28 de jun de 2011

Amor e liberdade

AMOR E LIBERDADE


Quando você chegar, 
Venha lentamente
Como quem quer tudo. 
Saiba ser... 
Deixe-me ser...
Ande por si mesmo
Deixe-me trilhar os caminhos que escolher, 
Embora, não queira ficar sem você.
Fale-me do que pensa 
Do que sentes
Deixe-me expressar 
O que transborda em meu ser.
Chore, quando for preciso.
Reclame, se não te der abrigo.
Faça-se minha inspiração 
Ajude-me a edificar o nosso amor 
Liberdade e paz...
Sorria...
 Isso nos fará mais fortes.
E...
Quando você se for, 
Se um dia precisar partir...
Se eu chorar, 
Perdoe-me...
Não chorarei a perda, 
São apenas lágrimas...
Felicidade de ter te encontrado.


Wanderlúcia Welerson Sott Meyer

26 de jun de 2011

Reminiscências inconclusas

REMINISCÊNCIAS INCONCLUSAS


As ondas ensinam-me a continuidade


Idas e vindas intermináveis


Todas diferentes e instáveis.


Sei da vida o que ela mesma me ensinou


E somente o que desejei aprender


Há ensinamentos reservados


Outros descartados


Outros ainda...


Permiti que de fossem levados


De nada me serviram...


Todas as lembranças


Pedaços de equívocos


Vistos através de olhos tolos.


Digeridos por um espírito eterno.


Traumas são verdades


Ocultas de nós mesmos.


Ficam como fantasmas


Não as apreendemos.


Fatos que fixados são indigestos


Precisam ser relegados.


Empregaria inúmeras reticências


Ao falar daqueles que marcaram.


Reticências...


Servem-nos para dizer o não dito


Revelar nas entrelinhas


O que não ousamos dizer


Não suportamos saber


Não desejamos admitir.

Wanderlúcia Welerson Sott Meyer
Publicado no Recanto das Letras em 26/06/2011
Código do texto: T3058754

Libertação

Libertação

Ser sensibilidade
Sem perder-se em falácias
Certezas que não existem
Descasos que persistem
Dúvidas ocasionadas
Verdades que nos são nada
Auto proteger-se de malogros
De mentiras
Não permitir-se envolver
No que lhe subtrai o Ser
Em essência...
Não ater-se as aparências
Dar de si o necessário
Se imperativo for
Dispensável é negar-se
O direito de Ser feliz
Mesmo que seja arbitrário
Constitua-se o teu próprio juiz.

Wanderlúcia Welerson Sott Meyer
Publicado no Recanto das Letras em 26/06/2011
Código do texto: T3058378

22 de jun de 2011

Medidas de amor

 Medidas de amor

Na medida em que os sonhos se perdem e as desilusões aumentam, vamos criando escudos e couraças que nos permitem enfrentar a interminável batalha evolutiva, sem nos abater. Envergadura de fé que se adquire através da Palavra. Das preces que, quando sinceras, elevam-se ao Criador, e que são alicerces de renovação. Dos sinais que, mesmo encobertos por lágrimas, podem ser sentidos e traduzidos em esperança. Na medida em que as dores são transferidas, transformadas e transmutadas em desejos de vida, sublimamos e consentimos a transfiguração de nossa existência... Transição necessária à evolução do Ser! Não sem tribulação, sem pranto... Sem a dilaceração interna que se experimenta quando o que sangra é a alma. Na medida do Amor, na medida de Amar sob a medida de Amar-se.Wanderlúcia Welerson Sott MeyerPublicado no Recanto das Letras em 22/06/2011
Código do texto: T3050709

18 de jun de 2011

Sinônimo de fé

Fé não se mensura, é o que sente quando o que sobram são lágrimas e a vida nos prova através da dor. Quem se acredita distante de perturbações apenas passeia pela vida, muitas vezes desconhecendo aos outros e a si mesmo. Só quem aplica com intensidade o dom da Vida sabe o quanto é magnífico o sentimento que nos sustenta e que nos auxilia a iluminar a esperança. Ouvi de uma pessoa que minha fé assombra... O que me realmente me assombra é o medo, a desilusão, o desengano. Ter fé é uma questão de sobrevivência em uma atmosfera tão impregnada de violência e desamor. É perceber além dos vidros embasados das janelas da alma que existem possibilidades de reconstrução, que tudo é recomeço, que evoluir é um processo que a natureza ensina silenciosamente, sabedoria de recriação. Não me importam mesmo quantas dores, quantas revezes, quantas lágrimas... Nada será capaz de me destituir a serenidade. Sei que tempestades passam, assim como já aprendi com a sabedoria popular que nos vale mais o tempo presente. E é nesse precioso tempo que o Senhor da Vida nos oferece oportunidades de aprender que há situações que requerem paciência, resignação e coragem!
Wanderlúcia Welerson Sott Meyer
Publicado no Recanto das Letras em 18/06/2011
Código do texto: T3042771

13 de jun de 2011

Amor terno e eterno

Amor terno e eterno


Deveríamos namorar eternamente, sem o compromisso estreito do cotidiano. Traduzir nos olhos o amor que sentimos; nos gestos, a alegria de estar ao lado. Cuidando carinhosamente do outro, como se fôssemos plantas em eterno estágio de germinação. 
Depois  de um tempo de convivência, a intimidade nos afasta. Tão contraditório dizer isso! Como depois de conhecermos e sermos conhecidos pela pessoa com a qual vivemos e convivemos diariamente, poderíamos nos sentir tão distantes?
Há muitas justificativas para isso, o tempo, o dinheiro ou a falta dele, o hábito e, a pessoa que está ao seu lado deixa de ser aquela que um dia lhe despertava instintos e desejos. Tornam-se amigos... isso, quando conseguem se tornar amigos, porque há casos em que o ódio, o desrespeito e a opressão, passam a falar mais alto que o amor.
Deveríamos nos apaixonar diariamente, como naquele primeiro dia em que os olhos se entorpecem, o coração dispara, o abraço traduz o desejo de se transformar em apenas um. Mas, deixamos a rotina tomar conta  e, muitas das vezes, buscamos sentir tudo isso novamente em outros relacionamentos, outras pessoas. Até conseguimos, mas com o tempo, depois que o príncipe vira sapo ou a princesa se transforma em patroa(ou será bruxa?),  nos damos conta que não era a pessoa que não nos servia, mas sim, nossa opção de  vida, nosso mania de deixar para conversar depois, esperar que o tempo passe, mascarar situações que nos incomodam, aceitar o inaceitável, tudo isso determinando o fracasso de nossas relações amorosas.
Pessoas que chegam a maioridade e que, lado a lado ainda caminham de mãos dadas, deveriam escrever livros, não para nos ensinar a ser, isso é impossível, somos o que queremos ser, mas no mímino nos oferecer dicas de como partilhar, como se relacionar sem tolir o outro, sem deixar-se escravizar, sem adoecer por amor, sem permitir que os atropelos diários desfaçam laços fortes e determinantes, que um dia fizeram com que duas pessoas de mundos tão diversos, se encantassem pelas diferenças.
E que essas diferenças continuem a existir... mesmo que os anos passem, o sorriso  apresente rugas, os corpos não sejam esculpidos, o olhar já não traduza o mesmo brilho.
Sabemos o quanto isso é difícil, e o quanto a intolerância e o egoísmo, a busca desenfreada pelo dinheiro e a carreira, tem produzidos vítimas de rompimentos desnecessários.
Pessoas são falíveis, não importa a altura, o status, o peso, a cultura. Quando se trata de sentir, o mais sensato de todos os homens, torna-se menino. Buscar desordenadamente por um parceiro ideal ou acreditar que nossa vida se resume em um ato sexual, é minimizar e substimar a grandiosidade de nossas relações.
Talvez o segredo esteja no enamoramento diário, no cuidar do outro e, não se esquecer nunca que não somos donos nem posse de ninguém. Ou se valoriza, ou se perde!

Wanderlúcia Welerson Sott Meyer

Conto amoroso cotidiano

Conto amoroso cotidiano


Ele proferiu que a queria e de tão só, desejando amar, ela se compôs de alegria, permitindo-se sentir. Era tarde... Não tão tarde como pensava ser. Afinal, a natureza ensina que o entardecer é promessa de novo dia, certeza de amanhecer.

Ele confessou seu sonho, aspiração antiga de ser amado. Ela, entregue a uma carência definida que a consumia, pôs-se a vislumbrar histórias adormecidas. Ou seriam Estórias, dessas que não se encaixam com a realidade, escondendo-se na fantasias dos amantes, não desavisados, no entanto, desatentos.

Ele lhe afirmou que a amava... Ouvir tal melodia é como fertilizar plantas sem viço. A falta conduz à morte, o excesso entorpece, permitindo que o “vegetal” ofereça o melhor de si, extirpando toda sua força e beleza e, esgotado de tanto servir, encerre sua vida brevemente.

Ela se esqueceu dos dardos antigos que ainda lhe causavam dores. Resplandeceu! Entrega absoluta de si, perdeu-se no outro. Ouvia que a espera, mesmo que longa, era certa. Mimos, agrados, sorrisos... Alienação.

Ele no seu papel, descendente de homem, sensibilidade confusa por um momento também pensou ser dela o seu amor. Da maneira que seres amam desconhecendo à responsabilidade de se dizer ao outro o verbo amar. Conjugou em diversos tempos... Passado: “Sempre a amei, mesmo antes de lhe conhecer!” Presente: “Eu a amo mais que minha própria vida!” Futuro: “Amarei amor eterno e para sempre!” Como se possível fosse amar quem não se conhece. Como se o amor pudesse lhe pedir a vida(Que espécie de amor é esse que tem como recompensa à morte?). Como se em meio a milhares de pessoas o desejo não passasse a falar mais alto e, o amor pudesse ser partilhado em outro corpo. Quando os corpos se unem por desejo é o animal adormecido que comanda os sentidos. Que espécie de amor eterno é esse que necessita de outro corpo para satisfazer os desejos da carne?

Ela acreditou até aonde seus sentidos permitiram tamanha ausência de sentido e, o que era para ser belo, eterno, cúmplice, sublime... Transfigurou-se em cotidiana história. Ambos igualmente carentes. Tamanha falta de significação dominando e provocando o cérebro para encontrar-se novamente o raciocínio. Despertar é o verbo que transita... Escrito e descrito no gerúndio, despertando.

A espera longa e indefinida fragiliza sentimentos e nem ao menos se sabe que sentimentos foram. O sensato é dizer que não era amor!

Wanderlúcia Welerson Sott Meyer
Publicado no Recanto das Letras em 13/06/2011
Código do texto: T3031886

11 de jun de 2011

Medo

Medo de ser
De ter e reter
De querer e se perder
Medo de esquecer
De sonhar sem realizar
De estar sem desejar
De inquirir com o olhar
Medo de se encontrar
De fato ou imaginário
Real ou simples cenário
Medo da entrega...
Cega!
De não mais ter ilusão
De provocar emoção
Medo da remoção
De passados submersos
Medo dos insucessos
De fracassos tão diversos
Medo da solidão
Por vezes, tão necessária...
Medo de ter desejos
De ter uma vida precária
Medo de se esquecer
De não se saber
De não perceber
Quem realmente se é!
Medo que sempre invade
Desde as remotas moradas
Medo do que não se sabe
Medo da entrega esperada
Temo já não ter medo
Já que com ele convivo
Se não se sente medo
Vaga-se livre...
Perdido!


Wanderlúcia Welerson Sott Meyer
Publicado no Recanto das Letras em 11/06/2011
Código do texto: T3027856

1 de jun de 2011

Pensamentos dispersos

Tempo frio,
Umidade sonora que transparece toda a lucidez aparente
Ser humano em construção frequente
Ilude-se que se pensa ausente
Dessa difusão ardente de ideias consequentes
Incertezas...
Todas as palavras que se põem à mesa
Vão com o vento, suspiram improváveis dúvidas
Soam como lamentos imaginários, desconexos
Discordantes e perplexos
Pensamentos...
Esses, não se importam com o tempo
Seguem...
Não sob forma de harmônico lamento
Resultado de discernimentos
Pretensão de coerência,
Segmento...
Retalhos coloridos que se dispersam
Contratempos...
Ilusória sensação de sensatez

Só pensamentos...
Wanderlúcia Welerson Sott Meyer
Publicado no Recanto das Letras em 01/06/2011
Código do texto: T3007036