29 de jun de 2012

Engano

Cometi um engano, tentei viver além dos sentimentos que me governam. Ausentar-me da essência que me conduzia desde os primórdios de minha existência. Menti ao dizer que não faria diferença, que seguiria. Tentei desviar minha energia para caminhos diversos e, posso dizer que em alguns momentos me senti falsamente aliviada acreditando que este contexto não me faria falta. Ludibriei os sentimentos que, reservados, começaram a vociferar dentro de da consciência cansada. Incomodavam com odores desconfortáveis, adoeciam a alma. Hoje, sinto que não posso execrar sentimentos enraizados, em algum momento pedaços de vida, provocarão incômodos indiscutivelmente verdadeiros. Pequenos rebentos, em busca de luz, romperão a couraça endurecida da realidade. A alma, a cata de serenidade buscará possibilidades de retorno, veracidade de vivência, paz de reencontro.

3 de jun de 2012

Essência


Ando sumida por falta de tempo e, por vezes, acabo sentindo falta de mim. Coisa estranha de se sentir... Atropelos e avessos de uma história onde em alguns momentos, pareço estar ausente. Versão limitada de essência perdida. Falta de simplicidade que provoca uma sensação de estar sem ser. Ainda desejo o ingênuo, o pouco, a serenidade. Com aspirações tão definidas e fundamentais que se tornam anseios cada vez mais presentes. Os anos passam e a maturidade vai desnudando ilusões impostas pela correria da vida, distorcidos vazios, certeza definitiva que me basta obter o pouco para viver do muito que ainda espero. Casa simples, pés no chão, paisagem verde, o cantar dos pássaros e, no fundo um canto gregoriano para completar o êxtase de experimentar plenamente a vida. Direções de paz pedidas por uma alma que reconhece que o paraíso é um estado pleno de ser.