3 de fev de 2010

Solidão necessária

          Era manhã, acordara tão cedo como começara a viver. O silêncio era o mesmo que existia há muito dentro de si, perdera muitas oportunidades de se livrar e, agora, tão habituada à solidão, não mais conseguia romper o casulo. Aprendera a ouvir os apelos dos pássaros que, pela manhã, agradeciam e reverenciavam um novo dia.


         Novo, porque não encontrava motivos para que se repetissem. Só se deseja o retorno do que se sente saudade e, para senti-la, é preciso que os momentos tenham deixado marcas significativas de contentamento. Novo, porque há muito se permitia desfazer dos nós deixados por relações onde as trocas pareciam não existir. Novo, sim! Finalmente e absolutamente novo, porque não mais se contentaria com a mesma paisagem, as mesmas tramas, os corriqueiros receios, o cuidar infinito sem retorno. Havia no silêncio todas as respostas. Algumas que, latentes, ardiam como verdades que não podem ser ditas. Outras que se encontravam em implosão, causando desconfortos e dores injustificáveis.


          Guardamos dentro de nós sentimentos que negamos por precisão ou conveniência.