22 de jul de 2011

Fala comigo Senhor!


Fala comigo Senhor!
Estou aqui filha.
O que aconteceu comigo Pai?
Por que perguntas? Sabes bem que adversidades são necessárias para o crescimento.
Sim Pai, eu sei... Mas, há tempos não sei mais o que é ter Paz. Não me queixo Mestre, sei que tens propósitos que ainda desconheço, mas, encontro-me cansada.
Percebes os sinais da vida? Reconheces as necessidades de vencer-te as frivolidades do mundo? Pensas que em algum momento estive longe de ti? Imaginas que não conheço seu coração?
E meus erros Pai? Atordoam-me, trazem-me pranto... Sinto as conseqüências de atos impensados, fraquezas que me levaram a caminhos jamais imaginados, sei que todo amor que interiormente guardo deve ser expandido, porque me parastes Senhor? Ou porque permitistes que a estagnação tomasse conta dos meus pensamentos e atitudes? Errei tantas vezes justificando minhas atitudes nas dores que sentia... Mesmo nesses momentos sentia a consciência fervilhando, rogando o caminho reto.
Não te apavores com as tendências que ocultas, és espírito eterno em aprendizagem plena e contínua. Não permita que a culpa domine os sentimentos nobres que precisam florescer, perfumando lugares por onde passas.
Compreendo seus ensinamentos Senhor, sei que sou serva do mundo e a ele devo empreender todos os dons que gratuitamente me ofertastes. Sinto também que nunca me abandonaste e que mesmo nos momentos obscuros, onde as lágrimas eram tão abundantes que turvavam o meu olhar, Tua presença fortalecia-me. 
Ao contrário do que pensavas, não só estava ao teu lado como também ouvia as rogativas, sentia as aflições, sofria contigo. Aliviava-lhe o coração transmitindo-lhe bálsamos de luz.
Apesar das dores eu sentia... As dores que pareciam intermináveis eram amenizadas, o pensamento fluía e portas se abriam. Nunca duvidei de sua presença amiga, Mestre. Podia senti-la nas letras que se entrelaçavam e surgiam como poesias. Nos momentos de solidão e medo, na força interior que sempre encontrava nas possibilidades que surgiam quando não acreditava em mais nada.
Sim filha querida, em todos os momentos ao teu lado estive como mentor amigo, conselheiro oculto, esperança iluminada de seus dias. Assim estive e estarei enquanto permitires. E, se um dia deixares de crer, aguardarei o momento em que teu coração virá de encontro ao Meu.
Não sei viver sem a certeza do Teu Amor querido Mestre! Na leitura de Tuas palavras, imagino-me ao Teu lado, ouvindo-te, sentindo-te, absorvendo a energia que emanas tão naturalmente. Revelações, sinais... Tudo o que ouço, leio, aprendo e apreendo, molda-me o coração. E, embora saiba que nem tudo acontece da forma que desejo, encontro consolo na vontade Divina. Quando pensamentos aturdem, sei que é paciência que me pedes.
Paciência é burilamento do espírito querida filha. Encontrarás mil motivos para caminhar seguramente se distribuíres o que lhe outorga à Vida! Doe palavras, atenção, amizade, amor e a Vida seguirá lhe ofertando momentos de pura Paz.
Wanderlúcia Welerson Sott Meyer
Enviado por Wanderlúcia Welerson Sott Meyer em 22/07/2011
Alterado em 22/07/2011
Código do texto: T3111837

21 de jul de 2011

Feminina

Quando todos dormem, os pensamentos ainda lhe
roubam o sono.
Quando vira ao mundo, sabia-se humana

Hoje, mulher...

Ninguém lhe roubara sonhos,
Alguns se foram...
Outros perderam a importância.
Ninguém lhe despertara o sorriso,
Nascera assim...
Desperta, pronta pra servir.
Ninguém lhe tirara a esperança,
Esta era como planta que germina,
Floresce, frutifica e cai sobre solo...
Infinitamente recriada.
Ninguém lhe dissera o que fazer,
Seguirá intuição aguçada...
Feminina, felina, mulher.
Coube ao tempo e a vida
Impor limites,
Ensiná-la a transformar
Observando com os olhos da alma
Morrendo para renascer inúmeras vezes.
Coube ao mundo acolhe-la...
E, estendendo os braços a quem quer que fosse...
Recebia muito...
Traduzia em mais o que pensava possuir de menos.
Coube à lida o sereno encontro...
Algo de si mesma que de tudo via...
Agora sentia... Despertara...
Vida!

Wanderlucia Welerson Sott Meyer

14 de jul de 2011

ESPERANÇA


Lava-me a alma para que a dor seja substituída pela fertilidade

Das águas, retorne ao solo as impurezas para que se transformem

Adversos e contrários são os caminhos evolutivos

Contraditórios e nem sempre compreendidos

A exemplo da natureza, o Ser necessita destituir-se de si mesmo

Destruição natural, para que a renovação aconteça

Que ninguém se esqueça dessa fé inata

Esperança viva que sempre restaura

Do escombro frio que jaz esquecido

A mão do artista reproduz beleza

Que ninguém se espante ao ressurgir das cinzas

Natural estado para quem espera e serve

Segue confiante, viva pela vida

A reconstrução sempre pretendida.

Wanderlúcia Welerson Sott Meyer
Publicado no Recanto das Letras em 14/07/2011
Código do texto: T3094303

13 de jul de 2011

Hipocrisia

Irreverência que reverencia a ausência de concretude. Farta de falsas certezas, invoco  a incredulidade naqueles que se credenciam verdadeiros, imunes as dificuldades da vida. São hipócritas! Julgam-se justos, sem pecado, culpa ou vício. Enredo inacabado. Falso brilhante que só reluz se recebe a luz intensa das incertezas dos outros.

Wanderlúcia Welerson Sott Meyer
Publicado no Recanto das Letras em 13/07/2011
Código do texto: T3092733

Entrega

Entrega


Pai de bondade, Senhor da Vida que ilumina nossos passos, oferecendo-nos segurança, permitindo-nos resignação, transformando nossas dores em esperança, auxilia-nos também a compreensão de seus desígnios. Que a incompreensão  seja substituída pela vontade de seguir.  Confiantes, que não permitamos que o desânimo atormente e paralise. Que Tua palavra fortaleça e enriqueça nossos pensamentos e atitudes. Que nada seja mais forte e verdadeiro do que Seu Amor por nós. Que as provações nos proporcionem crescimento e coragem. Que nada possa abalar a fé aprendida, apreendida, raciocinada e inviolada. Que a força necessária às situações de adversidades, processo natural de evolução espiritual que a vida nos impõe, seja uma constante, mantendo-nos atentos aos sinais que iluminam e edificam a trajetória.

Wanderlúcia Welerson Sott Meyer
Publicado no Recanto das Letras em 13/07/2011
Código do texto: T3092308

12 de jul de 2011

Transgressão

Transgressão


O que era certo deixa de ser

O necessário fez-se o centro

Certezas não importam

Nem existem

Quando circunstâncias

Nada favoráveis impõem-se

Faça-se o que demanda o coração

Situações desconfortáveis

Vêm de encontro à consciência esquecida

Legado que incomoda

Flutuam entre o desejo e a norma

Sabe-se incerta a busca de encontrar-se

Bifurcação imposta pela vida

Ninguém quer, mas, necessita

Ninguém almeja,

Estabelece a vida.

Não há saídas sem perdas

Nem caminhos sem pedras

Nem pedras que se imponham para sempre

Sempre... É o que hoje se vive

Entre contradições, desalinhos

Há de ser confuso

Difuso e inexato trilho

Julguem que assim se faça

Pouco importa o que tanto sufoca.

Wanderlúcia Welerson Sott Meyer
Publicado no Recanto das Letras em 12/07/2011
Código do texto: T3090008

4 de jul de 2011

Turbulências

Turbulências

Dores infundadas
Compressão da alma
Lágrimas vertidas em abundância
Que coração não clama por serenidade?
Busca certa de cada Ser
Fonte aberta sem enrijecer
Turbulências...
Todas que nos conduzem
Outras que conduzimos
Confundidos por sentimentos
Aturdidos por pensamentos
Finos fios de angústia
Nada que não se deva sentir
Podendo durar o tempo necessário
Amadurecimento...
Podendo instaurar-se como ferida
Sofrimento...
Cabe ao Ser a decisão e o caminho
Tão certa como a existência
São as turbulências
Não a deriva
Sem rumo certo...
Francos caminhos desertos
Onde se leva por herança
Luzes de esperanças!

3 de jul de 2011

Paciência e aprendizado

Pensar que a vida é uma sucessão de fatos aleatórios é uma forma de negar nossa responsabilidade diante do que nos acontece. Somos livres para tomar decisões, livre- arbítrio que nos permite escolha e caminhos. Nem sempre temos discernimento para deliberar sabiamente, contudo, sempre podemos optar pelas diversas direções que a vida nos oferece. Se acaso tomamos uma decisão que acarreta sofrimento aos que amamos ou a nós mesmos, a vida sempre nos possibilita o recomeço. A lamentação e a autopunição de nada contribuem. Há situações em que pensamos que estamos agindo erroneamente, mas, estamos simplesmente cumprindo roteiros por nós mesmos estabelecidos e, por vezes, incompreendidos. Outras, que aceitamos como caminho apropriado e, subitamente percebemos que existiam melhores oportunidades. A paciência talvez seja o único exercício legítimo de aprendizado.

 Wanderlúcia Welerson Sott Meyer 
Publicado no Recanto das Letras em 03/07/2011 
Código do texto: T3073215

1 de jul de 2011

Antes de partir : Reminiscências

Podia-se sentir ainda o orvalho que umedecia as folhas. A paisagem antes representada pela beleza natural de uma região onde o relevo predominante transformava a imagem refletida em montanhas que mais pareciam grandes ondas fora substituída pela destruição. Os olhos tão úmidos quando a natureza. O raciocínio sem nenhuma coerência tentava entender o que havia acontecido.
Fizeram tantos planos, queriam alçar tantos voos e agora só lhes restavam perdas. Ao longe, ouviam-se gemidos que emudeciam gradativamente. Confundia-se, eram realmente gemidos, ou sua própria alma se retorcia pelas lembranças felizes do dia anterior?
Chovia, mas, em família comemoravam a possibilidade do encontro, faziam planos para novos feriados. Estavam reunidos, como muitas vezes estiveram na casa que guardava suas lembranças de infância. Alto de serra, com vista inconfundível, longe do barulho e movimento ruidoso da cidade. Amplos quartos, uma grande piscina, momentos de alegria que dissipavam as dores internas, cotidianas e ocultas. Pensamentos confusos, dores intensas embaralhados aos últimos momentos em que sentia que, definitivamente, sua vida mudaria.
Todos se preparavam para dormir e, no dia seguinte, depois de um farto almoço, seguiriam para suas casas. Ainda se lembrava das palavras de sua mãe, fazendo planos para a semana seguinte.
- Sairemos na terça para solucionar as pendências do inventário de seu pai!
O marido que se encontrava próximo, disse-lhe sutilmente.
Não ouse assinar nada sem me consultar! Era quase uma ordem. Ele temia que sua mãe favorecesse seu irmão mais novo. Nunca se deram bem, parecia-lhe que o marido tinha ciúmes de seu irmão ou, sua ambição era maior do que seu bom senso.
Por um momento parou para pensar e, lembrou-se de não ter beijado seu filho que adormecera em frente da televisão. Todos os fatos e atos que automaticamente executava, ganhavam um valor real diante de tanta dor. Frases, palavras, abraços... Ditos ou não, dados ou não... Possuiam agora uma importância maior e significativa.
Ao seu redor a destruição era a única realidade. Sentia-se imobilizada, dores por todo corpo, nem de longe percebia os cuidados que teve com sua estética antes de viajar. A lama encobriu tudo! As árvores desceram com uma avalanche de água e terra Não conseguia perceber que debaixo daqueles escombros, antes existia uma construção sólida em meio a uma paisagem indescritível.
As dores, ainda mais intensas causavam delírios. As horas passavam e, ela nem sabia ao certo quanto. Minutos pareciam dias intermináveis. Não tinha forças para gritar e, se gritasse, guardava a certeza de que ninguém ouviria. Confusa, já não sabia o que lhe era real. O que realmente vivera ou, o que seu imaginário direcionava. Lembrou-se, em um rápido momento de lucidez que treze pessoas estava dormindo quando tudo aconteceu. Depois se lembrou, não sem lágrimas, que na casa do caseiro viviam mais cinco pessoas. Entre os destroços, procurou ergue-se com dificuldade para ver se esta casa também havia sido atingida. Poderia ser uma esperança, embora já não discernisse mais qual seria sua vontade... Perecer por entre os encontros ou ser salva e recomeçar a viver? Tinha muitas dúvidas quanto ao recomeço. Ainda tinha esperança que, milagrosamente, todos estivessem vivos e salvos.
Em um esforço quase sobre-humano para erguer-se, conseguiu ver com espanto o lugar onde moravam o caseiro e sua família. Nada restara. No local onde ficava a modesta e confortável casa, somente lama se via.
As dores aumentaram. Ela gemia aos prantos e sentia... Já havia assistido tragédias em proporções até maiores diante da televisão, na tela de seu notebook, no entanto, como espectadora, nunca se imaginara protagonista. Nascida em uma família de classe média alta morara em uma excelente casa, área de nenhum risco. Quando se casou, mudou-se para um amplo apartamento, em um condomínio residencial e seguro. Nunca houvera convivido tão diretamente com tanto sofrimento!
Ainda entre muitas lágrimas, recordava os valores que apreendera as etiquetas sociais, as convenções, naquele momento nada disso tinha a menor importância. Ela de certa forma sentia que parte de sua essência havia se perdido, tudo lhe parecia absolutamente sem sentido.
A chuva recomeçava a cair lavando-lhe o rosto. Suas pernas, ainda presas reforçavam a certeza de ser a única sobrevivente de tão inusitada tragédia. Sentia claramente que suas forças terminavam, a confusão mental era grande, já não conseguia coordenar nenhum pensamento. Seus três filhos, marido e todos os outros se encontravam em um silêncio angustiante e absurdo. Silêncio dos mortos! Gemia agora não pelas dores físicas, estas eram tão fortes que já não faziam diferença. O que doia, dilacerava, eram lembranças, saudades, a perda real da vida, a presença certa da morte.
Subitamente ouviu latidos ao longe, gritos, deveriam ser pessoas que procuravam sobreviventes. Queria mesmo ter motivos para viver! Olhou até onde sua vista alcançou, nada viu. Como que entrando em um estado profundo de sono, cerrou os olhos e entregou-se às lembranças felizes.
À noite, as notícias focavam a tragédia serrana. Uma de inúmeras outras. As pessoas ouviam estarrecidas. Muitos elevavam preces aos que se tornaram vítimas fatais, voluntários ajudavam os sobreviventes...
Com o tempo a vida seguiria seu curso, sua falsa e equivocada normalidade. Ficariam apenas lembranças de uma fatalidade sem precedentes. A vida seguiria com suas incertezas, seus temores, seus efêmeros momentos de alegria. 


Wanderlúcia Welerson Sott Meyer 
Publicado no Recanto das Letras em 01/07/2011
Código do texto: T3068250