29 de dez de 2011

Vir a Ser...




Entre o ruidoso barulho da tempestade que destrói abrigos, derruba árvores, adiando sonhos, convertendo estabilidades, há uma rosa... erguida, apesar da força dos ventos. A tempestade passará, transmitirá uma sensação de impotência, uma visão distorcida de uma realidade imutável.  Contudo, o esplendor da rosa permanecerá pelo tempo necessário, ensinando que, apesar das adversidades, a vida, luz própria oferecida gratuitamente, só se apaga se permitimos. Desordens desencobrem a aparente estagnação e impõe mudanças necessárias.

Wanderlúcia Welerson Sott Meyer

14 de dez de 2011

Sintomas de saudades



Olhar aleatório

Pensamento disperso

Sentimentos sem nexo

Vontade contida

Lágrimas sentidas

Imagens distorcidas

Emoção reprimida

Dores instauradas

Lembranças veladas

Razão induzida

Cicatrizes irrompidas







12 de dez de 2011

Amor em mim


Vive dentro de mim uma mulher que sonha.
Não se importa com os “nãos” ditos e omissos,
Não se incomoda com portas que não se abrem
Atira-se de penhascos na certeza de que será amparada pelos ventos.
Vive dentro de mim uma mulher mãe...
Em silêncio ela observa seus filhos,
Mais tarde, serão filhos do mundo,
Orgulhosamente crescem física e interiormente.
Pequenos sábios que ensinam a  viver. 
Vive dentro de mim uma mulher que se entregou a lida,
Acumulou tarefas,
Subverteu seus desejos
E que pensou ter se perdido.
Vive dentro de mim uma mulher menina
Recusa a acreditar nas impossibilidades
Hora encara a vida com a seriedade que o momento lhe pede,
Hora sonha perdidamente
Entre segredos e desejos somente seus.


Wanderlúcia Welerson Sott Meyer

7 de dez de 2011

2012 - Esperança


Aqui me encontro buscando formular metas para mais um ano de vida. Não precisam ser grandes e ambiciosas, nem extremamente idealistas e utópicas, numerosas e desmedidas, mas, devem ser minhas. No esforço de investir em sonhos, desejos e prioridades, estabeleço no papel anseios e aspirações de vida plena. Não me disponho a pensar no que deixei de fazer, se cumpri tudo o que me propus, quanta energia investi, basta constatar que nada foi em vão e, se nem todas as metas do ano que passou (e ainda passa, porque ainda faltam dias de vida para o término) foram realizadas, não fiquei estacionada esperando da vida milagres sem nada fazer. Dentro das possibilidades oferecidas reformulei conceitos, redirecionei caminhos, fiz opções e, mesmo que tenha cometido equívocos os incorporei às experiências que edificam. Chorei muito, mudanças possibilitaram-me reflexões e recomeço. Imaginamo-nos senhores do destino e, em momentos inesperados nos deparamos com situações imprevisíveis, destinadas ao exercício da paciência e da fé. Confesso que por vezes perguntei a Deus, Senhor da Vida, os motivos de tantas turbulências, recebendo como resposta à necessidade do silêncio interior que me proporcionava à reflexão de que nada seria ao acaso e, que, portanto, caberia a mim à continuidade da jornada, à opção pela esperança. Procurei os sinais da vida, os sinais de vida e, os encontrei nas pessoas que me dispus a auxiliar, no amor incondicional que oferecia e recebia de meus filhos, nos familiares e amigos que tornaram o caminho menos difícil. Abri as janelas da alma para perceber que era preciso florescer mesmo nas adversidades e ouvi um dos meus filhos, em prece, agradecendo a Deus o necessário à sobrevivência. Essas palavras ecoaram como melodia suave, bálsamo de luz e, comecei a entender que a felicidade é possível mesmo que as dores existam. Basta percebê-la na sutileza dos momentos que sorrimos para a vida, entendendo que se buscamos a paz, temos que redescobrir o sentindo de Ser em essência. Naturalidade, simplicidade, metas possíveis. Penso que é somente isso e, tudo isso que buscarei para o ano que virá. Sinto-me mais leve, aliviada, sem o peso do “muito” e, percebo que a Paz tão desejada chega aos poucos, à medida que o coração se fortalece. Carma, em sânscrito, significa “ação” e, agir a favor de si mesmo e da vida é empreitada nossa. Ninguém pode fazer por nós o que nos cabe. Assim, encontrando forças internas que ainda desconheço, sigo... Renovando-me e acreditando que se dias melhores ainda estão por vir, é minha atribuição valorizar as oportunidades e possibilidades que essa existência proporciona, confiando que a felicidade sempre estará no exato lugar que a depositar.        

Wanderlúcia Welerson Sott Meyer         

5 de dez de 2011

Naturalmente


As flores do jardim renovam a esperança
Rosa rubra que, apesar das tempestades
Estabelece-se, esperando a generosidade do olhar
Palmas que germinam, em breve, flores
Pássaros que desfrutam dos galhos, ramos e sementes.
Melodias imperceptíveis à insensibilidade
Ainda é primavera...
O coração espera nova era
Esperança vertida em lágrimas
Umedecendo e fertilizando o caminho
Desmistificando sentimentos
Desvendando mistérios interiores
Espera...
Há vida a quem se supera
Segue fecunda...
A natureza aguarda o despertar dos olhos
Ofertando sons, melodia, flores
Sem pedir em troca graças e favores.



30 de nov de 2011

Silêncio


É no silêncio que me encontro quando penso ter dito quase tudo
Não há uma só palavra que possa traduzir o vácuo
Nutrindo ilusões que não mais existem
Ser incompleto, veemente busca de si mesmo
Expressão e confissão disfarçadas em sorrisos
Conciso sumário de denso conteúdo interno
Parvo pensamento sem lamento
De onde germina tanto sentimento?


25 de nov de 2011

Refletindo a vida...


Um dia terei que partir, é natural... Todos irão. As perdas são sempre dolorosas, como se estivessem levando também pedaços de história, partes nossas. A morte não me causa espanto ou medo, mas, reflexões profundas sobre a vida. Do que deveríamos dizer, dos abraços que deixamos de distribuir, dos momentos que legamos ao descaso, do que poderia ter sido, do que jamais será... Encontro-me em profunda melancolia, não é desânimo, nem depressão instaurada, reflito e reflexiono a vida em um momento onde repenso a necessidade de me doar mais ao mundo, aos sonhos, aos desejos... Acasos não existem, mas, descasos são constantes. Vivemos parcialmente o que precisaríamos valorizar integralmente, permitimos que pessoas e ocasiões se percam sem lhes oferecermos a devida importância e, quando a vida nos responde com perdas, desorganizamos os sentimentos que pensávamos refletir estabilidade, permitindo-nos a queixa infundada. Toda queixa é infundada, sem razão. Na verdade somos responsáveis pelas construções que fazemos. Tecemos histórias, escolhas nossas, por vezes equivocadas e, em determinados momentos somos surpreendidos por situações adversas que nos fazem refletir sobre os valores que realmente precisam assim ser considerados. O interessante é que apesar de não podermos retroagir em momentos, palavras e expressões de afetividade, sempre teremos como reformular posturas, rever conceitos e redirecionar caminhos para que mais tarde não venhamos a lamentar novas perdas nos consumindo em um remorso que estaciona, ancorando nosso momento presente em portos nada seguros. Entendo que a escolha é nossa! Não estamos à deriva, algumas situações realmente não podem ser modificadas e, nos cabe aceitá-las com sabedoria. Outras tantas precisam ser mais bem vividas, sabiamente aproveitadas.

24 de nov de 2011

Sou mineira


Mineira, é o que sou! Dessas de família tradicional, famílias que parecem não ter fim! Que ensinam valores, que imprimem marcas definitivas em nossas personalidades, que nos valem anos de terapia por nos ensinarem a ser tronco, esteio, braúna.
Mineira é o que sou! E sinto falta do abraço fraterno, do sorriso muita das vezes desdentado, das casas simples, construção sem viga. De ser recebida como visita, tomar café com rapadura, comer broa de fubá com erva doce e queijo... Claro, queijo mineiro (verde ou curado, o que importa é que seja de Minas).
Sou das Minas Gerais! Terra de montanhas, interior, roça, sítio, fazenda. Do café (que quando vem à florada, parece neve brotando no cafezal), terra de gente que fala diferente, mas, que diz o que pensa. Terra de braços abertos, coração quente, esperteza ingênua de um povo que acredita no futuro. Terra simples e gigante, onde a naturalidade prevalece, cresce e invade com discrição e vontade. De gente que não espera... Cria, transforma e aspira espalhando-se por esse mundo de meu Deus!

21 de nov de 2011

Saudades


Tons, sons, odores e lembranças
A saudade instaura-se como recordação
Passados não passam quando o que se tem é alegria
Impossível revivê-los,
Senti-los, inevitável...
Onde os pequenos sonhos?
Ingênuos anseios
Crédulos desejos
Passos, ilusoriamente, livres
Abraços que foram absorvidos pela existência
Sorrisos francos e ternos
Momentos lúcidos e luminosos
Pessoas que não mais verei
Diálogos amigos
Acolhimento da escuta atenta, desinteressada
Presença certa
Aceitação franca e generosa
Ecoando sentimentos definitivos e eternos
Saudade...
Da simplicidade de vida
Distante, perdida
Que hora é necessidade preeminente
Condição de vida!
Saudade...
Que se encontra agora no presente
Como fórmula do que se almeja
Simples, francos, ternos, eternos momentos
Onde o que prevalece é o sentimento
Ágape amor que importa
Lucidez de quem crê
Que vale mais o Ser!


Wanderlúcia Welerson Sott Meyer

16 de nov de 2011

Contradição poética


É o frio na pele, geada na alma.
Nada que perturbe, pede calma...
Tempo de continuar rompendo entranhas
Percepções estranhas
Obra inacabada de si
Rastros do que permitiu partir
Flores nas janelas
Pássaros entre elas
Montanhas lembrando-me obstáculos
Céu abrindo-se em espetáculo
Dor incômoda e sutil
Vontade ardente e fértil
Segmentos de reta inacabada
Erros na estrada
Obra em construção
Momento de adoração.
Poesia em plena contradição.

Wanderlúcia Welerson Sott Meyer em 16/11/2011
Código do texto: T3338750

14 de nov de 2011

Auxílio significativo



Para refletir...

Temos que saber distinguir, separar o joio do trigo. Uma atitude sábia diante da vida, que nos conduz a uma percepção interna mais coerente com nossos desejos. Assinalar o que nos pertence, separar o que conduzimos e verbalizamos, mas, que não faz parte de nossa essência. O querem de nós e o que realmente nos cabe como possibilidade e caminho.
As intenções e opiniões só nos servem à reflexão. E quem quer que seja, por mais bem intencionado, não pode pretender ter respostas para situações que não lhes dizem respeito. Não há como viver ou entender uma experiência se ela não nos compete. Há momentos em que apenas o colo, o carinho, a amizade sincera e o ouvir são os únicos indispensáveis ao coração que sofre.
Quando julgamos, afastamos. Quando inferimos, nos tornamos co-responsáveis, sem sermos, de situações que só podem ser solucionadas e resolvidas pelo outro. Não é omissão, mas, uma postura ética diante da vida que transforma nossas interferências em auxílio significativo e verdadeiro. Ao contrário, poderemos estar sabotando os sonhos de outrem ou mesmo os nossos, sem nos darmos conta dos danos que podemos causar.
Wanderlúcia Welerson Sott Meyer


Publicado no Recanto das Letras em 24/10/2010

Código do texto: T2575758






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11 de nov de 2011

Vida



Encontra-se tomada pelo tempo que lhe dispensa vida
Contradições visíveis que despertam medo
Enganos e engodos, beco sem saída
Arremedo de dores acumuladas
Versões, resquícios e resíduos
Sobras do que um dia fora
Moldada, burilada e lapidada
Brilho!
Encantos de encontros inesquecíveis
Pessoas falíveis
Almas sensíveis
Violadas e escassas
Aprende-se!


Wanderlúcia Welerson Sott Meyer

Mesmo que doa...

Mesmo que doa não vou permitir que se instaure como chaga, há algo de belo nas lutas que travamos, nos situações adversas as quais nos defrontamos, na instabilidade que nos assalta a alma. Mesmo que doa, continuarei sorrindo, distribuindo a energia que auxilia, revigora e da alento aos corações que sofrem, há algo de insano quando nos permitimos conduzir às lamentações, ao desânimo, ao medo. Mesmo que incerto e, de incertezas se constrói a trajetória, acreditarei no que a razão desconhece, aliviarei a alma dolente com perspectivas, esperanças e expectativas improváveis. Mesmo que cansada, narcotizada pela morosidade do tempo... ainda assim continuarei buscando, esquadrinhando verdades, perdendo-me em sentimentos que por hora desconheço.

Wanderlúcia Welerson Sott Meyer em 11/11/2011
Código do texto: T3329604

4 de nov de 2011

Esperança


De todos os caminhos, escolho a vida!
Opção de quem já compreendeu a importância de valorizar o simples fato de existir.
Do passado, sirvo-me do aprendizado.
Do futuro aguardo as flores e os frutos que cultivar no momento que se segue.
Em vão nada será...
Nem as dores, nem as lágrimas, nem as possibilidades aparentemente perdidas.
Transformando-me através de um amor que ainda desconheço.
Provocando mudanças de posturas e tendências.
Reavaliando decisões e sentimentos.
Empreendendo minha essência por caminhos inimagináveis.
Ofuscada pelo feixe de luz que me orienta e guia
Confio...
Esperança vinculada à fé que jamais esmorecerá.
Permitindo-me a certeza de que dias melhores virão.



1 de nov de 2011

Tempo

O tempo passa rápido demais para que adiemos indefinidamente escolhas, sublimando desejos que no mínimo nos fariam bem. Guarde tesouros materiais em recintos fechados com receio de perdê-los e, depois de um tempo, quando resolveres remover as paredes que os encobrem, encontrarás a destruição e decomposição provocada pela ação do tempo. Aniquilamento natural que se  inflige a tudo que ocultamos da luz do Sol, dos olhares de admiração, do ar que quando parado e preso, asfixia. Utilize sempre o que há de melhor em ti! Ofereça à vida o que resplandece e glorifica! Serve sem muito esperar, o retorno sutilmente nos chega quando menos esperamos. Respostas imperceptíveis à nossa ansiedade, contudo, certeiras para aquele que se disponha a servir a vida.

Wanderlúcia Welerson Sott Meyer

29 de out de 2011

E por falar em saudade...

Pode ser que o vento mude e o sussurrar das palavras proferidas há tempos atrás, retornem como reminiscências e ecoem produzindo no corpo certa sensação já experimentada de prazer. Quando pouco se diz, pouco se vive... Muito se aspira que o reencontro esclareça as dúvidas intercaladas pelas reticências, pelo silêncio. Busca-se em outras histórias a incompletude, atitude desgovernada de reviver histórias inacabadas. Ainda na lembrança o olhar, ocultando sentimentos, palavras e atitudes que nunca aconteceram. Desperdício de vida! Desprezo de Amor, desamparo de sentimentos que nunca tomaram forma. Dúvida permanente que vez ou outra retorna e, nos olhos que anteriormente reluziam, vertem lágrimas segregadas pela saudade, incompreendidas e anônimas a todos que o passado desconhecem.
Wanderlúcia Welerson Sott Meyer

23 de out de 2011

O que ninguém vê


Minha alma anda precisando de calma
Inquieta por incertezas
Incomodada pela morosidade do tempo
Inconformada pela dubiedade das palavras
Minha alma anda precisando de música
Essa que agora ouço
Transportando-me para as notas
Que soam com o êxtase sentindo
Na inserção no paraíso
Minha alma anda precisando de amparo
Uma só palavra
Toda diferença faria
Contudo, inevitavelmente
O tempo discorre lento
Das certezas germinam dúvidas
Das palavras só resta o vácuo
Do amparo transbordam lágrimas
Solidão velada
Minha alma entrega-se a silêncio
Som que inspira
Insinua possibilidades distantes
Sinfonia que soa como se vida fosse
Se me faltasse significado
Inseriria em cada nota a esperança
Serenamente rogando calma
As dores que me assaltam a alma.

22 de out de 2011

Relacionamento



Cansados de dizer o óbvio, nos tornamos repetitivos, as palavras começam a ecoar somente em nossos próprios ouvidos e, fica enfadonho aquilo que um dia era amor. Não é que se queira muito, normalmente, o que se deseja é o básico, o mínimo. Mas, quando há ausência de diálogo, quando um não é capaz de atenuar ou atender prioridades comuns, a distância vai aumentando de tal forma que se torna barreira intransponível, Não é que se desista instantaneamente, é processo de rompimento longo, envolvendo tentativas inúmeras de reconciliação. Ouvir e ponderar o que o outro deseja, talvez seja nossa maior dificuldade. Nem cogito que o outro sempre tenha razão, pode ser até mesmo que não, mas, que indivíduo não gosta de ver que o companheiro (a), mais próximo e, portanto, imprescindível, levou em consideração suas ponderações e argumentos? O penoso é constatar que as palavras soam como livros mal lidos, nenhuma só vírgula é relevante, nenhuma atitude empreendida e, se a vida é a dois, assim não deveria ser. Partilhar com o outro nossos anseios é aguardar pequenas atitudes renovadas, quando isso não acontece, criamos barreiras intransponíveis. Relacionar-se não é tão complexo quanto se pensa para quem consegue enxergar a importância da palavra, do sentimento, das atitudes inúmeras de regaste da relação através do diálogo que muita das vezes é apenas monólogo. Não precisamos, nem devemos nos moldar ao outro, mas, se convivemos lado a lado com alguém, deveríamos no mínimo, ouvir e verbalizar o que pensamos. Uma atitude madura e inteligente de encontrar caminhos que possam ser trilhados de forma diferente, porque assim somos, mas, ao mesmo tempo com a percepção de estar ao lado, senão de mãos dadas, ao menos ao lado. Quando as palavras já não fazem nenhum sentido e, o outro continua a agir e viver como se nada mais existisse, quem fica à distância, percebe claramente que se encontra em um caminho sem volta. A falência de uma relação é resultado da inconsistência de objetivos, se não comuns, ao menos próximos. Depois que o desgaste determina o afastamento muito pouco, ou quase nada pode ser feito. O mínimo seria tentar manter uma atitude de respeito mútuo e, mesmo que distante, possibilitar que ambos caminhem. O fato é que muitas das vezes, quando pessoas extremamente voltadas para si percebem, tardiamente, que perderam suas relações de afetividade adotam posturas desequilibradas e buscam recobrar sentimentos que se consumiram em atos impensados, omissões e palavras indevidas.  
Wanderlúcia Welerson Sott Meyer
Enviado por Wanderlúcia Welerson Sott Meyer em 22/10/2011
Código do texto: T329143

18 de out de 2011

Versos e reversos

Confuso silêncio que incomoda. Dúvidas e sentimentos desconexos. Aquela que clamava por liberdade tem por companheira definitiva à solidão. Não é que não a queiram. Acostumada a compreender os revezes da vida, a lidar com a incerteza e a insegurança oferecida, encontra-se como lago límpido e sereno na superfície, ocultando turbulências e dúvidas que turvam as águas profundas. Superficialmente claro e calmo...  Interiormente cansada e, quase descrente dos sentimentos expressos sem nenhuma emoção. Se pudesse, se ainda lhe restasse alguma possibilidade de sentir-se inteiramente amada, acolhida, abrigada, compreendida no que diz respeito às emoções genuinamente femininas que esperam muito do pouco que lhe oferecem... Ah se pudesse! Se de forma inesperada e simples, alguém lhe protegesse os sonhos, restaurando-lhe os essenciais... Pouco resta do sorriso que resplandecia, do encanto das sonoras gargalhadas que se ouvia. Vez ou outra, com os olhos encobertos por lágrimas, espera... Até que se obtenha domínio das emoções que incomodam, que a esperança se refaça e que a vida lhe outorgue seguir. Até que a ilusão, a utopia de sonhadora incorrigível, renasça, permitindo-lhe viver!

Wanderlúcia Welerson Sott Meyer

17 de out de 2011

Pássaro livre


O pardal se banha na areia
À sombra da castanheira
Fresta de Sol permitida
Entre folhas...
Não é belo, nem vistoso
Não é raro, nem formoso
Mas, livre!
Voa até a beira do mar
Molha-se em água salgada
Deixa-se rolar na areia
Desmedidamente!
Se belo fosse
De certo seria engaiolado
Se o mais suntuoso canto entoasse
Estaria preso
Cerceariam seu canto
Poucos ouvintes
Canto triste!
Assim somos quando amamos...
Aprisionamos!
Rendemos à beleza!
Roubamos à liberdade!

Wanderlucia Welerson Sott Meyer

14 de out de 2011

Liberdade cerceada

A realidade quando incomoda e não pode ser modificada é tortura velada, prisão sem portas, estrada interrompida. Aceitá-la é imposição que algema, restrição indevida, liberdade cerceada em caminhos impostos pela vida.

12 de out de 2011

Sonhos

Nas noites em que me visitas
Em sonhos
Desprende-se o espírito
Clamando por liberdade
Parece que ao amanhecer
Partes minhas
Dispersam-se no caminho
Fluído de vida que se dissipa
Permitindo vazios...

3 de out de 2011

Renascendo

Dias a fio procuro caminhos e respostas para questões que demandam paciência e espera. A chuva igualmente aspirada começa a umedecer silenciosamente e gradativamente a terra. A natureza agradece! Contudo, não foi sem que arbustos, árvores e flores padecessem vastos campos fossem tomados pelo fogo e animais desfalecessem pela seca. Há períodos em que a terra árida e o solo seco retiram o viço das plantas, secam fontes, dão vazão à destruição. Resultado da ação impensada do Ser humano em relação ao seu habitat natural ou não, tem épocas onde extremos ocasionam perdas bruscas, danos irreparáveis, morte aparente. Assim como acontece na natureza, atravessamos tempestades ocasionais ou duradouras e, períodos de áridas secas que nos proporcionam violentas dores. “Queimam” ou “inundam” nossas energias, assolam a alma que até sente-se assolada e afligida, mas, que jamais se deixa vencer. Momentos em que o que sobra é o deserto de si e, nos defrontamos com nosso “eu”, aquele que negamos e que, tão árido quanto o solo na ausência da água, mostra-se como nosso maior desafio. Contraditório esse sentimento de encontro que ao invés de nos oferecer harmonia, é inconciliável, conflitante e indefinido. Apresenta-nos de frente, do avesso... Escancara o que ocultamos, retirando-nos a máscara, apontando-nos o que de melhor e pior somos o que ainda negamos. Muitas chuvas, tempo de tempestades, buscas tiram-nos o sono, desinquietam-nos o Ser, irrompem certezas, provocam-nos dúvidas que assemelham a espinhos cravados na alma. Tempo de não negar o óbvio, de mostrar-se transparente, ciente e crédulo. Passada a turbulência, essência transformada, valores revistos, alma redimida, volta-se a florescer! 

Wanderlúcia Welerson Sott Meyer em 03/10/2011
Código do texto: T3254842

30 de set de 2011

Para o dia de hoje...


"Devemos fazer tudo pelo amor, mas, enquanto não sabemos fazer somente pelo amor, que façamos por caridade, por dever..."

29 de set de 2011

Quase noite!

Quase noite! Páginas em branco, franco despertar de quem sabe Ser. Gostaria de saber porque insistem em me oferecer tudo, se o que quero é o básico? Quase noite... inquieta está a alma, amordaçada, suspensa e retida por uma história de espera interminável. A luz que hoje resplandecia, o Sol que aquecia... vão para outras paragens, deixando-me a Lua como lembrança iluminada que acalma! Cabeça pesada, olhos turvos, dores que não se explicam, desejos inconclusos e perdas... muitas! Sensação de transbordamento ao escrever... se assim não fosse, explodiria! Quase noite! Quase vida! Nos espaços em que me busco, já não me encontro. Alterações definidas por consequências inevitáveis... é a vida! Mulher de noite... Mulher de dia! Descansa a noite, trabalha ao dia! Quase noite... e tudo como antes... tudo como chance... tudo em um só lance... tudo tão longe de seu alcance!

Amor

Queria dizer-lhe que não sinto tua falta
Que encontrei sentido para os pensamentos
Que ocupei os espaços que foram deixados por ti
Queria dizer-lhe que adormeceram as lembranças
Que perdi temporariamente a esperança
Que desejo uma só herança
Estarei em breve em teus braços
Faltam-me os teus abraços
Como veneno ingerido lentamente
Ando corroendo meus sonhos
Legando ao espaço os ideais pretendidos
Abrindo vagamente caminhos 
Sem nenhum significado ou importância
Forçando-me a crer que amar é engano
Fugindo de todos os planos
Desfazendo-me como um fraco combatido
Entregando-me a realidade que me prende
Temendo o que a vida surpreende
Estacionando os sentimentos que não mentem
Esquecendo o que se sente!

Wanderlúcia Welerson Sott Meyer

26 de set de 2011

Escrever descrevendo-me

Não sei se triste, não sei se insano, nem mesmo se grito de liberdade opressa. O que escrevo denota o que sinto, seja por dor ou alegria, letras se emaranham em harmonia traduzindo o que dificilmente expressaria verbalmente. Alguns, ao mergulharem nas ondas de uma serenidade submersa, percebem-me tranquila. Outros encontram tristeza e, ainda outros parecem descobrir nas palavras à esperança. Afirmo que o que se instala entre todos esses sentimentos é a busca, a transgressão, a crença de renovação. Não há coerência em renovar-se. Perfeição e coerência são falsos estados ocultos pela estagnação. Para ser coerente, também é preciso ter certezas, pensar-se sensato, ter respostas a todas as perguntas, considera-se pronto. Definitivamente ser coerente não é a minha maior virtude. Hoje sou, amanhã... talvez! Hoje penso, amanhã... questiono! Hoje triste, amanhã... festejo! Sigo! Procuro ser no mínimo e, muito pouco mesmo, sincera comigo, permitindo-me todas as contradições e incongruências de um Ser em evolução. Portanto, há quem me veja triste, quem me sinta luz, quem não ache nada e quem ainda perde seu tempo invejando o que não sou. Não sei se triste, não sei se calma, não sei se otimista ou inconsequente, prefiro e quero ser somente gente.

Wanderlúcia Welerson Sott Meyer

22 de set de 2011

Desaposentar

Recuso-me a aceitar o rótulo! Não sou alma que se prende a passado e muito menos que se presta à estagnação, nasci para servir o mundo e, sigo cumprindo a missão ínfima de semear. Passados os anos de aflição e, certa de que novas tormentas ainda virão, alimento a serenidade que me conduz a paz, senão a desejada, ao menos almejo incertos caminhos de reconstrução sem nenhum receio. Desaposentar é a meta! Condição adversa imposta pelas circunstâncias, o rótulo de sentir-se aposentada aos quarenta e três anos de existência não me serve. Portas fechadas quando não podem ser abertas, precisam ser deixadas para que a vida volte a acontecer. Se é que em algum momento desse caso, sem nenhum acaso do destino, senti o reverso de todos os anseios que tinha, recrio a trajetória com ares de recomeço acreditando em cada porta entreaberta que se dispõe no caminho. Não pode ser um erro médico e a perda parcial de um sentido a estagnação de todas as possibilidades de evolução de um Ser. Compreendo hoje, que a decisão é sempre nossa, neste caso minha. Seguir ou não, aceitar ou lamentar, parar ou permanecer lutando sempre dependeu da minha vontade e, faço opção pela busca. Compreendo que a felicidade está aonde a depositamos e, revezes são formas indefinidas de crescimento. Desaponsentado-me observo melhor e com mais maturidade os fatos que marcaram, mas, que nunca determinaram minha história. Daqui em diante sigo alimentando sonhos, algo nato em minha personalidade sensível e contraditoriamente firme. Descobri entre os escombros à importância definitiva do trabalho e redireciono minha energia para que a desaponsentadoria continue fluir naturalmente, não sem esforço. A paciência, a resignação e a coragem têm permanecido como principais rogativas das preces que faço ao Senhor da vida, fé raciocinada que me acompanha e que, por vezes, assombra quem a percebe. Nada ao acaso... Tudo no seu tempo... Floresça aonde for plantado!

Wanderlucia Welerson Sott Meyer 

21 de set de 2011

Renovação

Refazendo-me das tempestades
Recomponho-me para que a vida flua
Siga seu curso...
Seja o que for, encontro-me mais forte
Não poderia me considerar refeita
Por vezes, os revezes ainda incomodam
Como pedras justapostas
Ainda não solidificadas.
Peças impostas pela vida...
O fato é que jamais serei a mesma
Sem lamentos,
Recolho as perdas
Algumas impensadas, insensatas
Mosaico restituído
Formas indefinidas
Jamais serei a mesma!
Assim demanda a evolução
Nas dores que dilaceram
Na morosidade do tempo
Impondo ao Ser paciência,
Espera...
       Não percebo ainda aonde florescer
                                                         Há o que de incerto prevalece
Dúvidas que entorpecem
No entanto, não paralisam.
Mesmo que no caos
 Haja a tormenta
 A luz acalma
,Serenidade acalenta.
Sabe-se da vida...
Superficial significado
Alados transcendem os sonhos
Nada é inerte!
Inescritas estão as direções...






Wanderlúcia Welerson Sott Meyer em 21/09/2011




Código do texto: T3232011

19 de set de 2011

Ensinâncias da vida


Já trilhei caminhos desconhecidos, outros que me impressionavam pela familiaridade. Busquei definir sentimentos, mensurar sensações e qualificar amores. Vivi momentos de solidão, tive pensamentos inimagináveis e, por muitas vezes me permitir transbordar dores através de lágrimas. Fui esteio, porto-seguro, cais... Em momentos específicos que nem mais me reconhecia. Sustentei histórias, elevei pensamentos, roguei por paz. Fui muitas em uma só pessoa, sem nunca perder os atributos que definiram minha personalidade, que demarcaram minha particularidade, que arquivaram o que me era essencial. Hoje, caminho em busca de serenidade. A saudade já não me machuca, não espero muito de ninguém, nem me comprometo com o que não posso. Sentir passou a bastar e, definições não mais me interessam. Sentidos só mesmo aqueles que são possíveis. Não me basto, mas, aprendi a ficar só. Continuo transbordando dores em lágrimas, no entanto, não me permito chorar mais do que o necessário. Quero pouco do muito que a vida me oferece e, se em algum momento algo for insustentável, aprendi que é preciso permitir-se cair para que das cinzas à renovação aconteça.
Wanderlúcia Welerson Sott Meyer
Enviado por Wanderlúcia Welerson Sott Meyer em 19/09/2011
Código do texto: T3228944

11 de set de 2011

Dores e solidões


Percebo que, homens e mulheres buscam afeto, companheirismo, carinho, amizade, mas, colocam o desejo sexual acima do conhecimento de si mesmo e do outro.Não são os homens ou as mulheres que se tornaram insensíveis na modernidade. Na verdade o que se vê são equívocos, palavras que não foram ditas gerando controvérsias, distorcendo o que realmente se deseja, ofuscando o brilho que se tem nos olhos de quem ama.
Ambos perderam-se em discussões inúteis de papéis e lugares, uma disputa que acarretou distorções e que transformou o ato sexual mais importante que o respeito mútuo.
Buscam, mas temem o amor, porque se criou uma idéia de que quando se ama, perde-se a liberdade.
    Muitos se valem do acúmulo de relações que têm para afugentar a solidão que sofrem. Relações essas, tão superficiais quanto ao amor que dizem sentir. Desgastam-se em palavras e atitudes que não preenchem. Usam-se e são usados. Não percebem o quanto se ganha quando há em uma relação uma troca maior do que simplesmente o encontro de corpos. Não que relações e desejos sexuais não sejam importantes, mas sozinhos, não preenchem o vazio que a grande maioria demonstra sentir.
   Como droga que sacia momentaneamente e que depois, aumenta a dor de se conviver com a realidade. Há prazeres tão efêmeros e embriagantes que quando terminam, deixam a sensação de incompletude, que por sua vez, nos leva a novas buscas. Insaciáveis e insatisfeitos trocamos de parceiros como se substitui um objeto que já não nos vale.
Consultórios repletos de pessoas queixando-se de solidão, atordoando-se com a depressão e tão fechados quanto casulos que guardam o que há de melhor dentro de si.
Falam de amor, querem amar e nem percebem o quanto fogem do que desejam. Banalizam o que precisam e sofrem por não perceberem o que, de tão simples, se tornou escasso.
Homens não são insensíveis, são humanos. Demonstram menos, mas nem por isso deixam de sentir. Mulheres precisam sim ser independentes, mas nem por isso, precisam perder a sensibilidade, o feminino. Ambos, apesar de negarem, amam o romantismo dos enamorados, o pieguismo existente nas manifestações de afeto, nas palavras que encantam e que, aí sim seriam preenchidas pela união de corpos, a troca absoluta de carinhos, a energia que emana de pessoas que se encontram além do momento.
Não importa o quanto dure, se para sempre ou o tempo necessário para ser eterno, há algo de mágico no Amor que dignifica, enobrece e sustenta todo o alicerce desse ser tão complexo e indefinido, chamado SER HUMANO.