28 de set de 2010

Sina feminina



Tão entregue como animal adestrado, conformara-se com a vida, com o pouco, com a lida. Entregara-lhe o melhor de si. Tantos anos, tantos prantos, tanta sensibilidade adormecida.
A mulher quando se casa, entrega uma parte da vida; entrega cega, imperceptível; sabotagem silenciosa que a faz seguir caminhos inesperados. Mesmo aquela que por príncipes não espera, adormece ao entregar-se ao outro, aos outros...
Tão esquecida de si, tão entorpecida em seus sonhos, tão condicionada a doar, tão demagogicamente contextualizada no nada.
Crescera em uma rigidez quase absurda. Para ser feliz, sentir-se feliz, deveria ser agradável aos homens... Servir, sorrir e jamais se queixar...”Homens não gostam de mulheres que se queixam, que falam demais... homens não gostam!”
Pensava... O que realmente lhe importava? Agradar a si ou ao outro? Por que deveria calar-se?
Onde sufocaria tantas dúvidas, tantos argumentos, tantos desejos?
Era Vida o que queria e não era necessário muito!
E agora que se submetera sem murmurar? Havia sabotado todos os seus sonhos, não mais se sentia senhora de si.
A mulher ao casar-se, sofre uma espécie de embotamento. Tudo passa a ser mais importante, tudo está acima de seus anseios... E é um processo natural, tão bem estruturado que quando se dá conta encontra-se diluída em um contexto que não a inclui. Passa a ser coadjuvante de si mesma, protagonista de uma tragédia pessoal.

Wanderlúcia Welerson Sott Meyer

24 de set de 2010

ANJO DO AMOR (ANAEL)


Silêncio interior

Sereno...
Tudo o que por amor sou capaz de fazer
Tão bom e próximo ao bem
Tão generoso e simples
Asas que me levam em sensações de paz profunda!
Leves...
Conduzidas pelo vento!
Próximas e distantes...
Áurea e límpida...
Envolvida pela serenidade que busco!
Alma!
Pluma lançada sem destino...
Livre dos abismos que a terra me prende!
Espaço de Paz intraduzível...
Silêncio!

Wanderlúcia Welerson Sott Meyer
Publicado no Recanto das Letras em 24/09/2010
Código do texto: T2517243


15 de set de 2010

ALMA DE POETISA





Quando todos dormem, os pensamentos ainda lhe roubam o sono.
Quando vira ao mundo, sabia-se humana
Hoje, mulher...
Ninguém lhe roubara sonhos,
Alguns se foram...
Outros perderam a importância.
Ninguém lhe despertara o sorriso,
Nascera assim...
Desperta, pronta pra servir.
Ninguém lhe tirara a esperança,
Esta era como planta que germina,
Floresce, frutifica e cai sobre solo...
Infinitamente recriada.
Ninguém lhe dissera o que fazer,
Seguirá intuição aguçada...
Feminina, felina, mulher.
Coube ao tempo e a vida
Impor limites,
Ensiná-la a transformar
Observando com os olhos da alma
Morrendo para renascer inúmeras vezes.
Coube ao mundo acolhe-la...
Estendendo os braços a quem quer que fosse...
Recebia muito...
Traduzia em mais o que pensava possuir de menos.
Coube à lida o sereno encontro...
Algo de si mesma
Que de tudo via...
Agora sentia...
Despertara...
Vida!
Wanderlúcia Welerson Sott Meyer
Publicado no Recanto das Letras em 15/09/2010
Código do texto: T2498885

9 de set de 2010

Próprio

Pudesse traduzir...
Dizer o que incomoda...
Acorda!
Há vida que lhe espera!
Entender o que almejas?
Peleja!
Desce de onde se encontra
Argumenta...
Esquece e não lamenta!
Enfrenta!
Adoece o corpo
Resplandece a alma!
Encoraja a quem lhe pede calma.
Desnuda...
Resplandece e luta!
Não lhe cabem sonhos
Que não sejam seus!
Como o que se poda
Incomoda!
Floresce!
Entoa uma prece!
Transborda o que ocultas...
Desnuda!
Se, no entanto, vês.
O que ninguém enxerga
Há de tudo ser
O que a outro entrega?
Viva acesa chama
Desse ser que ama
Que jamais se rende...
Veemente lida
Uma dolce vita!
Sábia em seus contornos
Adornos!
Convertendo a dor
Em lições de amor!
Wanderlúcia Welerson Sott Meyer
Publicado no Recanto das Letras em 09/09/2010
Código do texto: T2486986