28 de fev de 2011

Há muito a se viver!



Quando insistentes lágrimas deixarem de molhar o rosto, permitindo que a maquiagem dos olhos seja dissolvida lentamente e, aquele brilho, antes úmido, voltar a ser translúcido, límpido e capaz de iluminar o mundo, é chegada à hora de caminhar, por enquanto, consinta apenas que o coração sofra, que doa, chore... A perda, a desconfiança, a entrega cega, a lenta e interminável culpa que nunca deveria ter sentido. Permita-se o luto, até o novo despertar da vida! Mas, não demore... O tempo passa rápido, célere e ligeiro. Há muito a se viver! 

Wanderlúcia Welerson Sott Meyer 
Publicado no Recanto das Letras em 28/02/2011
Código do texto: T2820450

Desamor



Não é preciso dizer verdades se a alma é capaz de senti-la.

Não existem segredos quando quem olha é o coração.
Sabia... Sempre soube...
Não eram pequenos fatos,
Ações impensadas, palavras proferidas sem nenhuma caridade.
Desgaste e dor...
Culminando em mentiras absorvidas pelo descaso
Acomodação e solidão sempre presentes
Doente...
E todas as promessas destituídas em atitudes insanas.
Unidade que não mais existiria
Fatos negados e tão reais
Quantos os momentos que deixastes de viver?
Ao lado, presente, ciente do amor que sentia
Desfizeste laços que jamais tomarão forma
Feriste bruscamente a sensibilidade
Destruíste ilusões e sonhos
Provocaste dissabores pela ausência
Presença direcionada a outrem
Senão a quem dizias amar!
O que se apreende do desgosto
É o gosto de querer viver
Novo e diferente amor
Da entrega segura ao lado da verdade
De quem lhe oferece vida
Contrário ao cálice amargo absorvido
Sem desejo, sem sabor
Embebido pela ausência do amor!

Wanderlúcia Welerson Sott Meyer

Publicado no Recanto das Letras em 28/02/2011
Código do texto: T2819488

24 de fev de 2011

Convulsões

Erguem-se todas às possibilidades em um turbilhão de ideias e caminhos ainda permeados por dúvidas fundamentadas na dor. Não importa quanto tempo leve, reerguerá todos os alicerces abalados pela força das circunstâncias. Pouco se sabe e tudo se sente. Sementes foram plantadas, floresceram em solo fértil, no entanto a distração dos passos amassou as flores, devastou o jardim. É preciso vencer o ostracismo, o medo... Percebendo sinais luminosos, onde os outros só veem a escuridão, maneira insana de buscar possibilidades. Válvula de sobrevivência que alimenta e conserva o desejo de viver!
Wanderlúcia Welerson Sott Meyer
Publicado no Recanto das Letras em 24/02/2011
Código do texto: T2811584

23 de fev de 2011

Utopia de amar


Utopia de amar



Não o vejo

Aparentas ser fluído que plasmo
Etéreo,
Elevado à condição de vida!
Alimento dos sonhos
Não permitidos
Além do que os olhos avistam
Mora o desejo!
Amor que sinto, aspiro e pretendo
Tão próprio
Intransferível viciosidade
Pensamentos que vagam
Na busca da felicidade possível
Além do que os olhos avistam
Encontra-se o que o coração aspira.
Sonho, suave utopia
Alegra, despertando meus dias.
Wanderlúcia Welerson Sott Meyer
Publicado no Recanto das Letras em 23/02/2011
Código do texto: T2809496

21 de fev de 2011

Esqueça


Esqueça!
Não são as convenções e formalidades que nos atrapalham. O que desgasta não é o tempo, é a disponibilidade para ter tempo. O que importa é justamente o que não se dá nenhuma importância. O valor, este, pode estar em coisas tão pequenas que não serias capaz de imaginar. Enfim, como uma página bruscamente arrancada de um livro, vamos ficando esvaziados de história, destituídos de nossa própria história.
Não há caminhos para ambos se cada um segue sua crença. Por mais que se respeitem opiniões, a opção nunca será a mesma e os desencontros nos tornarão confusos... Um do outro, de nós mesmos. Caminhos sem retornos, pontilhados pela indiferença. 
Wanderlúcia Welerson Sott Meyer
Publicado no Recanto das Letras em 21/02/2011
Código do texto: T2806017

19 de fev de 2011

Amo você!

Amo você!

Nas fotos frias
Aquece-me o sorriso
Consola-me a lembrança
Bom mesmo é ter vivido!
Pouco em momentos
Muito em intensidade
A outra parte da alma
Agora distante...
Desperta a lembrança
O afago,
O olhar que despia

A mão que acariciava
Como se seda tocasse.
O calor do colo...
Os sonhos...
Alma perdida chora
Desperta e submersa
Saudade sorvida nas palavras
Que ecoam...
Como se aqui estivessem...
Amo você!
Wanderlúcia Welerson Sott Meyer
Publicado no Recanto das Letras em 19/02/2011
Código do texto: T2801483

18 de fev de 2011

Entrega

 Senhor,

Perdoe-me o cansaço, não é desistência, não é entrega. Somente sinto o coração fatigado, o peito quase se rompe de tanta dor. Os olhos, turvos por lágrimas, rogam caminhos. A imperfeição não me permite entender ainda os seus desígnios e como criança teimosa insisto em pensar que o que me ofereces não é o que quero. Ainda não entendi que nem sempre o que desejamos significa ser o melhor, ainda não aceito, sem antes tentar modificar os fatos aos quais me lapida generosamente. O “homem velho” que vive em mim insiste em me manter vulnerável a pequenas intempéries e, luto, não sem ansiedade, com certezas que não quero apreender. Auxilia-me a enxergar com clareza que aonde me encontro, com as pessoas que vivo, os problemas temporários que enfrento, são formas encontradas por Ti para mostrar-me o caminho. Auxilia-me a perceber a dor do próximo, a oferecer-me como companheiro seguro de jornada, a ser lenitivo para as dores, não as minhas, mas dos que caminham partilhando convivências e procurando por quem enxugue suas lágrimas. Que eu saiba Ser, aprender a compreender, por vezes, aceitar e amar incondicionalmente. De que serve o Ser senão para servir ao amor, a vida e a Ti? Guarda-me dos pensamentos e atitudes que nada acrescentam e, que esse cansaço que hora toma conta de meu corpo físico, seja substituído pela certeza da eternidade do espírito. Que eu procure a Paz quando todos já não a vislumbrem! Que eu distribua Amor, aonde a dor visita, que eu possa seguir não me esquecendo que se colhem os frutos das sementes que plantamos e, que assim como na natureza, o trabalho, o cuidado, o equilíbrio e o amor são sinônimos de paz!
Wanderlúcia Welerson Sott Meyer
Publicado no Recanto das Letras em 18/02/2011
Código do texto: T2799265

15 de fev de 2011

Ao som de Tom...

Ao som de Tom que é pura melodia em uma sintonia única com a natureza, escrevo. Nada de concreto, de absoluto. Assim tem sido os caminhos por onde passo nos últimos tempos, instáveis... Ocasiões regidas pelo som que transborda da alma, ocasiões silenciadas por soluços e lágrimas, conduzidas pela solidão. Não, nada mais me apavora! Aprendi a “Ser” além das circunstâncias, adversidades e pessoas. A perceber o que ninguém vê. A sentir além, ansiando sempre pelo recomeço. Sou o espaço entre o passado e o futuro... O anterior vivido dentro do possível, o posterior entregue, não sem o devido esforço, à condução Divina. Não, não me entreguei ao acaso, ao contrário, refaço corajosamente todos os alicerces que se rompem e atiro-me à “Vida” na certeza de que assim procedendo sigo como tronco de árvore abatido que resplandece em novos brotos e multiplica-se. Ao som de Tom inspiro-me! Não sei descobrir como ele, os sons dos pássaros, distinguir notas e absorver melodias. Na tentativa de sorvê-las, entrelaço palavras, distribuo retalhos investigando o admirável, modesto momento onde me entrego a escrever.
Wanderlúcia Welerson Sott Meyer
Publicado no Recanto das Letras em 15/02/2011
Código do texto: T2793011

12 de fev de 2011

Insensibilidade

Insensibilidade

Cortaram minha amoreira e com ela seus troncos grossos e vigorosos que seguravam minhas orquídeas. Não me consultaram... Apenas, cortaram a golpes de machados tão pesados quanto à dor que senti o vê-la amputada, já sem vida. Aproveitava sua sombra todas às manhãs e seus frutos saborosos em tom de vinho, ofereciam-me vida. Sem nenhuma sensibilidade tiraram-lhe a vida e as vidas que à mesma abrigava. Nada me perguntaram, nada perguntariam, há pessoas que vivem pelo que pensam, decidem e não se dão ao trabalho de perguntar a ninguém o que sentem. Se eu soubesse que aconteceria teria argumentado e impedido que destruíssem a árvore generosa que enfeitava meu quintal. Minhas orquídeas, plantadas carinhosamente por essas mãos que escrevem, abrigavam-se a sombra da árvore parcialmente destruída. O pior é sentir que muitas vezes, assim como a amoreira, deixe-me podar sem perceber. Em um tronco agora sem nenhuma vida estão as orquídeas enraizadas e banidas da copa da árvore que as abrigava. Acabaram-se os ninhos, os pássaros que buscavam repouso, as brincadeiras dos meus filhos... Nada pode conter as lágrimas que enquanto escrevo vertem. Sinto-me assim tolhida, podada, aniquilada pela força e decisão de alguém, que um dia decidiu que não havia mais lugar para a vida da árvore... ”Ela fazia sombra no campo de futebol!”
Wanderlúcia Welerson Sott Meyer
Publicado no Recanto das Letras em 12/02/2011
Código do texto: T2788011

8 de fev de 2011

Daquilo que sei...

Daquilo que sei
Diga-me o que eu não quero ouvir e lhe entregarei lágrimas.
O que pode o Ser Humano querer saber, senão o que lhe ofereça Vida?
Não me contes o que de nada vale.
Não me vale saber o que não quero.
Depois de saber, o que posso fazer com a espera angustiante,
Com a liquidez de tudo que um dia pode...
Desmanchar-se no ar!
Tenho saudades da inconsequente ignorância que antes me movia.
Já não há como voar de forma aleatória
Indicaram-me um caminho de encaixes
Onde uma peça faltará
E, não mais poderá ser substituída.
Não era meu desejo trocá-la dessa forma.
Mas, aprendi, de forma nada serena,
Que no jogo da vida,
As regras que seguimos, definitivamente
Não são por nós elaboradas
Sabe-se tanto quanto nada
E, é melhor que assim seja
De que nos vale saber
O que não podemos modificar?
Wanderlúcia Welerson Sott Meyer
Publicado no Recanto das Letras em 08/02/2011
Código do texto: T2780334

Amor

Amor ausente

Vai e leva contigo partes minhas...
Já não me sinto inteira se distante estás
Nem o corpo, nem a alma...
Todos se diluem, dissipam, dissolvem...
Elementos que seguem
Por onde te encontras.
Wanderlúcia Welerson Sott Meyer
Publicado no Recanto das Letras em 08/02/2011
Código do texto: T2778991

1 de fev de 2011

Educar

De tempos em tempos velhos paradigmas são substituídos por “modernas” e atualizadas formas de vida. Substituídos como se estivessem completamente errados. Exilados... Alguns essenciais e, no entanto, esquecidos. Pais e mães não deveriam ser vistos como ultrapassados e dispensáveis, Não somos somente amigos de nossos filhos. Podemos e devemos ser amigos, mas, somos pais, responsáveis pela educação e formação de valores dos mesmos.             
Lembro-me que quando criança, quando passeávamos nas férias, meu pai, como a maioria dos homens de sua época e de sua cultura, tinha o invariável hábito de beber. Como criança, percebia tudo isso com naturalidade, no entanto, também observava minha mãe... Comportamento reservado e sério. Reservada ela sempre fora, educada pela rigidez de uma família tradicional mineira, mas, a seriedade, essa deveria vir da preocupação e a tristeza de ver meu pai bebendo tanto. Ela nunca nos permitiu o desrespeito para com ele e acima de tudo, cuidava de todos nós (somos quatro) com carinho e ponderação. Minha mãe não dirigia e, meu pai, nos conduziria alcoolizados. Na verdade, só me dei conta do quanto ela sofria, depois que passei a observar o mundo de janelas abertas, compreendendo a importância do comportamento dela em nossas vidas.
Minhas lembranças, não fazem muita diferença, o fato é que sentada em um cadeira de praia e, com o hábito de me perder em observações incomuns, comportamento que adquiri com a maturidade... Adoro essa palavra quando me refiro à vida! Sempre tenho a sensação de devir... De estar vivendo além dos sabores e saberes que a história me ofereceu. Observei pessoas, mulheres, mães como minha mãe, de outra época, outra cultura... Que bebiam enquanto seus filhos brincavam. Não sou sinônimo de virtude, nunca desejei ser, nem sou regida por tabus e regras, mas, não pude deixar de sentir tristeza quando as ausências da conseqüência não as fazem perceber o erro que cometem consigo e com os que foram por elas gerados. Não estou julgando é só um lamento de quem já vivenciou a história por outro prisma. Deveríamos ser exemplos e, verdadeiramente somos, mas deveríamos ser exemplos de atitudes que elevam. Oferecendo direções, presença segura. Não permitindo que o vício do álcool ou qualquer outro, tome conta de momentos de vida, de convivência e de amor. Sem qualquer proveito, sem nenhum objetivo a não ser o de me “tornar alegre” por algumas poucas horas. Não é me embriagando que me torno alegre. Ou se vive os possíveis momentos de felicidade sobriamente ou, se acorda com um insuportável mau humor, uma típica dor de cabeça e um desejo ainda maior para a próxima rodada de cerveja. Opinião minha... Tempo perdido! Para outros tantos, forma de aproveitar a vida! Fico me perguntando: E para aquelas crianças? O que elas perdem? Que valores formam? Algumas já convivem com a ausência paterna...
Velhos paradigmas, velhas formas de viver... Tão necessárias, tão em desuso...
Eu sei o que encontrei quando cresci! O álcool fez-se Senhor do homem que eu mais admirei. Meu pai se deixou vencer por ele! Mas, o comportamento de minha mãe me legou a sabedoria de entendê-lo e de amá-lo.
Wanderlúcia Welerson Sott Meyer
Publicado no Recanto das Letras em 01/02/2011
Código do texto: T2766351