Pular para o conteúdo principal

Desamor



Não é preciso dizer verdades se a alma é capaz de senti-la.

Não existem segredos quando quem olha é o coração.
Sabia... Sempre soube...
Não eram pequenos fatos,
Ações impensadas, palavras proferidas sem nenhuma caridade.
Desgaste e dor...
Culminando em mentiras absorvidas pelo descaso
Acomodação e solidão sempre presentes
Doente...
E todas as promessas destituídas em atitudes insanas.
Unidade que não mais existiria
Fatos negados e tão reais
Quantos os momentos que deixastes de viver?
Ao lado, presente, ciente do amor que sentia
Desfizeste laços que jamais tomarão forma
Feriste bruscamente a sensibilidade
Destruíste ilusões e sonhos
Provocaste dissabores pela ausência
Presença direcionada a outrem
Senão a quem dizias amar!
O que se apreende do desgosto
É o gosto de querer viver
Novo e diferente amor
Da entrega segura ao lado da verdade
De quem lhe oferece vida
Contrário ao cálice amargo absorvido
Sem desejo, sem sabor
Embebido pela ausência do amor!

Wanderlúcia Welerson Sott Meyer

Publicado no Recanto das Letras em 28/02/2011
Código do texto: T2819488

Gratidão

Certezas de Amor

Estavas ali, sempre estivestes.

Não era matéria palpável

Nem ilusão temporária

Fazia parte dos dias

Desde sempre...

Um alento nos momentos de dor

Uma esperança de amor

Visitava-me nos sonhos

Acariciava-me o rosto

Registrava-se a presença

Partia...

Permanecia a sensação do encontro

Serenidade pretendida

Essência de sentimentos duradouros

Suavidade que se sente

Tal brisa suave tocando o corpo

Indivisível êxtase

Emoções desejadas

Puras, intensas

Tradução apropriada de Amor!

Amor maduro

Será preciso tempo para regenerar as lesões provocadas pelo desvario dos sentimentos. Não é possível afirmar se era amor de fato. Serviu como alento enquanto próximo estava. Agora, que apreende e absorve palavras proferidas sem nenhum compromisso estreito com a verdade, analisando frases soltas e atitudes contraditórias, percebe-se claramente a ineficiência das palavras que não condizem com a verdade. Realidade tão intensa quanto a fugacidade dos anseios de porvir. Confia cegamente na maturidade que se adquire, grata pelo aprendizado rápido e eficaz de que o amor, de fato, só existe nos atropelos da convivência, no encontro dos desajustes, no sentir mesmo nas turbulências, na expressão de respeito pelo que se é. Constância inconstante de emoções indefinidas e necessárias. Amadurecimento vagaroso determinado por momentos de desordem interna e externa. Cumplicidade que se expressa apesar dos enigmas e contradições de seres opostos que jamais se completam, apenas evoluem entre possíveis …

Caminhos dicotômicos

Não lhe diria verdades, nunca as conheci. Tampouco desfecharia os inúmeros sonhos inconclusos que permaneceram latentes enquanto pensávamos estar no caminho. Nunca saberíamos se as estradas que escolhemos e as trajetórias que fizemos foram realmente escolhas. De fato, pouco valeria lastimar e fazer conjecturas. Basta-me a realidade detectada pela pupila dos olhos teus e meus, sentida na pele como distante toque etéreo. Adormecida, enquanto em vigília presumes e anseias o que jamais viverás. Reformulas vontades, despertando sorrisos que se encontram longe de ser o que desejas. Não seria lamento, apenas dúvida, suspeita de equívocos... Desconfiança de que, se os caminhos não fossem bifurcados e dicotômicos, se os desejos não fossem imaturos, ainda estarias ao meu lado.
Wanderlúcia Welerson Sott Meyer