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Respeito... sou Mulher!



Hoje escrevo por incômodo, expressando o que vi e ouvi. Sou mulher, guerreira, independente, no entanto nunca abdiquei do espaço e jeito de ser Mulher. Cavalheiros me encantam, adoro flores, gentilezas, gosto de me sentir respeitada e me apaixono por músicas, textos e poesias que buscam desvendar a alma feminina, tão diversa e complexa, que chegam a taxa-la de incompreensível. Há anos não participo de carnavais, opção consciente que faço sem nenhum preconceito. Confesso que antes adorava participar de bailes, cantar marchinhas e ver desfiles. Este ano optei por viajar com minha família para uma região litorânea. Ficamos próximos à praia e todas as tardes grupos de jovens (muito jovens mesmo) e adolescentes reuniam-se em concentração esperando o desfile dos blocos e trios elétricos. Sou culturalmente eclética, acredito na diversidade e raramente me espanto com o comportamento das pessoas. Mas, fiquei assombrada com as letras das supostas músicas que essas pessoas cantavam e dançavam. Aquilo não era carnaval. Longe de ritmos e opções musicais, vi meninas e mulheres, cantarem e dançarem letras que nada mais eram que um retrocesso no que diz respeito à valorização da mulher. Como dançar e cantar frases que tratam mulheres como objetos e rotulam com palavras chulas seres humanos? Confesso que me senti ultrajada por todas aquelas mulheres e meninas que lá estavam sem se darem conta de que estavam sendo insultadas. Alguns podem dizer que não compreendo por não pertencer a essa época, mas, vi nos olhos e na fala de minha filha a mesma indignação. E se há tanta luta justa por igualdade e quebra de preconceito, como podem deixar que essas letras hediondas entrem em nossos lares e ouvidos como algo normal? Eu conheço e reconheço a liberdade de expressão, mas, também tenho consciência dos direitos que tenho como cidadã e mulher de não aceitar que tratem seres humanos femininos com vulgaridade e desrespeito.
Opinião que expresso como desabafo sem pretensão de convencer. Se for uma tendência que seja algo que respeite e acrescente. Que ninguém seja obrigado a receber insultos em alto falantes e enormes caixas de som, enquanto uma plateia tomada pelo ritmo dança sem refletir no que ouve.

Gratidão

Certezas de Amor

Estavas ali, sempre estivestes.

Não era matéria palpável

Nem ilusão temporária

Fazia parte dos dias

Desde sempre...

Um alento nos momentos de dor

Uma esperança de amor

Visitava-me nos sonhos

Acariciava-me o rosto

Registrava-se a presença

Partia...

Permanecia a sensação do encontro

Serenidade pretendida

Essência de sentimentos duradouros

Suavidade que se sente

Tal brisa suave tocando o corpo

Indivisível êxtase

Emoções desejadas

Puras, intensas

Tradução apropriada de Amor!

Amor maduro

Será preciso tempo para regenerar as lesões provocadas pelo desvario dos sentimentos. Não é possível afirmar se era amor de fato. Serviu como alento enquanto próximo estava. Agora, que apreende e absorve palavras proferidas sem nenhum compromisso estreito com a verdade, analisando frases soltas e atitudes contraditórias, percebe-se claramente a ineficiência das palavras que não condizem com a verdade. Realidade tão intensa quanto a fugacidade dos anseios de porvir. Confia cegamente na maturidade que se adquire, grata pelo aprendizado rápido e eficaz de que o amor, de fato, só existe nos atropelos da convivência, no encontro dos desajustes, no sentir mesmo nas turbulências, na expressão de respeito pelo que se é. Constância inconstante de emoções indefinidas e necessárias. Amadurecimento vagaroso determinado por momentos de desordem interna e externa. Cumplicidade que se expressa apesar dos enigmas e contradições de seres opostos que jamais se completam, apenas evoluem entre possíveis …

Caminhos dicotômicos

Não lhe diria verdades, nunca as conheci. Tampouco desfecharia os inúmeros sonhos inconclusos que permaneceram latentes enquanto pensávamos estar no caminho. Nunca saberíamos se as estradas que escolhemos e as trajetórias que fizemos foram realmente escolhas. De fato, pouco valeria lastimar e fazer conjecturas. Basta-me a realidade detectada pela pupila dos olhos teus e meus, sentida na pele como distante toque etéreo. Adormecida, enquanto em vigília presumes e anseias o que jamais viverás. Reformulas vontades, despertando sorrisos que se encontram longe de ser o que desejas. Não seria lamento, apenas dúvida, suspeita de equívocos... Desconfiança de que, se os caminhos não fossem bifurcados e dicotômicos, se os desejos não fossem imaturos, ainda estarias ao meu lado.
Wanderlúcia Welerson Sott Meyer