18 de nov de 2010

Saudades



Alma que pede calma
Saudades...
Tempo em que bastava o olhar
Estendia-se o colo, o afago.
Manhã de céu límpido
Contrastando com os dias
Encharcados pela chuva.
Dias em que a alma grita
Nostalgia, desejo contido
Verdades jamais ditas
A brisa fria e úmida
Tocando a pele
Parece substituir suas mãos
Leves, disponíveis e carinhosas
Que no imperceptível toque
Traduziam-me paz!
Conseguia perceber o Sol
Entre as nuvens escuras
Entregue ao afago dos cabelos
Ternura de um olhar
Que exalava o perfume
Da Rosa que eras
Olhos tão azuis como o céu
Que agora vejo
Nesta manhã que dispersa a chuva
Mesmo de longe
Está tão presente!
O que antes era dor, perda...
Agora é saudade
Transfigurada em lágrimas
Alegria expressa
Sonhos semeados que germinam
Ser que me ensinou a Ser
Depositando-me a Fé
Ensinando-me a esperança
Gratificando-me com sua presença
Amiga, conselheira
Combatente, diferente...
Saudades de ti minha Rosa!
Tão bela quanta a Vida!
Tão terna...
Tão minha...
Saudades que só existem
Quando se tem a alma
Embebida no mais puro amor!
Saudades do teu colo
De tua pele
Que nem o passar dos tempos
Destruiu-lhe a suavidade...
Saudades...
Wanderlúcia Welerson Sott Meyer
Publicado no Recanto das Letras em 18/11/2010
Código do texto: T2622288