29 de nov de 2010

Saudades

Saudade não tem cor!
De tão vaga e vazia é transparente, úmida e antiutópica.
Só existe quando dimensões de momentos de sua história, temporais e demarcados, não se perdem na memória.
Saudade tem cheiro, gosto...
Saudade...
Incolor, só pode ser incorporada ao cerrar os olhos, mesmo que em vigília.
Translúcida, permite-se vagar...
Fatos transcorridos, pouco vividos onde não nos damos conta que a desordem interna impediu-nos a intensidade.
Fragmentos...
Lamentos...
O que poderia ter sido?
Reaparece intermitentemente, obstruindo a racionalização do momento que, se vivo, renova-se interiormente a trajetória biográfica em transe.
Rapto de fatos e relatos...
Heranças, ficções e realidades parodiadas hora pela utopia, hora pela dor.
Memórias exiladas!
Vêm à tona, invadem e assustam como se a outro pertencessem.
Biográfica, histórica e mitológica...
Saudade...