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Tradução poética

Tradução poética A alegria de um poema é a estética Tão ética quanto à junção de palavras Entrelaçando-se Para falar do que todo mundo sente Mas, não expressa Por pura pressa. Roubam-se pensamentos, sentimentos Imagens transformadas a força dos ventos Em lamento, saudade, amor e viagem. A alegria da arte invade por toda parte Puros desejos que ardem Se ainda existissem desejos ardentes Que pudessem ser puros A alegria da poética é libertar-se em expressão Tão próxima a utopia Tão necessária como se conduzia Jamais vazia A alegria do poeta é expandir-se em palavras Oferecendo-nos significados Não ao acaso Sentimentos pausados Ardentes, insanos Agem lentamente a favor do tempo. Alegria de sentir-se tão próximo de si Tão distante de quem lê Expressando como por encanto O indivisível Ser. Wanderlúcia Welerson Sott Meyer

Recordações

Em prece me disponho é enumerar as bençãos que tenho recebido nesta existência. Me recordo da infância, do carinho...amor incondicional que recebia, todas às vezes que chorando, corria para o colo seguro das pessoas que me amavam... São lembranças felizes de puro aprendizado. Recordo-me das vezes em que me ajoelhei para rezar o terço com minha avó. Das lágrimas que ficaram presas em seus olhos, enquanto aceitava corajosamente a vontade de Deus. Lembro-me das gargalhadas do meu avó que nasciam de dentro. Seu jeito culto e inteligente de vislumbrar a vida. Quando algo acontecia, ele dizia : “podia ser pior”.Na época eram só palavras...hoje, sei que tudo realmente pode ser pior. Cada um, na sua forma de amar, transmitindo o que seria necessário. Aprendi a ver a vida com os olhos do amor! A amar verdadeiramente meu semelhante, a me importar com as pessoas, a sofrer junto e enxugar lágrimas, a ouvir, analisar, ponderar o que for preciso e a ter fé. Essa última, me serve de ...

Sóbria

Basta-me a tradução de uma dor,  Para que todas as outras cresçam como ervas daninhas.  Destituindo todas as esperanças que ainda possuo. Viver sombriamente por detrás dos desencantos.  Desvencilhar da felicidade que almejo,  Abdicar, como uma falsa heroína dos sonhos Que de tão simples tornaram-se inatingíveis Wanderlúcia Welerson Sott Meyer Publicado no Recanto das Letras em 27/04/2011 Código do texto: T2934686

Ressurgir

Ressurgir... Quando Jesus se colocou entre nós, nos deu a primeira grande demonstração do seu Amor! Crescendo entre os homens, ofereceu-nos a receita para que pudéssemos evoluir. Quando morreu, através da insanidade e desejo de poder dos homens, nos deu a vida para que compreendêssemos a grandiosidade de sua doação. Quando “ressuscitou”, apresentando-se eterno, nos ofereceu a lição do Amor Maior, a continuidade da vida, o renascimento em Cristo! Deus nos oportunizou a convivência e os ensinamentos necessários através de Jesus... Milênios depois, ainda nos encontramos distantes daquele amor que já deveríamos ter aprendido. Mas, continuamos a nos sentir verdadeiramente amados por Deus, que diariamente, nos convida a RECOMEÇAR, RENASCER... Wanderlúcia Welerson Sott Meyer Publicado no Recanto das Letras Código do texto: T907558

Belo

É manhã, O Sol aquece minha alma O tempo pede calma Incoerência exercida pelo desejo Esperanças de tudo que almejo Ilusões que nascem como um lampejo O vejo onde não te encontras Como a inconstância das ondas Limito-me a dizer que sondas O que acalenta meu coração Não pressuponhas o que sabes Entrego-me em verdade A tudo o que não me cabe Só para poder ter saudade Despertando-me a certeza De que a tua beleza Encontra-se em teu coração. Wanderlúcia Welerson Sott Meyer Publicado no Recanto das Letras em 20/04/2011 Código do texto: T2919865

Não demore...

 Venha e traga consigo a alegria que perdi Faça-me sorrir,  Desperte-me com um beijo Não me fale seus desejos,  Deixe que os adivinhe Intuitivamente perceba a maturidade que procuro Lentamente desperte a alegria que adormece Venha e remova meus sonhos Deixe-os livres,  Soltos o suficiente para provocar rumores Não por serem vis, provocar rubores... Traduzidos no teu olhar,  São sinônimos de magia Rompem paradigmas,  Levitam leves induzidos pelo vento Venha antes que o tempo me leve Envolvida estou e me entrego É o tempo que não espera,  A ausência que exaspera E tudo o que se aspira... É que venhas! Devolvendo-me a quimera. Wanderlúcia Welerson Sott Meyer Publicado no Recanto das Letras em 12/04/2011 Código do texto: T2904792

Reencontro de almas

Essa noite meu espírito foi ao encontro do seu. Faz tanto tempo que fisicamente nos afastamos Ainda assim, em dias inesperados e noites de saudade, Minha alma busca a sua... Penso ser uma estranha cumplicidade. Já não creio em amor eterno... Realmente, se analisarmos pelo prisma da eternidade, Seria depositar em uma só pessoa todos os meus sonhos... Pequeno demais para quem muito anseia. Visualizo diferenças onde via um só caminho... Minha alma ainda pede presença, Tanto que ainda perco o raciocínio Quando penso em especificamente em você. As lembranças, apesar de distantes... Hora se tornam tão presentes que, confunde-se com a realidade. Consumida por um sentimento absurdo de passado, Vago... Tentando entender o que inexplicavelmente incomoda, Justificando meus sentimentos e pensamentos Sobrevivendo às tempestades que me reserva à lida... Tudo em vida reporta-me aos momentos que passamos,   Palavras ditas e sentidas, Longas dores ...

Oferta de vida

Há tempos em que é impossível olhar o espelho e ver o sorriso. A alma chora e, o choro transborda todas as mágoas, dores e recalques que vivenciamos. Atordoados pelo medo nos fechamos em pensamentos que pouco edificam e, nos transformamos em poços de amargura, insustentáveis e temerosos. Até nos dispormos a observar o movimento contínuo da vida e a evolução oferecida pela natureza, que nada nos pede, ofertando-nos diariamente o recomeço e a renovação, permitimos que o pessimismo e a lamentação tornem-se senhores de toda nossa existência. É preciso observar que em meio às catástrofes a natureza, sabiamente, continua a produzir sementes que germinam, à fecundação contínua da vida, frutos que nos são oferecidos gratuitamente e belezas que sempre despertam o melhor de nós. Lembram-nos que a vida é contínua, eterna e que por mais prejuízos que tenhamos causado à natureza... Os pássaros continuam cantando, as árvores florindo, as flores aromatizando e produzindo paisagens de rara belez...

Amor

O Amor, sentimento absolutamente necessário, movimenta, de maneira sábia todas as vertentes e caminhos da vida. Se encontra em tudo, mesmo nos sentimentos mais confusos.  Sua abstração, quase sempre nos leva a confundi-lo com o desejo, a paixão. Se intenso, descontrola-se, adoece, podendo se transformar em ódio. O ódio é o amor doente, descontrolado, transtornado. Para viver um grande Amor, faz-se necessário o equilíbrio, a com “paixão, a misericórdia. Para viver um grande Amor, é preciso humildade (húmus), ter os pés no chão, na terra. Quem se diz acima, não Ama o outro, somente a si mesmo. Quem se diz abaixo, perde a auto-estima e, portanto, o Amor. “ A humildade te põe grande diante da grandeza de Deus “ E, portanto, grande diante do Amor! A lição já aprendemos há milênios... É preciso aprender DE COR... DE CORAÇÃO!  Wanderlúcia Welerson Sott Meyer

Felicidade

Grito em silencio o que sufoca Jamais verei a vida como querem Sou a contradição de tudo o que me disseram ser Transgressão saudável Procuro a utopia aonde só percebem a realidade Amo incondicionalmente Vivo intensamente Seguirei sentindo... De sentimentos sou essência Sentir é o que sustenta Nada que me digam Pode substituir a força de vida Por vida... Seguindo instintos Intuições, percepções O limite do que denominam insanidade É o desejo de vida! De alegria! Exponham-me motivos para não ser Afirmarei o que não creem Sonharei o que não veem Confessarei que sou feliz! Wanderlúcia Welerson Sott Meyer Publicado no Recanto das Letras em 26/03/2011 Código do texto: T2871533

Falando de amor

  O amor é a serenidade que se adquire sem que se perceba. Tão leve quanto o beijo de um pássaro em delicada flor. Sublime entrega que se faz sem restrições, só por amor. Doce sabor que alimenta e renova a vida. O amor não dói, maltrata ou persegue. É de sua natureza o desapego. Doa-se apenas, sem esperar em troca. O que se pensa ter sem medo. Há no amor o encanto. Princípio e fim de todo pranto. Nos olhos, o brilho que traduz o que lhe vem à alma. No toque a suavidade que acalma. Wanderlúcia Welerson Sott Meyer Publicado no Recanto das Letras em 25/01/2010 Código do texto: T2049752

Pensando...

Fogem-me as palavras, assim como deveriam fugir as lembranças. Há tanto a ser feito e, tropeço nas pedras que se impõem imaginariamente no caminho. Dentre todas as perdas, restou-me a esperança. Sentimentos confusos e difusos que não me permitem à liberdade. Vazios que precisam ser preenchidos, verdades que necessitam serem reinventadas, emoções ambíguas, coração contundido, pensamentos que verdadeiramente me perturbam. Aparente calma de quem muito anseia. Wanderlúcia Welerson Sott Meyer Publicado no Recanto das Letras em 20/03/2011

Floresça aonde for plantado

Há lotes vagos perto de minha casa que em determinadas épocas transformam-se em belos canteiros de flores. A diversidade das cores me encanta, mas, o que mais me chama a atenção é a generosidade da natureza. Ninguém as semeou ou cultivou e, lá estão elas,exalando gratuitamente perfumes e aromas, enchendo-nos os olhos pela beleza natural que se impõe. Enquanto caminho, observo que pássaros e insetos aproveitam para construir seus ninhos, sugar o néctar das singelas e belas flores e o colorido das mesmas, é uma paisagem indescritível. Fico imaginando quantas pessoas passam por ali e quantas se oferecem a visão de tamanha beleza. Há paisagens que só podem ser observadas com os olhos do amor. A simplicidade, muita das vezes não é vista. O que nos é oferecido gratuitamente, pode passar sem ser percebido e sentido. Assim como a vida... Muitos momentos de real significado são, ocasionalmente, negligenciados. Lamentos futuros nada acrescentam. Importa dar significado e importância ao q...

Olhar

Apenas olhe... Observe o que a pressa oculta Agradeça o que recebes sem perceber Olhe para si... Dentro de ti... Veja-se com os olhos do amor Aprendendo a si perdoar Amando-se como Ser único Originado pelo Senhor da Vida! Tens somente um único objetivo Amar... Todos dos outros vinculam-se ao amor! Olhe... Perceba-se... Aceite-se... Caminhe... Mesmo que demore Chore... Siga... Como à natureza se renova Mesmo que não percebas Há sempre Luz Para os que avistam Com os olhos da alma! Wanderlúcia Welerson Sott Meyer Publicado no Recanto das Letras em 17/03/2011 Código do texto: T2853007

Aos poetas...

      “Haller é uma animal que vagava por um mundo que para ele era estranho e incompreensível, um animal que não conseguia mais achar a sua casa, sua paixão e o seu alimento (...). Aqueles que não têm um lobo dentro de si, não são por essa razão mais felizes.” Hermann Hesser (O lobo da estepe). Poetas são Hallers. Estranham o mundo e as sensações incompreensíveis que lhes são oferecidas. Um estranhamento incômodo, que por vezes, causa-lhes dores internas. O simples, que de banal, torna-se complexo. Ou o complexo, que de inatingível, transmuta-se em desejo. Não conseguem reconhecer sua casa, um interior farto de dúvidas, desconhecido, apesar de explorado, que quase sempre os coloca diante de situações indesejadas, imprecisas e incompreensíveis. Vivenciam inúmeras paixões que os conduzem a situações inusitadas, diferentes das verdades e certezas estreitas dos homens. Vagam, ainda que presos às convenções, entre pensamentos e inquietudes descabidas e secretas,...

Transgredindo com sabedoria

Entre estações e ilusões permitimos que nossas transgressões fiquem encobertas. Nem seriam violações se as tratássemos como deslizes necessários à nossa evolução. Temos momentos de dúvidas, dores e mágoas. Importa mesmo que esses momentos, tão nossos, se tornem realmente nossos e não transformem as vidas dos que nos rodeiam em martírio. Introduzir culpas em outras pessoas que apenas a nós nos cabem, calarmos quando, poderíamos com sabedoria, dizer o que nos aflige. Agredir espontaneamente e sem nenhum motivo, é agravar ainda mais o sofrimento, espalhando negatividade e pessimismo sem nenhuma objetividade ou proveito. Wanderlúcia Welerson Sott Meyer Publicado no Recanto das Letras em 14/03/2011 Código do texto: T2846855

Mulher

Amar sem medida, sintonia fina de mulher que entrega Sonega sua própria alma, entrega-se a lida Vê-se perdida em desejos que não são teus. Tua desdita é perceber com o tempo Que não há uma trajetória sem lamento O que se confere é a vida, os sonhos, pensamentos. Aspirações perdidas nos anseios alheios Segmentadas e veladas Submersas e esquecidas Entrega sutil e delicada Onde quase o que se aspira é o nada. Descobrir-se mulher Confiando cegamente sua sina É fado desleal e traiçoeiro Traição infringida por si mesmo Transgressão alienada, perda a ermo. Mais forte é vier intensamente O que te cobra à vida interiormente! Paz, alegria, sem sanções! Desejos que cobertos de razões Precisam ser vividos densamente Nos cálidos e ardentes corações Minam sentimentos e emoções Florindo-se desertos antes áridos A força da mulher Os deixam pálidos! Wanderlúcia Welerson Sott Meyer Publicado no Recanto das Letras em 07/03/2011 Código do texto: T2834066

Carnaval

Do colorido e exuberância da fantasia que reluz A alta melodia que traduz lembranças e histórias Vagam nas avenidas, almas que se tomam de ilusões Tão passageiras e rápidas como a velocidade da luz Iluminando a passarela de sonhos “Infinitos enquanto durem” Caminham... Sambam... Dançam como podem! Três dias infinitamente dedicados a sorrisos Embriagados por alucinações e alegrias Tão efêmeras e provisórias Quase necessárias... Para que a dor adormecida Seja esquecida temporariamente! Wanderlúcia Welerson Sott Meyer Publicado no Recanto das Letras em 06/03/2011 Código do texto: T2832070

Subversão feminina

Manhã calma, frio e úmido frio que envolve a pele, não sem viço, mas, já definida pelas marcas do tempo. Alma de muitos sonhos, nem todos foram... Mas, sobrevivem, embora submersos as ofuscadas névoas, perdidas... Estrada afora. O caminhar tornou-se tão seguro que a ponderação sobressai à voluntariosa vontade de viver. Houve um tempo em que era mais fácil sentir e tudo o que se queria era ser feliz enquanto durasse... Do pouco de se ter, do muito de se Ser! Houve um tempo em que a entrega era absoluta... Corpo, alma, sentimentos! Tempo de raciocínio uno, família, trabalho, casa... mulher! Houve um tempo que parecia que a confiança era a opção absoluta, esquecendo-se para viver pelo e para o outro. Engano... Sempre que se vive sem viver-se... A Luz que antes iluminava o caminho torna-se somente foco. O brilho e o esplendor, esses são roubados sutilmente... Dá-se o equívoco pensando-se ser apropriada a entrega absoluta. Acordar demanda dor, certa agonia que se instaura repelindo o que...

Há muito a se viver!

Quando insistentes lágrimas deixarem de molhar o rosto, permitindo que a maquiagem dos olhos seja dissolvida lentamente e, aquele brilho, antes úmido, voltar a ser translúcido, límpido e capaz de iluminar o mundo, é chegada à hora de caminhar, por enquanto, consinta apenas que o coração sofra, que doa, chore... A perda, a desconfiança, a entrega cega, a lenta e interminável culpa que nunca deveria ter sentido. Permita-se o luto, até o novo despertar da vida! Mas, não demore... O tempo passa rápido, célere e ligeiro. Há muito a se viver!  Wanderlúcia Welerson Sott Meyer  Publicado no Recanto das Letras em 28/02/2011 Código do texto: T2820450