

7 de abr de 2014

Abraça-me

Abraça-me Senhor!
Conduzi-me pelos caminhos da vida, oferecendo-me alento para as dores que, por vezes, incomodam. Fortaleça-me para que posso oferecer, mesmo em silêncio, as lições apreendidas em Seu Evangelho de Amor. Ampara-me quando o peso das experiências e as lágrimas vendarem meus olhos e obscurecerem a esperança. Instiga-me a perseverar em atitudes que semeiem o aprendizado seguro do Amor. Humildemente rogo que me doutrine nas vivências enriquecedoras, e que não permitas que ansiedade e o desespero tornem-se senhores de minha vontade.
Abraça-me  Senhor!

Transmitindo as energias necessárias para o enfrentamento das vicissitudes diárias. Resigna-me ao entendimento de que mesmo antes de existir, já zelavas por mim. Que a doação, seja sinônimo de conduta diária e segura. Que ao abraçar o outro, possa doar energias regeneradoras e,se longe estiver, que através da oração consiga transmitir as bênçãos da paz, da serenidade e da fé.

4 de abr de 2014

Constatação

De fato, a maior obstáculo do ser humano no que diz respeito à sua evolução é a educação dos sentimentos. Reconhecê-los como verdadeiramente são, aceitá-los em profundidade e adaptá-los aos nossos imperativos evolutivos, constitui-se tarefa difícil e árdua, no entanto, possível.

Difícil, porque ainda nos propomos a conhecer o outro sem nos conhecer. Árdua, porque requer o reconhecimento de nossas fraquezas, submersas em nosso inconsciente que, vez ou outra, emergem despertando culpa e dor. Possível, porque todos os dias a vida nos oferece possibilidades de restauração e recomeço. O que nos cabe é o empreendimento de ações que favoreçam nossa trajetória.

26 de mar de 2014

Amor maior

Observo meus filhos adolescendo... Tenho a impressão que não foi há tanto tempo assim que também vivenciei as questões que os afligem. Se considerarmos a vida como um caminho de evolução contínua, realmente não foi. Ouço suas perguntas, procuro responder o necessário e, quando excedo nas explicações, eles me alertam com um “já entendi, mamãe”, lembrando-me que o entendimento caminha ao lado da maturidade adquirida.
Os sonhos, as ansiedades, o desejo de amor, a inconsistência dos sentimentos... Processo natural de conflito que os conduz aos questionamentos e dúvidas necessárias. Passei por todas essas etapas, ainda passo... mesmo que em proporções e possibilidades diferenciadas, contudo adquiri com as experiências a consciência de que é preciso manter a serenidade diante dos conflitos.
Lembro-me que, nesse mesmo período de desenvolvimento, fui ter com uma amiga, conselheira e confidente, já em adiantada idade, que me socorria sempre que as dúvidas assolavam minha alma. Dona Ieda... Olhos de paz, voz suave, compreensão aguçada por experiências de vida. Relatei minhas angústias, os sentimentos conflitantes, a ansiedade natural de amar e ser amada, o futuro incerto, os planos de estudo e trabalho que certamente já estavam traçados e eu os desconhecia. Disse-lhe de minha afetividade sincera envolvida em um imediatismo gritante que provocava desajustes em meu ser. Escutando-me silenciosamente ela sorria com os olhos e, no desfecho de minha fala juvenil, argumentei com os olhos marejados d’água: “Acho que (nessa época ainda achava, pois quem acha não tem certeza) não serei feliz no amor...”; sorrindo, ela apenas disse: “Acalme-se querida, você terá um longo caminho de aprendizado de amor.” Continuei: “Mas, quando saberei quando chegar?” Acariciando minha face, enternecida pela inexperiência que me envolvia, ela respondeu: “Siga o seu coração e consulte sua consciência... se você pensa muito em alguém, certamente, essa pessoa também pensa em você.” Saí de lá enternecida pelas sábias palavras e acalentada por um amor que ainda não compreendia.
Hoje, vinte e oito anos depois, consigo visualizar o sorriso de minha querida amiga, lembrança de luz que me acompanha. Compreendo que o amor que tanto me afligia encontra-se na serenidade que vou adquirindo. Descubro a expressão do amor de diferentes formas: no colo que acolhe o filho, nas mãos que afagam, nos ouvidos que se entregam à escuta, na renúncia que sustenta para que o caminho seja menos tortuoso, no olhar que compadece, no trabalho voluntário, no amanhecer oferecendo-me possibilidades de recomeço.
São tantas as possibilidades de amor e tão singelas... Tão próximas e ao mesmo tempo, tão remotas. O princípio descaracterizado por expressões de imaturidade nossa, torna-se o fim.
Não poderei escolher e tão pouco viver por meus filhos. Venho lhes oferecendo a formação básica para uma vida tranquila. Conceitos que acredito serem fundamentais para o discernimento e escolha dos caminhos que seguirão: Amor a Deus, Amor próprio, Amor ao próximo. Sentimentos que lhes fornecerão oportunidades de crescimento e amadurecimento emocional e intelectual seguros. Contudo, sei que cada um seguirá suas tendências e possibilidades... O certo é que procurarei estar ao lado, em nome do amor que hoje reconheço. Sorrindo e chorando se necessário for. Há no amor uma espécie de encantamento que me leva a crer que somos lapidados generosamente pela vida.



21 de mar de 2014

Autoretrato

Que diria o tempo da serenidade adquirida contrapondo-se aos traços imprecisos da pele?
Do olhar que agora segue distâncias sem ao menos sair do lugar?
Da ansiedade que cede lugar à espera consciente de vida plena, seja em que tempo for?
Talvez dissesse...
Não exauri suas forças, não lhe tirei os sonhos, não lhe subtrai a energia.
Apenas ministrei o ensino da espera,
Assimilada pelo imperativo da paciência
Aliada à perseverança.
Não arremato, concluo...
Sigo!

Comigo seguirás mais leve.

Wanderlúcia Welerson Sott  Meyer

20 de mar de 2014

Entrelinhas



Continuo dizendo o que desejo
Contudo, a SENSATEZ...
 serenidade que tanto almejo,
Racionalmente, ensina-me que é necessário escolher palavras,
esperar momentos,
observando, sentindo, refletindo silenciosamente.
Haverá o momento de expressão
Aclaramento necessário que romperá o que agasta
Direcionando novas possibilidades
Por enquanto, sigo mirando realidades concretas,
Calho o que é possível

historio discretamente meus anseios.

2 de fev de 2014

Alma inquieta

Vez ou outra...
Sinto que nem todas as escolhas que fazemos são realmente nossas.
Adequações, conveniências, circunstâncias
Condução indefinida...
Fato é que com o tempo tudo se encaixa.
Enquanto isso...
Insurge à necessidade de enfrentar
Preservar a emoção, o sentimento, a esperança.

Wanderlúcia Welerson Sott Meyer

30 de jan de 2014

Autoperdão

Vou construindo conceitos de vida...
Um deles... 
Não são exatos, nem mesmo coerentes.
As experiências ensinaram-me que a cada situação é preciso adequação.
Uma vaga certeza me conduz...
Busco somente a serenidade!
A placidez de poder enfrentar tempestades sem esmorecer.
Outro...
O autoconhecimento fortalece e direciona vidas.
Assim, reconheço-me como protagonista de uma história sem fim.
Se desejo viver em paz, preciso semeá-la.
Valendo-me da oportunidade de novos dias
Reconstruo caminhos...
Reflito, aceito, transformo o possível.
Há circunstâncias que exigem tempo.
Nenhum julgamento...
Dispensa de preconceitos, perdão.
A generosidade para comigo
Liberta-me da culpa que paralisa e fere.
Aprendiz... Assim intuo.
Equívocos... Sei que os cometo.
Complacência e delicadeza com o Ser Humano que sou.