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Renascendo

Dias a fio procuro caminhos e respostas para questões que demandam paciência e espera. A chuva igualmente aspirada começa a umedecer silenciosamente e gradativamente a terra. A natureza agradece! Contudo, não foi sem que arbustos, árvores e flores padecessem vastos campos fossem tomados pelo fogo e animais desfalecessem pela seca. Há períodos em que a terra árida e o solo seco retiram o viço das plantas, secam fontes, dão vazão à destruição. Resultado da ação impensada do Ser humano em relação ao seu habitat natural ou não, tem épocas onde extremos ocasionam perdas bruscas, danos irreparáveis, morte aparente. Assim como acontece na natureza, atravessamos tempestades ocasionais ou duradouras e, períodos de áridas secas que nos proporcionam violentas dores. “Queimam” ou “inundam” nossas energias, assolam a alma que até sente-se assolada e afligida, mas, que jamais se deixa vencer. Momentos em que o que sobra é o deserto de si e, nos defrontamos com nosso “eu”, aquele que negamos e que, tão árido quanto o solo na ausência da água, mostra-se como nosso maior desafio. Contraditório esse sentimento de encontro que ao invés de nos oferecer harmonia, é inconciliável, conflitante e indefinido. Apresenta-nos de frente, do avesso... Escancara o que ocultamos, retirando-nos a máscara, apontando-nos o que de melhor e pior somos o que ainda negamos. Muitas chuvas, tempo de tempestades, buscas tiram-nos o sono, desinquietam-nos o Ser, irrompem certezas, provocam-nos dúvidas que assemelham a espinhos cravados na alma. Tempo de não negar o óbvio, de mostrar-se transparente, ciente e crédulo. Passada a turbulência, essência transformada, valores revistos, alma redimida, volta-se a florescer! 

Wanderlúcia Welerson Sott Meyer em 03/10/2011
Código do texto: T3254842

Gratidão

Certezas de Amor

Estavas ali, sempre estivestes.

Não era matéria palpável

Nem ilusão temporária

Fazia parte dos dias

Desde sempre...

Um alento nos momentos de dor

Uma esperança de amor

Visitava-me nos sonhos

Acariciava-me o rosto

Registrava-se a presença

Partia...

Permanecia a sensação do encontro

Serenidade pretendida

Essência de sentimentos duradouros

Suavidade que se sente

Tal brisa suave tocando o corpo

Indivisível êxtase

Emoções desejadas

Puras, intensas

Tradução apropriada de Amor!

Amor maduro

Será preciso tempo para regenerar as lesões provocadas pelo desvario dos sentimentos. Não é possível afirmar se era amor de fato. Serviu como alento enquanto próximo estava. Agora, que apreende e absorve palavras proferidas sem nenhum compromisso estreito com a verdade, analisando frases soltas e atitudes contraditórias, percebe-se claramente a ineficiência das palavras que não condizem com a verdade. Realidade tão intensa quanto a fugacidade dos anseios de porvir. Confia cegamente na maturidade que se adquire, grata pelo aprendizado rápido e eficaz de que o amor, de fato, só existe nos atropelos da convivência, no encontro dos desajustes, no sentir mesmo nas turbulências, na expressão de respeito pelo que se é. Constância inconstante de emoções indefinidas e necessárias. Amadurecimento vagaroso determinado por momentos de desordem interna e externa. Cumplicidade que se expressa apesar dos enigmas e contradições de seres opostos que jamais se completam, apenas evoluem entre possíveis …

Caminhos dicotômicos

Não lhe diria verdades, nunca as conheci. Tampouco desfecharia os inúmeros sonhos inconclusos que permaneceram latentes enquanto pensávamos estar no caminho. Nunca saberíamos se as estradas que escolhemos e as trajetórias que fizemos foram realmente escolhas. De fato, pouco valeria lastimar e fazer conjecturas. Basta-me a realidade detectada pela pupila dos olhos teus e meus, sentida na pele como distante toque etéreo. Adormecida, enquanto em vigília presumes e anseias o que jamais viverás. Reformulas vontades, despertando sorrisos que se encontram longe de ser o que desejas. Não seria lamento, apenas dúvida, suspeita de equívocos... Desconfiança de que, se os caminhos não fossem bifurcados e dicotômicos, se os desejos não fossem imaturos, ainda estarias ao meu lado.
Wanderlúcia Welerson Sott Meyer