28 de abr de 2010

PRESENTE DE AMIGO

VIDA INCONDICIONAL


Entrego-me ao silêncio procurando respostas tão óbvias quanto à vida!
Nada posso sem levar em conta o acaso.
Se somente metas nos conduzissem, estaríamos limitados aos nossos pequenos e superficiais desejos e deixaríamos de viver emoções, momentos e sentimentos dignos de serem recordados.
Não é o caos dentro de si, é a certeza de que nas surpresas e descaminhos proporcionados pela casualidade encontramos respostas. Redirecionamos e reedificamos. Um complexo e intrincado processo, que de tão imprevisto, mistura-se a magia da vida.
Não somos conduzidos. Nossos desejos internos, aqueles que ocultamos e desconhecemos, transbordam a energia necessária à transformação. Um processo inevitável que pode ou não ser aproveitado. Está sujeito apenas a forma como o percebemos e enfrentamos. Muitos não se dão conta dessa magia e entregam-se a queixas ou estacionam suas energias no que acreditam ser uma lesão irreparável.
Assim como a natureza se modifica gradativamente e de forma harmônica, porque endurecidos por nossas falsas certezas, somos ocasionalmente induzidos a seguir caminhos que pensamos desconhecer. Seguir, acreditando em possibilidades e permitindo-nos à transformação, evoluindo e vencendo o “homem velho” que ainda nos prende a condutas e verdades que não nos permitem perceber o inevitável caminho da evolução.
Wanderlúcia Welerson Sott Meyer
Publicado no Recanto das Letras em 28/04/2010
Código do texto: T2224221

27 de abr de 2010

Páginas de Vida

Páginas de vida.

Ando como quem busca respostas em páginas vazias. E o que são os dias senão páginas em branco, onde reescrevemos e reeditamos histórias? Não posso ficar pressa o passado e o futuro ainda me assusta. Mas, caminho... Essa é a minha certeza... é preciso seguir. Não quero que as páginas de minha vida passem em branco e prefiro viver cada minuto em erros e acertos do que me permitir parar.
Sigo como água corrente em direção ao mar... Transformando rochedos em pedras pequenas; espinhos, na mais pura magia que me oferecerão forças para ornamentar o mundo.
Wanderlúcia Welerson Sott Meyer
Publicado no Recanto das Letras em 27/04/2010
Código do texto: T2222186

21 de abr de 2010

Reflexão Feminina


Era uma vez...
Assim começam as histórias de sonhos, fantasias e esperanças. Certamente, todas as histórias de infância. Quando crianças o que mais fazemos senão idealizar, fantasiar realidades, transformando seres humanos em heróis imbatíveis, pequenos casebres em castelos, sapos horrendos em belos príncipes, megeras em damas acima de qualquer suspeita.
Era uma vez...
Uma menina que nascera em pleno outono. Em tempos conturbados, família simples e que era diferente das outras porque nunca acreditara em príncipes. Queria que a ouvissem, opinava até no que não lhe dizia respeito e vivia causando muita confusão por isso. Perguntas, dúvidas, poucas respostas. Quanto mais lhe negavam, mas ela queria. E crescia... Como um patinho feio, sentindo-se rejeitada, mesmo que não fosse. Querendo conquistar o mundo, mas era somente o seu mundo. Tornando-se uma adulta precoce, negando desde cedo suas reais vontades, desejando provar algo para... sabe-se lá quem... Mas, ela queria! Vivia dizendo verdades que desconhecia, bradando argumentos que iam da maturidade à infância. Para uns, modelo a ser seguido, para outros, algo a ser repelido.
E...
Era uma vez uma menina...
Crescera. Empurra-se prematuramente para a vida adulta. Sensata, inteligente, intransigente... Muito carente! Continuaria querendo provar o improvável, trabalhar além de suas forças, exigir-se perfeita... Qualquer assunto, um bom ouvido, um ombro amigo e a solidão. As pessoas a quem ela tanto admirava e, as quais insistiam em mostrar-se incólume, foram desaparecendo uma a uma, levadas pela única certeza da vida. Mas, a mulher que antes fora menina... Ou nunca fora? ... Acabou acreditando na ilusão de poder ser tudo e doou-se de tal forma que um dia se perdeu...
Era uma vez um rosto...
De mulher madura, endurecida pela vida! Casa, filhos, marido... Trabalho... muito, desgaste de quase tudo! Vivendo como quando se guarda todos os sonhos em uma caixinha a parte e vive-se uma vida inventada. Um espelho que já não lhe reflete a face, um sorriso que se confunde em lágrimas. Uma vontade que de tão forte, também se perdeu... Culpa, medo e sentimento de fracasso diante da vida que um dia foi sonhada por uma menina.
Era uma vez uma vida...
Que hoje morre para dar espaço ao fantasia. Que precisou ser subtraída para permitir-se transformar. Que abre a caixa envelhecida dos sonhos e os deixa seguir, mesmo que insanos, mesmo que insensatos, mesmo que em desuso, menos que façam parte da crença de um só mundo!
Era uma vez...
E serão muitas outras vezes... Sem almejar a felicidade definitiva, acreditar em amores eternos e felicidades estáveis.
Era uma vez uma mulher que se permitiu ser menina ao amadurecer!
Wanderlúcia Welerson Sott Meyer
Publicado no Recanto das Letras em 21/04/2010
Código do texto: T2211117

16 de abr de 2010

Refletindo valores


           Permanecem em mim, o amor e a fé que tão bem me ensinaram. Mesmo que adormecido e por muitas vezes incompreendido, entregue ao cansaço da luta árdua e diária, permanece a palavra, o gesto simples, o afeto sem exigências, a felicidade ingênua, alicerces de quem sou.
         Permanece e permanecerão, os valores acima da crueldade, insanidade humana apresentada pelos telejornais e revistas, como se ações valorosas, pessoas espiritualizadas e generosas não mais existissem. A destruição do homem pelo homem, a ascensão do prazer efêmero, a busca incansável do amor com olhos da paixão cega, a difusão da dor com sarcasmos e intolerância, tolerada e psiquicamente energizada, aceita e proliferada por nós mesmos. Julgamos, condenamos, penalizamos e nos prendemos ao sofrimento.
       Permanece a esperança! À necessidade de não vendar os olhos às injustiças, à crueldade e ao medo que estanca. Pessoas que nem ao menos acreditam em si mesmas e que se sentem onipotentes, consideram-se maiores que Deus.
          Permanece a certeza da evolução dos sentimentos humanos, pelo convívio, pela simplicidade afetuosa dos que nos buscam, em que idade esteja na ânsia de aprender a linguagem escrita de um mundo que não os percebe. Permanecem os olhos que fechados querem enxergar o mundo. Os adolescentes que maltratados desde o berço, rogam o aprendizado do amor. Os que sustentam sorrisos de insanidade e que nos sugerem a compreensão pela utopia.
         Permanece e permanecerá o otimismo, a certeza de que, a cada um é dada uma tarefa edificante e construtora e da simplicidade, surgirão gotas que se assemelham a oceanos.
   
Wanderlúcia Welerson Sott Meyer
Publicado no Recanto das Letras em 16/04/2010
Código do texto: T2199974

15 de abr de 2010

Perdoe-me


Perdoe-me 
Traduza por favor o que atormenta, A perda ou o não saber o que fazer agora? Alguém me responda, Se é que respostas existem, Quando acabará essa dor? Já não dá mais para tirar conclusões apressadas, Parece que a vida interrompeu-se Parou a beira de um enorme precipício Agora só existem dúvidas! Perdoe-me... Não é falta de fé. É cansaço! Não é descrença. É medo! Não é que eu não saiba mais o que desejo. Não consigo me erguer para seguir! Perdoe-me, Não deixei a luta Nem pretendo fazê-lo! Só estou esgotada... Permita-me descansar em seu colo amigo! A chorar todas as lágrimas Sem ser consultada pelos porquês que não auxiliam A viver o meu silêncio E do silêncio, ouvir de sua boca, Sem proferir uma só palavra... Estou com você! Confie em mim! Estarei ao seu lado, Não mais para lhe sugar as forças Mas, para traduzir seus anseios Afagar seus cabelos Enxugar suas lágrimas Entender seu pranto! Sentindo-me acolhida Nos braços que não apenas me desejam, Mas, me abrigam. Me perdoe... Sei que erro em ter esperanças Cabe a cada um Oferecer o que lhe é essência!
Wanderlúcia Welerson Sott Meyer
Publicado no Recanto das Letras em 15/04/2010 Código do texto: T2198518

9 de abr de 2010

METÁFORAS DA VIDA




Navegar por entre icebergs gigantes, considerando a vida como um contrato de risco que precisa ser levado a sério sem que o bom humor desapareça. Caminhar entre espinhos com os pés descalços, deixando que do sangue saiam às impurezas e mazelas que interrompem a jornada. Vagar por desertos onde só se encontra solidão e medo, na certeza de que os oásis são as ilusões que cultivamos e que nos conduzem a esperança. Perder-se por entre florestas fechadas, correndo perigos que assegurem o quão forte se pode ser quando não se é neutro, conformado, acomodado... Vivendo de uma falsa segurança que estanca e cega. Ser intenso, trazendo no corpo as marcas das dores, precipícios, tropeços e enganos... Profundas cicatrizes que nos auxiliam a evolução.
Wanderlúcia Welerson Sott Meyer
Publicado no Recanto das Letras em 08/04/2010
Código do texto: T2185326

7 de abr de 2010

GOSTO DE VIVER!



Gosto de flores
De pessoas que exalam perfume ao sorrir
Paisagens
Crianças e sinceridade.
Idosos e sabedoria.
Gosto da simplicidade
Amizades que tocam a alma
Entendem um olhar
Acariciam sem tocar
Gosto de brincar com as palavras
Transformando-as em sentimentos
Formas e figuras
Que traduzem mais do que lamentos
Gosto de sentir, sorrir,
Falar, conhecer, amar!
Mesmo que ninguém entenda!
Gosto do que me prenda
Deixando-me seguir...
Vida livre!
Pensamento solto...
Absorto e distraído
Descuidado...
Contemplativo.
Gosto de tudo o que traduz afeto
Sentimento dileto
Que conduz ao incerto
Falsa segurança
Perdas e lembranças
Gosto de VIVER!


 Wanderlúcia Welerson Sott Meyer

5 de abr de 2010

As dores da alma



A alma deveria ser leve

Branda, afável, amena.

Como o movimento harmônico.

Asas de uma borboleta!

Transportamos para dentro de nós

Ressentimentos e aflições

Os anos transcorrem

Sentimo-nos sobrecarregados.
Ao invés de nos desprendermos
Gradativamente da massa física
Que nos fixa a Terra
É a carga opressiva que nos atém ao solo.
Esquecemo-nos que o corpo é passageiro
Nosso espírito pede liberdade!
Pensamentos negativos que cultivamos...
Lamentos passados que não se distanciam...
Dores que se transformam em chagas profundas...
Escolha nossa!
Só percebe a Luz
Quem se mantém de olhos abertos
Braços estendidos para a Vida!
Não há nenhuma dor que seja eterna.
Somos criados pela Perfeição
E para ela caminhamos...
Cada qual há seu Tempo!



Wanderlúcia Welerson Sott Meyer
Publicado no Recanto das Letras