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A VIDA NÃO PARA ENQUANTO VOCÊ LAMENTA

      Não é possível entender todos os desígnios de Deus para nossa jornada evolutiva. Travamos batalhas internas, desbravamos caminhos. Desgastamo-nos, lamentamos imprecisas dores e, quando nos damos conta, eis que sabiamente, a vida nos permite e determina o lugar necessário. A situação inusitada que tanto repudiamos e que, no entanto, torna-se imprescindível.      Um erro de outrem, milhares de esforços para que tudo volte a ser como antes e, a impotência diante do que queremos e o que podemos.      Certamente, muitas vozes, minimizam nossas dores, na busca do consolo que só pode existir, dentro de nós mesmos. E nos deparamos assim... Rompendo novamente todas as entranhas para renascer. Para permitir a vida, instituir a alegria onde antes só se via dor e cansaço!                                           ...

ESQUEÇA

É fogo o que queima. É perda para que os ganhos anteriores continuem a existir. É fato se contrapondo ao desejo É medo. O que poderia ter sido, não será. O que deveria ter dito, cala-se. Segrego que se carrega ao túmulo. Não se faz necessário perder o corpo Para a extinção da vida. Basta que se tenha em mente o dever. Sobreposição ao prazer. É ninho, reclusão injusta. É luta. É ato afastar-se o tato. É saudade. O que agora invade Senão é dor, Nomeie É justo que o mundo siga. É lida. É fato que o sonho adormeça. Esqueça! Wanderlúcia Welerson Sott Meyer Publicado no Recanto das Letras em 21/03/2010 Código do texto: T2151085

De quantos sonhos se faz uma vida?

Adormecidas ficaram todas as ilusões da infância. E quais seriam esses devaneios Senão o desejo de felicidade? Eram poucos, porque pouco conhecia. Acreditava em uma alegria descomplicada Onde o material residia em outro plano. Há ventura? Descoberta de novas brincadeiras. Amigos e travessuras Um mundo tão próprio Que merecia ser personalizado. Era despertar, descobrindo. Adormecer, imaginando. Viver, brincando! Brincando de sentir. Brincando de esperar. Brincando com as dores que não percebia. E crescia... O jogo, a boneca, a pipa. Mas, o mundo pedia: Cresça! E sonhava... Como se desejasse adolescer Presumindo não enrijecer a alma. Quando criança não havia tempo, Nem drama, nem trama. Era o sentir, Ser... O dizer espontânea e simplesmente. O que sente... E vem a vida... Implacavelmente desperta. As lágrimas já não encontram colo. As dores passam a ser intensas. As ilusões... Essas, quando se dá conta... Perdem-se ...

Reflexão feminina

REFLEXÃO FEMININA      Sabendo-me mulher, feminina, com ares de menina. Longe de ser carente... presente, independente e envolvente. Educada rigidamente para servir amando, entre mulheres fortes demais para se libertarem sem culpa. Que me perdoem as feministas, nossa independência não passa de uma prisão de segurança máxima.      No discurso da igualdade, nos esquecemos de que biologicamente e psiquicamente somos diferentes. Sentimos, pensamos, falamos e agimos diversamente. Habilidades próprias, natureza enraizada. Negar a diferença seria como negar a essência. Instalar conflitos, não se permitindo Ser.         Nos momentos de reflexão e cansaço, onde a sobrecarga deixa vir à tona a fragilidade, questiono e investigo as perdas e ganhos que tivemos.     Perdas de identidade, submersas à ausência de afeto. De um lado, uma mulher plural que assume responsabilidades e deveres e acumula afazeres, dores e solidão...

Uma mulher especial!

Se me fiz mulher, humana, e mãe. Se me valorizam e admiram Se na vida encontrei meu espaço Vivenciei a fé. Atravessei barreiras quase intransponíveis Aprendi o sentido do amor Essência de vida e da vida! Foi porque me deste a vida! Recebeste-me em teu ventre. Aparaste minhas arestas Ensinaste-me a viver plenamente. Seus exemplos... Seu amor... A força que vertia de cada palavra. Cada gesto, Movimento que fazias Quando a vida lhe oferecia dores. Mãe, Mulher... A você meu respeito Amor incondicional e eterno. Terno... Gratidão de me saber ser quem sou Porque me amas! Porto seguro, colo... Alento para as dores... Tradução de força, fé e ânimo. Consola com os olhos Orienta, calma e sutilmente. Corrige sem reprimir A você... Todo o meu amor! Wanderlúcia Welerson Sott Meyer Publicado no Recanto das Letras em 08/03/2010 Código do texto: T2126268

EU QUERO AMAR...

Eu quero amar E no amor ser aceita Não doar mais do que recebo Não ser julgada pelo o que eu disser Somente e simplesmente amar Livre de preconceitos Desprendida de verdades Acolhida, tal como sou. Eu quero amar E no amor ser liberta Não ter que mentir para agradar Nem afirmar que gosto Se na verdade não quero. Só e felizmente amar! Como determina o Amor! E se me oferecerem o oposto Da simplicidade, da verdade, do Ser. Se não me aceitarem tal como sou Pedra bruta a ser polida com verdades e afetos Prefiro vagar procurando E enquanto busco Transformar o amor que em mim vive Em um mar coletivo de amizade Sentimento que conforta Cresce e multiplica!

Incertezas traduzidas em caminhos

Não há certezas...   Estamos todos a mercê do acaso. Hora nos sentimos no leme de nossas vidas. Outras, sentimo-nos conduzidos, e apesar de forçarmos a rota, o esforço é inútil. Seguimos a ermo em direção oposta. Adaptamos desejos e sonhos à jornada e, quando nos damos conta, eis que descobrimos que de fato esse era o curso. Quem sabe consumiríamos menos tempo e energia, nos sentiríamos menos cansados, se aceitássemos os fatos, permitindo-nos à direção dos ventos? Quem sabe poderíamos aprender mais, observando o movimento aleatório, nos sentido parte dele? Entregando-nos conscientes e não sem luta ao que nos oferece a Vida! Wanderlúcia Welerson Sott Meyer Publicado no Recanto das Letras em 05/03/2010 Código do texto: T2121139

Chuva dentro de mim

Chove lá fora e o barulho que escuto seria o mesmo que sairia de mim se lágrimas tivessem som. Há na chuva conceitos que permeiam a vida. Causam destruição quando excessivamente caem, trazem a renovação, a germinação e a história! Lá fora, posso sentir a dor de quem por ela sofreu e a alegria da natureza que já a esperava. Dentro de mim, a vida pede renovação e a dor ainda insiste em estacionar sentimentos que de tão reprimidos e negados têm a força de intensas tempestades que não deixariam pedra sobre pedra. Há lá fora o que ainda me falta. O grito, o basta, a liberdade dos pássaros que se recolhem, mas não sem vida, sem a esperança, sem a certeza que o dia de amanhã virá o renascer, o Sol. Há a nostalgia de não ter dito somente o necessário, de não ter separado delicadamente os sentimentos que tão bem conhecia, de não ter deixado ao acaso os que não me seriam valiosos, de não ter me permitido amar como se demanda a vida.      

Amadurecer sem endurecer

    Gostaria de crer que o amor é simples. Que as marcas, não nos deixam mágoas. Que as perdas, acrescentam anos. Que depois de se perder, seja lá o que ou quem se ame, nossos sentimentos acomodados pela dor, amadurecessem.      Gostaria de crer que depois de longos lutos, estaríamos prontos para fugir das armadilhas que nossos corações não veem. Não nos tornaríamos frios, mas, mais aptos a desvendar os caminhos das ilusões que nos traduzem somente dores.     Gostaria de crer no mundo, no humano, na sensibilidade das pessoas. Que ninguém fosse capaz de verbalizar engodos que ferem. Nem usassem de palavras que deveriam ser manifestadas para despertar o amor.      Gostaria de crer... Como dói perder toda essa confiança que antes me atirava à vida com um pássaro em voo pleno, jogando-se ao mundo, envolto aos estímulos e sensações que percebe lhe bastarem para recomeçar.     ...

LAMENTO

Lamento dizer que sobrevivo Que ao contrário do que parecia ser óbvio Ainda me encontro firme Que ao avesso das circunstâncias Estou viva! Não há barreiras intransponíveis Só nos cabe encontrar o caminho Lamento dizer que hoje me conheço Já não tenho medo Nesses obstáculos, fiz o meu possível. Dei o melhor de mim Não nos compete ver que deseja a lida Só me vale ser o que exige a vida! Wanderlúcia Welerson Sott Meyer Publicado no Recanto das Letras em 25/02/2010 Código do texto: T2106550

Ilusão

Erguem diante dos olhos, os tortos sonhos. Nada que possa ou deva ser constatado Há uma realidade refletida para poucos Ofuscaria a visão de quem imagina-se sensato. Wanderlúcia Welerson Sott Meyer Publicado no Recanto das Letras em 25/02/2010 Código do texto: T2106522

MORRER EM VIDA

Se pudéssemos direcionar sentimentos. Negá-los Esquecê-los, simplesmente... Se pudéssemos impedir os delírios Aniquilar anseios Inviabilizar o amor Se pudéssemos racionalizar desejos Cercados de certezas Verdades absolutas Se pudéssemos... Morreríamos em vida! Wanderlúcia Welerson Sott Meyer Publicado no Recanto das Letras em 24/02/2010 Código do texto: T2105998

FOTOGRAFIA

FOTOGRAFIA  Ali está alguém que sorrindo Não expressa o que sente Eternidades de momentos Jamais vividos! Wanderlúcia Welerson Sott Meyer Publicado no Recanto das Letras em 24/02/2010 Código do texto: T2106011

Canto da terra

Venho da terra Semente que germina Vive Rompe-se Desfragmenta-se. Sofre na pele Efeitos nem sempre “naturais” Interrompe-se Frutifica-se Irrompendo sabiamente A rigidez do solo Ergue-se em direção a Luz A mercê dos ventos Tempestades Tormentas Insatisfações e buscas. Wanderlúcia Welerson Sott Meyer Publicado no Recanto das Letras em 24/02/2010 Código do texto: T2105990

O AMOR

O Amor, sentimento absolutamente necessário, movimenta , de maneira sábia todas as vertentes e caminhos da vida. Se encontra em tudo, mesmo nos sentimentos mais confusos. Sua abstração, quase sempre nos leva a confundi-lo com o desejo, a paixão. Se intenso, descontrola-se, adoece, podendo se transformar em ódio. O ódio é o amor doente, descontrolado, transtornado. Para viver um grande Amor , faz-se necessário o equilíbrio, a com"paixão, a misericórdia. Para viver um grande Amor, é preciso humildade(humus), ter os pés no chão, na terra. Quem se diz acima, não Ama o outro, somente a si mesmo. Quem se diz abaixo, perde a autoestima e, portanto, o Amor. "A humildade te põe grande diante da grandeza de Deus" E, portanto, grande diante do Amor!! A lição já aprendemos há milênios... É preciso aprender DE COR...DE CORAÇÃO!! Wanderlúcia Welerson Sott Meyer Publicado no Recanto das Letras em 08/11/2007 Código do texto: T728187

Amor e perda

“O que dói não é perder o ser amado, mas continuar a amá-lo mais do que nunca, mesmo irremediavelmente perdido.” J.D.Nasio                  Tão certo quanto amar, é ter tanta certeza de ser amado e deixar  ao acaso quem se ama. Não creio que o amor acabe, mas, sei que quando não há cultivo, trato e zelo... O Ser amado esvazia-se. Esse vazio é porta aberta à vinda de novos amores.                  Não há julgamento, apenas quem o deixa permite que o amor seja expandido... Doado a outro alguém. Wanderlúcia Welerson Sott Meyer Publicado no Recanto das Letras em 19/02/2010 Código do texto: T2095549

DESEJO

Corre na veia o desejo De que meu sangue No seu se perca Fusão de compassos cardíacos Tardio ou não. Confuso ou obtuso. Excluso. Corre no corpo o instante  Tornando-se eterno e findo Tão distante e errante  Quanto mudo. Literalmente sozinho. Sem ninho... Na espera que o caminho Mesmo que existam espinhos Torne-se seguro ao lado seu.     Wanderlúcia Welerson Sott Meyer Publicado no Recanto das Letras em 19/02/2010 Código do texto: T2095595

NECESSIDADE DE INCOMPREENSÃO DA ALMA

Posso ver e ouvir o mar Mas, tocando-o Esfria-me a alma. Há uma impossibilidade Intraduzível Impenetrável Dificílimo descrevê-lo. Como nós... Ouvimos Observamos Tocamos  Desejo de descoberta. Não há o que traduzir A alma humana  Mistério insondável Indescritível! Se a alguém fosse dado O direito de desvendá-la O encanto se perderia Submerso na fantasia Desconforto necessário De não saber!   Wanderlúcia Welerson Sott Meyer Publicado no Recanto das Letras em 19/02/2010 Código do texto: T2095636

PENSAMENTOS

A lembrança é sempre sinal que algo de muito bom nos marcou. A nostalgia, quando dolorosa, traduz sim a perda de momentos que deveriam ser vividos com maior intensidade. A questão é: enquanto presos ao que deveria ter sido, deixamos de viver o momento presente e, provavelmente, também estaremos lamentando futuramente. Mesmo que o tempo passe e a aparência já não nos encha os olhos, a sabedoria adquirida no caminho, nos preencherá o espírito.   Wanderlúcia Welerson Sott Meyer Publicado no Recanto das Letras em 20/02/2010 Código do texto: T2096986

PENSAMENTOS

Para uma tristeza Que de tão funda Instaura-se pela impossibilidade De ser quem se é... Estar com quem deseja... Desejar, Sem saber o quanto. Quantificar, Consumindo-se Em pensamentos vagos, Que difusos Confusos Esquecidos... Vêm à tona como lavas De um vulcão adormecido. Wanderlúcia Welerson Sott Meyer Publicado no Recanto das Letras em 20/02/2010 Código do texto: T2098389