31 de mai de 2011

Sentimentos que bailam


Todas as notas que soam de tão suave melodia
Envolvem-me o ser.
Gostaria de gritar ao mundo segredos
 Que de tão meus  
Solidificaram...
Cada nota, tranquiliza-me a alma
 Afirmando verdades que esqueci,
Desejos que neguei,
Oportunidades que não voltam.
Como bailarinas,
Esses sentimentos...
 Apossam-se dos pensamentos que guardo
Dançam livres...
Junção de anseios que acalmam e dignificam.  
Os pássaros parecem entender a melodia,
Com ela, as dúvidas que assaltam a alma.
Se de certezas vivêssemos  
O que de fato aprenderíamos?
A música suave,
A flor que desabrocha no jardim,
Rosa vermelha, rubra, quase negra
Desperta para vida!
Com a consciência que mesmo que pouco dure
Cumprirá o seu papel
Sem lástimas, dores e mágoas
Presta-se a beleza!
Veio para servir o mundo.
A melodia expande e acalma
Os pássaros ritmados cantam
A rosa simplesmente floresce
E o complexo coração humano
Renasce continuamente
Entre  ambiguidades,
Imprecisões e desalinhos
Quanto a aprender a Ser!

Wanderlúcia Welerson Sott Meyer
Publicado no Recanto das Letras em 30/05/2011
Código do texto: T3003246

28 de mai de 2011

Inspiração perdida

Inspiração perdida

Busco a inspiração
Parece que mudou temporariamente
Poeta que não se inspira, encontra-se travada
Estrada de sentimentos obstruída.
Assim pareço estar...
Sinto-me segura por trancas que me rendem
Umas imaginárias, outras tão reais como a própria vida
Não há desilusão, não deixei de sonhar...
Há algo que me cala
Física e energeticamente
Muda, momentaneamente,
Reviro pensamentos.
De tão atordoados, os nego
Preciso esquecer!
Deixar de ver!
Rever...
Esperanças, alegrias, lembranças
Heranças, amores e perspectivas
Todas as dores e lágrimas
De um coração de mulher que sente
Pressente e clama pela liberdade!
Wanderlúcia Welerson Sott Meyer
Publicado no Recanto das Letras em 28/05/2011
Código do texto: T2999814

27 de mai de 2011

CERTEZAS DUVIDOSAS

Certezas duvidosas

Muitos dias e nenhuma escrita

Embotamento interior

Fatos submersos que incomodam

Dor...

Alguma... Muita!

Indefinível estado de Ser.

Pedem-me calma...

Resigna-te!

Vende os olhos e esqueça.

Ao menos, temporariamente.

Rogam-lhe paciência.

Muito se pede para a alma opressa

Impotência, medo...

Dias em que a fé sustenta

A palavra cala

A voz parece desaparecer.

Prisão instituída pelo saber.

Tão própria aos que procuram

Tanto engano ao desvendar o oculto

Sinais que confundem à realidade

Fervilham desconexas idéias

Não se sabe o tempo!

Não cabe o lamento!

Necessário ser...

Wanderlúcia Welerson Sott Meyer
Publicado no Recanto das Letras em 27/05/2011
Código do texto: T2996256

16 de mai de 2011

Casa da alma



Era uma casa antiga, muito a ser feito. Quintal sem flores, histórias de muitas dores. Espaço edificado e... Quase morto. Semivida. Muito espaço para pouco encanto. Erva, pombos, barro sobre a terra fértil. Amoreira esquecida, pitangueira que, só, geminará... Em frente um jardim.Era para ser um jardim... mas, o que realmente se via eram minguados pés de roseira e nenhum encanto. Toda morada é o retrato da alma que ali reside e, nesta ninguém morava. Tinha a impressão de que quem antes ali morara, parecia não gostar de vida, da vida... Por mais simples que seja uma morada, por mais singela, é o verde, são as flores que determinam o milagre da vida, à essência das pessoas, a alegria que verte do cantar dos pássaros, a alegria de um exultante beija-flor. Flores que podem ser simples, silvestres ou raras, mas, que exalam perfume, florescem aonde são plantadas.
Tenho a sensação de estar descrevendo uma das muitas almas humanas que se abandonam. Deixam de florir, de disseminar perfumes e alegria. Sentem-se só e, na solidão esquecem-se. Tornam-se sombrias, não permitem que o sorriso enfeite a face, espantam o que atrai a felicidade. Fecham-se, endurecidos por dores que são comuns a todos e, apartam de si tudo o que encanta. Clamam por amor e, ficam como roseiras abandonadas, rodeadas pelas ervas daninhas que cultivam. Desejam felicidade aonde jamais encontrarão, tornam-se servidores voluntários do ócio, da tristeza, do egoísmo, da vaidade, do orgulho. Transformam-se em enormes espaços vazios e sem vida. Pura opção e, por opção, entregam-se.Bradam por auxílio e, ao contrário da casa esquecida e vazia, podem transformar, transformando-se... Mas, fecham portas e possibilidades com espinhos endurecidos, enrijecidos e teimosos. Anos mais tarde...poucos anos mais tarde... Alguém encontra a casa destituída pelo colorido e alegria que se deve oferecer a vida e, com cuidado, zelo e amor... atitudes simples e gratuitas de se reconstruir, distribuem mudas, sementes, retiram pedras e ervas, semeiam flores e aromas. O quintal, aparentemente morto, torna-se terra fértil e produtiva. O jardim, antes seco, transfigura-se em paisagem de flores, cores e formas variadas que encantam os olhos e a alma. A casa ganha vida e, aos poucos, pássaros voltam a cantar celebrando a beleza de se cultivar a alegria. Ao contrário da casa que precisa esperar quem a encontre, entregando-se à renovação, muitas pessoas optam pela estagnação, entrega.Com o tempo, deixam-se consumir pela depressão...Murcham e morrem, porque não permitem que ninguém as encontre. Não admitem que a renovação aconteça.
Wanderlúcia Welerson Sott Meyer
Publicado no Recanto das Letras em 16/05/2011
Código do texto: T2973705

13 de mai de 2011

Catarse

Que meus dedos consigam digitar o que minha alma já não consegue expressar ando confusa, convulsa, lavas submersas transbordam e esquentam-me a alma. Porque me pedem calma, percebendo-me fortaleza, opressa? Tenho pensamentos que se tornam impermeáveis e, contraditoriamente, sensíveis.

 
Wanderlúcia Welerson Sott Meyer
Publicado no Recanto das Letras em 13/05/2011
Código do texto: T2968646

6 de mai de 2011

Ser mãe


Nada me proporcionou mais alegria do que ser Mãe.

Desejo latente que nutria mesmo antes de me tornar mulher.
Só não sabia que me tornaria escrava desse Amor...
Que no momento em que suas mãozinhas, instintivamente, segurassem meus dedos, me reteriam para sempre!
Há mães que geram, mães que acolhem, pais que são mães, avós que se tornam mães.
Em qualquer circunstância... é sempre o amor que fala mais alto.
Eu não conheço sentimento maior!
Amanheço recebendo beijos e abraços. Sorrisos que se não vêm eu os provoco. Paro de fazer o que quer que seja para ouvi-los e, me agacho para olhar nos olhinhos deles e entender essencialmente o que querem dizer. Prometi a eles que lhes darei colo sempre que quiserem e, perdi a conta dos “Mamãe, eu te amo!” que escuto diariamente.
Aos olhos deles sempre estou linda, mesmo que tenha acabado de acordar e, assumo que parei um pouco minha vida para vê-los crescer.
Essa sou eu, mas não sou única! Quem carrega o sentimento de amor materno dentro de si, sabe exatamente o que sinto.
Quando cresceram, assim como aconteceu comigo, precisarão partir, mas o Amor, esse que sustenta tudo, ficará e, assim como minha mãe, quando vierem me visitar, direi: Meus meninos estão chegando... Como se nunca tivessem crescido!

Beijos as mães que geram, as mães que educam, as mães que não geram mas, que exalam o mais puro amor materno!


Wanderlucia Welerson Sott Meyer