11 de set de 2009

Poética resistência feminina

Estranha paisagem que insiste em permanecer intacta, ou talvez seja a alma que persiste em não mudar? Um quarto bem definido em suas formas, amplo e claro. Paredes que nunca responderam aos apelos e um silêncio sepulcral que antes torturava. Acostuma-se com a solidão, assim como se pede aplausos e reconhecimentos. Quadros que nada dizem, perfume de mulher rompendo o ar inerte. Milhares de pensamentos confusos e o desejo de prosseguir. Alma feminina que sonha e redescobre o óbvio. Guardou-se temporariamente o encanto, adormeceram sonhos e palavras. Um caminho de pedras, trilhado pela insegurança, a destituição de certezas, o receio do que há de vir. Ocultou-se a menina, acordou a mulher! Seu coração bate descompassada... mente, por que ainda vivo, almeja todos os sentimentos que lhe fizeram pulsar, em busca da vida. Um ar feminino de fortaleza recriada e endurecida. Repleta de sonhos... perdida. Entregue a tudo que sente na luta incessante e ardente de emoções que as sustentem. Coragem, olhar de valente. Contraste do colo que pede, por muitas vezes ausente. Aprende-se que nem sempre presente está o amor que se estabelece. Nas juras, sonhos e promessas... não restam nem mesmo as lembranças. O ritmo desordenado que impomos à vida, nos leva a esquecer sentimentos, negar o que tanto almejamos. Como flor que seca, petrifica também a alma. E se lágrimas caem como chuva, já não há mais o terreno fértil, nem sementes... Só se consegue a lama úmida, causada pelo o descaso e o abandono. Alma feminina, guerreira, sonhadora e incorrigível. Ergue-se em um átimo. Desperta, move-se. Se a paisagem não se movimenta... Transformar-se-á em luz.

Wanderlúcia Welerson Sott Meyer
Publicado no Recanto das Letras em 10/09/2009
Código do texto: T1803124