29 de out de 2008

Descrevendo-me


Posso ser bela aos olhos de quem me vê,
Mas, não adormecida.
Vivo como mulher que pensa, sente e atua.
Sou o resultado de tudo que vivi.
Passado que não abro mão
Nem dos momentos de tristeza...
Foi vivenciando, chorando,
Sorrindo, sofrendo, vibrando...
Que aprendi a ser quem sou.
Não espero que me dêem, busco.
Não espero que gostem de mim, amo.
Não fico aguardando que me aceitem
Conquistei meu lugar no mundo.
Sou um misto de sensações e sentimentos
Que não se importa em mudar quando preciso.
Não tenho respostas...
Cometo enganos...
Mas, aprendi a me perdoar.
Percebendo-me como aprendiz da vida,
Vou dizendo ao mundo que caminho...
Traduzindo no rosto uma alegria
Que encanta e incomoda.
Entre ser princesa e me colocar a frente de batalhas
Como guerreira audaz, que enfrenta às adversidades,
Trago dentro do peito raízes de quem foi capaz
De construir castelos,
Colecionando as pedras
Que encontrava pelo caminho.


Wanderlúcia Welerson Sott Meyer

Publicado no Recanto das Letras

20 de out de 2008

EXPRESSÃO DE SENTIMENTOS

Há um desperdício em não dizer,
Não falar o que se pensa.
Em deixar que o outro sofra,
Porque resolvemos nos fechar.
Há um desperdício em não amar,
Não expressar sentimentos,
Não oferecer alento a um coração que sofre.
Há um desperdício em não sentir,
Em negar o óbvio,
Buscar esquecer o amor que nasce
Fechando os olhos para a vida.
Há um desperdício em caminhar às cegas,
Sabendo-se capaz de ser iluminado.
Olhos vendados para a luz
Caminhando inseguro,
Sem perceber a mão estendida.
Há um desperdício em querer esquecer,
Quando o que se quer é viver intensamente.
Perde-se muito tempo negando o óbvio.
A vida passa rápido...
O tempo que perdermos,Fará parte do passado.
A lembrança do que poderia ter sido,
É chaga que mesmo que cicatrize.
Deixa marcas e dores profundas.

Wanderlúcia Welerson Sott Meyer
Publicado no Recanto das Letras em 20/10/2008
Código do texto: T1237874

18 de out de 2008

Crimes em nome do amor?

Mais um crime bárbaro em nome do amor... Já não se consegue definir mais o que se chama de amor. Posso estar vivendo em um mundo poético e fantástico, distante do que percebemos nas relações que falam em nome do amor, mas, que mal conseguem se estabelecer como afetividade. Posso até estar fora de moda, ser considerada uma saudosista utópica e me perceberem como sonhadora, mas o que sinto em relação ao amor é diferente do que vejo. Ficar procurando culpados para a distorção de um sentimento tão nobre, não ajuda a transformá-lo. O fato é que apesar de rogarem por amor, o ser humano, sem querer generalizar, afasta-se todos os dias da essência do amor. Meios de comunicação estimulam a liberação da sexualidade. Crescem as distorções dos relacionamentos. As famílias, em novas proporções, diretrizes e estruturas, já não conseguem lidar com as demandas das crianças, dos adolescentes, porque já não lidam nem ao menos com as próprias questões. Pais que não cresceram que não aprenderam a amar. Falta de tempo, ou melhor, de organização do mesmo, excesso de materialismo, ganância, poder, desejo de ter. Um leque de deficiências afetivas, que passaram a fazer parte dos nossos dias e que apesar de desumanas, absurdas e inconseqüentes, estão tornando-se normais. Sentimos, mas depois passa. É mais um fato em um emaranhado de equívocos que nos afasta cada vez mais da essência de tudo que deveríamos ter aprendido sobre amar. Crimes em nome do amor... Que já aconteciam desde o início do mundo, mas que hoje, a meu ver, deveriam ser menos hediondos, porque informação não nos falta. Especialistas que tratam do assunto muito menos; divulgação da necessidade de afeto é o que pregam todas as religiões, crenças, sociedades. Há na fala, no pensamento e no comportamento humano um desejo grande de Amor, mas a solidão tem tomado conta de todos os lares (quando existem), de todas as pessoas. Não importa idade, sexo, crença, todos se queixam da falta de amor. Custa-me crer que estejamos caminhando pra uma era onde a violência será vista como normal, que sentimentos serão traduzidos em fantasias, que o amor seja apenas um ato momentâneo, onde se importa pouco com o que se deixa no coração das pessoas. A conquista é uma arte... o esquecimento um exercício doloroso. Às vezes, não nos damos conta dos estragos que causamos no coração das pessoas e saímos, distribuindo ilusões, sem nenhum compromisso e respeito pelo outro. Essa ausência pode causar danos irreversíveis. A carência é o que há de mais real nos dias de hoje e apegar-se se tornou perigoso, porque nos esquecemos do sentido do amor. Wanderlúcia Welerson Sott Meyer Publicado no Recanto das Letras

10 de out de 2008

Não são os homens ou as mulheres que se tornaram insensíveis na modernidade. Na verdade o que se vê são equívocos, palavras que não foram ditas gerando controvérsias, distorcendo o que realmente se deseja, ofuscando o brilho que se tem nos olhos de quem ama. Ambos perderam-se em discussões inúteis de papéis e lugares, uma disputa que acarretou distorções e que transformou o ato sexual mais importante que o respeito mútuo. Percebo que, homens e mulheres buscam afeto, companheirismo, carinho, amizade, mas, colocam o desejo sexual acima do conhecimento de si mesmo e do outro. Buscam, mas temem o amor, porque se criou uma idéia de que quando se ama, perde-se a liberdade. Muitos se valem do acúmulo de relações que têm para afugentar a solidão que sofrem. Relações essas, tão superficiais quanto ao amor que dizem sentir. Desgastam-se em palavras e atitudes que não preenchem. Usam-se e são usados. Não percebem o quanto se ganha quando há em uma relação uma troca maior do que simplesmente o encontro de corpos. Não que relações e desejos sexuais não sejam importantes, mas sozinhos, não preenchem o vazio que a grande maioria demonstra sentir. Como droga que sacia momentaneamente e que depois, aumenta a dor de se conviver com a realidade. Há prazeres tão efêmeros e embriagantes que quando terminam, deixam a sensação de incompletude, que por sua vez, nos leva a novas buscas. Insaciáveis e insatisfeitos trocam de parceiros como se substitui um objeto que já não nos vale. Consultórios repletos de pessoas queixando-se de solidão, atordoando-se com a depressão e tão fechados quanto casulos que guardam o que há de melhor dentro de si. Falam de amor, querem amar e nem percebem o quanto fogem do que desejam. Banalizam o que precisam e sofrem por não perceberem o que, de tão simples, se tornou escasso. Homens não são insensíveis, são humanos. Demonstram menos, mas nem por isso deixam de sentir. Mulheres precisam sim ser independentes, mas nem por isso, precisam perder a sensibilidade, o feminino. Ambos, apesar de negarem, amam o romantismo dos enamorados, o pieguismo existente nas manifestações de afeto, nas palavras que encantam e que, aí sim seriam preenchidas pela união de corpos, a troca absoluta de carinhos, a energia que emana de pessoas que se encontram além do momento. Não importa o quanto dure, se para sempre ou o tempo necessário para ser eterno, há algo de mágico no Amor que dignifica, enobrece e sustenta todo o alicerce desse ser tão complexo e indefinido, chamado SER HUMANO.
Wanderlúcia Welerson Sott Meyer Publicado no Recanto das Letras em 10/10/2008Código do texto: T1221391

Sentimentos

Sentimentos são indescritíveis. Não nos damos conta da extensão e influência dos mesmos em nossas vidas. Dominam nossas ações e pensamentos mais do que imaginamos. Influenciam o funcionamento orgânico, as emoções, reações, tudo... Negá-los, não os extingue. Ocultá-los, mesmo que por um tempo, não determina seu desaparecimento. Pelo contrário, se guardados, sufocam. O ar se torna insuportável. Ocasionam dores inexplicáveis e odores que provocam grande mal-estar. Sem a pretensão de minimizar algo tão complexo, acredito que se levássemos mais a sério o que sentimos, passaríamos também a nos conhecer melhor. Há pessoas que se dizem racionais e com o tempo se descobrem doentes física e mentalmente. Não se dão conta de que, mesmo atitudes mais racionalizadas, sempre estarão repletas de emoções e sentimentos. Outras se deixam levar pelo descontrole emocional e, expõem excessivamente seus sentimentos. Quando nos damos conta do que realmente sentimos, nesse universo de pensamentos, situações, observações, atitudes e relações que estabelecemos com o mundo e com as pessoas, conseguimos manter uma relação mais efetiva, verdadeira e tranqüila com o nosso eu interior. Aceitamos melhor as limitações que temos, os defeitos que ainda não vencemos, passamos a nos perdoar mais e entender melhor o que nos chega. A idéia de continuidade e evolução favorece, a generosidade que deveríamos ter com tudo que pensamos, dizemos e fazemos. Certamente, aprenderíamos também a perdoar e aceitar mais aquilo que o outro nos oferece. Esperando menos, expressando o que sentimos, sem, contudo, usar de palavras agressivas e pejorativas, para dizer o que nos incomoda. Nem sempre ou quase nunca o que nos perturba está no outro. Perceber a parte que nos cabe, eis o grande desafio! O entendimento dos sentimentos que emanam das relações que estabelecemos diariamente, a aceitação e reconhecimento das sensações adormecidas de fatos que nos marcaram e a redução de expectativas de mudanças externas. A verdadeira mudança se encontra dentro de nós. Wanderlúcia Welerson Sott Meyer Publicado no Recanto das Letras em 09/10/2008Código do texto: T1219884

Saudades

Saudades do porto seguro que encontro quando estás por perto. Das palavras que confortam, Do carinho que sustenta. Saudade de quem acaricia alma. Renova sonhos, Enriquece os dias. Saudades do amor que quero. Do desejo que alimenta. Transformando minha história lentamente. Saudades do momento que chegas. Descobrindo tesouros escondidos. Desvendando mistérios que ninguém vê. Saudades do tempo que me dispensas Aliviando as dores que sinto quando estás ausente. Saudades de sua presença querida, Que se tornou essencial em minha vida. Que me faz sonhar acordada. Voar sem asas. Desprendendo-me da realidade Levando-me até você. Saudades do amor... Saudades de amar... Saudades...

2 de out de 2008

Silêncio

Silêncio... Permita-se escutar seu coração. Bate no compasso desordenado da vida. Ansioso e sem respostas. Silêncio... Precisa descobrir seus segredos. Incógnitas que a pressa não lhe permite observar. Impedem-lhe o raciocínio. Silêncio... É manhã e nada o perturba. Parece calmo sereno. Lago límpido, onde só se sente o vento. Silencia... Escuta, Sinta-o pulsando harmoniosamente. Traduzindo quem és. O que há de verdadeiro em ti. Ouça-o... Apenas escute. Renova-te e lembre-se... No descompasso que te impõe à vida. É ele quem sofre. Lembre-se... Os caminhos se apresentam. A escolha é sua. Nada é imutável. Escute-o... A direção existe. Cabe a você encontrá-la Wanderlúcia Welerson Sott Meyer Publicado no Recanto das Letras em 02/10/2008 Código do texto: T1207227