26 de fev de 2010

Amadurecer sem endurecer


    Gostaria de crer que o amor é simples. Que as marcas, não nos deixam mágoas. Que as perdas, acrescentam anos. Que depois de se perder, seja lá o que ou quem se ame, nossos sentimentos acomodados pela dor, amadurecessem.
     Gostaria de crer que depois de longos lutos, estaríamos prontos para fugir das armadilhas que nossos corações não veem. Não nos tornaríamos frios, mas, mais aptos a desvendar os caminhos das ilusões que nos traduzem somente dores.
    Gostaria de crer no mundo, no humano, na sensibilidade das pessoas. Que ninguém fosse capaz de verbalizar engodos que ferem. Nem usassem de palavras que deveriam ser manifestadas para despertar o amor.
     Gostaria de crer... Como dói perder toda essa confiança que antes me atirava à vida com um pássaro em voo pleno, jogando-se ao mundo, envolto aos estímulos e sensações que percebe lhe bastarem para recomeçar.
     Gostaria mesmo de crer, que com a idade, o que chamam de discernimento e sabedoria, fosse parte de uma construção de grandes alegrias e encontros. São as dores físicas e psíquicas, o que dói na pele e o dilacera a alma, que transformam em couraça o que antes fora sonho, esperança e amor.
Wanderlúcia Welerson Sott Meyer
Publicado no Recanto das Letras em 26/02/2010
Código do texto: T2108331

25 de fev de 2010

LAMENTO


Lamento dizer que sobrevivo
Que ao contrário do que parecia ser óbvio
Ainda me encontro firme
Que ao avesso das circunstâncias
Estou viva!
Não há barreiras intransponíveis
Só nos cabe encontrar o caminho
Lamento dizer que hoje me conheço
Já não tenho medo
Nesses obstáculos, fiz o meu possível.
Dei o melhor de mim
Não nos compete ver que deseja a lida
Só me vale ser o que exige a vida!
Wanderlúcia Welerson Sott Meyer
Publicado no Recanto das Letras em 25/02/2010
Código do texto: T2106550

Ilusão




Erguem diante dos olhos, os tortos sonhos.
Nada que possa ou deva ser constatado
Há uma realidade refletida para poucos
Ofuscaria a visão de quem imagina-se sensato.
Wanderlúcia Welerson Sott Meyer
Publicado no Recanto das Letras em 25/02/2010
Código do texto: T2106522

24 de fev de 2010

MORRER EM VIDA


Se pudéssemos direcionar sentimentos.
Negá-los
Esquecê-los, simplesmente...
Se pudéssemos impedir os delírios
Aniquilar anseios
Inviabilizar o amor
Se pudéssemos racionalizar desejos
Cercados de certezas
Verdades absolutas
Se pudéssemos...
Morreríamos em vida!
Wanderlúcia Welerson Sott Meyer
Publicado no Recanto das Letras em 24/02/2010
Código do texto: T2105998

FOTOGRAFIA



FOTOGRAFIA 

Ali está alguém que sorrindo

Não expressa o que sente

Eternidades de momentos

Jamais vividos!

Wanderlúcia Welerson Sott Meyer
Publicado no Recanto das Letras em 24/02/2010
Código do texto: T2106011

Canto da terra

Venho da terra
Semente que germina
Vive
Rompe-se
Desfragmenta-se.
Sofre na pele
Efeitos nem sempre “naturais”
Interrompe-se
Frutifica-se
Irrompendo sabiamente
A rigidez do solo
Ergue-se em direção a Luz
A mercê dos ventos
Tempestades
Tormentas
Insatisfações e buscas.

Wanderlúcia Welerson Sott Meyer
Publicado no Recanto das Letras em 24/02/2010
Código do texto: T2105990

O AMOR



O Amor, sentimento absolutamente necessário, movimenta , de maneira sábia todas as vertentes e caminhos da vida.
Se encontra em tudo, mesmo nos sentimentos mais confusos.
Sua abstração, quase sempre nos leva a confundi-lo com o desejo, a paixão.
Se intenso, descontrola-se, adoece, podendo se transformar em ódio.
O ódio é o amor doente, descontrolado, transtornado.
Para viver um grande Amor , faz-se necessário o equilíbrio, a com"paixão, a misericórdia.
Para viver um grande Amor, é preciso humildade(humus), ter os pés no chão, na terra.
Quem se diz acima, não Ama o outro, somente a si mesmo.
Quem se diz abaixo, perde a autoestima e, portanto, o Amor.
"A humildade te põe grande diante da grandeza de Deus"
E, portanto, grande diante do Amor!!
A lição já aprendemos há milênios...
É preciso aprender DE COR...DE CORAÇÃO!!
Wanderlúcia Welerson Sott Meyer
Publicado no Recanto das Letras em 08/11/2007
Código do texto: T728187

Amor e perda




“O que dói não é perder o ser amado, mas continuar a amá-lo mais do que nunca, mesmo irremediavelmente perdido.” J.D.Nasio

                Tão certo quanto amar, é ter tanta certeza de ser amado e deixar  ao acaso quem se ama. Não creio que o amor acabe, mas, sei que quando não há cultivo, trato e zelo... O Ser amado esvazia-se. Esse vazio é porta aberta à vinda de novos amores.
                Não há julgamento, apenas quem o deixa permite que o amor seja expandido... Doado a outro alguém.
Wanderlúcia Welerson Sott Meyer
Publicado no Recanto das Letras em 19/02/2010
Código do texto: T2095549

DESEJO



Corre na veia o desejo
De que meu sangue
No seu se perca

Fusão de compassos cardíacos
Tardio ou não.
Confuso ou obtuso.
Excluso.
Corre no corpo o instante 
Tornando-se eterno e findo
Tão distante e errante 
Quanto mudo.
Literalmente sozinho.
Sem ninho...
Na espera que o caminho
Mesmo que existam espinhos
Torne-se seguro ao lado seu.
 
 


Wanderlúcia Welerson Sott Meyer


Publicado no Recanto das Letras em 19/02/2010
Código do texto: T2095595

NECESSIDADE DE INCOMPREENSÃO DA ALMA


Posso ver e ouvir o mar
Mas, tocando-o
Esfria-me a alma.
Há uma impossibilidade
Intraduzível
Impenetrável
Dificílimo descrevê-lo.
Como nós...
Ouvimos
Observamos
Tocamos 
Desejo de descoberta.
Não há o que traduzir
A alma humana 
Mistério insondável
Indescritível!
Se a alguém fosse dado
O direito de desvendá-la
O encanto se perderia
Submerso na fantasia
Desconforto necessário
De não saber!
 
Wanderlúcia Welerson Sott Meyer
Publicado no Recanto das Letras em 19/02/2010
Código do texto: T2095636

PENSAMENTOS


A lembrança é sempre sinal que algo de muito bom nos marcou. A nostalgia, quando dolorosa, traduz sim a perda de momentos que deveriam ser vividos com maior intensidade. A questão é: enquanto presos ao que deveria ter sido, deixamos de viver o momento presente e, provavelmente, também estaremos lamentando futuramente. Mesmo que o tempo passe e a aparência já não nos encha os olhos, a sabedoria adquirida no caminho, nos preencherá o espírito.
 
Wanderlúcia Welerson Sott Meyer
Publicado no Recanto das Letras em 20/02/2010
Código do texto: T2096986

PENSAMENTOS


Para uma tristeza
Que de tão funda
Instaura-se pela impossibilidade
De ser quem se é...
Estar com quem deseja...
Desejar,
Sem saber o quanto.
Quantificar,
Consumindo-se
Em pensamentos vagos,
Que difusos
Confusos
Esquecidos...
Vêm à tona como lavas
De um vulcão adormecido.
Wanderlúcia Welerson Sott Meyer
Publicado no Recanto das Letras em 20/02/2010
Código do texto: T2098389

DEIXE-ME



Não faça promessas,
Nem preencha vazios
Com palavras que não se cumprirão.
Preciso viver a solidão
Que meu coração
Anda perdido...
Pedindo...
Tão minha...
Por não querer viver
Nem uma só decepção.
Aprendi a temer essa forma de amar.
Deveria ter escutado a razão
Não permitindo sua presença
Em minha vida.
O que posso lhe dar
Se esperanças perdi?
Não me faça sonhar de novo.
Quero na quietude dos pensamentos
Que hoje me rodeiam
Bastar-me no amor que ainda vive
Não há verdades nas palavras.
O amor,
Aquele que desejei,
De tão simples,
Não será possível
Não perderás a vida
Com a minha ausência
Deixarás de viver.
Não haverá encontro,
Nem espera...
Só lembrança...
O que poderia ter sido?
Wanderlúcia Welerson Sott Meyer
Publicado no Recanto das Letras em 20/02/2010
Código do texto: T2098417

O QUE ME CABE...NÃO ACABE...





Cabe o silêncio do mundo
Nos pedaços perdidos pelo caminho
Cabe o instante preciso
Em cada fato de amor esquecido
Cabe o lamento à crença
Desviadas por promessas inúteis.
Cabe no meio de tudo
O nada...
Antes inteiro.
Cabe em cada segundo
Fala
Toque
Olhar
Dizendo o necessário
Profundo
Sem ser insólito
Imundo...
Cabe ou caberia
Se disso,
Houvesse algum sentido.
Wanderlúcia Welerson Sott Meyer
Publicado no Recanto das Letras em 20/02/2010
Código do texto: T2098450

CORAÇÃO DESERTO


Há no coração um deserto
Nem uma só árvore
Nem uma só folha balança
Não há brisa, nem vento.
A água morna não sacia.
A farta comida lhe faz mal.
O silêncio...
Tão desejado, incomoda.
O excesso supriu a falta
Tornando-se indesejado.
Há um deserto onde só existia vida!
Ninguém sabe quem permitiu
Que o Nada entrasse.
Instalou-se!
Agora restam longos caminhos de areia
Até que se chegue ao oásis
Sombra e água
Regenerando
Permitindo que a vida floresça
E coração, antes deserto,
Floresça!
Wanderlúcia Welerson Sott Meyer
Publicado no Recanto das Letras em 23/02/2010
Código do texto: T2103337

SUFICIENTEMENTE PRÓXIMO PARA SER TOCADO





Nada,
Além do vazio
Uma imagem desejada,
De uma vida recriada,
De vontades reprimidas.
Nada,
Além do anseio de seguir a ermo,
Sem destino...
Hora certa
De chegada
De partida...
Nada,
Além da incerteza
Confundida à angústia
Nada,
Que não seja humano
Que não se misture
A tudo que aflige
O incompreensível Ser.
Nada,
Que seja normal
Por se querer insana
Perplexa
Conflitos que perturbam
Nada,
Que esteja certo,
Que se instaure,
Congele
Petrifique.
Nada
Senão contradições
Deslizes que mais confundem
Do que esclarecem.
Nada,
Que não se queira
Suficientemente próximo
Para ser tocado


Wanderlúcia Welerson Sott Meyer
Publicado no Recanto das Letras em 23/02/2010
Código do texto: T2103923

AMANHECER DA ALMA




AMANHECER DA ALMA
                Gosto de acordar com os pássaros, ouvir o borbulhar da água que ferve. O aroma do café que aprendi a apreciar desde menina. Olhar o céu que, hoje, se faz tão azul e límpido como a áurea de uma criança ao nascer. De postar-me, mentalmente de joelhos e, admirar humildemente o Universo, rogando ao Senhor da Vida, companheiro certo de todo sempre... Que se meu corpo pesar por ainda possuir sentimentos inferiores e encontrar-se em estágio evolutivo, a ponto de me sentir cansada, que eu possa repousar em seus braços Divinos. Que se meus pés não souberem mais a direção a seguir, que Ele os conduza. Se minhas mãos estiverem soltas e sem nenhum amparo, que Ele as segure firmemente e me faça caminhar servindo, semeando Amor.

Wanderlúcia Welerson Sott Meyer

Publicado no Recanto das Letras em 24/02/2010
Código do texto: T2104640

11 de fev de 2010

Deixarás de existir!

Tens medo de amar

Não se permite viver


Não se encoraja a sonhar


Não satisfaz seus desejos


Deixa-se dominar pelo medo de errar.


Não se permite querer?


Passarás pela vida sem grandes emoções


Perdendo-se em restrições e regras.


Quem será mesmo que as criou?


Deixarás de existir!






Wanderlúcia Welerson Sott Meyer

Publicado no Recanto das Letras em 11/02/2010

Código do texto: T2081074









8 de fev de 2010

Aos poetas...

Aos poetas...
“ Haller é uma animal que vagava por um mundo que para ele era estranho e incompreensível, um animal que não conseguia mais achar a sua casa, sua paixão e o seu alimento (...). Aqueles que não têm um lobo dentro de si, não são por essa razão mais felizes.” Hermann Hesser (O lobo da estepe).

Poetas são Hallers. Estranham o mundo e as sensações incompreensíveis que lhes são oferecidas. Um estranhamento incômodo, que por vezes, causa-lhes dores internas. O simples, que de banal, torna-se complexo. Ou o complexo, que de inatingível, transmuta-se em desejo.

Não conseguem reconhecer sua casa, um interior farto de dúvidas, desconhecido, apesar de explorado, que quase sempre os coloca diante de situações indesejadas, imprecisas e incompreensíveis.

Vivenciam inúmeras paixões que os conduzem a situações inusitadas, diferentes das verdades e certezas estreitas dos homens. Vagam, ainda que presos às convenções, entre pensamentos e inquietudes descabidas e secretas, que poderiam surpreender o mundo.

Têm como alimento a palavra, compreendida pelos corações sensíveis, despercebida pelo cotidiano atordoado que quem apenas passará pela vida.
Vivem... Hora lobos, nunca cordeiros!

Selvagens o suficiente para proclamar verdades que incomodam.

Sensíveis Amores, nunca impossíveis, talvez tardios...



Wanderlúcia Welerson Sott Meyer

Publicado no Recanto das Letras em 08/02/2010

Código do texto: T2076029





3 de fev de 2010

Solidão necessária

          Era manhã, acordara tão cedo como começara a viver. O silêncio era o mesmo que existia há muito dentro de si, perdera muitas oportunidades de se livrar e, agora, tão habituada à solidão, não mais conseguia romper o casulo. Aprendera a ouvir os apelos dos pássaros que, pela manhã, agradeciam e reverenciavam um novo dia.


         Novo, porque não encontrava motivos para que se repetissem. Só se deseja o retorno do que se sente saudade e, para senti-la, é preciso que os momentos tenham deixado marcas significativas de contentamento. Novo, porque há muito se permitia desfazer dos nós deixados por relações onde as trocas pareciam não existir. Novo, sim! Finalmente e absolutamente novo, porque não mais se contentaria com a mesma paisagem, as mesmas tramas, os corriqueiros receios, o cuidar infinito sem retorno. Havia no silêncio todas as respostas. Algumas que, latentes, ardiam como verdades que não podem ser ditas. Outras que se encontravam em implosão, causando desconfortos e dores injustificáveis.


          Guardamos dentro de nós sentimentos que negamos por precisão ou conveniência.