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Poética resistência feminina

Estranha paisagem que insiste em permanecer intacta, ou talvez seja a alma que persiste em não mudar? Um quarto bem definido em suas formas, amplo e claro. Paredes que nunca responderam aos apelos e um silêncio sepulcral que antes torturava. Acostuma-se com a solidão, assim como se pede aplausos e reconhecimentos. Quadros que nada dizem, perfume de mulher rompendo o ar inerte. Milhares de pensamentos confusos e o desejo de prosseguir. Alma feminina que sonha e redescobre o óbvio. Guardou-se temporariamente o encanto, adormeceram sonhos e palavras. Um caminho de pedras, trilhado pela insegurança, a destituição de certezas, o receio do que há de vir. Ocultou-se a menina, acordou a mulher! Seu coração bate descompassada... mente, por que ainda vivo, almeja todos os sentimentos que lhe fizeram pulsar, em busca da vida. Um ar feminino de fortaleza recriada e endurecida. Repleta de sonhos... perdida. Entregue a tudo que sente na luta incessante e ardente de emoções que as sustentem. Coragem, olhar de valente. Contraste do colo que pede, por muitas vezes ausente. Aprende-se que nem sempre presente está o amor que se estabelece. Nas juras, sonhos e promessas... não restam nem mesmo as lembranças. O ritmo desordenado que impomos à vida, nos leva a esquecer sentimentos, negar o que tanto almejamos. Como flor que seca, petrifica também a alma. E se lágrimas caem como chuva, já não há mais o terreno fértil, nem sementes... Só se consegue a lama úmida, causada pelo o descaso e o abandono. Alma feminina, guerreira, sonhadora e incorrigível. Ergue-se em um átimo. Desperta, move-se. Se a paisagem não se movimenta... Transformar-se-á em luz.

Wanderlúcia Welerson Sott Meyer
Publicado no Recanto das Letras em 10/09/2009
Código do texto: T1803124

Gratidão

Certezas de Amor

Estavas ali, sempre estivestes.

Não era matéria palpável

Nem ilusão temporária

Fazia parte dos dias

Desde sempre...

Um alento nos momentos de dor

Uma esperança de amor

Visitava-me nos sonhos

Acariciava-me o rosto

Registrava-se a presença

Partia...

Permanecia a sensação do encontro

Serenidade pretendida

Essência de sentimentos duradouros

Suavidade que se sente

Tal brisa suave tocando o corpo

Indivisível êxtase

Emoções desejadas

Puras, intensas

Tradução apropriada de Amor!

Amor maduro

Será preciso tempo para regenerar as lesões provocadas pelo desvario dos sentimentos. Não é possível afirmar se era amor de fato. Serviu como alento enquanto próximo estava. Agora, que apreende e absorve palavras proferidas sem nenhum compromisso estreito com a verdade, analisando frases soltas e atitudes contraditórias, percebe-se claramente a ineficiência das palavras que não condizem com a verdade. Realidade tão intensa quanto a fugacidade dos anseios de porvir. Confia cegamente na maturidade que se adquire, grata pelo aprendizado rápido e eficaz de que o amor, de fato, só existe nos atropelos da convivência, no encontro dos desajustes, no sentir mesmo nas turbulências, na expressão de respeito pelo que se é. Constância inconstante de emoções indefinidas e necessárias. Amadurecimento vagaroso determinado por momentos de desordem interna e externa. Cumplicidade que se expressa apesar dos enigmas e contradições de seres opostos que jamais se completam, apenas evoluem entre possíveis …

Caminhos dicotômicos

Não lhe diria verdades, nunca as conheci. Tampouco desfecharia os inúmeros sonhos inconclusos que permaneceram latentes enquanto pensávamos estar no caminho. Nunca saberíamos se as estradas que escolhemos e as trajetórias que fizemos foram realmente escolhas. De fato, pouco valeria lastimar e fazer conjecturas. Basta-me a realidade detectada pela pupila dos olhos teus e meus, sentida na pele como distante toque etéreo. Adormecida, enquanto em vigília presumes e anseias o que jamais viverás. Reformulas vontades, despertando sorrisos que se encontram longe de ser o que desejas. Não seria lamento, apenas dúvida, suspeita de equívocos... Desconfiança de que, se os caminhos não fossem bifurcados e dicotômicos, se os desejos não fossem imaturos, ainda estarias ao meu lado.
Wanderlúcia Welerson Sott Meyer