6 de out de 2009

Inclusão

Acredito na Inclusão Escolar e, por conhecer um pouco sobre Baixa visão e cegueira, fui convidada para ministrar um curso de extensão na FADILESTE, em Reduto. Foram três finais de semana de muito trabalho, onde discutimos temas relacionados à inclusão social e educativa de alunos portadores de necessidades especiais, principalmente, aqueles que pela perda da visão total ou parcial, aprendem a “ver além do olhar”.
A inclusão, legalmente instituída desde 1989, caminha lentamente e está longe de poder ser considerada para todos. O preconceito e o desconhecimento ainda são maiores do que o reconhecimento do direito de cidadão dos portadores de necessidades especiais. Essa barreira só poderá ser rompida com atitudes como dos administradores da FADILESTE que além de nos convidar ao desenvolvimento do curso, também ofereceu os recursos necessários para o desenvolvimento do mesmo.
Um fato me chamou a atenção, através das discussões e estudos que aconteceram no evento, foi possível constatar a exclusão em que ainda se encontram os deficientes visuais. Não há cadastro do número de cegos e portadores de baixa visão em nossa região. Como se os mesmos não existissem. As associações e projetos que até desenvolvem trabalhos significativos com portadores de necessidades especiais, em sua maioria, classificam os deficientes visuais como portadores de deficiências múltiplas, o que acarreta falta de material e profissional habilitado para o aprendizado do Braille, da mobilidade e, da verdadeira inclusão social e educativa dos mesmos.
Minha experiência profissional me proporcionou o conhecimento e reconhecimento da relevância desse trabalho. Não há nada mais importante para o deficiente visual do que sua socialização e independência e, sem nenhuma utopia, porque já presenciei vários resultados positivos, gostaria de deixar o incômodo das perguntas que ficaram ao final do curso: Onde estão nossos deficientes visuais? Não existem ou se encontram aprisionados em suas residências por falta de um projeto que os liberte? Até que ponto as escolas públicas e particulares têm oferecido à possibilidade da real inclusão desses alunos em suas redes? Levando-se em consideração que existem pessoas que perdem a visão na adolescência e na vida adulta, onde se encontram e o que estamos oferecendo a elas para que continuem a viver com autonomia e alegria? O que poderia ser feito para mudar esse quadro?
Meu incômodo se deu a partir da felicidade que constatei como professora do EJA em Juiz de Fora, recebendo e incluindo verdadeiramente vários alunos portadores de deficiência visual, aprendendo com eles que o “essencial, realmente é invisível aos olhos” e, que nossos preconceitos limitam e muito, não somente a eles, mas, a nós mesmos que de certo não sabemos ainda perceber e integrar portadores de necessidades especiais.
O fato é que, nenhum favor estamos fazendo em atendê-los, são amparados legalmente e têm direitos como cidadãos. Perderam um dos sentidos, mas, isso não significa que devam perder a alegria de viver, pelo contrário, são sinônimos de atitudes positivas e otimistas. Pessoas que sorriem e enxergam com a alma e que são tão capazes ou mais do que muitos de nós que nos consideramos “normais”. E o que é mesmo ser normal?

“Nem todas as diferenças necessariamente inferiorizam as pessoas. Há diferenças e há igualdades - nem tudo deve ser igual, assim como nem tudo deve ser diferente. /.../ é preciso que tenhamos o direito de sermos diferentes quando a igualdade nos descaracteriza e o direito de sermos iguais quando a diferença nos inferioriza.” (MANTOAN, 2003, p.34)



Wanderlúcia Welerson Sott Meyer