28 de abr de 2016

Inquisição


Descortina-se a alma,
Investigam-se sentimentos
Poucos estrondos, muitos rumores
Induzidos pensamentos...
Todo aquele que busca conhecer-se
Percorre caminhos
Quase sempre sozinho
Intensos, complexos, incertos
Trajetória que pede crescimento
Declínio de memória, algum esquecimento...
Renovação, renascimento.

Wanderlúcia Welerson Sott Meyer

20 de abr de 2016

Escolhas


Entre calmarias, tempestades, tropeços e constâncias...
Segue a vida conduzindo-nos
Dias de sol e de chuva
De risos e lágrimas
De dúvidas e nenhuma certeza
Tece o tempo instâncias nem sempre atendidas
Nele navegamos...
Em algumas circunstâncias, conduzidos pelos desejos.
Outras...  
Entregues aos vendavais
Inertes...
Aturdidos pelas turbulências da vida.
De tudo que se leva
Apenas o que sente...
Construções erguidas pelo que se absorve

Pode-se tombar, desistir, ruir...

Há de se erguer, prosseguir, fluir...

Wanderlúcia Welerson Sott Meyer

12 de abr de 2016

Topor

Há dias arrisca-se a traduzir o que sente. Não há palavras, nem escritas... nem faladas, somente pensamentos distantes e uma sensação de amortecimento da alma. Incomoda-se ao perceber que o que antes lhe era essencial, tornou-se insignificante; que os sentimentos adormeceram e que não se consegue encontrar o eixo, o motivo que desperte aquele desejo incontrolável de busca. Situação morna resultante de inúmeros desencontros, de frases não ditas, de anseios arquivados, de costumes indevidos. Aquele encanto por caminhos desconhecidos, o sorriso aleatório e o olhar transgressor foram substituídos por um longo silêncio sem nenhuma veemência... Busca-se não parar, não pensar, não remexer o que foi devidamente legado ao passado. Negação intermitente de imperativos que jamais se cumprirão. Demandas que se retomadas provocariam oscilações internas e externas. Há processos pessoais de construção histórica que necessitam de temperança, prudência em relação às escolhas, abnegação para que o contexto coletivo se harmonize.

5 de abr de 2016

Metamorfose

O que muda internamente? Aos poucos tudo. Percepção de travessias, ainda mornas, ainda alimentadas pela taciturnidade, ainda reflexão. Vácuo e doloroso incômodo no plexo cardíaco, esforço de concentração, busca... De quê? Certamente não se sabe. Quando já dominamos os instintos, os impulsos, as instigações externas... Silenciamos e começamos a compreender o que nos pede a alma. Os gritos, antes surdos passam a ser decodificados e, aos poucos os que não percebiam o incômodo começam a se impressionar... Sem palavras que expliquem ou argumentos que lhe sirvam, segue...