23 de mar de 2010

A VIDA NÃO PARA ENQUANTO VOCÊ LAMENTA




     Não é possível entender todos os desígnios de Deus para nossa jornada evolutiva. Travamos batalhas internas, desbravamos caminhos. Desgastamo-nos, lamentamos imprecisas dores e, quando nos damos conta, eis que sabiamente, a vida nos permite e determina o lugar necessário. A situação inusitada que tanto repudiamos e que, no entanto, torna-se imprescindível.

     Um erro de outrem, milhares de esforços para que tudo volte a ser como antes e, a impotência diante do que queremos e o que podemos.
     Certamente, muitas vozes, minimizam nossas dores, na busca do consolo que só pode existir, dentro de nós mesmos. E nos deparamos assim... Rompendo novamente todas as entranhas para renascer. Para permitir a vida, instituir a alegria onde antes só se via dor e cansaço!
                              

               
  
Wanderlúcia Welerson Sott Meyer
Publicado no Recanto das Letras em 23/03/2010
Código do texto: T2154018

21 de mar de 2010

ESQUEÇA


É fogo o que queima.
É perda para que os ganhos anteriores continuem a existir.
É fato se contrapondo ao desejo
É medo.
O que poderia ter sido, não será.
O que deveria ter dito, cala-se.
Segrego que se carrega ao túmulo.
Não se faz necessário perder o corpo
Para a extinção da vida.
Basta que se tenha em mente o dever.
Sobreposição ao prazer.
É ninho, reclusão injusta.
É luta.
É ato afastar-se o tato.
É saudade.
O que agora invade
Senão é dor,
Nomeie
É justo que o mundo siga.
É lida.
É fato que o sonho adormeça.
Esqueça!
Wanderlúcia Welerson Sott Meyer
Publicado no Recanto das Letras em 21/03/2010
Código do texto: T2151085

12 de mar de 2010

De quantos sonhos se faz uma vida?


Adormecidas ficaram todas as ilusões da infância.
E quais seriam esses devaneios
Senão o desejo de felicidade?
Eram poucos, porque pouco conhecia.
Acreditava em uma alegria descomplicada
Onde o material residia em outro plano.
Há ventura?
Descoberta de novas brincadeiras.
Amigos e travessuras
Um mundo tão próprio
Que merecia ser personalizado.
Era despertar, descobrindo.
Adormecer, imaginando.
Viver, brincando!
Brincando de sentir.
Brincando de esperar.
Brincando com as dores que não percebia.
E crescia...
O jogo, a boneca, a pipa.
Mas, o mundo pedia:
Cresça!
E sonhava...
Como se desejasse adolescer
Presumindo não enrijecer a alma.
Quando criança não havia tempo,
Nem drama, nem trama.
Era o sentir, Ser...
O dizer espontânea e simplesmente.
O que sente...
E vem a vida...
Implacavelmente desperta.
As lágrimas já não encontram colo.
As dores passam a ser intensas.
As ilusões...
Essas, quando se dá conta...
Perdem-se em meio o tumulto diário.
Adormece a criança...
Torna-se cético.
Esquece-se de sonhar.
E, se consente...
Lá se vai à vida!
O que é simples,
Torna-se inatingível.
Dispõe-se a correr atrás do nada.
No espelho, implacável...
Lá está outra pessoa.
Procura a criança, a lembrança.
A face leve, o sorriso natural
O reflexo pronuncia que deixou ao acaso
O que de melhor possuía.
O tempo conduz as recordações
E passados os anos...
Talvez, possa envelhecer rejuvenescendo.
Permitindo-se sonhos.
Sem lástimas.
Deixando-se Ser
Pura e simplesmente...
O que um dia fora essência!
Marcado, sim...
No entanto, feliz!
Permitindo-se viver!





Wanderlúcia Welerson Sott Meyer
Publicado no Recanto das Letras em 12/03/2010
Código do texto: T2133961

8 de mar de 2010

Reflexão feminina


REFLEXÃO FEMININA
     Sabendo-me mulher, feminina, com ares de menina. Longe de ser carente... presente, independente e envolvente. Educada rigidamente para servir amando, entre mulheres fortes demais para se libertarem sem culpa. Que me perdoem as feministas, nossa independência não passa de uma prisão de segurança máxima.
     No discurso da igualdade, nos esquecemos de que biologicamente e psiquicamente somos diferentes. Sentimos, pensamos, falamos e agimos diversamente. Habilidades próprias, natureza enraizada. Negar a diferença seria como negar a essência. Instalar conflitos, não se permitindo Ser.
        Nos momentos de reflexão e cansaço, onde a sobrecarga deixa vir à tona a fragilidade, questiono e investigo as perdas e ganhos que tivemos.
    Perdas de identidade, submersas à ausência de afeto. De um lado, uma mulher plural que assume responsabilidades e deveres e acumula afazeres, dores e solidão. Do outro, homens também perdidos, antes mantenedores, senhores rígidos. Hoje, imersos em uma desordem de sentimentos. Tão confusos, que nem ao mesmo percebem a importância vital que têm na vida de uma mulher.
     Maturidade adormecida de ambos, que perderam o sentindo do relacionamento como aprendizado e crescimento mútuo.
       Nossas diferenças não deveriam nos servir de campos de batalha. Vivemos como se estivéssemos disputando espaço em um mundo onde existe o suficiente para todos. Ao romper um relacionamento, não deveríamos sentir ódio por quem tanto nos ensinou, afinal, que nos aponta defeitos, pode também nos proporcionar a evolução. São laços que criamos e, ao rompê-los poderíamos sair fortalecidos, na certeza de que fizemos nossa parte.
     Tenho consciência de que nada disso é muito fácil, aliás, sei o quanto é difícil, mas se abandonássemos as certezas e verdades que pensamos possuir, nos desarmando, permitindo-nos que a autenticidade, com serenidade e discernimento, tome posse de nossos sentimentos, poderíamos viver melhor e em harmonia, não desejando ser o que não somos, não acumulando mágoas desnecessárias. Uma utopia de amor, uma ilusão que me vincula a esperança de que chegará o dia em que, mais do que diferenças, seremos a soma, a totalidade e, que a sensatez nos permitirá ir de encontro ao outro destituídos de armaduras internas que nada acrescentam.
                              
                              
                

Wanderlúcia Welerson Sott Meyer
Publicado no Recanto das Letras em 08/03/2010
Código do texto: T2126383

Uma mulher especial!



Se me fiz mulher, humana, e mãe.
Se me valorizam e admiram
Se na vida encontrei meu espaço
Vivenciei a fé.
Atravessei barreiras quase intransponíveis
Aprendi o sentido do amor
Essência de vida e da vida!
Foi porque me deste a vida!
Recebeste-me em teu ventre.
Aparaste minhas arestas
Ensinaste-me a viver plenamente.
Seus exemplos...
Seu amor...
A força que vertia de cada palavra.
Cada gesto,
Movimento que fazias
Quando a vida lhe oferecia dores.
Mãe, Mulher...
A você meu respeito
Amor incondicional e eterno.
Terno...
Gratidão de me saber ser quem sou
Porque me amas!
Porto seguro, colo...
Alento para as dores...
Tradução de força, fé e ânimo.
Consola com os olhos
Orienta, calma e sutilmente.
Corrige sem reprimir
A você...
Todo o meu amor!



Wanderlúcia Welerson Sott Meyer
Publicado no Recanto das Letras em 08/03/2010
Código do texto: T2126268

5 de mar de 2010

EU QUERO AMAR...

Eu quero amar
E no amor ser aceita
Não doar mais do que recebo
Não ser julgada pelo o que eu disser
Somente e simplesmente amar
Livre de preconceitos
Desprendida de verdades
Acolhida, tal como sou.
Eu quero amar
E no amor ser liberta
Não ter que mentir para agradar
Nem afirmar que gosto
Se na verdade não quero.
Só e felizmente amar!
Como determina o Amor!
E se me oferecerem o oposto
Da simplicidade, da verdade, do Ser.
Se não me aceitarem tal como sou
Pedra bruta a ser polida com verdades e afetos
Prefiro vagar procurando
E enquanto busco
Transformar o amor que em mim vive
Em um mar coletivo de amizade
Sentimento que conforta
Cresce e multiplica!


Incertezas traduzidas em caminhos


Não há certezas... Estamos todos a mercê do acaso.
Hora nos sentimos no leme de nossas vidas.
Outras, sentimo-nos conduzidos, e apesar de forçarmos a rota, o esforço é inútil.
Seguimos a ermo em direção oposta.
Adaptamos desejos e sonhos à jornada e, quando nos damos conta, eis que descobrimos que de fato esse era o curso.
Quem sabe consumiríamos menos tempo e energia, nos sentiríamos menos cansados, se aceitássemos os fatos, permitindo-nos à direção dos ventos?
Quem sabe poderíamos aprender mais, observando o movimento aleatório, nos sentido parte dele?
Entregando-nos conscientes e não sem luta ao que nos oferece a Vida!
Wanderlúcia Welerson Sott Meyer
Publicado no Recanto das Letras em 05/03/2010
Código do texto: T2121139

1 de mar de 2010

Chuva dentro de mim

Chove lá fora e o barulho que escuto seria o mesmo que sairia de mim se lágrimas tivessem som. Há na chuva conceitos que permeiam a vida. Causam destruição quando excessivamente caem, trazem a renovação, a germinação e a história!

Lá fora, posso sentir a dor de quem por ela sofreu e a alegria da natureza que já a esperava. Dentro de mim, a vida pede renovação e a dor ainda insiste em estacionar sentimentos que de tão reprimidos e negados têm a força de intensas tempestades que não deixariam pedra sobre pedra.

Há lá fora o que ainda me falta. O grito, o basta, a liberdade dos pássaros que se recolhem, mas não sem vida, sem a esperança, sem a certeza que o dia de amanhã virá o renascer, o Sol.

Há a nostalgia de não ter dito somente o necessário, de não ter separado delicadamente os sentimentos que tão bem conhecia, de não ter deixado ao acaso os que não me seriam valiosos, de não ter me permitido amar como se demanda a vida.