14 de jun de 2008

Responsabilidade de amar


Responsabilidade de Amar



Nossos sentimentos não estão no coração. Essa é uma forma que encontramos pra expressar o amor que sentimos. O coração é a expressão da vida, o sangue que bombeia, garante-nos a certeza de estarmos vivos. O vermelho, a pulsação contínua, tudo como sinônimo de sentimentos fortes.
Esses, podem até estar contidos no cérebro, mas, não encontraria nenhum símbolo mais significativo do que esse órgão fantástico, que representa a vida, para expressar o amor.
É o coração um terreno fértil. Nele semeamos aquilo que quisermos. Produzimos e transmitimos o que somos. E despertamos também sentimentos nas pessoas com as quais convivemos ou, simplesmente conhecemos.
Não, não simplesmente conhecemos...
Quando conhecemos alguém, misturamos mundos, semeamos. Nessa semeadura, muitas vezes nos esquecemos da responsabilidade que temos com outro. Com os sentimentos que despertamos, com as imagens que são criadas e aquelas que, com nossas atitudes e palavras, cultivamos.
A fragilidade dos momentos que vivemos, a ingenuidade que temos quando amamos, seja em que idade for, nos transforma em presas fáceis de grandes equívocos que, com o tempo se transformam em ervas daninhas, dilaceram ilusões, provocando lágrimas, cicatrizes eternas.
A responsabilidade com outro, não é algo imaginário. Não adianta dizer que a pessoa é a única responsável pelo que sente, não é assim que funciona. Podemos edificar ou destruir relações e pessoas e, mais cedo ou mais tarde, percebemos os danos que causamos ou as flores que plantamos.
Quando deixamos flores, os sentimentos que ficam traduzem alegria, saudade, esperança, uma indescritível, certeza da importância de nosso papel no crescimento e amadurecimento de alguém
Ao contrário, quando o que deixamos foi uma semeadura de dores e mentiras, os danos são irreversíveis. Depositamos angústias, destituímos sonhos e transformamos sentimentos dignos em rancores, desilusões e medos.
Sabemos o quanto é difícil... tudo o que envolve relacionamento humano é complexo, porque somos falíveis, instáveis e mutantes. Nem é minha pretensão, direcionar respostas, não as tenho, estou em condição de aprendiz. Mas, uma coisa é certa, não há nada mais importante do que o diálogo, a conversa franca e esclarecedora. Daquelas que minimizam dúvidas e proporcionam entendimento,
Conclusões só podem surgir do amadurecimento e a sinceridade é a forma mais segura e justa que um ser humano encontra de provocar menos danos ao outro e semear flores.

Wanderlúcia Welerson Sott Meyer
Publicado no Recanto das Letras em 14/06/2008

Código do texto: T1033928

13 de jun de 2008

Amor




Deveríamos namorar eternamente, sem o compromisso estreito do cotidiano. Traduzir nos olhos o amor que sentimos; nos gestos, a alegria de estar ao lado. Cuidando carinhosamente do outro, como se fôssemos plantas em eterno estágio de germinação.
Depois de um tempo de convivência, a intimidade nos afasta. Tão contraditório dizer isso! Como depois de conhecermos e sermos conhecidos pela pessoa com a qual vivemos e convivemos diariamente, poderíamos nos sentir tão distantes?
Há muitas justificativas pra isso, o tempo, o dinheiro ou a falta dele, o hábito e, a pessoa que está ao seu lado deixa de ser aquela que um dia lhe despertava instintos e desejos. Tornam-se amigos... isso, quando conseguem se tornar amigos, porque há casos em que o ódio, o desrespeito e a opressão, passam a falar mais alto que o amor.
Deveríamos nos apaixonar diariamente, como naquele primeiro dia em que os olhos se entorpecem, o coração dispara, o abraço traduz o desejo de se transformar em apenas um. Mas, deixamos a rotina tomar conta e, muitas das vezes, buscamos sentir tudo isso novamente em outros relacionamentos, outras pessoas. Até conseguimos, mas com o tempo, depois que o príncipe vira sapo ou a princesa se transforma em patroa ou será bruxa?), nos damos conta que não era a pessoa que não nos servia, mas sim, nossa opção de vida, nosso mania de deixar para conversar depois, esperar que o tempo passe, mascarar situações que nos incomodam, aceitar o inaceitável, tudo isso determinando o fracasso de nossas relações amorosas.
Pessoas que chegam a maioridade e que, lado a lado ainda caminham de mãos dadas, deveriam escrever livros, não para nos ensinar a ser, isso é impossível, somos o que queremos ser, mas no mínimo nos oferecer dicas de como partilhar, como se relacionar sem podar o outro, sem deixar-se escravizar, sem adoecer por amor, sem permitir que os atropelos diários desfaçam laços fortes e determinantes, que um dia fizeram com que duas pessoas de mundos tão diversos, se encantassem pelas diferenças.
E que essas diferenças continuem a existir... mesmo que os anos passem, o sorriso apresente rugas, os corpos não sejam esculpidos, o olhar já não traduza o mesmo brilho.
Sabemos o quanto isso é difícil, e o quanto a intolerância e o egoísmo, a busca desenfreada pelo dinheiro e a carreira, tem produzidos vítimas de rompimentos desnecessários.
Pessoas são falíveis, não importa a altura, o status, o peso, a cultura. Quando se trata de sentir, o mais sensato de todos os homens torna-se menino. Buscar desordenadamente por um parceiro ideal ou acreditar que nossa vida se resume em um ato sexual, é minimizar e subestimar a grandiosidade de nossas relações.
Talvez o segredo esteja no enamoramento diário, no cuidar do outro e, não se esquecer de que não somos donos nem posse de ninguém. Ou se valoriza, ou se perde!




Wanderlúcia Welerson Sott Meyer
Publicado no Recanto das Letras em 12/06/2008
Código do texto: T1031115