28 de dez de 2010

Despertei




Era fácil dizer-me o que fazer, apesar de corajosa e independente, vencia-me pelo afago, palavras de carinho proferidas, nem precisavam ser muito intensas, entregava-me. A carência de si nos deixa conduzir e, certamente, antes não imaginava que pudesse ser controlada por minha sensibilidade. Mulher nenhuma, quando entregue ao amor, tem essa noção, bastam-lhe flores, declarações clichês e o desejo. Ah o desejo! Esse é o que nos domina! Perdemos a noção, o raciocínio e acreditamos mesmo que podemos viver no nada e do nada se amamos. Uma entrega absoluta, sem endereço para que o remetente receba nem mesmo um pequeno telegrama. Doa-se tudo, tempo, vida, mocidade... alegria! Oferecemos nossa alma e ainda pensamos absorver a alma do outro, achamos (e quem acha não tem certeza) que conhecemos profundamente o ser amado. Sim, ser amado, aquele em que depositamos nossas esperanças e sonhos, aquele que nos jura amor eterno e fidelidade. Não que a fidelidade nos seja essencial, há traições maiores que simplesmente se envolver fisicamente com outra pessoa. Qualquer um se sentiria traído se depois de um tempo, de frente a um espelho, constatasse que perdera-se para outro e não perderá o outro para alguém. Essa perda de si é bem mais dolorosa e cruel, sabotamos nossos sonhos mais ternos em nome de um único ser que, mesmo inconsciente, só nos absorveu por necessidade. Doação unilateral que com o tempo perde o sentido porque perdemos a alegria.
Não consigo encontrar culpados para uma catástrofe pessoal sem precedentes que, culturalmente, aceitamos sem reserva. E ainda nos dizem para não reclamar, existem situações piores! Como se eu não soubesse... Mas, há quem se contente, a quem se revolte e quem, unicamente, não quer se tornar mais um.
Não, ninguém derrubou meus castelos. Meu príncipe não virou sapo e meu mundo não caiu quando fiz essa descoberta. Confesso que no início, revoltou-me a idéia de ter amado permitindo que meus ideais fossem absorvidos com consentimento próprio. Sim, eu permiti tudo em nome do amor!
Só fazemos isso porque desconhecemos o que amor. Acreditamos que apenas uma vez amaremos, de um só modo e uma só pessoa. Há quem diga ser possível morrer por amor... Nunca entendi. Como se pode morrer amor? Amor é vida! Essencialmente vida! E quando amamos a ponto de esquecermos nossos interesses e limites, suprimimos nosso amor próprio, aquele que deveria vir em primeiro lugar e, este é citado inclusive como um dos mandamentos da Lei de Deus, “Amar ao próximo como a ti mesmo.” Como pode ser possível amar alguém se você não se ama?
Se é de amor que estamos falando e eu creio que há em nós mais sentimento de amor do que imaginamos possuir, depositando todo esse manancial em uma só pessoa estaríamos nos adoecendo e enlouquecendo o outro. Quem ainda acredita morrer de amor por alguém, carrega dentro de si uma devastadora doença que consome aquele que ama e quem é supostamente amado. Existem tantas pessoas a nossa volta esperando palavras de afeto, abraços, olhares e atitudes que venham suavizar suas dores e, egoisticamente, canalizamos tudo de bom que temos, todos os sentimentos que possuímos a um só Ser. Eu não compreendo mesmo como podemos viver tantas existências cometendo equívocos em nome do amor.
Há quem retenha por pensar que ama e que prefira ver apagado o sorriso no rosto de quem diz amar, do que restituir-lhe a liberdade! Há quem agrida física e moralmente e, continue utilizando a palavra “amor”, para justificar atitudes de insanidade e desafeto! Há quem se detenha diante do altar e jure estar presente na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza e, no momento em que o ser amado mais necessite, esteja ausente (existe traição maior?)!
Posso ter me perdido um pouco e por um longo tempo, mas, o que vivi concedeu o discernimento em relação ao sentimento de existir, de amar.
Quero, posso e vou amar muito e sem reservas a vida, as pessoas, as idéias, as atitudes. Os dias que se tornaram únicos, os momentos que quando bons serão eternos e quando incomodarem não me servirão mais como memória. Aprendi que amar é o que sabemos fazer de melhor! E que quando esse afeto existe e, é verdadeiro, quanto mais oferecemos mais o teremos. A quem desejar me amar e reconheço que tenho várias e verdadeiras pessoas que me amam, digo-lhes que nasci para servir o mundo! Há forma mais bela de externar o amor do que servir o mundo? Certamente não.
Quanto desgaste teria evitado se anteriormente soubesse o significado do amor em minha vida!
Wanderlúcia Welerson Sott Meyer
Publicado no Recanto das Letras em 28/12/2010
Código do texto: T2696428

27 de dez de 2010

Idas e vindas do passado

Em breve será noite...
Dormirei o sono inquieto
Aquele que me visita há dias
Trazendo-me lembranças
Passados e distâncias
Pensei ter colocado pedras
Cenas e circunstâncias
Perdas e cursos
Aliada a dor.
Pensei ter colocado peso sobre lembranças
Como se possível fosse
Esmagá-las com a opressão de lágrimas
Impossível!
Podemos soterrá-las
Ainda assim voltam a incomodar
Exalam um odor de coisa guardada
Silenciosamente esquecida
Mas, ainda vivem!
Incomodam
Impede-nos a libertação
Caminhada aturdida
Idas e vindas
Presos e pesos
Sabores que não retornam
Palavras que não mais se ouvem
Armaduras!
Impedindo-nos a marcha.
Dois passos e o cansaço
Rompe o silêncio que impomos a nós mesmos
Como se impossível fosse a ventura
Vigência de ideais que não mais retornam
Idéias que amofinam
Cansaço!
Como perder a esperança?
Ainda colocarei muitos sonhos sobre pedras
Investirei muita coragem
Resistência que me ergue viva
A cada dor, lágrima ou desencanto.
Eis que surge como por encanto
Algo de Luz
Exalando o perfume
Perspectivas, Miragens
E lá estou...
Seguindo...
Erguendo pedras
Construindo caminhos!



Wanderlúcia Welerson Sott Meyer
Publicado no Recanto das Letras em 27/12/2010
Código do texto: T2694575

Novo Tempo - Ivan Lins / Vitor Martins



O que esperar de 2011? Que os sonhos sejam muitos e todos estejam permeados pelas realizações que realmente significam. Que os obstáculos existam, mas que não nos conduzam ao desânimo. Que os olhos vislumbrem o belo e transformem desertos em fontes de vida. Que as mãos sirvam mais para o carinho, o afago, o consolo. Que os braços só utilizem a força no ato do abraço. Que nossas pernas nos conduzam aos caminhos necessários. Que nenhum empecilho seja maior que nosso desejo de prosseguir. Que os anjos guardiões nos agenciem em nossas decisões. Que nenhum sentimento inferior nos cause desalento e desesperança. Que sentimentos nobres invadam nossos pensamentos e corações Tornando-nos melhores, mais humanos... Seres únicos no Amor de Deus Que somados são capazes de transformar, edificar... Reconstruindo e construindo, continuamente, Um mundo melhor para Todos!
Wanderlúcia Welerson Sott Meyer
Publicado no Recanto das Letras em 27/12/2010 Código do texto: T2693957

16 de dez de 2010

Relações e perdas

Foi descaso, compromisso desfeito, sem nenhum acaso. Pensado e racionalmente definido. Entregara o que lhe pertencia...
Sabotagens acontecem de ambos os lados, não é incomum percebê-las nas relações humanas. De tão freqüentes tornam-se casuais, imperceptíveis e fatais.
Wanderlúcia Welerson Sott Meyer
Publicado no Recanto das Letras em 16/12/2010
Código do texto: T2676166

14 de dez de 2010

Jeito de amar da Gente...



Jeito de amar da Gente...

Tem gente que exala mais do que perfume,
Gente que é capaz de transformar o mundo
Apenas sorrindo, intensamente amando
Gente que traduz tudo o que há no outro
Que não precisa estar perto para se fazer presente
Gente que é sinônimo de Luz
Irradia aonde quer que esteja
Transcende, sabe o que é perdão
Porque amando nunca se ofende
Gente que espera, almeja, aspira
Suspira aguardando o que certamente é seu por direito.
Merecimento, mérito... Mesmo que moroso.
Gente que acalma, alivia, fortalece a alma
Que não manda, induz
Que docemente conduz
E leva na mais gentil entrega
O Ser, a Alma, o Corpo...
Gente de integridade definida
Erguida, coesa, lógica
Gente que se perde ao olhar distâncias
Derrama lágrimas, sem nenhuma embaraço.
Gente que é braço, alicerce, porto seguro.
Que desperta, gentilmente alerta
Gente que ama, adora e da vida!
Que desperta o amor que dorme
Que luta mesmo no silêncio
Gente que toma posse, delimita, imprime
Tatua sem nenhuma dor.
Gente ama...
Amar de amor

Wanderlúcia Welerson Sott Meyer

Publicado no Recanto das Letras em 14/12/2010

Código do texto: T2672000

29 de nov de 2010

Fazes-me falta...

Fazes-me falta...
Aquela alegria que transborda quando comigo estás,
O carinho que transmites com o olhar,
O acalento, afeto que nada pede...
Amor refletido...
Amizade, afeição, ternura.
Fazes-me falta...
Minha alma pede a sua, amor além da vida,
Início de convivência indefinida que tão bem me compete...
Nos braços que me acolhem,
Nas palavras que me traduzem calma,
No toque que me conduz sutilmente a liberdade que anseio.
Liberdade onde a coração pede calma...
Fazes-me falta...
Wanderlúcia Welerson Sott Meyer
Publicado no Recanto das Letras em 23/11/2010
Código do texto: T2631671

Saudades sem lamento


     Quando você se foi, levou consigo partes de mim que me eram essenciais. Jamais pensei em deixar-te, nem tão pouco me afastar de ti, mas, fomos consumidos pela falta de nos dizer o que sentíamos. Talvez por orgulho ou medo de amar, tenhamos deixado de viver o único amor que realmente tivemos o único bem que realmente importava.
     Fugi de ti e de todo as dores que me causavas. Hoje compreendo, que assim, fugindo do que sentia acabei deixando parte de mim dentro de ti. Restou-me o vazio, esses olhos tristes e essa expressão de incompletude, que ninguém entende. Meus olhos, esses sim, expressam claramente tua ausência. Quem os percebe sabe que nunca estão onde me encontro. Como se parte de minha alma estivesse vagando, desvairada, recusando-se a vir morar onde agora me encontro.
     Foi em nome do amor que sentia que me deixei à condução insegura de novos caminhos e, acabei me convencendo que seria feliz estando longe de tua vontade. Toda minha alma sempre foi sua. Quando furtivamente chegavas, depois de tantas ausências, eu, tão senhora das palavras e atitudes, perdia a fala e, jamais soube lhe dizer à falta que me fazias.
     Tenho notícias tuas e sinto que sofres. Não por mim ou por não se encontrar ao meu lado, mas, pelos caminhos que escolhestes e, as conseqüências danosas que a ti mesmo proporcionastes. À noite quando me visitas nos sonhos, sinto tua dor e descrença, como se também a mim pertencessem.
     Nada mais posso fazer. Nem ouvi-lo, dar-lhe colo, nem entregar-me voluntariamente aos teus braços. Resta-me sentir!
Guardando intimamente o segredo de ainda te amar, de jamais ter deixado de sentir, de querer para ti o bem que ao teu lado teríamos.
     Essas histórias de amores que não são mais possíveis são para os românticos que idealizam o que não podem ter que utopicamente sonham com Julietas, Teresas e tantas outras. Amores inadmissíveis e impossíveis de tomar forma.
     O nosso amor, esse sim, deixou de ser por escolha. Covardia minha inexperiência sua... Perdemos....
     E como grandes e desgovernados navios seguimos.
Wanderlúcia Welerson Sott Meyer
Publicado no Recanto das Letras em 24/11/2010
Código do texto: T2633906

Silêncio



Quando as palavras não fluem
A alma silenciada adormece
Espera...
Algumas vezes, não é possível dizer
Necessário faz-se abrir o coração
Esquecer-se no vagar de um tempo
Quase interminável...
Quando não a nada a dizer
Há de se encontrar no silêncio
Possíveis respostas...
Duvidosos caminhos...
A reflexão pede o exílio
Não há consolo nas palavras
Espera...
Do que não se sabe
Do que se alimenta
Fome que sustenta
Há de vir a Ser!
Wanderlúcia Welerson Sott Meyer
Publicado no Recanto das Letras em 25/11/2010
Código do texto: T2635753

Saudades

Saudade não tem cor!
De tão vaga e vazia é transparente, úmida e antiutópica.
Só existe quando dimensões de momentos de sua história, temporais e demarcados, não se perdem na memória.
Saudade tem cheiro, gosto...
Saudade...
Incolor, só pode ser incorporada ao cerrar os olhos, mesmo que em vigília.
Translúcida, permite-se vagar...
Fatos transcorridos, pouco vividos onde não nos damos conta que a desordem interna impediu-nos a intensidade.
Fragmentos...
Lamentos...
O que poderia ter sido?
Reaparece intermitentemente, obstruindo a racionalização do momento que, se vivo, renova-se interiormente a trajetória biográfica em transe.
Rapto de fatos e relatos...
Heranças, ficções e realidades parodiadas hora pela utopia, hora pela dor.
Memórias exiladas!
Vêm à tona, invadem e assustam como se a outro pertencessem.
Biográfica, histórica e mitológica...
Saudade...

Amizades ternas e eternas

Minhas lembranças despertam à medida que sou tocada por almas afins e amigas. O bálsamo que por vezes procuro nas aflições que cotidianamente passo, passamos...
Costumo encontrá-lo nas ações de ternos amigos que fazem com que o caminho, mesmo que árduo e pedregoso se transforme em uma vasta paisagem de flores...
Assim aprendemos a servir a vida! A observar as dores como necessárias ao amadurecimento, a trilhar seguramente, a encontrar possíveis respostas, a perceber o quanto temos a oferecer a vida!
Tudo é passageiro, os momentos de alegria... Os de tristeza...
O que não passa é o que retemos na alma, no espírito...
O amor, a saudade, as relações afetivas que nos edificam, os momentos de dor que nos transformam, aqueles que inequivocamente não nos querem bem.
Quanta energia desprende transbordando sentimentos equivocados, sem nenhum sentido. Se soubéssemos a intensidade e valor de um abraço...
Se observássemos melhor o que realmente importa...
Creio na vida, nas pessoas!
Na evolução que nos é proporcionada diariamente...
Basta que se queira abrir os olhos para que a Luz se faça!
Wanderlúcia Welerson Sott Meyer
Publicado no Recanto das Letras em 29/11/2010
Código do texto: T2643171


20 de nov de 2010

ENGANOS MODERNOS

Moderna...idade...

Já não se ouve o pássaro, não se respira o verde
Pessoas que apressadas passam, sem nada ver, tomam seus caminhos
Poucos ouviram... Poucos sentiram...
Submersos que estavam nos problemas sombrios
Pensamentos ocultos, abrigados de si mesmo.
Sinto-me um ponto na multidão aturdida
Falta-me o calor humano, nem mesmo o Sol aquece a alma.
Queixas de solidão, depressão instalada em nome da modernidade!
Quando se quer sentir, pouco se dispõe a doar...
Olham-se... Nada vêem! Nem dor, nem medo
Instintos egoístas sobrepondo-se ao abraço.
Ao olhar, ao toque... Coletividade individualizada.
Violência aterrorizante, cotidiana, aceita...
Discursos humanitários sufocados pelo desejo de Ter
Grito da alma! Simples... Complexidade da dor.
Ânsia de solidariedade esquecida... Doença instaurada no medo
Maiores e populosas cidades...
Vigência de solidão instalada no estar sem ser.
No buscar sem saber, no querer e perder.
Chorar só... Lamentar somente...
Sem que percebas o tempo, morres prematuramente
Ausentando-se do imprescindível
Dissimulada crueldade em nome de verdades hipócritas
Onde ter é ser aceito, Ser é utopia!
Amar é fantasia de lunáticos como eu.
Ainda crêem na vida... Ser ponto! Ser Luz!
Wanderlúcia Welerson Sott Meyer
Publicado no Recanto das Letras em 20/11/2010
Código do texto: T2627014

Moderna...idade...

Moderna...idade...

Já não se ouve o pássaro, não se respira o verde
Pessoas que apressadas passam, sem nada ver, tomam seus caminhos
Poucos ouviram... Poucos sentiram...
Submersos que estavam nos problemas sombrios
Pensamentos ocultos, abrigados de si mesmo.
Sinto-me um ponto na multidão aturdida
Falta-me o calor humano, nem mesmo o Sol aquece a alma.
Queixas de solidão, depressão instalada em nome da modernidade!
Quando se quer sentir, pouco se dispõe a doar...
Olham-se... Nada vêem! Nem dor, nem medo
Instintos egoístas sobrepondo-se ao abraço.
Ao olhar, ao toque... Coletividade individualizada.
Violência aterrorizante, cotidiana, aceita...
Discursos humanitários sufocados pelo desejo de Ter
Grito da alma! Simples... Complexidade da dor.
Ânsia de solidariedade esquecida... Doença instaurada no medo
Maiores e populosas cidades...
Vigência de solidão instalada no estar sem ser.
No buscar sem saber, no querer e perder.
Chorar só... Lamentar somente...
Sem que percebas o tempo, morres prematuramente
Ausentando-se do imprescindível
Dissimulada crueldade em nome de verdades hipócritas
Onde ter é ser aceito, Ser é utopia!
Amar é fantasia de lunáticos como eu.
Ainda crêem na vida... Ser ponto! Ser Luz!
Wanderlúcia Welerson Sott Meyer
Publicado no Recanto das Letras em 20/11/2010
Código do texto: T2627014

18 de nov de 2010

Saudades



Alma que pede calma
Saudades...
Tempo em que bastava o olhar
Estendia-se o colo, o afago.
Manhã de céu límpido
Contrastando com os dias
Encharcados pela chuva.
Dias em que a alma grita
Nostalgia, desejo contido
Verdades jamais ditas
A brisa fria e úmida
Tocando a pele
Parece substituir suas mãos
Leves, disponíveis e carinhosas
Que no imperceptível toque
Traduziam-me paz!
Conseguia perceber o Sol
Entre as nuvens escuras
Entregue ao afago dos cabelos
Ternura de um olhar
Que exalava o perfume
Da Rosa que eras
Olhos tão azuis como o céu
Que agora vejo
Nesta manhã que dispersa a chuva
Mesmo de longe
Está tão presente!
O que antes era dor, perda...
Agora é saudade
Transfigurada em lágrimas
Alegria expressa
Sonhos semeados que germinam
Ser que me ensinou a Ser
Depositando-me a Fé
Ensinando-me a esperança
Gratificando-me com sua presença
Amiga, conselheira
Combatente, diferente...
Saudades de ti minha Rosa!
Tão bela quanta a Vida!
Tão terna...
Tão minha...
Saudades que só existem
Quando se tem a alma
Embebida no mais puro amor!
Saudades do teu colo
De tua pele
Que nem o passar dos tempos
Destruiu-lhe a suavidade...
Saudades...
Wanderlúcia Welerson Sott Meyer
Publicado no Recanto das Letras em 18/11/2010
Código do texto: T2622288

17 de nov de 2010

COMPLEXO E MARAVILHOSO CORAÇÃO HUMANO

    Ninguém sabe dizer o que se passa no coração de quem sofre. Assim como o amor, o sofrimento é indescritível, podemos observar, procurar inferir com conceitos e palavras, mas, por ser sentimento, não há como descrevê-lo ou assimilá-lo em sua intensidade e complexidade. No máximo, o que ainda oferecemos é o ombro amigo, o abraço fraterno e a inspiração da esperança através do amor.


     Muito que aqui escrevo, apesar de simples, se encontra tão distante de algumas pessoas. Certamente, posso ser utópica, idealista... Mas, assim prefiro ser vista por crer que todos, por maiores as dificuldades que ainda enfrentamos, caminhamos sempre em um processo evolutivo que nos proporcionará à compreensão de nós mesmos e, em conseqüência, a dos inúmeros seres que conosco convivem.


     Prefiro ainda ser considerada utópica a crer no “nada”, disseminar tristeza e alimentar a dor, o ódio e a descrença. Ao contrário do que alguns amigos pensam, não sou uma profunda conhecedora da alma humana, busco conhecer-me através dos sentimentos que extravasam e que não os nego. Pontuando generosamente os inúmeros obstáculos que ainda me empenho em vencer, fazendo da prece o caminho, da confiança a espera, das lágrimas o alívio, da dor a fortaleza e das palavras o lenitivo que acalma a alma em desenvolvimento. 

Wanderlúcia Welerson Sott Meyer
Publicado no Recanto das Letras em 17/11/2010
Código do texto: T2620277


12 de nov de 2010

Recomeço




Relevo as dores, mas, as reconheço.

Sabendo-me existir
Sigo caminhos que hora são escolhas
Horas são determinados pela vida
Posso sentir-me amedrontada
Jamais coagida...
Há ansiedade
Procuro ponderar
Brincando com palavras
Pensamentos que me perseguem
Harmoniosamente as entrelaço
Transformando sentimentos
Em pura poesia!
Não há quem possa subtrair a angústia
Sorver o cálice que transborda
Inundando-me de vazios
Que longamente tento relevar
Algo de sonho devolve-me a esperança
E sonhar é o que me resta
Sustentando-me na expectativa
Que hora persigo.
Ventos vêm...
Misturaram textos, frases e palavras...
Suspiram sílabas que reportam
Todas as mágoas que ainda existem.
É preciso permitir-se à essência
Para que a vida se refaça!
Como na natureza...
Renovando-se continuamente...
Edificando-se em busca de Paz!
Wanderlúcia Welerson Sott Meyer

Publicado no Recanto das Letras em 12/11/2010

Código do texto: T2611177

8 de nov de 2010

Paz

Todos precisam de Paz, sensação absoluta de tranqüilidade, impossível de ser comprada ou encontrada fora de nós mesmos. O aprendizado nos mostra que não adianta sofrer pelo que está por vir, nem lamentar o que o passado nos recorda de termos deixado de fazer. O que é futuro senão nossas ações, pensamentos e atitudes no presente? Se lembrássemos de quanta energia pessoal desperdiçamos buscando a mudança do outro, lamentando perdas inevitáveis e necessárias, permitindo que lágrimas nos ceguem e nos impeçam de vislumbrar a Luz! Nada pode ser feito se a busca do equilíbrio, percebido como um processo moroso que requer paciência e compaixão por nossos desacertos, não for considerada em cada oportunidade de evolução que a vida nos proporciona. Ver na semente a flor, ver na forte chuva à felicidade das plantas, observar e sentir pequenas situações e pessoas aonde o afeto e amor transpira e transfigura-se em pura energia Divina. Seguir os caminhos percebendo-os como escolhas próprias e assumi-los amorosamente sem a queixa ineficaz e inútil. Abrir a janela e desejar um bom dia a mais um dia de nossa existência sobre a Terra... Um único dia de cada vez, cada minuto como se fosse o último, cada pessoa como um irmão querido que possa ou não comungar de nossas idéias e ideais. Cada ser humano como uma pedra preciosa que ainda oculta, requer lapidação através da confiança, da persistência e da fé.

Wanderlúcia Welerson Sott Meyer

6 de nov de 2010

Maria


Maria


Maria de muitos filhos
Maria de muitos netos
Maria de muitas dores
O tempo, a vida, o sonho
Maria franzina, pequena
De porte físico frágil
Maria de alma nobre
Maria que na cozinha estava
Que ali nos recebia
Legitimamente mineira
Maria que nos meus braços de neta
Perdia-se...
Dos longos e intermináveis causos
Das pequenas mãos que me seguravam
Quando meus passos se dirigiam para porta...
“Ainda é cedo!”, dizia Maria
Maria dos olhos de solidão
Repletos de passado.
Do cafezinho 
Que não poderia deixar de ser tomado.
Longos anos de lembranças decifrados.
Tão pouco aproveitei de seus encantos!
Maria de Cristo!
No sobrenome e na vida.
Dona Maria de encanto!
Vovó Maria que nada pedia...
Maria que hoje se ausenta
Permanecendo mais viva
Mais próxima do que antes fora
Maria de Virgílio!
Maria dos filhos!
Maria das memórias!
Maria de Deus!
Wanderlúcia Welerson Sott Meyer
Publicado no Recanto das Letras em 06/11/2010
Código do texto: T2600468

5 de nov de 2010

EVOLUÇÃO

EVOLUÇÃO

A grande maioria das condutas externas que nos surpreendem são raízes relacionadas aos comportamentos que ainda não conseguimos lapidar. Essas raízes não podem ser arrancadas bruscamente, fazem parte de nós. Precisam ser retiradas uma a uma, em cada experiência vivida, em cada reflexão e arrependimento contido, em cada ato de autoperdão. Se extraídas de qualquer maneira ou por alguém, voltam como ervas daninhas sempre mais fortes. Não fazem parte de nós, mas, aí estão e não podem ser negadas sem incômodo.
Wanderlúcia Welerson Sott Meyer
Publicado no Recanto das Letras em 05/11/2010
Código do texto: T259801

3 de nov de 2010

Que assim seja...


Sei que por vezes fazes-me ver o que não quero.
Sei que também, que abrindo-me os olhos,
Denota-me responsabilidades.
Sei que ainda posso negar o que me revelas.
Carregando o pecado de saber e nada dizer
Revelações envolvem proporções e sentimentos.
Guardo entre o raciocínio e coração
A transgressão de saber e ausência de palavras.
Quanto lhe pedi caminhos
Esqueci de compreender que nem sempre são fáceis
Mesmo que conduzidos.
Agora já não me cabe questionar o que a de vir
Peço-lhe apenas que sustente minha Fé.
Que tua vontade e não a minha, seja feita!


Wanderlúcia Welerson Sott Meyer
Publicado no Recanto das Letras em 03/11/2010
Código do texto: T2594101

1 de nov de 2010

Eleições...democracia...



     Sem nenhuma retórica ou demagogia, gostei muito do resultado da eleição. Não sou partidária, mais me interesso pelo conhecimento do processo político Brasileiro, assim como, não sou feminista, e vibro com cada conquista que o feminino tem alcançado. Já dirigi uma escola, e sei o quanto uma administração é complexa, exigindo da pessoa que exerce o cargo pulso, discernimento, compreensão e competência. Não acredito que nada aconteça por acaso e, até por uma questão de crença religiosa sei que tudo o que ocorre, faz parte de um processo evolutivo de construção íntima e coletiva.
     Não importa mesmo quem tenha ganhado a eleição agora, cabe a cada um de nós, não apenas criticar com o intuito de desmerecer, mas conhecer o processo e contribuir para que prevaleça sempre o melhor para todos. Nunca em nenhuma circunstância, por mais bem intencionados que estivermos, agradaremos a todos. Essa dificuldade encontramos até mesmo em nossas relações familiares, pequenos ninhos, que muita das vezes, não somos capazes de administrar.
     Nenhum pensamento menos digno, nenhuma crítica a essa ou aquela postura, modifica ou contribui para a melhora de um contexto. Nossas energias determinam tanto nosso processo individual como também o coletivo. Se não podemos contribuir, lançar flechas de ódio e desprezo é o mesmo que voltá-las a nós mesmos.
     Quanto a ser mulher, sem nenhum desmerecimento ao masculino, afinal todos temos um lugar ao Sol, essa é uma ótima oportunidade de somente comprovarmos o que já sabemos, aprendemos entre erros e acertos que um trabalho não é desenvolvido isoladamente e, uma mulher fantástica e guerreira, estará ao lado de homens também com histórias de compromisso e respeito pela coletividade.
     Se não gostamos do resultado, o que não é o meu caso, que pelo menos possamos pensar e contribuir para o bem estar e a evolução de uma população e um País que é mais que sério. Prova disso, pra quem se recordar ou conhece a história do Brasil, é o quanto ainda a alegria, a confiança e a fé permanece em nós, mesmo depois de um passado aonde a ditadura e a opressão foram responsáveis pela morte e tortura de muitos que lutavam por um país democrático. Estamos construindo entre erros e acertos e, isso independe de quem lá esteja, um País melhor para nós, nossos filhos, netos e todos os que estão por vir. Assim reza a vida!
     Evoluir sempre em direção a Luz!
Wanderlúcia Welerson Sott Meyer
Publicado no Recanto das Letras em 01/11/2010
Código do texto: T2590205

30 de out de 2010

Oswaldo Montenegro - Metade


Para um grande amor... 
Entender por que amo, sinto e afirmo que amo, é como querer decifrar o hebraico ou definir Deus. Não há explicação, definição ou lógica. Minha alma simplesmente escolheu e reconheceu a sua. Sentimento de pertencer eternamente. Que adormecido, o esperava para florescer. Já não me sinto inteira, parte de mim encontra-se onde estás.

Wanderlúcia Welerson Sott Meyer
Publicado no Recanto das Letras em 09/06/2009 Código do texto: T1640840

Para um grande amor!

Entender por que amo, sinto e afirmo que amo,
é como querer decifrar o hebraico ou definir Deus.
Não há explicação, definição ou lógica.
Minha alma simplesmente escolheu e reconheceu a sua.
Sentimento de pertencer eternamente.
Que adormecido, o esperava para florescer.
Já não me sinto inteira,
parte de mim encontra-se onde estás.
Wanderlúcia Welerson Sott Meyer
Publicado no Recanto das Letras em 09/06/2009
Código do texto: T1640840
http://www.youtube.com/watch?v=ujQoUEdXr_8&feature=fvstou

29 de out de 2010

Ciclo de Vida


Como água que segue seu curso,
Alterando todo o percurso.
Sigo...
Infinitamente consciente.
Insanamente dispersa.
Contraditoriamente feliz.
Assim, como modifico,
Sou transformada.
Nada em mim
Corresponde ao que antes era.
Pensamentos... Sentimentos...
Palavras...
Um misto de sensações que preservo,
Outras que são renovadas.
Wanderlúcia Welerson Sott Meyer
Publicado no Recanto das Letras em 23/06/2008
Código do texto: T1047541


Reflexão


As imagens que temos de nós mesmos, dos outros e das situações que vivenciamos, determinam nossas vibrações, pensamentos e atitudes.
Podemos dizer tudo que pensamos mas, devemos nos lembrar  que se externamos amor, palavras, mesmo que duras, tornam-se bálsamo e levam à reflexão.
A sinceridade que oprime e se traduz em revolta interna, não auxilia.
Escolher as palavras e o momento adequado, favorece à compreensão e o equilíbrio.
Um esforço diário, que não somente nos transforma, como irradia Luz aos que nos rodeiam.
Difícil? Sim.
Impossível?
Talvez, o impossível esteja em não acreditarmos na “nossas” possibilidades de edificação, crescimento e amadurecimento diário.

Do amor que deixas de viver


Tenho algo de velho dentro de mim...
Algo que me coloca fora do tempo em que vivo,
Alma leve que respira amor, alma transparente
Que não vê mal onde quer que exista.
Tenho algo de belo nos olhos...
Só me permitem ver o quero!
Tenho algo de amor por você...
Nunca saberei explicar por que...
Tenho algo que entendo...
Não nego!
Por que sentir é o que me torna viva!
Sei que te afasta para não sentir,
Mas afirmo...
Enganas-te se pensas esquecer assim...
Tenho algo que só ofereceria a ti!
E que de tão sereno e belo,
Apenas lhe pertence!
Não me importo se negas...
Sei que amas!
Mas, lamento a cegueira que ti inflige a dúvida
E és tu que deixas de viver!
Porque seguirei sentindo...
Olhando seus olhos em fotos frias.
Desejando pouco...
Quase nada...
Mas, ainda assim desejando
Sigo!
Wanderlúcia Welerson Sott Meyer
Publicado no Recanto das Letras em 29/10/2010
Código do texto: T2584864

28 de out de 2010

Paciencia - Lenine


Há de se compreender que em cada aflição,
Cada momento de dor ou dúvida
É o instante exato para aprender.
Se demorar a passar, Deus quer sua paciência...
Se a solidão o visita, é no seu coração que ele se encontra...
A fé conduz os caminhos,
Alimenta a esperança,
Possibilita a edificação de novos sonhos.

Wanderlúcia Welerson Sott Meyer

25 de out de 2010

Solidão


Grito silenciosamente já que ninguém se dispõe a ouvir. A solidão é uma ferida aberta, abrasada e ardida quando se torna longa, indefinida e interminável. Há paredes, móveis e espaços, consegue-se ouvir o eco da respiração ofegante que desanda atrás de alguém que ouça. São sombrios e frios os dias que se passam. As palavras se misturam aos pensamentos sem obter nenhuma resposta... Ninguém retruca, contradiz, orienta ou se comove. Resta-lhe o silêncio absurdo, rompido pelo programa de TV que não interessa, pelo som da música que não toca, pelo ruído que de longe indica que existe vida.
Wanderlúcia Welerson Sott Meyer
Publicado no Recanto das Letras em 25/10/2010
Código do texto: T2577592

24 de out de 2010

Auxílio significativo

Auxílio significativo

Para refletir...

     Temos que saber distinguir, separar o joio do trigo. Uma atitude sábia diante da vida que nos conduz a uma percepção interna mais coerente com nossos desejos. Assinalar o que nos pertence e, separar o que conduzimos e verbalizamos, mas, que não faz parte de nossa essência. O querem de nós e o que realmente nos cabe como possibilidade e caminho.
     As intenções e opiniões só nos servem à reflexão. E quem quer que seja, por mais bem intencionado, não pode pretender ter respostas para situações que não lhes dizem respeito. Não há como viver ou entender uma experiência se ela não nos compete. Há momentos em que apenas o colo, o carinho, a amizade sincera e o ouvir são os únicos indispensáveis ao coração que sofre.
     Quando julgamos, afastamos. Quando inferimos, nos tornamos co-responsáveis, sem sermos, de situações que só podem ser solucionadas e resolvidas pelo outro.      Não é omissão, mas, uma postura ética diante da vida que transforma nossas interferências em auxílio significativo e verdadeiro. Ao contrário, poderemos estar sabotando os sonhos de outrem ou mesmo os nossos, sem nos darmos conta dos danos que podemos causar.
Wanderlúcia Welerson Sott Meyer
Publicado no Recanto das Letras em 24/10/2010
Código do texto: T2575758

2 de out de 2010

Verdades

Verdades


Quando me dizem verdades
Que antes eram suspeitas
Confirmando o que pensava
Ser desejo
Desprezo
Mágoa
Prefiro esquecê-las!
Por vezes, prefiro não ver
Sentir o que agora sinto
Perder ilusões, sentidos...
Vagar em frases vãs
Enxergando o que jamais quisera
Constatando o que o destino espera
Luto precoce
Em face ao dor de muitos
Quando me dizem verdades...
Preciso não tê-las!
Wanderlúcia Welerson Sott Meyer
Publicado no Recanto das Letras em 02/10/2010
Código do texto: T2534358

28 de set de 2010

Sina feminina



Tão entregue como animal adestrado, conformara-se com a vida, com o pouco, com a lida. Entregara-lhe o melhor de si. Tantos anos, tantos prantos, tanta sensibilidade adormecida.
A mulher quando se casa, entrega uma parte da vida; entrega cega, imperceptível; sabotagem silenciosa que a faz seguir caminhos inesperados. Mesmo aquela que por príncipes não espera, adormece ao entregar-se ao outro, aos outros...
Tão esquecida de si, tão entorpecida em seus sonhos, tão condicionada a doar, tão demagogicamente contextualizada no nada.
Crescera em uma rigidez quase absurda. Para ser feliz, sentir-se feliz, deveria ser agradável aos homens... Servir, sorrir e jamais se queixar...”Homens não gostam de mulheres que se queixam, que falam demais... homens não gostam!”
Pensava... O que realmente lhe importava? Agradar a si ou ao outro? Por que deveria calar-se?
Onde sufocaria tantas dúvidas, tantos argumentos, tantos desejos?
Era Vida o que queria e não era necessário muito!
E agora que se submetera sem murmurar? Havia sabotado todos os seus sonhos, não mais se sentia senhora de si.
A mulher ao casar-se, sofre uma espécie de embotamento. Tudo passa a ser mais importante, tudo está acima de seus anseios... E é um processo natural, tão bem estruturado que quando se dá conta encontra-se diluída em um contexto que não a inclui. Passa a ser coadjuvante de si mesma, protagonista de uma tragédia pessoal.

Wanderlúcia Welerson Sott Meyer

24 de set de 2010

ANJO DO AMOR (ANAEL)


Silêncio interior

Sereno...
Tudo o que por amor sou capaz de fazer
Tão bom e próximo ao bem
Tão generoso e simples
Asas que me levam em sensações de paz profunda!
Leves...
Conduzidas pelo vento!
Próximas e distantes...
Áurea e límpida...
Envolvida pela serenidade que busco!
Alma!
Pluma lançada sem destino...
Livre dos abismos que a terra me prende!
Espaço de Paz intraduzível...
Silêncio!

Wanderlúcia Welerson Sott Meyer
Publicado no Recanto das Letras em 24/09/2010
Código do texto: T2517243


15 de set de 2010

ALMA DE POETISA





Quando todos dormem, os pensamentos ainda lhe roubam o sono.
Quando vira ao mundo, sabia-se humana
Hoje, mulher...
Ninguém lhe roubara sonhos,
Alguns se foram...
Outros perderam a importância.
Ninguém lhe despertara o sorriso,
Nascera assim...
Desperta, pronta pra servir.
Ninguém lhe tirara a esperança,
Esta era como planta que germina,
Floresce, frutifica e cai sobre solo...
Infinitamente recriada.
Ninguém lhe dissera o que fazer,
Seguirá intuição aguçada...
Feminina, felina, mulher.
Coube ao tempo e a vida
Impor limites,
Ensiná-la a transformar
Observando com os olhos da alma
Morrendo para renascer inúmeras vezes.
Coube ao mundo acolhe-la...
Estendendo os braços a quem quer que fosse...
Recebia muito...
Traduzia em mais o que pensava possuir de menos.
Coube à lida o sereno encontro...
Algo de si mesma
Que de tudo via...
Agora sentia...
Despertara...
Vida!
Wanderlúcia Welerson Sott Meyer
Publicado no Recanto das Letras em 15/09/2010
Código do texto: T2498885