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Saudade e amor...eternos

Em cada pequeno espaço dessa casa de enormes proporções, que me acolheu na infância, vejo você... Lembro-me, do colo amigo, das músicas que cantavas, do sorriso farto e das inúmeras vezes que lhe chamava. Homem simples, pouco estudo, levantando-se cedo, trabalho árduo e duro. Suas roupas sujas de óleo, sempre foram um motivo de orgulho para mim... Admirava o ser humano que havia me oferecido à oportunidade da vida. Cresci, aprendendo ser leal, honesta, gentil e nada disso aprendi nas escolas que frequentei. Eram vocês, pai e mãe, pessoas que somente o bem fizeram que me ensinaram o dever para com a vida, o amor a Deus, o respeito indistinto a quem quer que fosse. O tempo lhe trouxe dores que sua alma sensível não conseguiu absorver, o vi sofrer... No início, sem entendimento e á medida que os anos passaram com compaixão, na verdade, sem saber o que fazer para ajudá-lo. Nenhum de nós soube pai e nada, nem a dificuldade que tínhamos de nos aproximar de sua dor, fez com que o amor construído esmorecesse. Seu coração infantil, meu querido velho, confiou demais em pessoas indevidas e o vimos expiando sem nada podermos fazer. Hoje, sentindo sua falta compreendo que o seu olhar triste e distante, carregado de decepções e mágoas, não suportava mais. O vi, pela última vez, sereno, de olhos cerrados e sem vida... Senti que parte de mim seguia com você, roguei a Deus que o acolhesse, tentei lhe dizer mais uma vez o quanto o amava, pedindo-lhe que se entregasse a providência Divina e que compreendesse que não há sentimento maior do que o Amor. Sei das dores que viveu, das histórias que o consumiram, porém, nada disso lhe servirá de alento...onde quer que estejas, amparado pela espiritualidade que nunca desampara, encontrarás motivos para seguir, nada ao acaso, sem propósito... E, nós que aqui ainda estamos, rogamos a benção do pai amoroso que fostes. Procuro me lembrar do colo, das noites que cantavas para nós observando a lua, do trabalho que lhe dávamos quando mamãe saia para trabalhar, do pouco que tínhamos e do muito que nos destes. Fique em paz querido... 

Wanderlúcia Welerson Sott Meyer

Gratidão

Certezas de Amor

Estavas ali, sempre estivestes.

Não era matéria palpável

Nem ilusão temporária

Fazia parte dos dias

Desde sempre...

Um alento nos momentos de dor

Uma esperança de amor

Visitava-me nos sonhos

Acariciava-me o rosto

Registrava-se a presença

Partia...

Permanecia a sensação do encontro

Serenidade pretendida

Essência de sentimentos duradouros

Suavidade que se sente

Tal brisa suave tocando o corpo

Indivisível êxtase

Emoções desejadas

Puras, intensas

Tradução apropriada de Amor!

Amor maduro

Será preciso tempo para regenerar as lesões provocadas pelo desvario dos sentimentos. Não é possível afirmar se era amor de fato. Serviu como alento enquanto próximo estava. Agora, que apreende e absorve palavras proferidas sem nenhum compromisso estreito com a verdade, analisando frases soltas e atitudes contraditórias, percebe-se claramente a ineficiência das palavras que não condizem com a verdade. Realidade tão intensa quanto a fugacidade dos anseios de porvir. Confia cegamente na maturidade que se adquire, grata pelo aprendizado rápido e eficaz de que o amor, de fato, só existe nos atropelos da convivência, no encontro dos desajustes, no sentir mesmo nas turbulências, na expressão de respeito pelo que se é. Constância inconstante de emoções indefinidas e necessárias. Amadurecimento vagaroso determinado por momentos de desordem interna e externa. Cumplicidade que se expressa apesar dos enigmas e contradições de seres opostos que jamais se completam, apenas evoluem entre possíveis …

Caminhos dicotômicos

Não lhe diria verdades, nunca as conheci. Tampouco desfecharia os inúmeros sonhos inconclusos que permaneceram latentes enquanto pensávamos estar no caminho. Nunca saberíamos se as estradas que escolhemos e as trajetórias que fizemos foram realmente escolhas. De fato, pouco valeria lastimar e fazer conjecturas. Basta-me a realidade detectada pela pupila dos olhos teus e meus, sentida na pele como distante toque etéreo. Adormecida, enquanto em vigília presumes e anseias o que jamais viverás. Reformulas vontades, despertando sorrisos que se encontram longe de ser o que desejas. Não seria lamento, apenas dúvida, suspeita de equívocos... Desconfiança de que, se os caminhos não fossem bifurcados e dicotômicos, se os desejos não fossem imaturos, ainda estarias ao meu lado.
Wanderlúcia Welerson Sott Meyer