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Sina feminina



Tão entregue como animal adestrado, conformara-se com a vida, com o pouco, com a lida. Entregara-lhe o melhor de si. Tantos anos, tantos prantos, tanta sensibilidade adormecida.
A mulher quando se casa, entrega uma parte da vida; entrega cega, imperceptível; sabotagem silenciosa que a faz seguir caminhos inesperados. Mesmo aquela que por príncipes não espera, adormece ao entregar-se ao outro, aos outros...
Tão esquecida de si, tão entorpecida em seus sonhos, tão condicionada a doar, tão demagogicamente contextualizada no nada.
Crescera em uma rigidez quase absurda. Para ser feliz, sentir-se feliz, deveria ser agradável aos homens... Servir, sorrir e jamais se queixar...”Homens não gostam de mulheres que se queixam, que falam demais... homens não gostam!”
Pensava... O que realmente lhe importava? Agradar a si ou ao outro? Por que deveria calar-se?
Onde sufocaria tantas dúvidas, tantos argumentos, tantos desejos?
Era Vida o que queria e não era necessário muito!
E agora que se submetera sem murmurar? Havia sabotado todos os seus sonhos, não mais se sentia senhora de si.
A mulher ao casar-se, sofre uma espécie de embotamento. Tudo passa a ser mais importante, tudo está acima de seus anseios... E é um processo natural, tão bem estruturado que quando se dá conta encontra-se diluída em um contexto que não a inclui. Passa a ser coadjuvante de si mesma, protagonista de uma tragédia pessoal.

Wanderlúcia Welerson Sott Meyer

Gratidão

Certezas de Amor

Estavas ali, sempre estivestes.

Não era matéria palpável

Nem ilusão temporária

Fazia parte dos dias

Desde sempre...

Um alento nos momentos de dor

Uma esperança de amor

Visitava-me nos sonhos

Acariciava-me o rosto

Registrava-se a presença

Partia...

Permanecia a sensação do encontro

Serenidade pretendida

Essência de sentimentos duradouros

Suavidade que se sente

Tal brisa suave tocando o corpo

Indivisível êxtase

Emoções desejadas

Puras, intensas

Tradução apropriada de Amor!

Amor maduro

Será preciso tempo para regenerar as lesões provocadas pelo desvario dos sentimentos. Não é possível afirmar se era amor de fato. Serviu como alento enquanto próximo estava. Agora, que apreende e absorve palavras proferidas sem nenhum compromisso estreito com a verdade, analisando frases soltas e atitudes contraditórias, percebe-se claramente a ineficiência das palavras que não condizem com a verdade. Realidade tão intensa quanto a fugacidade dos anseios de porvir. Confia cegamente na maturidade que se adquire, grata pelo aprendizado rápido e eficaz de que o amor, de fato, só existe nos atropelos da convivência, no encontro dos desajustes, no sentir mesmo nas turbulências, na expressão de respeito pelo que se é. Constância inconstante de emoções indefinidas e necessárias. Amadurecimento vagaroso determinado por momentos de desordem interna e externa. Cumplicidade que se expressa apesar dos enigmas e contradições de seres opostos que jamais se completam, apenas evoluem entre possíveis …

Caminhos dicotômicos

Não lhe diria verdades, nunca as conheci. Tampouco desfecharia os inúmeros sonhos inconclusos que permaneceram latentes enquanto pensávamos estar no caminho. Nunca saberíamos se as estradas que escolhemos e as trajetórias que fizemos foram realmente escolhas. De fato, pouco valeria lastimar e fazer conjecturas. Basta-me a realidade detectada pela pupila dos olhos teus e meus, sentida na pele como distante toque etéreo. Adormecida, enquanto em vigília presumes e anseias o que jamais viverás. Reformulas vontades, despertando sorrisos que se encontram longe de ser o que desejas. Não seria lamento, apenas dúvida, suspeita de equívocos... Desconfiança de que, se os caminhos não fossem bifurcados e dicotômicos, se os desejos não fossem imaturos, ainda estarias ao meu lado.
Wanderlúcia Welerson Sott Meyer