16 de jul de 2013

Saudade e amor...eternos

Em cada pequeno espaço dessa casa de enormes proporções, que me acolheu na infância, vejo você... Lembro-me, do colo amigo, das músicas que cantavas, do sorriso farto e das inúmeras vezes que lhe chamava. Homem simples, pouco estudo, levantando-se cedo, trabalho árduo e duro. Suas roupas sujas de óleo, sempre foram um motivo de orgulho para mim... Admirava o ser humano que havia me oferecido à oportunidade da vida. Cresci, aprendendo ser leal, honesta, gentil e nada disso aprendi nas escolas que frequentei. Eram vocês, pai e mãe, pessoas que somente o bem fizeram que me ensinaram o dever para com a vida, o amor a Deus, o respeito indistinto a quem quer que fosse. O tempo lhe trouxe dores que sua alma sensível não conseguiu absorver, o vi sofrer... No início, sem entendimento e á medida que os anos passaram com compaixão, na verdade, sem saber o que fazer para ajudá-lo. Nenhum de nós soube pai e nada, nem a dificuldade que tínhamos de nos aproximar de sua dor, fez com que o amor construído esmorecesse. Seu coração infantil, meu querido velho, confiou demais em pessoas indevidas e o vimos expiando sem nada podermos fazer. Hoje, sentindo sua falta compreendo que o seu olhar triste e distante, carregado de decepções e mágoas, não suportava mais. O vi, pela última vez, sereno, de olhos cerrados e sem vida... Senti que parte de mim seguia com você, roguei a Deus que o acolhesse, tentei lhe dizer mais uma vez o quanto o amava, pedindo-lhe que se entregasse a providência Divina e que compreendesse que não há sentimento maior do que o Amor. Sei das dores que viveu, das histórias que o consumiram, porém, nada disso lhe servirá de alento...onde quer que estejas, amparado pela espiritualidade que nunca desampara, encontrarás motivos para seguir, nada ao acaso, sem propósito... E, nós que aqui ainda estamos, rogamos a benção do pai amoroso que fostes. Procuro me lembrar do colo, das noites que cantavas para nós observando a lua, do trabalho que lhe dávamos quando mamãe saia para trabalhar, do pouco que tínhamos e do muito que nos destes. Fique em paz querido... 

Wanderlúcia Welerson Sott Meyer