27 de mai de 2014

Do encantamento


Cedo, abro a janela do quarto. Tão cedo, que meu filho pergunta: “Já de janela aberta, mamãe?”. O acolho nos braços e lhe digo: “É para dar bom dia, ao dia!” Chego à janela aberta: “Bom dia, dia!” e os pássaros parecem responder um sonoro “Bom dia!”. Meu filho sorri e se encanta eis um bom começo.

Os atropelos da vida nos conduzem ao desencanto. Deixamos de observar momentos de rara beleza. Não nos damos conta de circunstâncias simples que preencheriam nosso caminho de flores se fossem observadas cotidianamente. São dádivas que recebemos: a natureza, as pessoas com as quais convivemos, os aprendizados. Há quem passe pela vida sem percebê-la, apenas passe. Encantar-se, permitir-se o enlevo, harmonizar-se com as situações, sejam elas de conflito ou de paz. Quando passamos a aceitar o que nos advém, esforçando-nos para laborar em prol da vida parece que conseguimos vislumbrar melhor as dádivas. Desenvolvemos a gratidão e, portanto, o encantamento. Toda reclamação é pura perda de energia! Reconciliar-se, perdoar-se, ouvir o pássaro, observar flores, agradecer... A chuva, o vento, o Sol que proporciona renovação e vida continuamente. Encantar-se pelo corpo físico que deténs e lapidar carinhosamente o princípio de vida que nos conduz ao Eterno,