29 de out de 2011

E por falar em saudade...

Pode ser que o vento mude e o sussurrar das palavras proferidas há tempos atrás, retornem como reminiscências e ecoem produzindo no corpo certa sensação já experimentada de prazer. Quando pouco se diz, pouco se vive... Muito se aspira que o reencontro esclareça as dúvidas intercaladas pelas reticências, pelo silêncio. Busca-se em outras histórias a incompletude, atitude desgovernada de reviver histórias inacabadas. Ainda na lembrança o olhar, ocultando sentimentos, palavras e atitudes que nunca aconteceram. Desperdício de vida! Desprezo de Amor, desamparo de sentimentos que nunca tomaram forma. Dúvida permanente que vez ou outra retorna e, nos olhos que anteriormente reluziam, vertem lágrimas segregadas pela saudade, incompreendidas e anônimas a todos que o passado desconhecem.
Wanderlúcia Welerson Sott Meyer

23 de out de 2011

O que ninguém vê


Minha alma anda precisando de calma
Inquieta por incertezas
Incomodada pela morosidade do tempo
Inconformada pela dubiedade das palavras
Minha alma anda precisando de música
Essa que agora ouço
Transportando-me para as notas
Que soam com o êxtase sentindo
Na inserção no paraíso
Minha alma anda precisando de amparo
Uma só palavra
Toda diferença faria
Contudo, inevitavelmente
O tempo discorre lento
Das certezas germinam dúvidas
Das palavras só resta o vácuo
Do amparo transbordam lágrimas
Solidão velada
Minha alma entrega-se a silêncio
Som que inspira
Insinua possibilidades distantes
Sinfonia que soa como se vida fosse
Se me faltasse significado
Inseriria em cada nota a esperança
Serenamente rogando calma
As dores que me assaltam a alma.

22 de out de 2011

Relacionamento



Cansados de dizer o óbvio, nos tornamos repetitivos, as palavras começam a ecoar somente em nossos próprios ouvidos e, fica enfadonho aquilo que um dia era amor. Não é que se queira muito, normalmente, o que se deseja é o básico, o mínimo. Mas, quando há ausência de diálogo, quando um não é capaz de atenuar ou atender prioridades comuns, a distância vai aumentando de tal forma que se torna barreira intransponível, Não é que se desista instantaneamente, é processo de rompimento longo, envolvendo tentativas inúmeras de reconciliação. Ouvir e ponderar o que o outro deseja, talvez seja nossa maior dificuldade. Nem cogito que o outro sempre tenha razão, pode ser até mesmo que não, mas, que indivíduo não gosta de ver que o companheiro (a), mais próximo e, portanto, imprescindível, levou em consideração suas ponderações e argumentos? O penoso é constatar que as palavras soam como livros mal lidos, nenhuma só vírgula é relevante, nenhuma atitude empreendida e, se a vida é a dois, assim não deveria ser. Partilhar com o outro nossos anseios é aguardar pequenas atitudes renovadas, quando isso não acontece, criamos barreiras intransponíveis. Relacionar-se não é tão complexo quanto se pensa para quem consegue enxergar a importância da palavra, do sentimento, das atitudes inúmeras de regaste da relação através do diálogo que muita das vezes é apenas monólogo. Não precisamos, nem devemos nos moldar ao outro, mas, se convivemos lado a lado com alguém, deveríamos no mínimo, ouvir e verbalizar o que pensamos. Uma atitude madura e inteligente de encontrar caminhos que possam ser trilhados de forma diferente, porque assim somos, mas, ao mesmo tempo com a percepção de estar ao lado, senão de mãos dadas, ao menos ao lado. Quando as palavras já não fazem nenhum sentido e, o outro continua a agir e viver como se nada mais existisse, quem fica à distância, percebe claramente que se encontra em um caminho sem volta. A falência de uma relação é resultado da inconsistência de objetivos, se não comuns, ao menos próximos. Depois que o desgaste determina o afastamento muito pouco, ou quase nada pode ser feito. O mínimo seria tentar manter uma atitude de respeito mútuo e, mesmo que distante, possibilitar que ambos caminhem. O fato é que muitas das vezes, quando pessoas extremamente voltadas para si percebem, tardiamente, que perderam suas relações de afetividade adotam posturas desequilibradas e buscam recobrar sentimentos que se consumiram em atos impensados, omissões e palavras indevidas.  
Wanderlúcia Welerson Sott Meyer
Enviado por Wanderlúcia Welerson Sott Meyer em 22/10/2011
Código do texto: T329143

18 de out de 2011

Versos e reversos

Confuso silêncio que incomoda. Dúvidas e sentimentos desconexos. Aquela que clamava por liberdade tem por companheira definitiva à solidão. Não é que não a queiram. Acostumada a compreender os revezes da vida, a lidar com a incerteza e a insegurança oferecida, encontra-se como lago límpido e sereno na superfície, ocultando turbulências e dúvidas que turvam as águas profundas. Superficialmente claro e calmo...  Interiormente cansada e, quase descrente dos sentimentos expressos sem nenhuma emoção. Se pudesse, se ainda lhe restasse alguma possibilidade de sentir-se inteiramente amada, acolhida, abrigada, compreendida no que diz respeito às emoções genuinamente femininas que esperam muito do pouco que lhe oferecem... Ah se pudesse! Se de forma inesperada e simples, alguém lhe protegesse os sonhos, restaurando-lhe os essenciais... Pouco resta do sorriso que resplandecia, do encanto das sonoras gargalhadas que se ouvia. Vez ou outra, com os olhos encobertos por lágrimas, espera... Até que se obtenha domínio das emoções que incomodam, que a esperança se refaça e que a vida lhe outorgue seguir. Até que a ilusão, a utopia de sonhadora incorrigível, renasça, permitindo-lhe viver!

Wanderlúcia Welerson Sott Meyer

17 de out de 2011

Pássaro livre


O pardal se banha na areia
À sombra da castanheira
Fresta de Sol permitida
Entre folhas...
Não é belo, nem vistoso
Não é raro, nem formoso
Mas, livre!
Voa até a beira do mar
Molha-se em água salgada
Deixa-se rolar na areia
Desmedidamente!
Se belo fosse
De certo seria engaiolado
Se o mais suntuoso canto entoasse
Estaria preso
Cerceariam seu canto
Poucos ouvintes
Canto triste!
Assim somos quando amamos...
Aprisionamos!
Rendemos à beleza!
Roubamos à liberdade!

Wanderlucia Welerson Sott Meyer

14 de out de 2011

Liberdade cerceada

A realidade quando incomoda e não pode ser modificada é tortura velada, prisão sem portas, estrada interrompida. Aceitá-la é imposição que algema, restrição indevida, liberdade cerceada em caminhos impostos pela vida.

12 de out de 2011

Sonhos

Nas noites em que me visitas
Em sonhos
Desprende-se o espírito
Clamando por liberdade
Parece que ao amanhecer
Partes minhas
Dispersam-se no caminho
Fluído de vida que se dissipa
Permitindo vazios...

3 de out de 2011

Renascendo

Dias a fio procuro caminhos e respostas para questões que demandam paciência e espera. A chuva igualmente aspirada começa a umedecer silenciosamente e gradativamente a terra. A natureza agradece! Contudo, não foi sem que arbustos, árvores e flores padecessem vastos campos fossem tomados pelo fogo e animais desfalecessem pela seca. Há períodos em que a terra árida e o solo seco retiram o viço das plantas, secam fontes, dão vazão à destruição. Resultado da ação impensada do Ser humano em relação ao seu habitat natural ou não, tem épocas onde extremos ocasionam perdas bruscas, danos irreparáveis, morte aparente. Assim como acontece na natureza, atravessamos tempestades ocasionais ou duradouras e, períodos de áridas secas que nos proporcionam violentas dores. “Queimam” ou “inundam” nossas energias, assolam a alma que até sente-se assolada e afligida, mas, que jamais se deixa vencer. Momentos em que o que sobra é o deserto de si e, nos defrontamos com nosso “eu”, aquele que negamos e que, tão árido quanto o solo na ausência da água, mostra-se como nosso maior desafio. Contraditório esse sentimento de encontro que ao invés de nos oferecer harmonia, é inconciliável, conflitante e indefinido. Apresenta-nos de frente, do avesso... Escancara o que ocultamos, retirando-nos a máscara, apontando-nos o que de melhor e pior somos o que ainda negamos. Muitas chuvas, tempo de tempestades, buscas tiram-nos o sono, desinquietam-nos o Ser, irrompem certezas, provocam-nos dúvidas que assemelham a espinhos cravados na alma. Tempo de não negar o óbvio, de mostrar-se transparente, ciente e crédulo. Passada a turbulência, essência transformada, valores revistos, alma redimida, volta-se a florescer! 

Wanderlúcia Welerson Sott Meyer em 03/10/2011
Código do texto: T3254842