17 de dez de 2009

AOS QUE AMAM...






Um coração adormecido, cansado em busca de abrigo.

Desocupado e sem vida pode querer outra saída,

Senão o desejo de se abandonar a lida.

Um coração saliente, quente, ardente que incendeia quando o amor está ausente.

Da entrega ao vazio, o risco...

Um coração bravio, não deseja nada a não ser seguir por toda estrada,

Amando, sentindo, querendo, gostando, atraindo como imã o que internamente aspira.

Suspira por encontrar quem entenda, envolva e tome posse definitiva do que sente.

Reticente coração tranquilo...
Que espera, supera a expectativa de criança,

Herança de quem admitiu ser amada.
De quem anseia calada, discreta, fechada
Que no caminhar, na estrada...
Possa dizer a que veio
Amando, Amado, Amor!

Wanderlúcia Welerson Sott Meyer

Publicado no Recanto das Letras em 17/12/2009


Código do texto: T1982411

11 de dez de 2009

Vida

Há alguma coisa ou algo que seja definitivamente fácil de ser vivido? Sei não. Por mais que as pessoas vislumbrem situações com otimismo e esperança, parece mesmo que a cada esquina nos deparamos com algo a ser revisto, obstáculos a serem vencidos, decepções e dores que precisam ser elaboradas para que continuemos a caminhar.
O interessante é constatar que quanto mais facilidades temos materialmente, menos tranquilidade espiritual possuímos. Um descompasso que nos desconcerta ocasionando atropelos e enganos. Um caminho que, quando não observado com seriedade, pode nos conduzir a mais severa das depressões.
Em se tratando de voz feminina, assusta-me ver mulheres que se consideram ou que são consideradas “resolvidas”, chegarem ao extremo da depressão. Não faço aqui um juízo de valor ou julgamento, apenas uma análise de situações próximas e, outras, nem tanto, que fizeram-me repensar em que nos resolvemos. Basta observar a mais remota história para entender e analisar as dificuldades que as mulheres encontraram no processo de identificação de si mesma e de reconhecimento e valorização de seu papel enquanto ser social pensante e transformador.Não pretendo discutir igualdade ou afirmar a importância do papel feminino em todos os âmbitos sociais, essa discussão já não é necessária, o que pretendo é tentar entender porque tantas mulheres que profissionalmente são respeitadas e valorizadas pelo trabalho que antes nem acesso tinham, não conseguem a felicidade pessoal, o amor idealizado e fecham-se atrás de cortinas de vícios, corrompendo até mesmo aquilo que possuíam como essência. O que será que ainda nos falta? Em que ponto nos perdemos? Hoje, conseguimos a liberdade tão desejada? o que será que fizemos? Por que nos sentimos a cada dia mais sozinhas e vimos desmoronar nossos sonhos mais simples?
Nos disseram para amar um corpo que não é nosso, nos disseram que precisávamos ser iguais aos homens, nos disseram para negar a natureza feminina, afetiva e emocional, como se isso fosse possível... só não nos disseram que perderíamos gentilezas tão necessárias,que seríamos tratadas como iguais sem sermos, que teríamos que acumular mais funções do que já tínhamos e, finalmente,que o preconceito continuaria existindo de forma velada e que tanto mal nos faria.
Assumimos e sumimos diante dos sonhos, dos anseios, dos desejos. Criamos um castelo solitário, onde o príncipe virou sapo e, ficou tão perdido e inseguro como nós mesmas.
Vícios, liberação sexual indefinida e desilusão a cada encontro, jogos de interesse e a descabida busca de prazer momentâneo. O Ter se sobrepõe à essência, o amor é mais um termo na expressão de sentimentos que machucam e perturbam sem oferecer nenhuma segurança. Uma felicidade passageira que muitas das vezes nem nos servem de lembrança, porque na verdade acarretou mais dor do que saudade.
Não é uma visão pessimista e nem estamos fadados a viver dessa forma. Talvez, seja o momento de repensar, observar e sentir. Repensar o nosso papel enquanto seres mais do que humanos, observar o quanto ainda podemos e devemos construir juntos e sentir que talvez estejamos passando por um momento em que devemos ‘tomar a nossa vida por nossas próprias mãos”. Nos destituindo de conceitos ultrapassados que homogeneízam e não consideram nossas diferenças, possibilidades e vontades.
Não quero ter medo de envelhecer, poderei me tornar um sábio. Não quero fazer com que a mídia me diga o que usar, vestir, falar, agir, amar e, tantas outras ações que não são e não devem ser monitoradas por nenhuma opinião pública. Quero ser capaz de amar sentindo, sem transformar o meu corpo ou o de quem estiver comigo em um objeto de uso, onde o que conta é o externo. Quero e preciso ter dignidade comigo mesma sentir cada palavra que falo e. portanto, pensar para falar. Uma dignidade precisa de quem quer olhar para trás e recolher os frutos de uma experiência de dores e alegrias, construindo um presente que não me leve a buscar o fim, mas, que possibilite renovações e recomeços, sem nenhum constrangimento ou culpa. A certeza de ter uma “missão”, assumindo-a diariamente, para que me sinta cada vez mais útil e que ao término dessa existência, obtenha a certeza de que não apenas passei ela vida.


Wanderlúcia Welerson Sott Meyer
Publicado no Recanto das Letras em 11/12/2009
Código do texto: T1973244

13 de out de 2009

Relacionamentos e recomeços


Uma proposta de recomeço é sempre pautada pela dor dos acontecimentos que desestruturam e romperam uma relação. As lembranças perturbam e o medo de que a história se repita sempre estará presente.
Não se apagam dores como se apagam escritos com borrachas. Mesmo escritos, deixam marcas. As almas já não são as mesmas e a percepção, pautada pela dor, não consegue sentir transformações, sem mágoas. O recomeço envolve o restabelecimento da confiança abalada. Possibilidade remota de reconstrução. Retalhos que não se encaixam harmoniosamente. Verdades nunca ditas vêm à tona.
Existem dúvidas que jamais serão esclarecidas, espelhos que nunca refletirão a imagem que antes permeava a relação. Ou se fecha os sentidos às dúvidas e se aposta no futuro, ou se devasta todos os alicerces para a construção do novo. Essas atitudes acarretam perdas, ganhos e danos. Já não há escolha. Não há como se trilhar simplesmente o caminho, sem a percepção clara de o que se quebra, mesmo que colado minuciosamente, toma outra forma, pede nova vida.


Wanderlucia Welerson Sott Meyer

9 de out de 2009

Sinceridade

          Tudo em mim transborda sinceridade, menos o que vivo. São as adaptações que a convivência e a civilidade nos forçam a fazer. Não dá pra ser franco todo o tempo, porque nem sempre as pessoas querem saber a verdade. Há um incômodo em ser assim. Uma incoerência que perturba, um desejo encoberto por conveniência. Estamos em lugares que não desejamos, sorrimos para pessoas que não nos tocam, falamos pouco para que as palavras não se voltem para nós mesmos. Verbos que não correspondem às ideias que temos de situações, pessoas, lugares...

          Não dá pra ser sincero todo o tempo. Pode-se ferir profundamente, destituir ilusões, afogar sentimentos, abalar vidas. Há uma mediação entre o que é dito e o que deve ser dito. Mas, a alma, moldada pela hipocrisia da verdade (nunca soube direito qual é a verdade) pune, nos coloca com algozes, feras que omitem, poços de mentiras.



Wanderlúcia Welerson Sott Meyer

Publicado no Recanto das Letras em 09/10/2009

Código do texto: T1856910

8 de out de 2009

Eu tenho medo...

Medo da verdade.
Medo do caminho.

Da insanidade

De estar sozinho.

Medo do abandono

Medo do encanto

Medo do engano,

Medo ou vaidade?

Medo de ter medo.

Medo da coragem.

Do que não foi dito.

Dura realidade.

Medo de entrar

Sem ser convidado.

Medo de amar

De sentir saudade.


Wanderlúcia Welerson Sott Meyer

Saudade



Tantas lembranças,
Encontros e caminhos...
Espaços preenchidos pela saudade...
A chuva cálida ao cair,
Contrasta com frio sentido.
Ausência de afeto
Cárcere de sorrisos
Desejos guardados
Jamais esquecidos.
A alma hiberna
Um sono profundo
Acordar...
Ir de encontro a realidade.
Caminhos obscuros
Prisão, sem lamentos
Não há na saudade
Nenhum descaminho
Por desejo e vontade
Encarcera-se sozinho.
Lembranças e lamentos
Do que deveria
Saudade sublime
Que não alivia.

Wanderlúcia Welerson Sott Meyer
Publicado no Recanto das Letras em 08/10/2009
Código do texto: T1854974

6 de out de 2009

Desejo de amor

Não era nada do que imaginei...


Nunca fora...


Coube a minha ilusão,


À paixão que sentia...


Todas as conclusões que tirei.


Eras um príncipe ao meus olhos


E somente eu não via


O que se tornou óbvio.


Não eras o homem que imaginei.


E nem tão pouco eram as palavras que ouvia,


A verdade absoluta do que sentias.


Eu as traduzia no que acreditava ser verdade.


Ouvia o que ecoava nas entrelinhas.


O tempo passou,


A vida nos separou...


Agora, consigo escutar com clareza.


Temos mundos e desejos diferentes.


Diferentes e diversos...


Certamente, nunca se encaixariam.


Já não sou mais a menina de antes.


Perdi no caminho


Muitas das ilusões que tinha.


O que ficou, e é essência


A vontade de buscar


O amor que um dia sonhei existir


As palavras que um dia quis ouvir.


O homem que sonhei ser meu.


E se depois de tudo...


Ainda não encontrar


Ficará em mim esse desejo eterno...


Esse anseio puro...


Essa utopia que me faz viver.





Wanderlúcia Welerson Sott Meyer


Publicado no Recanto das Letras em 18/07/2008


Código do texto: T1086999

Inclusão

Acredito na Inclusão Escolar e, por conhecer um pouco sobre Baixa visão e cegueira, fui convidada para ministrar um curso de extensão na FADILESTE, em Reduto. Foram três finais de semana de muito trabalho, onde discutimos temas relacionados à inclusão social e educativa de alunos portadores de necessidades especiais, principalmente, aqueles que pela perda da visão total ou parcial, aprendem a “ver além do olhar”.
A inclusão, legalmente instituída desde 1989, caminha lentamente e está longe de poder ser considerada para todos. O preconceito e o desconhecimento ainda são maiores do que o reconhecimento do direito de cidadão dos portadores de necessidades especiais. Essa barreira só poderá ser rompida com atitudes como dos administradores da FADILESTE que além de nos convidar ao desenvolvimento do curso, também ofereceu os recursos necessários para o desenvolvimento do mesmo.
Um fato me chamou a atenção, através das discussões e estudos que aconteceram no evento, foi possível constatar a exclusão em que ainda se encontram os deficientes visuais. Não há cadastro do número de cegos e portadores de baixa visão em nossa região. Como se os mesmos não existissem. As associações e projetos que até desenvolvem trabalhos significativos com portadores de necessidades especiais, em sua maioria, classificam os deficientes visuais como portadores de deficiências múltiplas, o que acarreta falta de material e profissional habilitado para o aprendizado do Braille, da mobilidade e, da verdadeira inclusão social e educativa dos mesmos.
Minha experiência profissional me proporcionou o conhecimento e reconhecimento da relevância desse trabalho. Não há nada mais importante para o deficiente visual do que sua socialização e independência e, sem nenhuma utopia, porque já presenciei vários resultados positivos, gostaria de deixar o incômodo das perguntas que ficaram ao final do curso: Onde estão nossos deficientes visuais? Não existem ou se encontram aprisionados em suas residências por falta de um projeto que os liberte? Até que ponto as escolas públicas e particulares têm oferecido à possibilidade da real inclusão desses alunos em suas redes? Levando-se em consideração que existem pessoas que perdem a visão na adolescência e na vida adulta, onde se encontram e o que estamos oferecendo a elas para que continuem a viver com autonomia e alegria? O que poderia ser feito para mudar esse quadro?
Meu incômodo se deu a partir da felicidade que constatei como professora do EJA em Juiz de Fora, recebendo e incluindo verdadeiramente vários alunos portadores de deficiência visual, aprendendo com eles que o “essencial, realmente é invisível aos olhos” e, que nossos preconceitos limitam e muito, não somente a eles, mas, a nós mesmos que de certo não sabemos ainda perceber e integrar portadores de necessidades especiais.
O fato é que, nenhum favor estamos fazendo em atendê-los, são amparados legalmente e têm direitos como cidadãos. Perderam um dos sentidos, mas, isso não significa que devam perder a alegria de viver, pelo contrário, são sinônimos de atitudes positivas e otimistas. Pessoas que sorriem e enxergam com a alma e que são tão capazes ou mais do que muitos de nós que nos consideramos “normais”. E o que é mesmo ser normal?

“Nem todas as diferenças necessariamente inferiorizam as pessoas. Há diferenças e há igualdades - nem tudo deve ser igual, assim como nem tudo deve ser diferente. /.../ é preciso que tenhamos o direito de sermos diferentes quando a igualdade nos descaracteriza e o direito de sermos iguais quando a diferença nos inferioriza.” (MANTOAN, 2003, p.34)



Wanderlúcia Welerson Sott Meyer

21 de set de 2009

Recomeço

Estou recomeçando...
Devagar e mansamente, diferente, consistente, consciente.
Lentamente...
Experiências ensinaram-me a conviver com a solidão.
Já não tenho medo.
Acabou a pressa.
Vivo cada dia como se fosse o último.
Já não me importam as idéias que não edificam.
Os comentários que não acrescentam.
As atitudes racionalizadas.
Permito-me viver...
Sonhar... Ser...
O silêncio não assusta.
E a alegria, antes contida.
Encontra-se refletida no olhar.
Quero o amor que mereço.
Nem mais, nem menos.


Wanderlúcia Welerson Sott Meyer
Publicado no Recanto das Letras em 21/09/2009
Código do texto: T1822843

16 de set de 2009

Ausência

É vazio o sentimento que preenche a alma
Sinônimo da falta que se sente
O amor que se espera...
É estranha a dor que provoca
Um sonho inacabado e bom
O sorriso na lembrança
O carinho que ainda toca a pele
É distante o amor que almeja
Nem se sabe ao certo de sua existência
O que incomoda é o desejo que não cessa
A hora que passa, os dias...
Nada que possa aliviar a ânsia
É ideal imaginário ou esperança?
Não se sabe...
O fato é que alimenta
É certo não se saber viver
Sem sonhar...

Wanderlúcia Welerson Sott Meyer
Publicado no Recanto das Letras em 16/09/2009
Código do texto: T1813352

14 de set de 2009

Cada gota...

Se cada lágrima pudesse ser traduzida
Cada gota decifrada
Cada dor sentida
Saberias o quanto pode alguém te amar
Da forma que sempre fora
Sem pretensão de modificá-lo
Tornando-o projeto dos meus desejos.
Amor que é amor não morre
Nem se o tempo e a distância
Não lhe permitem caminhar
No entanto,
Há saudade...
Nela me encontro em você
Transbordam dos olhos as lágrimas
Todas suas...
Todas nossas...
Cada gota...


Wanderlúcia Welerson Sott Meyer
Publicado no Recanto das Letras em 14/09/2009
Código do texto: T1809657

13 de set de 2009

"Nenhum homem é uma ilha."

“Nenhum homem é uma ilha.”

Chardin

Mesmo que a solidão lhe visite
Não permita fazer morada

Há um tempo pra pensar

Talvez, sozinho

Quando possível...

Contudo, a criação acontece

Quando, através de inferências

Colocamos-nos abertos

As novas experiências.

Wanderlúcia Welerson Sott Meyer
Publicado no Recanto das Letras em 13/09/2009

Código do texto: T1808614


11 de set de 2009

Poética resistência feminina

Estranha paisagem que insiste em permanecer intacta, ou talvez seja a alma que persiste em não mudar? Um quarto bem definido em suas formas, amplo e claro. Paredes que nunca responderam aos apelos e um silêncio sepulcral que antes torturava. Acostuma-se com a solidão, assim como se pede aplausos e reconhecimentos. Quadros que nada dizem, perfume de mulher rompendo o ar inerte. Milhares de pensamentos confusos e o desejo de prosseguir. Alma feminina que sonha e redescobre o óbvio. Guardou-se temporariamente o encanto, adormeceram sonhos e palavras. Um caminho de pedras, trilhado pela insegurança, a destituição de certezas, o receio do que há de vir. Ocultou-se a menina, acordou a mulher! Seu coração bate descompassada... mente, por que ainda vivo, almeja todos os sentimentos que lhe fizeram pulsar, em busca da vida. Um ar feminino de fortaleza recriada e endurecida. Repleta de sonhos... perdida. Entregue a tudo que sente na luta incessante e ardente de emoções que as sustentem. Coragem, olhar de valente. Contraste do colo que pede, por muitas vezes ausente. Aprende-se que nem sempre presente está o amor que se estabelece. Nas juras, sonhos e promessas... não restam nem mesmo as lembranças. O ritmo desordenado que impomos à vida, nos leva a esquecer sentimentos, negar o que tanto almejamos. Como flor que seca, petrifica também a alma. E se lágrimas caem como chuva, já não há mais o terreno fértil, nem sementes... Só se consegue a lama úmida, causada pelo o descaso e o abandono. Alma feminina, guerreira, sonhadora e incorrigível. Ergue-se em um átimo. Desperta, move-se. Se a paisagem não se movimenta... Transformar-se-á em luz.

Wanderlúcia Welerson Sott Meyer
Publicado no Recanto das Letras em 10/09/2009
Código do texto: T1803124

21 de abr de 2009

Vazio

Sensação de nada imerso em um todo que desconheço.

Pensei ter respostas

Acreditava em convicções

Algumas criadas por mim

Outras enraizadas pelo tempo.

Aparência de sólido, correto, imutável.

Valores de um contexto de vida.

Sensação de nada imerso em algo novo que receio.

Desejos, anseio, rasteiam.

Pensei ter coragem

Força suficiente para vencer o medo.

Vilã de mim mesma.

Travando batalhas entre a realidade e o porvir.

Dor interna que retrai a vontade.

Solidão, esquecimento... saudade!

Wanderlúcia Welerson Sott Meyer
Publicado no Recanto das Letras em 21/04/2009

Código do texto: T1552382

20 de abr de 2009

Amor de anjos


Sobras de amor


De tudo... 
Fica a lembrança, o desejo incontido. 
A vontade de não ter vivido. 
A dor de querer esquecer em vão. 
De tudo...
Fica o caminho que não cabe retorno. 
O medo, o aprendizado, a coragem. 
Desencontros e desconsolo
De tudo... 
Fica a esperança, um pouco de descrença.
 Fragmentos de verdades. De tudo... 
Fica o vazio, inerte e sombrio. 
De tudo fica saudade. 




Wanderlúcia Welerson Sott Meyer 
Publicado no Recanto das Letras em 03/04/2009 
Código do texto: T1521105

1 de fev de 2009

Tempo


Chega um tempo que é necessário aceitar o óbvio e se deixar levar pelo caminho.
Tempo em que o coração se cansa de combater e que necessita acolhimento.
Tempo em que os sonhos são traduzidos em realidade.
Tempo em que o peito aperta e as dores florescem.
Tempo em que o que se quer é a solidão.
Chega um tempo em que a maturidade lhe impede o delírio.
Tempo em que é chegada à hora de tomar decisões.
Tempo em que se sabem as dores que escolhas podem causar.
Tempo em que não mais se pede... Cala-se!
Tempo de reestruturar lembranças e recordar o necessário.
Chega um tempo em que não se acredita em palavras.
Tempo em que as atitudes precisam ser intensas.
Tempo em que o amor aceita, mas, não sustenta.
Tempo em que se não se quer mais sofrer.
Tempo de esquecer!




Wanderlúcia Welerson Sott Meyer
Publicado no Recanto das Letras em 01/02/2009
Código do texto: T1416306

23 de jan de 2009

Amar é inevitável.


Nascemos para sentir e, apesar dos descaminhos, atropelos e inconsequências diárias, há no ser humano uma necessidade primária e básica de sentir-se próximo, desejado, querido, amado! Querer alguém é despertar para a vida!


Wanderlúcia Welerson Sott Meyer
Publicado no Recanto das Letras em 23/01/2009C
ódigo do texto: T1400518

Transparência...essência...

O que busco não existe, faz parte de um aglomerado de equívocos que desejei. Não há nada de mágico, quando se trata de matéria. O que transcende está por vir, não faz parte deste mundo.
O fato é que minha essência é verdadeira. Contudo, sinto-me absolutamente corrompida pelo o que encontrei. A frustração é consequência dos enganos que cometi.
Alma liberta, quase sem sonhos, renovo-me para redefini-los.
Não almejo o Santo ou o puro , quero a verdade que aprisiona e liberta. Algo que até então busquei...
Quero a paz, o aconchego e, quem sabe, o amor... O depositei em tantos descaminhos que já não o percebo. O que mudou em mim, rejeita a ideia de que exista. Não da forma que sonhei. Tudo é carne, é momento, e não há amor que se sustente no efêmero.
Com o tempo as mágoas são tantas que os olhos transbordam lágrimas, embasando a visão do novo.
Não há dor...apenas e, simplesmente a constatação do óbvio.
Se não encontrar meus sonhos por aqui, aguardarei para que a luz se faça e eu aprenda que amar é simples, como doar a alma pura e livremente.

Wanderlúcia Welerson Sott Meyer
Publicado no Recanto das Letras em 23/01/2009
Código do texto: T1400496