28 de set de 2012

Amor maior



       Não costumo discutir fatos inevitáveis. É como contestar o que não se compreende exaltar-se diante do desconhecido e depois percebê-lo como óbvio. Como ser humano, passei por revezes que me tiraram o sono, ocasionaram dores, abalaram alicerces que antes eram considerados de sustentação. Situações de conflitos vistas como problemas e, confesso que na época os percebi assim. Se procurarmos no dicionário, encontraremos a palavra problema, descrita como: “obstáculo, dificuldade que desafia a capacidade de solucionar de alguém” ou "pessoa, coisa ou situação incômoda, preocupante, fora de controle etc.”, dentre outros conceitos. Certamente, me identifiquei, nesses momentos pelos quais passei, com o primeiro conceito. Existia uma realidade que me servia de obstáculo, desafiava a minha coragem, provocava a minha fé. Foram longos períodos de luta, resignação e persistência. Curtos instantes de entrega e exaustão. Preces sentidas, palavras opressas e uma busca incansável para me aproximar de Deus. Acredito mesmo, no Deus de amor que renova, segurança que adquiri na infância, na fé que fui interiorizando através dos olhos de minha avó. Meus filhos, nesta época, pequenos, cresceram literalmente comigo. Viram a mãe chorar, ir e voltar de hospitais, mas, em nenhum momento sentiram que eu iria desistir. Sou teimosa, obstinada. Os reunia em volta de uma mesa para ler o evangelho, como faço até hoje. Apreenderam e sentiram a fé que sustenta, os ensinei a agradecer o necessário. Lembro-me de perguntar a Deus o que ele esperava de mim e, com o tempo percebi a sutileza de Sua ação segura e paciente em minha vida. Hoje, consigo perceber outros caminhos, alicerces mais estáveis. Já não temo o que não conheço, não almejo mais do que posso e, vou adquirindo uma serenidade que por vezes me assombra. Consigo perceber o que não me cabe, distancio-me de situações que estimulam minhas tendências e cuido para que meu coração seja lapidado carinhosamente, através do amor. Amor que aprendi ser maior! Amor de partilha!


22 de set de 2012

Primavera


A primavera trouxe a chuva necessária à renovação.
Garoa fina umedecendo a pele
Substituída pela intensidade das águas
O verde mais verde, poeira baixa.
Pássaros entoando canções indefinidas
Despertando flores, aromas e sabores.
Dentro mim, algo floresce.
Elusivos desejos encobertos pelo tempo
Descobertos pela vida
Progressão de sentimentos acordados
Tranquilizados pela maturidade
Adquirida na lida.

Wanderlúcia Welerson Sott Meyer

21 de set de 2012

Passagem


As portas entreabertas da casa escondem receios que surgiram nas experiências e vivências da maturidade. É tempo de pensar mais, falar o necessário, sentir com moderação e agir com prudência, Ninguém se basta, nem se encerra... Aguarda. Diante de uma cena romântica  permite que as lágrimas caiam, sonha e percebe a realidade como necessária. As perguntas, antes angústias, aguardam respostas silenciosas da vida. Esconde-se a chave para que a porta não feche definitivamente impedindo que o novo se instaure. No entanto, quem ou o que entrar deverá espargir aromas de esperança, restaurar delicadamente os sentimentos, traduzir silentes desejos, suscitar sensações de plenitude... Trazer consigo a paz!

18 de set de 2012

Momento


Não ousa falar de sua solidão. De tão instaurada, teme que seja invadida por palavras vazias. Sabe o que quer, deseja... contudo, aguarda a ação do tempo. Imagens vagas, sensações imprecisas. Ninguém por perto para sugerir amparo. Misto de tristeza, sorriso que expressa a urgência de estar feliz!

Wanderlúcia Welerson Sott Meyer

14 de set de 2012

Pensa...ventos



Sou vento em distorcidos pensamentos
Árvore que não enverga
Verdade que não se enxerga
Espaço preenchido pelo que se espera
O que faço não me fascina
Ensina...
Cinzas que se reconstroem
Certezas que se destroem
Enredo inacabado
Axioma abstrato
Anseio que não controlo
Desejo de ter um colo
Palavras que me consolam
Aspirações que extrapolam
Destino que se apreende
Aprende...

Wanderlúcia Welerson Sott Meyer