14 de mar de 2011

Aos poetas...



     “Haller é uma animal que vagava por um mundo que para ele era estranho e incompreensível, um animal que não conseguia mais achar a sua casa, sua paixão e o seu alimento (...). Aqueles que não têm um lobo dentro de si, não são por essa razão mais felizes.” Hermann Hesser (O lobo da estepe).
Poetas são Hallers. Estranham o mundo e as sensações incompreensíveis que lhes são oferecidas. Um estranhamento incômodo, que por vezes, causa-lhes dores internas. O simples, que de banal, torna-se complexo. Ou o complexo, que de inatingível, transmuta-se em desejo.
Não conseguem reconhecer sua casa, um interior farto de dúvidas, desconhecido, apesar de explorado, que quase sempre os coloca diante de situações indesejadas, imprecisas e incompreensíveis.
Vivenciam inúmeras paixões que os conduzem a situações inusitadas, diferentes das verdades e certezas estreitas dos homens. Vagam, ainda que presos às convenções, entre pensamentos e inquietudes descabidas e secretas, que poderiam surpreender o mundo. 
Têm como alimento a palavra, compreendida pelos corações sensíveis, despercebida pelo cotidiano atordoado que quem apenas passará pela vida.
Vivem... Hora lobos, nunca cordeiros!
Selvagens o suficiente para proclamar verdades que incomodam.
Sensíveis Amores, nunca impossíveis, talvez tardios...
Wanderlúcia Welerson Sott Meyer
Publicado no Recanto das Letras em 08/02/2010
Código do texto: T2076029