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Refletindo a vida...


Um dia terei que partir, é natural... Todos irão. As perdas são sempre dolorosas, como se estivessem levando também pedaços de história, partes nossas. A morte não me causa espanto ou medo, mas, reflexões profundas sobre a vida. Do que deveríamos dizer, dos abraços que deixamos de distribuir, dos momentos que legamos ao descaso, do que poderia ter sido, do que jamais será... Encontro-me em profunda melancolia, não é desânimo, nem depressão instaurada, reflito e reflexiono a vida em um momento onde repenso a necessidade de me doar mais ao mundo, aos sonhos, aos desejos... Acasos não existem, mas, descasos são constantes. Vivemos parcialmente o que precisaríamos valorizar integralmente, permitimos que pessoas e ocasiões se percam sem lhes oferecermos a devida importância e, quando a vida nos responde com perdas, desorganizamos os sentimentos que pensávamos refletir estabilidade, permitindo-nos a queixa infundada. Toda queixa é infundada, sem razão. Na verdade somos responsáveis pelas construções que fazemos. Tecemos histórias, escolhas nossas, por vezes equivocadas e, em determinados momentos somos surpreendidos por situações adversas que nos fazem refletir sobre os valores que realmente precisam assim ser considerados. O interessante é que apesar de não podermos retroagir em momentos, palavras e expressões de afetividade, sempre teremos como reformular posturas, rever conceitos e redirecionar caminhos para que mais tarde não venhamos a lamentar novas perdas nos consumindo em um remorso que estaciona, ancorando nosso momento presente em portos nada seguros. Entendo que a escolha é nossa! Não estamos à deriva, algumas situações realmente não podem ser modificadas e, nos cabe aceitá-las com sabedoria. Outras tantas precisam ser mais bem vividas, sabiamente aproveitadas.

Gratidão

Certezas de Amor

Estavas ali, sempre estivestes.

Não era matéria palpável

Nem ilusão temporária

Fazia parte dos dias

Desde sempre...

Um alento nos momentos de dor

Uma esperança de amor

Visitava-me nos sonhos

Acariciava-me o rosto

Registrava-se a presença

Partia...

Permanecia a sensação do encontro

Serenidade pretendida

Essência de sentimentos duradouros

Suavidade que se sente

Tal brisa suave tocando o corpo

Indivisível êxtase

Emoções desejadas

Puras, intensas

Tradução apropriada de Amor!

Amor maduro

Será preciso tempo para regenerar as lesões provocadas pelo desvario dos sentimentos. Não é possível afirmar se era amor de fato. Serviu como alento enquanto próximo estava. Agora, que apreende e absorve palavras proferidas sem nenhum compromisso estreito com a verdade, analisando frases soltas e atitudes contraditórias, percebe-se claramente a ineficiência das palavras que não condizem com a verdade. Realidade tão intensa quanto a fugacidade dos anseios de porvir. Confia cegamente na maturidade que se adquire, grata pelo aprendizado rápido e eficaz de que o amor, de fato, só existe nos atropelos da convivência, no encontro dos desajustes, no sentir mesmo nas turbulências, na expressão de respeito pelo que se é. Constância inconstante de emoções indefinidas e necessárias. Amadurecimento vagaroso determinado por momentos de desordem interna e externa. Cumplicidade que se expressa apesar dos enigmas e contradições de seres opostos que jamais se completam, apenas evoluem entre possíveis …

Caminhos dicotômicos

Não lhe diria verdades, nunca as conheci. Tampouco desfecharia os inúmeros sonhos inconclusos que permaneceram latentes enquanto pensávamos estar no caminho. Nunca saberíamos se as estradas que escolhemos e as trajetórias que fizemos foram realmente escolhas. De fato, pouco valeria lastimar e fazer conjecturas. Basta-me a realidade detectada pela pupila dos olhos teus e meus, sentida na pele como distante toque etéreo. Adormecida, enquanto em vigília presumes e anseias o que jamais viverás. Reformulas vontades, despertando sorrisos que se encontram longe de ser o que desejas. Não seria lamento, apenas dúvida, suspeita de equívocos... Desconfiança de que, se os caminhos não fossem bifurcados e dicotômicos, se os desejos não fossem imaturos, ainda estarias ao meu lado.
Wanderlúcia Welerson Sott Meyer