28 de nov de 2012

Simples


 
Ouça,
Não me console
Não quero palavras.
Quero suas mãos em meus cabelos.
O cheiro do teu corpo.
A lágrima que se mistura a minha.
Quero seus braços me envolvendo.
Segurança que acolhe e cuida.
Sem piedade,
Lamentos ou lembranças
Do que poderia ter sido...
Quero você!
Wanderlúcia Welerson Sott Meyer

22 de nov de 2012

Amanhecer



Absorvo o necessário de todas as possibilidades oferecidas pelas circunstâncias.
Sou mar bravio que impulsionado pelos ventos desestabiliza e modifica paisagens.
Sou serenidade reversa as atribulações que se impõem enquanto caminho.
Não há o que me assombre enquanto o amor me sustente.
Minha alma silencia enquanto penso, subtraindo farpas ocasionalmente instaladas.
Incômodas situações temporárias que conduzem a aprendizado seguro.
Amanhece...
Possibilidades instalam-se a cada segundo de vida.
Passado comprido e cumprido...
Lembranças vivenciadas, possíveis certezas que variam ao amadurecer.
Algo de novo estabelece inconstantes pensamentos.
Renovam-se atitudes antes rejeitadas por reflexões invariáveis.
Há alma...
Inquieta, descoberta, fendida e sonhadora.
Fonte de vida renovável
Contraditória e incompatível
Desvia-se de predestinações e destinos.
Construção indefinida, projeto indeterminado.
Circunstância de vida fluente
Impondo-se enquanto Ser.


Incongruências afetivas





Pensa-se amar...
Amor que abriga e afasta
Amor que consola e oprime
Amor que transparece e esquece
Amor que conforta
Que apenas recebe
Que afaga
Que devasta
Que incentiva e reprime
Amor, desamor
Que pouco acrescenta
Amor afinidade
Que quase nunca invade
Amor sem retorno
Dispensa adornos
Amor de amar
Simplesmente...
Longe, distante de gente,
Que acredita reter eternamente

Wanderlucia Welerson Sott Meyer

15 de nov de 2012

LEMBRANÇAS





Algumas lembranças tortas passam a incomodar. São tortas porque com o tempo pedem esquecimento e são preenchidas por inferências, distorcidas por desejos. Atitudes tomadas em estado de paixão que parecem não ter acontecido. Palavras proferidas sem nenhum comprometimento, atitudes que geraram chagas cicatrizadas pelo tempo, anseios de porvir que ficaram estacionados, ancorados em algum porto de um mar sem vida. Depois de tanto tempo deveriam ser irrelevantes, contudo, despertadas em sonhos de sonos profundos, começam a remover sentimentos antes assentados pela vida. Despertos, incomodam,trazendo a impressões do que poderiam ter sido, estigmas da alma que se mexem reportando vazios que as escolhas conferiram.

10 de nov de 2012

Educação com amor

Os tempos mudaram, a tecnologia avançou, recebemos informações inúmeras até mesmo as que não queremos, contudo, sempre me pergunto se a pretexto de evoluir o ser humano não venha perdendo sua essência, principalmente, no ato de cuidar.  Assusta-me perceber que nossas crianças comecem tão cedo a sentir a ausência de afetividade, carinho e atenção. São conduzidos pela vida como pequenos adultos, repletos de responsabilidades, utilizando desde muito cedo a expressão “falta de tempo” para justificar falhas, que determinarão toda a vida adulta.  Ouvi uma atriz dizendo que agora que se tornara mãe, havia descoberto o milagre da multiplicação do tempo. Tinha que ser mãe, atriz e preocupava-se em manter tudo o que fazia antes de ser mãe. Não abriria mão de sua vida anterior. Fiquei me perguntando, sem julgá-la, que tempo teria para oferecer ao seu filho. Escondemo-nos atrás de obrigações que julgamos necessárias e fundamentais, nos esquecendo de que o ato de cuidar exige leveza, proximidade, paciência, tempo. A opção, e afirmo ser uma opção de ter filhos deveria não somente corresponder ao nosso desejo de ser pai e mãe, mas e, principalmente, deveria ser uma escolha consciente, consistente e madura. Uma consciência desperta de que nossa vida jamais será a mesma, porque se antes tínhamos que administrar o nosso tempo, depois temos de administrar o amor essência, doação, entrega. E não se iludam, não existe receita. Cada ser que nos chega como filho ou filha é único. Carregam consigo aspirações e tendências que nos posicionam em grandes desafios. O ato de cuidar começa quando nos seguram apenas um dedo, ainda com mãos minúsculas, solicitando-nos silenciosamente a segurança que determinará toda a existência. Percebam como nossas crianças, ainda não corrompidas pelos desejos que temos se alegram com pequenas coisas e situações por nós consideradas insignificantes. Acolhimento, confiabilidade e amor são sentimentos impossíveis de serem comprados. Como educadora, continuo a me surpreender com a necessidade de afeto que verificamos nos olhos de alguns alunos. Indisciplina como grito de socorro, limite que se pede quando tudo pode, carência afetiva e efetiva determinada pelo excesso material e escassez de toque, palavra, escuta. “Fracassos” escolares que nada mais são do que sinais de que algo não está bem. Pequenos sintomas de grandes problemas ocultos, porque negados, impotência diante de uma realidade ainda difícil de ser entendida. Só responda e informe uma criança o que ela lhe perguntar, desencantá-la transformando heróis em vilões, princesas em bruxas, não contribui, destrói.  Sonhos, fantasias… É o que precisam, dosados por uma responsabilidade sentida como exemplo, apreendida por e através do amor.