14 de mai de 2012

Passageiro


Foi bom enquanto foi...
Sonho improvisado de felicidade
Plena e ilusória
Serviu de alicerce temporário
Partiu...
Ventura efêmera
Do que se sonha e nada realiza
Consistência enganosa
Se fosse plasmado em vida
Perderia o encanto
Absorvido pelo cotidiano
Verteria lágrimas
Há momentos...
Só que nos servem de êxtase
Entorpecimento da alma
Ilusão temporária.
Assim deve ser...
Para que o que é bom
Mesmo que pouco dure
Seja convertido em saudade.

 Wanderlúcia Welerson Sott Meyer

4 de mai de 2012

Viver




Quem não precisa de colo, afago, afeto, ternura?
Quem não se presta a entrega, oferenda, oblação às escuras?
Quem se recusa por medo a entregar-se em segredo a uma paixão?
Quem se acomoda e espera, sem sentir pela vida a menor emoção.

2 de mai de 2012

Travessias



Da janela do carro, voltando para casa, distanciando-me de origens e raízes que se fortalecem no reencontro, lembranças alimentam saudades. Do muito que se construiu, das experiências vividas, das lágrimas vertidas em momentos de dor e alegria, das ilusões destituídas por realidades escancaradas, imagens desfeitas, sentimentos demudados pelas circunstâncias, prevalece à sensação de continuidade, evolução e vida. Não sou a mesma, demarco sonhos legítimos, esquadrinhando uma felicidade sem maiores pretensões. Sem esperar muito de quem quer que seja... Almejando o possível em contextos ainda desconhecidos. Assim sendo, defendo-me de decepções desnecessárias, não mais espero que façam, digam ou sintam. Apreendi que sou o resultado do que desejo e vivo. Não cabe ao outro sentir, dizer e fazer por mim. Compreendo que cada um de nós tem limitações e entraves a serem vencidos e, que o máximo que posso fazer é lapidar o meu próprio espírito. Lentamente, percebendo-me em desenvolvimento, aparando as arestas e lapidando com gentileza o que ainda me prende ao “homem velho”. Distante de julgamentos que pouco contribuem, caminho entre pensamentos e emoções de amor. Amor de partilha, troca, edificação. Menos egoísta e frágil... Amplo e verdadeiro. Amar de amor, simplesmente... Abrindo espaços para afetos que realmente serão eternos, porque ternos deixarão saudades afáveis e lembranças inesquecíveis.
Wanderlúcia Welerson Sott Meyer
Enviado por Wanderlúcia Welerson Sott Meyer em 02/05/2012
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