6 de nov de 2010

Maria


Maria


Maria de muitos filhos
Maria de muitos netos
Maria de muitas dores
O tempo, a vida, o sonho
Maria franzina, pequena
De porte físico frágil
Maria de alma nobre
Maria que na cozinha estava
Que ali nos recebia
Legitimamente mineira
Maria que nos meus braços de neta
Perdia-se...
Dos longos e intermináveis causos
Das pequenas mãos que me seguravam
Quando meus passos se dirigiam para porta...
“Ainda é cedo!”, dizia Maria
Maria dos olhos de solidão
Repletos de passado.
Do cafezinho 
Que não poderia deixar de ser tomado.
Longos anos de lembranças decifrados.
Tão pouco aproveitei de seus encantos!
Maria de Cristo!
No sobrenome e na vida.
Dona Maria de encanto!
Vovó Maria que nada pedia...
Maria que hoje se ausenta
Permanecendo mais viva
Mais próxima do que antes fora
Maria de Virgílio!
Maria dos filhos!
Maria das memórias!
Maria de Deus!
Wanderlúcia Welerson Sott Meyer
Publicado no Recanto das Letras em 06/11/2010
Código do texto: T2600468