18 de fev de 2011

Entrega

 Senhor,

Perdoe-me o cansaço, não é desistência, não é entrega. Somente sinto o coração fatigado, o peito quase se rompe de tanta dor. Os olhos, turvos por lágrimas, rogam caminhos. A imperfeição não me permite entender ainda os seus desígnios e como criança teimosa insisto em pensar que o que me ofereces não é o que quero. Ainda não entendi que nem sempre o que desejamos significa ser o melhor, ainda não aceito, sem antes tentar modificar os fatos aos quais me lapida generosamente. O “homem velho” que vive em mim insiste em me manter vulnerável a pequenas intempéries e, luto, não sem ansiedade, com certezas que não quero apreender. Auxilia-me a enxergar com clareza que aonde me encontro, com as pessoas que vivo, os problemas temporários que enfrento, são formas encontradas por Ti para mostrar-me o caminho. Auxilia-me a perceber a dor do próximo, a oferecer-me como companheiro seguro de jornada, a ser lenitivo para as dores, não as minhas, mas dos que caminham partilhando convivências e procurando por quem enxugue suas lágrimas. Que eu saiba Ser, aprender a compreender, por vezes, aceitar e amar incondicionalmente. De que serve o Ser senão para servir ao amor, a vida e a Ti? Guarda-me dos pensamentos e atitudes que nada acrescentam e, que esse cansaço que hora toma conta de meu corpo físico, seja substituído pela certeza da eternidade do espírito. Que eu procure a Paz quando todos já não a vislumbrem! Que eu distribua Amor, aonde a dor visita, que eu possa seguir não me esquecendo que se colhem os frutos das sementes que plantamos e, que assim como na natureza, o trabalho, o cuidado, o equilíbrio e o amor são sinônimos de paz!
Wanderlúcia Welerson Sott Meyer
Publicado no Recanto das Letras em 18/02/2011
Código do texto: T2799265