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Alma

Película fina como a que reveste a clara e densa camada translúcida que envolve o que de tão amarelo pode ser comparado ao brilho do Sol. Alma opressa, liberdade cerceada, asas partidas, coração envolto em couraça, tão firme e dura, tão incerta e insegura. Ocultando o brilho que reluziria assim que lhe restituíssem o livre-arbítrio. Há quem diga que se entregara por vontade, há quem saiba que quando a carência é fato, adentra-se em qualquer porta entreaberta. Wanderlúcia Welerson Sott Meyer Publicado no Recanto das Letras em 02/01/2011 Código do texto: T2705679

Amar, sentir e viver!

Não dá para relevar sentimentos Podemos disfarçá-los Canalizá-los para outros objetivos Desenvolver sintomas inexplicáveis Negá-los, omiti-los... Ensaiamos esquecimentos Insustentável conviver entre tantas turbulências Ocasionalmente sofremos Conduzem-nos à morte em vida Infelicidades enraizadas Ausência de coragem Situações e pessoas Que pensamos estar preservando Ninguém pode fazer feliz Se infeliz se encontra! Toneladas de lamentos Do que deveria ser... Do que se quer ser... Do que é preciso ser... Grosseiros ciclos viciosos Onde a vontade é a última Onde a verdade é asilada Veneno ingerido em doses  Imperceptíveis, generalizadas Nega-se à vida! Entregando-se a um lavor interminável Como se sentir errado fosse Como se amar fosse indevido Perda de idos e findos tempos Aonde resta no olhar a tristeza Frieza, descrença. Quem não se permite sentir Vive de “faz de conta” Tonta e remota alegria Perd...

Almas

Sua condição feminina consentia que os sentimentos permanecessem genuínos. No íntimo sabia justamente o que aspirava. Era tão pouco e, ao mesmo tempo, tão raro,  que a contradição entre o suficiente e o inconcebível despertavam-lhe vagas sensações de inapetência, substituídas pela necessidade de existir. Incansável busca de anseios que lhe permitiam revoar por entre paisagens e flores, sentindo-se acompanhada por outra alma que, de tão próxima e semelhante, parecia também ser sua. Ambas seguiam sem se aperceberem, trilhando a intuição imprecisa e segura de que esquadrinhavam a mesma trajetória. Haveriam de descobrir, mais tarde, que anelavam os mesmos desejos e que bastaria a entrega para que a descoberta da essência, do amor intrínseco que permeava a busca, fosse à congruência de sentimentos que sempre existiram. Wanderlúcia Welerson Sott Meyer Enviado por Wanderlúcia Welerson Sott Meyer em 16/01/2012 Código do texto: T3443625

Re-talhos

Cortes, Interrupções de vida Não paralisam Surgem... Em momentos inesperados Desestruturam O que se pensava estável Provocam rupturas Dolorosas e dolentes Impregnando de coragem Ou, estacionando... É opção. Retaliações... Envolvendo lágrimas Desapego Edificação Novos caminhos Tão imprevisível Quanto o término da vida. Tão fundamental Quanto buscar saídas Novos cortes, Recortes e contornos.

Amor nato

Esse amor já existia, estava ali, reservado. Sabia que a alguém pertencia. Ainda sentindo-se esquecido, sorria... Sabia que dia viria e, naturalmente, se ligaria a outros sonhos, sentimentos e flores. Nesse canteiro de amores que mais seria a soma de almas em plena primavera, a energia animaria a paisagem que se transfiguraria em flores, cores e aromas. Esse amor já existia e, seria amor, porque seria eterno. Acrescentando temperos de afeto, que correspondiam a desejos tão sutis, quanto à ação das águas de um riacho que altera seu curso com o passar dos anos. Esse amor que agora flui como filete d’água límpida de nascente, tornar-nos crentes que será um evidente. Esse amor, que apossa... Mesmo que não se tencione, é imperioso sentir Wanderlúcia Welerson Sott Meyer Enviado por Wanderlúcia Welerson Sott Meyer em 08/01/2012 Código do texto: T3429191

Saudades

De tanto sentir saudade, detendo pensamentos no que poderia ter sido, lastima-se as direções opostas do que, inevitavelmente, deveria estar próximo. Existem histórias que, deixam marcas profundas, tornam-se inesquecíveis. Vazios impossíveis que jamais serão preenchidos. Vidas inconclusas, sonhos que naufragam entre ilusões e desejos. Olhar distante, com uma sensação de incompletude que inquieta a alma. Sonhos que envolvem vontades enigmáticas. Movimento ondulatório que mantém a alma opressa e encarcerada ao passado. Wanderlúcia Welerson Sott Meyer Código do texto: T3420665

Poemaramar

Esse jeito de simples de fazer das palavras teias de sentimentos quase esquecidos, de encontrar na imagem irreverência, graça e, traduzi-la sem propósito, alojando verbos, instalando dúvidas, provocando desconfortos, exaltando o belo. Esse jeito de dizer o que sente descrevendo um pouco de tudo no todo que antes de ser revelado nenhum significado apresentava. Jeito de quem se ausenta de si para doar ao outro, palavras. Entusiasmo de quem quer mais do que posses, matérias e domínios. Jeito que se encanta com o que quase ninguém percebe. Que delira quando as saídas são poucas e, mesmo nas mais atrozes adversidades... Idealiza e sonha. Jeito que sustenta, alimenta, construindo escritos que revelam a alma. Silêncio que acalma, permite, libera e remata verdades que nunca são exatas.  Wanderlúcia Welerson Sott Meyer Enviado por Wanderlúcia Welerson Sott Meyer em 02/01/2012 Código do texto: T3418815

Vir a Ser...

Entre o ruidoso barulho da tempestade que destrói abrigos, derruba árvores, adiando sonhos, convertendo estabilidades, há uma rosa... erguida, apesar da força dos ventos. A tempestade passará, transmitirá uma sensação de impotência, uma visão distorcida de uma realidade imutável.  Contudo, o esplendor da rosa permanecerá pelo tempo necessário, ensinando que, apesar das adversidades, a vida, luz própria oferecida gratuitamente, só se apaga se permitimos. Desordens desencobrem a aparente estagnação e impõe mudanças necessárias. Wanderlúcia Welerson Sott Meyer

Sintomas de saudades

Olhar aleatório Pensamento disperso Sentimentos sem nexo Vontade contida Lágrimas sentidas Imagens distorcidas Emoção reprimida Dores instauradas Lembranças veladas Razão induzida Cicatrizes irrompidas

Amor em mim

Vive dentro de mim uma mulher que sonha. Não se importa com os “nãos” ditos e omissos, Não se incomoda com portas que não se abrem Atira-se de penhascos na certeza de que será amparada pelos ventos. Vive dentro de mim uma mulher mãe... Em silêncio ela observa seus filhos, Mais tarde, serão filhos do mundo, Orgulhosamente crescem física e interiormente. Pequenos sábios que ensinam a  viver.  Vive dentro de mim uma mulher que se entregou a lida, Acumulou tarefas, Subverteu seus desejos E que pensou ter se perdido. Vive dentro de mim uma mulher menina Recusa a acreditar nas impossibilidades Hora encara a vida com a seriedade que o momento lhe pede, Hora sonha perdidamente Entre segredos e desejos somente seus. Wanderlúcia Welerson Sott Meyer

Natureza

2012 - Esperança

Aqui me encontro buscando formular metas para mais um ano de vida. Não precisam ser grandes e ambiciosas, nem extremamente idealistas e utópicas, numerosas e desmedidas, mas, devem ser minhas. No esforço de investir em sonhos, desejos e prioridades, estabeleço no papel anseios e aspirações de vida plena. Não me disponho a pensar no que deixei de fazer, se cumpri tudo o que me propus, quanta energia investi, basta constatar que nada foi em vão e, se nem todas as metas do ano que passou (e ainda passa, porque ainda faltam dias de vida para o término) foram realizadas, não fiquei estacionada esperando da vida milagres sem nada fazer. Dentro das possibilidades oferecidas reformulei conceitos, redirecionei caminhos, fiz opções e, mesmo que tenha cometido equívocos os incorporei às experiências que edificam. Chorei muito, mudanças possibilitaram-me reflexões e recomeço. Imaginamo-nos senhores do destino e, em momentos inesperados nos deparamos com situações imprevisíveis, destinadas ao ex...

Naturalmente

As flores do jardim renovam a esperança Rosa rubra que, apesar das tempestades Estabelece-se, esperando a generosidade do olhar Palmas que germinam, em breve, flores Pássaros que desfrutam dos galhos, ramos e sementes. Melodias imperceptíveis à insensibilidade Ainda é primavera... O coração espera nova era Esperança vertida em lágrimas Umedecendo e fertilizando o caminho Desmistificando sentimentos Desvendando mistérios interiores Espera... Há vida a quem se supera Segue fecunda... A natureza aguarda o despertar dos olhos Ofertando sons, melodia, flores Sem pedir em troca graças e favores.

Silêncio

É no silêncio que me encontro quando penso ter dito quase tudo Não há uma só palavra que possa traduzir o vácuo Nutrindo ilusões que não mais existem Ser incompleto, veemente busca de si mesmo Expressão e confissão disfarçadas em sorrisos Conciso sumário de denso conteúdo interno Parvo pensamento sem lamento De onde germina tanto sentimento?

Refletindo a vida...

Um dia terei que partir, é natural... Todos irão. As perdas são sempre dolorosas, como se estivessem levando também pedaços de história, partes nossas. A morte não me causa espanto ou medo, mas, reflexões profundas sobre a vida. Do que deveríamos dizer, dos abraços que deixamos de distribuir, dos momentos que legamos ao descaso, do que poderia ter sido, do que jamais será... Encontro-me em profunda melancolia, não é desânimo, nem depressão instaurada, reflito e reflexiono a vida em um momento onde repenso a necessidade de me doar mais ao mundo, aos sonhos, aos desejos... Acasos não existem, mas, descasos são constantes. Vivemos parcialmente o que precisaríamos valorizar integralmente, permitimos que pessoas e ocasiões se percam sem lhes oferecermos a devida importância e, quando a vida nos responde com perdas, desorganizamos os sentimentos que pensávamos refletir estabilidade, permitindo-nos a queixa infundada. Toda queixa é infundada, sem razão. Na verdade somos responsáveis pelas c...

Sou mineira

Mineira, é o que sou! Dessas de família tradicional, famílias que parecem não ter fim! Que ensinam valores, que imprimem marcas definitivas em nossas personalidades, que nos valem anos de terapia por nos ensinarem a ser tronco, esteio, braúna. Mineira é o que sou! E sinto falta do abraço fraterno, do sorriso muita das vezes desdentado, das casas simples, construção sem viga. De ser recebida como visita, tomar café com rapadura, comer broa de fubá com erva doce e queijo... Claro, queijo mineiro (verde ou curado, o que importa é que seja de Minas). Sou das Minas Gerais! Terra de montanhas, interior, roça, sítio, fazenda. Do café (que quando vem à florada, parece neve brotando no cafezal), terra de gente que fala diferente, mas, que diz o que pensa. Terra de braços abertos, coração quente, esperteza ingênua de um povo que acredita no futuro. Terra simples e gigante, onde a naturalidade prevalece, cresce e invade com discrição e vontade. De gente que não espera... Cria, transforma e a...

Saudades

Tons, sons, odores e lembranças A saudade instaura-se como recordação Passados não passam quando o que se tem é alegria Impossível revivê-los, Senti-los, inevitável... Onde os pequenos sonhos? Ingênuos anseios Crédulos desejos Passos, ilusoriamente, livres Abraços que foram absorvidos pela existência Sorrisos francos e ternos Momentos lúcidos e luminosos Pessoas que não mais verei Diálogos amigos Acolhimento da escuta atenta, desinteressada Presença certa Aceitação franca e generosa Ecoando sentimentos definitivos e eternos Saudade... Da simplicidade de vida Distante, perdida Que hora é necessidade preeminente Condição de vida! Saudade... Que se encontra agora no presente Como fórmula do que se almeja Simples, francos, ternos, eternos momentos Onde o que prevalece é o sentimento Ágape amor que importa Lucidez de quem crê Que vale mais o Ser! Wanderlúcia Welerson Sott Meyer

Contradição poética

É o frio na pele, geada na alma. Nada que perturbe, pede calma... Tempo de continuar rompendo entranhas Percepções estranhas Obra inacabada de si Rastros do que permitiu partir Flores nas janelas Pássaros entre elas Montanhas lembrando-me obstáculos Céu abrindo-se em espetáculo Dor incômoda e sutil Vontade ardente e fértil Segmentos de reta inacabada Erros na estrada Obra em construção Momento de adoração. Poesia em plena contradição. Wanderlúcia Welerson Sott Meyer em 16/11/2011 Código do texto: T3338750

Auxílio significativo

Para refletir... Temos que saber distinguir, separar o joio do trigo. Uma atitude sábia diante da vida, que nos conduz a uma percepção interna mais coerente com nossos desejos. Assinalar o que nos pertence, separar o que conduzimos e verbalizamos, mas, que não faz parte de nossa essência. O querem de nós e o que realmente nos cabe como possibilidade e caminho. As intenções e opiniões só nos servem à reflexão. E quem quer que seja, por mais bem intencionado, não pode pretender ter respostas para situações que não lhes dizem respeito. Não há como viver ou entender uma experiência se ela não nos compete. Há momentos em que apenas o colo, o carinho, a amizade sincera e o ouvir são os únicos indispensáveis ao coração que sofre. Quando julgamos, afastamos. Quando inferimos, nos tornamos co-responsáveis, sem sermos, de situações que só podem ser solucionadas e resolvidas pelo outro. Não é omissão, mas, uma postura ética diante da vida que transforma nossas i...

Vida

Encontra-se tomada pelo tempo que lhe dispensa vida Contradições visíveis que despertam medo Enganos e engodos, beco sem saída Arremedo de dores acumuladas Versões, resquícios e resíduos Sobras do que um dia fora Moldada, burilada e lapidada Brilho! Encantos de encontros inesquecíveis Pessoas falíveis Almas sensíveis Violadas e escassas Aprende-se! Wanderlúcia Welerson Sott Meyer