Pular para o conteúdo principal

Postagens

Mostrando postagens de 2009

AOS QUE AMAM...

Um coração adormecido, cansado em busca de abrigo.
Desocupado e sem vida pode querer outra saída,
Senão o desejo de se abandonar a lida.
Um coração saliente, quente, ardente que incendeia quando o amor está ausente.
Da entrega ao vazio, o risco...
Um coração bravio, não deseja nada a não ser seguir por toda estrada,
Amando, sentindo, querendo, gostando, atraindo como imã o que internamente aspira.
Suspira por encontrar quem entenda, envolva e tome posse definitiva do que sente.
Reticente coração tranquilo...

Vida

Há alguma coisa ou algo que seja definitivamente fácil de ser vivido? Sei não. Por mais que as pessoas vislumbrem situações com otimismo e esperança, parece mesmo que a cada esquina nos deparamos com algo a ser revisto, obstáculos a serem vencidos, decepções e dores que precisam ser elaboradas para que continuemos a caminhar. O interessante é constatar que quanto mais facilidades temos materialmente, menos tranquilidade espiritual possuímos. Um descompasso que nos desconcerta ocasionando atropelos e enganos. Um caminho que, quando não observado com seriedade, pode nos conduzir a mais severa das depressões. Em se tratando de voz feminina, assusta-me ver mulheres que se consideram ou que são consideradas “resolvidas”, chegarem ao extremo da depressão. Não faço aqui um juízo de valor ou julgamento, apenas uma análise de situações próximas e, outras, nem tanto, que fizeram-me repensar em que nos resolvemos. Basta observar a mais remota história para entender e analisar as dificuldades que a…

Encantos de mãe

Relacionamentos e recomeços

Uma proposta de recomeço é sempre pautada pela dor dos acontecimentos que desestruturam e romperam uma relação. As lembranças perturbam e o medo de que a história se repita sempre estará presente. Não se apagam dores como se apagam escritos com borrachas. Mesmo escritos, deixam marcas. As almas já não são as mesmas e a percepção, pautada pela dor, não consegue sentir transformações, sem mágoas. O recomeço envolve o restabelecimento da confiança abalada. Possibilidade remota de reconstrução. Retalhos que não se encaixam harmoniosamente. Verdades nunca ditas vêm à tona. Existem dúvidas que jamais serão esclarecidas, espelhos que nunca refletirão a imagem que antes permeava a relação. Ou se fecha os sentidos às dúvidas e se aposta no futuro, ou se devasta todos os alicerces para a construção do novo. Essas atitudes acarretam perdas, ganhos e danos. Já não há escolha. Não há como se trilhar simplesmente o caminho, sem a percepção clara de o que se quebra, mesmo que colado minuciosamente, to…

Sinceridade

Tudo em mim transborda sinceridade, menos o que vivo. São as adaptações que a convivência e a civilidade nos forçam a fazer. Não dá pra ser franco todo o tempo, porque nem sempre as pessoas querem saber a verdade. Há um incômodo em ser assim. Uma incoerência que perturba, um desejo encoberto por conveniência. Estamos em lugares que não desejamos, sorrimos para pessoas que não nos tocam, falamos pouco para que as palavras não se voltem para nós mesmos. Verbos que não correspondem às ideias que temos de situações, pessoas, lugares...
          Não dá pra ser sincero todo o tempo. Pode-se ferir profundamente, destituir ilusões, afogar sentimentos, abalar vidas. Há uma mediação entre o que é dito e o que deve ser dito. Mas, a alma, moldada pela hipocrisia da verdade (nunca soube direito qual é a verdade) pune, nos coloca com algozes, feras que omitem, poços de mentiras.


Wanderlúcia Welerson Sott Meyer
Publicado no Recanto das Letras em 09/10/2009
Código do texto: T1856910

Eu tenho medo...

Medo da verdade.
Medo do caminho.
Da insanidade
De estar sozinho.
Medo do abandono
Medo do encanto
Medo do engano,
Medo ou vaidade?
Medo de ter medo.
Medo da coragem.
Do que não foi dito.
Dura realidade.
Medo de entrar
Sem ser convidado.
Medo de amar
De sentir saudade.

Wanderlúcia Welerson Sott Meyer

Saudade

Tantas lembranças, Encontros e caminhos... Espaços preenchidos pela saudade... A chuva cálida ao cair, Contrasta com frio sentido. Ausência de afeto Cárcere de sorrisos Desejos guardados Jamais esquecidos. A alma hiberna Um sono profundo Acordar... Ir de encontro a realidade. Caminhos obscuros Prisão, sem lamentos Não há na saudade Nenhum descaminho Por desejo e vontade Encarcera-se sozinho. Lembranças e lamentos Do que deveria Saudade sublime Que não alivia.
Wanderlúcia Welerson Sott Meyer Publicado no Recanto das Letras em 08/10/2009 Código do texto: T1854974

Desejo de amor

Não era nada do que imaginei...

Nunca fora...

Coube a minha ilusão,

À paixão que sentia...

Todas as conclusões que tirei.

Eras um príncipe ao meus olhos

E somente eu não via

O que se tornou óbvio.

Não eras o homem que imaginei.

E nem tão pouco eram as palavras que ouvia,

A verdade absoluta do que sentias.

Eu as traduzia no que acreditava ser verdade.

Ouvia o que ecoava nas entrelinhas.

O tempo passou,

A vida nos separou...

Agora, consigo escutar com clareza.

Temos mundos e desejos diferentes.

Diferentes e diversos...

Certamente, nunca se encaixariam.

Já não sou mais a menina de antes.

Perdi no caminho

Muitas das ilusões que tinha.

O que ficou, e é essência

A vontade de buscar

O amor que um dia sonhei existir

As palavras que um dia quis ouvir.

O homem que sonhei se

Inclusão

Acredito na Inclusão Escolar e, por conhecer um pouco sobre Baixa visão e cegueira, fui convidada para ministrar um curso de extensão na FADILESTE, em Reduto. Foram três finais de semana de muito trabalho, onde discutimos temas relacionados à inclusão social e educativa de alunos portadores de necessidades especiais, principalmente, aqueles que pela perda da visão total ou parcial, aprendem a “ver além do olhar”.
A inclusão, legalmente instituída desde 1989, caminha lentamente e está longe de poder ser considerada para todos. O preconceito e o desconhecimento ainda são maiores do que o reconhecimento do direito de cidadão dos portadores de necessidades especiais. Essa barreira só poderá ser rompida com atitudes como dos administradores da FADILESTE que além de nos convidar ao desenvolvimento do curso, também ofereceu os recursos necessários para o desenvolvimento do mesmo. Um fato me chamou a atenção, através das discussões e estudos que aconteceram no evento, foi possível constatar a e…

Recomeço

Estou recomeçando... Devagar e mansamente, diferente, consistente, consciente. Lentamente... Experiências ensinaram-me a conviver com a solidão. Já não tenho medo. Acabou a pressa. Vivo cada dia como se fosse o último. Já não me importam as idéias que não edificam. Os comentários que não acrescentam. As atitudes racionalizadas. Permito-me viver... Sonhar... Ser... O silêncio não assusta. E a alegria, antes contida. Encontra-se refletida no olhar. Quero o amor que mereço. Nem mais, nem menos.

Wanderlúcia Welerson Sott Meyer Publicado no Recanto das Letras em 21/09/2009 Código do texto: T1822843

Ausência

É vazio o sentimento que preenche a alma Sinônimo da falta que se sente O amor que se espera... É estranha a dor que provoca Um sonho inacabado e bom O sorriso na lembrança O carinho que ainda toca a pele É distante o amor que almeja Nem se sabe ao certo de sua existência O que incomoda é o desejo que não cessa A hora que passa, os dias... Nada que possa aliviar a ânsia É ideal imaginário ou esperança? Não se sabe... O fato é que alimenta É certo não se saber viver Sem sonhar...
Wanderlúcia Welerson Sott Meyer Publicado no Recanto das Letras em 16/09/2009 Código do texto: T1813352

Cada gota...

Se cada lágrima pudesse ser traduzida Cada gota decifrada Cada dor sentida Saberias o quanto pode alguém te amar Da forma que sempre fora Sem pretensão de modificá-lo Tornando-o projeto dos meus desejos. Amor que é amor não morre Nem se o tempo e a distância Não lhe permitem caminhar No entanto, Há saudade... Nela me encontro em você Transbordam dos olhos as lágrimas Todas suas... Todas nossas... Cada gota...

Wanderlúcia Welerson Sott Meyer Publicado no Recanto das Letras em 14/09/2009 Código do texto: T1809657

"Nenhum homem é uma ilha."

“Nenhum homem é uma ilha.”
Chardin
Mesmo que a solidão lhe visite Não permita fazer morada
Há um tempo pra pensar
Talvez, sozinho
Quando possível...
Contudo, a criação acontece
Quando, através de inferências
Colocamos-nos abertos
As novas experiências.
Wanderlúcia Welerson Sott Meyer Publicado no Recanto das Letras em 13/09/2009
Código do texto: T1808614

Poética resistência feminina

Estranha paisagem que insiste em permanecer intacta, ou talvez seja a alma que persiste em não mudar? Um quarto bem definido em suas formas, amplo e claro. Paredes que nunca responderam aos apelos e um silêncio sepulcral que antes torturava. Acostuma-se com a solidão, assim como se pede aplausos e reconhecimentos. Quadros que nada dizem, perfume de mulher rompendo o ar inerte. Milhares de pensamentos confusos e o desejo de prosseguir. Alma feminina que sonha e redescobre o óbvio. Guardou-se temporariamente o encanto, adormeceram sonhos e palavras. Um caminho de pedras, trilhado pela insegurança, a destituição de certezas, o receio do que há de vir. Ocultou-se a menina, acordou a mulher! Seu coração bate descompassada... mente, por que ainda vivo, almeja todos os sentimentos que lhe fizeram pulsar, em busca da vida. Um ar feminino de fortaleza recriada e endurecida. Repleta de sonhos... perdida. Entregue a tudo que sente na luta incessante e ardente de emoções que as sustentem. Coragem…

Vazio

Sensação de nada imerso em um todo que desconheço.
Pensei ter respostas
Acreditava em convicções
Algumas criadas por mim
Outras enraizadas pelo tempo.
Aparência de sólido, correto, imutável.
Valores de um contexto de vida.
Sensação de nada imerso em algo novo que receio.
Desejos, anseio, rasteiam.
Pensei ter coragem
Força suficiente para vencer o medo.
Vilã de mim mesma.
Travando batalhas entre a realidade e o porvir.
Dor interna que retrai a vontade.
Solidão, esquecimento... saudade!
Wanderlúcia Welerson Sott Meyer
Publicado no Recanto das Letras em 21/04/2009

Código do texto: T1552382

Amor de anjos

Sobras de amor

De tudo... 
Fica a lembrança, o desejo incontido. 
A vontade de não ter vivido. 
A dor de querer esquecer em vão. 
De tudo...
Fica o caminho que não cabe retorno. 
O medo, o aprendizado, a coragem. 
Desencontros e desconsolo
De tudo... 
Fica a esperança, um pouco de descrença.
 Fragmentos de verdades. De tudo... 
Fica o vazio, inerte e sombrio. 
De tudo fica saudade. 




Wanderlúcia Welerson Sott Meyer 
Publicado no Recanto das Letras em 03/04/2009 
Código do texto: T1521105

Tempo

Chega um tempo que é necessário aceitar o óbvio e se deixar levar pelo caminho. Tempo em que o coração se cansa de combater e que necessita acolhimento. Tempo em que os sonhos são traduzidos em realidade. Tempo em que o peito aperta e as dores florescem. Tempo em que o que se quer é a solidão. Chega um tempo em que a maturidade lhe impede o delírio. Tempo em que é chegada à hora de tomar decisões. Tempo em que se sabem as dores que escolhas podem causar. Tempo em que não mais se pede... Cala-se! Tempo de reestruturar lembranças e recordar o necessário. Chega um tempo em que não se acredita em palavras. Tempo em que as atitudes precisam ser intensas. Tempo em que o amor aceita, mas, não sustenta. Tempo em que se não se quer mais sofrer. Tempo de esquecer!




WanderlúciaWelersonSottMeyer
Publicado no Recanto das Letras em 01/02/2009 Código do texto: T1416306

Amar é inevitável.

Nascemos para sentir e, apesar dos descaminhos, atropelos e inconsequências diárias, há no ser humano uma necessidade primária e básica de sentir-se próximo, desejado, querido, amado! Querer alguém é despertar para a vida!

Wanderlúcia Welerson Sott Meyer Publicado no Recanto das Letras em 23/01/2009C ódigo do texto: T1400518

Transparência...essência...

O que busco não existe, faz parte de um aglomerado de equívocos que desejei. Não há nada de mágico, quando se trata de matéria. O que transcende está por vir, não faz parte deste mundo. O fato é que minha essência é verdadeira. Contudo, sinto-me absolutamente corrompida pelo o que encontrei. A frustração é consequência dos enganos que cometi. Alma liberta, quase sem sonhos, renovo-me para redefini-los. Não almejo o Santo ou o puro , quero a verdade que aprisiona e liberta. Algo que até então busquei... Quero a paz, o aconchego e, quem sabe, o amor... O depositei em tantos descaminhos que já não o percebo. O que mudou em mim, rejeita a ideia de que exista. Não da forma que sonhei. Tudo é carne, é momento, e não há amor que se sustente no efêmero. Com o tempo as mágoas são tantas que os olhos transbordam lágrimas, embasando a visão do novo. Não há dor...apenas e, simplesmente a constatação do óbvio. Se não encontrar meus sonhos por aqui, aguardarei para que a luz se faça e eu aprenda que amar …