28 de ago de 2010

Fragmentos

Queria estar só, mas, minha outra parte,
Agora distante estava. 
Sentia-me fragmentada...
De certa forma sabia que assim me sentiria.
Perdi partes de mim que se distribuíram
As escolhas que fiz...
As pessoas que amei...
Os lugares e momentos que eternos,
Pediam certo ritual de repetição.
Se assim não fosse,
Ao menos continuidade...
Queria mesmo estar ali, 
Mas, dividida entre tantos fatos e sentimentos.
Só me restava à saudade!
A saudade esgotava-me! 
De tanto pedir... 
Perdera-me!
Pretendia centrar-me...
Mas, sou muitos pensamentos em um só corpo.
Jamais estarei completamente presente...
Diversos fragmentos,
Que erroneamente consideravam-se um todo
Vagam por entre os caminhos que um dia trilhei.

Wanderlúcia Welerson Sott Meyer

23 de ago de 2010

É preciso seguir!

Muitas folhas de minha agenda estão em branco.
Recuso-me a instalar a inércia
A aceitar rótulos
Confesso que quando as vejo assim...
Vazias...
Tenho a impressão que,
Em alguns momentos, aceitei o que a vida me impôs!
Por outras vezes,
Rompendo meus limites, regras e preconceitos,
Ousei Transgredir.
Hoje, resolvi preencher a página de esperança...
Nela me seguro,
Preciso reconstruir o caminho!
Uma amiga me alertou sobre o deserto que me conduzia.
Não o quero!
Retorno à vida!
Nela, ei de florescer.
Dela extrairei forças,
Em sua companhia, quebrarei os ventos.
Que me estagnaram por tanto tempo!
Tenho um coração que se recusa a adormecer!
Nele confio, dele me renovo...
É preciso seguir!


Wanderlúcia Welerson Sott Meyer
Publicado no Recanto das Letras em 23/08/2010
Código do texto: T2453994

18 de ago de 2010

Consciência Política

Chegam a me dar náuseas as palavras e promessas que escuto em períodos eleitorais. Não sou nenhuma especialista em política, mas, sinto-me ofendida com tantos discursos elaborados, feitos para ludibriar e confundir o eleitor. Gestos, palavras e frases feitas que são cuidadosamente pensadas para acreditarmos no impossível, a postura honesta e íntegra de representantes legítimos.
O que talvez mais nos angustie é a visão de que antes acreditávamos em mudanças e lutávamos por elas, atualmente, nos “acostumamos” a rir e fazer piadas de uma situação imoral, onde a honestidade pode ser traduzida em montagens muito bem elaboradas que têm o objetivo de forma opiniões a respeito de pessoas que nem sempre dizem o que querem dizer.
Quantas inverdades, quanta ofensa quando candidatos proferem palavras de deveres como se favores estivessem fazendo. Salários que nos ofendem e, duvido que se esses Senhores e Senhoras, não vislumbrassem o enriquecimento através da política e se, o exercício de cargos públicos não fosse tão bem remunerado, teríamos tantos candidatos.
Os mesmos discursos tão distantes das práticas usurpadoras e individualistas de pessoas que dizem representar o povo. Não quero ver nem ouvir aquilo que não farão, não quero ser cúmplice de descompromissos, onde pessoas que se comprometem com o povo, exercem o poder público sem nenhuma dignidade.
Onde estão os bons, íntegros e verdadeiros políticos? Preciso acreditar que existam!
Faço parte de uma geração que alimentava de ideais e ideias. Não aceitávamos discursos demagogos, nossos candidatos de então falavam a nossa língua. Existiam partidos políticos definidos, posturas. Não se trocava de Partido como quem troca de roupa de acordo com a “estação”, de acordo com os interesses individuais que sobressaem aos interesses públicos. Acreditávamos na integridade dos discursos que expressavam verdades e inspiravam a esperança.
Recuso-me a ver falsos sorrisos de bondade que depois se transformam em deboche. Não suporto mais ouvir discursos que não condizem com as ações. Parecem mesmo fantoches que apenas dizem o que lhes falam, com um só interesse, seu próprio interesse.
Hoje, me parece que vendo um programa eleitoral, antes de sentir-me esclarecida e informada, sinto-me induzida à alienação. E preciso acreditar, pois tenho família, filhos... Não espero heróis, não precisamos deles, todos somos.


Wanderlúcia Welerson Sott Meyer
Publicado no Recanto das Letras em 18/08/2010
Código do texto: T2444774

16 de ago de 2010

Tudo em ti...


Tudo em ti...

Parece que nada mudou...
Continuas a procurar algo que não lhe pertence
Tornando complexo o que poderia ser banal
Batendo em portas que não se abrem
Fugindo de sentimentos que vivem dentro de ti.
Muito embora saibas que são outros seus desejos
Em direção contrária, segues.
Tão perdidamente cego
Tão verdadeiramente equivocado
Não consegues perceber a Luz
Irradiando de dentro de ti.
Caminhas a ermo
Enquanto mãos lhe oferecem amparo
Vislumbras horizontes inatingíveis
E bem próximo de ti
Encontra-se tudo o que necessitas
Wanderlúcia Welerson Sott Meyer
Publicado no Recanto das Letras em 16/08/2010
Código do texto: T2440741

Viver a vida


           Nunca sei o que é devido e o que me cabe. Dúvidas que carrego como uma incômoda cólica e que sei que me atormentarão do berço ao túmulo. Há entre o que posso e o que o quero, uma distância enorme. Distância que me coloca muita das vezes em uma encruzilhada permitida e descabida, levando-me a insatisfações quase tão tardias quanto o auxílio médico quando o espírito já se foi do corpo. Não ligo muito para o que pensam, não me importo nada com o que fazem, sigo indefinidamente. Meus instintos seguem meio    que atormentados e perdidos entre os deveres que a vida me impõe. Sou uma mistura fina de muitas sensações e sentimentos que nunca são negados, mas, por vezes, são legados ao esquecimento. Toda pressão que me causam quando os olvido fornecem-me uma tristeza inexplicável que transborda pelos olhos, uma insatisfação aguda, quase crônica e terminal.
              Não é que eu queira transformar a vida em um caminho aleatório e questionável... Na verdade penso mesmo que a vida é assim... Um universo de desejos repreendidos que poucos conseguem transpor. Estamos em um lugar e queremos obter asas que nos conduzam a outro. Nem sempre quando amamos somos amados e, em contraponto, podemos não amar quem nos ama. Só compreendemos a tempestade depois que as turbulências passam e perdemos oportunidades durante o percurso por nos mantermos de olhos vendados para a vida.
        Dedicamo-nos a uma causa e, em um momento de lucidez, percebemos que depositamos energia demais em um único local. Isso, quando não nos dedicamos a alguém e sentimos que diluídos no outro, nos perdemos. Recusamos nossas limitações, agimos como verdadeiros heróis e, eis que quando necessitamos estamos sozinhos, abandonados em nosso heroísmo cego que não deixa que os outros nos vejam como seres humanos. Humanos? Sim. E por vezes fracos, inconsequentes, incapazes, pouco verdadeiros e legados ao abandono. Isso talvez seja o que mais certo recebemos.
Wanderlúcia Welerson Sott Meyer
Publicado no Recanto das Letras em 14/08/2010
Código do texto: T2437661

11 de ago de 2010

O que não contei...



O que não contei...



Não contei que o que doía era a mágoa do que deixei de viver por tanto tempo, permitindo-me ser conduzida pela vida, sem a preocupação de intervir nos fatos que realmente me incomodavam...
Não contei que já estava cansada de servir e encontrava-me disposta a ser servida com palavras e olhares que não mais me julgariam, ascenderiam as chamas da esperança.
Não contei que a vida era muito mais significativa do que todas as histórias que haviam me ensinado.
Por fim, não contei que exausta, ainda preferia estar só, em um mundo só meu distante de achismos e palavras que nada acrescentavam.
Wanderlúcia Welerson Sott Meyer
Publicado no Recanto das Letras em 11/08/2010
Código do texto: T2431656

Silêncio incômodo

Silêncio incômodo
Por que me olhas?
Por que te calas?
Pergunta-me...
O que tens medo que lhe diga?
Interroga-me sobre as dúvidas que tens.
Nunca pedi esse caminho...
Nunca desejei que fosse assim...
Era tão pouco o que queria
E tanto me faltou!
Por que não me pedes a verdade?
Diria-lhe mesmo que sangrando
Preferes não saber
Preferes olhar-me
Depositando em meu coração
Todas as angústias que sentes
A defrontar-se com a verdade.
Por que não me pedes que lhe diga
Nada esconderia
Minha alma é liberta
Meus pensamentos transbordam
Meus olhos refletem
Basta que queiras saber...
Por que permitistes que eu me fosse.
Não percebeu
Não quis.
Ou a certeza o conduziu ao descaso
E agora...
Desse olhar, só ressentimento.
Mágoa, desconfiança, dor.
E tu te calas,
Ausenta.
Contentando-se com o que ainda pensas possuir.
Dores...
Lágrimas...
E sabes que foste também responsável pelo caminho.
Por que te calas?
Alivia-me a alma
Pedindo-me a verdade!
Wanderlúcia Welerson Sott Meyer
Publicado no Recanto das Letras em 11/08/2010
Código do texto: T2430956

Amor e vida