8 de mar de 2010

Reflexão feminina


REFLEXÃO FEMININA
     Sabendo-me mulher, feminina, com ares de menina. Longe de ser carente... presente, independente e envolvente. Educada rigidamente para servir amando, entre mulheres fortes demais para se libertarem sem culpa. Que me perdoem as feministas, nossa independência não passa de uma prisão de segurança máxima.
     No discurso da igualdade, nos esquecemos de que biologicamente e psiquicamente somos diferentes. Sentimos, pensamos, falamos e agimos diversamente. Habilidades próprias, natureza enraizada. Negar a diferença seria como negar a essência. Instalar conflitos, não se permitindo Ser.
        Nos momentos de reflexão e cansaço, onde a sobrecarga deixa vir à tona a fragilidade, questiono e investigo as perdas e ganhos que tivemos.
    Perdas de identidade, submersas à ausência de afeto. De um lado, uma mulher plural que assume responsabilidades e deveres e acumula afazeres, dores e solidão. Do outro, homens também perdidos, antes mantenedores, senhores rígidos. Hoje, imersos em uma desordem de sentimentos. Tão confusos, que nem ao mesmo percebem a importância vital que têm na vida de uma mulher.
     Maturidade adormecida de ambos, que perderam o sentindo do relacionamento como aprendizado e crescimento mútuo.
       Nossas diferenças não deveriam nos servir de campos de batalha. Vivemos como se estivéssemos disputando espaço em um mundo onde existe o suficiente para todos. Ao romper um relacionamento, não deveríamos sentir ódio por quem tanto nos ensinou, afinal, que nos aponta defeitos, pode também nos proporcionar a evolução. São laços que criamos e, ao rompê-los poderíamos sair fortalecidos, na certeza de que fizemos nossa parte.
     Tenho consciência de que nada disso é muito fácil, aliás, sei o quanto é difícil, mas se abandonássemos as certezas e verdades que pensamos possuir, nos desarmando, permitindo-nos que a autenticidade, com serenidade e discernimento, tome posse de nossos sentimentos, poderíamos viver melhor e em harmonia, não desejando ser o que não somos, não acumulando mágoas desnecessárias. Uma utopia de amor, uma ilusão que me vincula a esperança de que chegará o dia em que, mais do que diferenças, seremos a soma, a totalidade e, que a sensatez nos permitirá ir de encontro ao outro destituídos de armaduras internas que nada acrescentam.
                              
                              
                

Wanderlúcia Welerson Sott Meyer
Publicado no Recanto das Letras em 08/03/2010
Código do texto: T2126383