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Contando Primaveras


Tento contar as primaveras pelos aprendizados que a vida me oferece. Por vezes, sinto-me espírito antigo, burilado pelo tempo, expiações e provas. Em outra ocasiões, é o bom ânimo que conduz minhas atitudes e alegro-me na simplicidade do desabrochar de um flor. Ter a possibilidade de comemorar mais um ano de vida é uma oferta, dádiva oferecida pelo Senhor da Vida! Certeza de tropeços, sensação de recomeço, aprendizados... Evolução que se sabe ser individual, lenta em alguns, célere nos que optam pelo aperfeiçoamento da alma. E seguimos, vendo nosso corpo em plena transformação. Aceitar essas mudanças físicas, limitações e restrições, para alguns pode se tornar um sofrimento quando não se compreende que em contrapartida há opção pela ascensão e descobrimento de nossa essência enquanto seres eternos em evolução continuada. Observo pessoas que ultrapassam as perdas referentes à idade física, pois, traduzem no olhar a serenidade que floresce todos os dias, nas atitudes, pensamentos e palavras. No entanto, há quem opte pela queixa, lamúria e pranto, carregando consigo fardos pesados de culpa e dor. Não é que a uma outorga-se a alegria e a outro a infelicidade. È Escolha. Formas diferentes de ver, sentir e vivenciar o que nos proporciona a vida. Não conheço ninguém que nunca tenha sofrido dificuldades e obstáculos, mas, conheço pessoas que reluzem através do aprendizado oferecido pela tribulação. Que ainda venham muitas primaveras! E que saibamos interagir com vida, transformando e sendo transformados.
Wanderlúcia Welerson Sott Meyer
Enviado por Wanderlúcia Welerson Sott Meyer em 03/08/2011 Alterado em 03/08/2011

Gratidão

Certezas de Amor

Estavas ali, sempre estivestes.

Não era matéria palpável

Nem ilusão temporária

Fazia parte dos dias

Desde sempre...

Um alento nos momentos de dor

Uma esperança de amor

Visitava-me nos sonhos

Acariciava-me o rosto

Registrava-se a presença

Partia...

Permanecia a sensação do encontro

Serenidade pretendida

Essência de sentimentos duradouros

Suavidade que se sente

Tal brisa suave tocando o corpo

Indivisível êxtase

Emoções desejadas

Puras, intensas

Tradução apropriada de Amor!

Amor maduro

Será preciso tempo para regenerar as lesões provocadas pelo desvario dos sentimentos. Não é possível afirmar se era amor de fato. Serviu como alento enquanto próximo estava. Agora, que apreende e absorve palavras proferidas sem nenhum compromisso estreito com a verdade, analisando frases soltas e atitudes contraditórias, percebe-se claramente a ineficiência das palavras que não condizem com a verdade. Realidade tão intensa quanto a fugacidade dos anseios de porvir. Confia cegamente na maturidade que se adquire, grata pelo aprendizado rápido e eficaz de que o amor, de fato, só existe nos atropelos da convivência, no encontro dos desajustes, no sentir mesmo nas turbulências, na expressão de respeito pelo que se é. Constância inconstante de emoções indefinidas e necessárias. Amadurecimento vagaroso determinado por momentos de desordem interna e externa. Cumplicidade que se expressa apesar dos enigmas e contradições de seres opostos que jamais se completam, apenas evoluem entre possíveis …

Caminhos dicotômicos

Não lhe diria verdades, nunca as conheci. Tampouco desfecharia os inúmeros sonhos inconclusos que permaneceram latentes enquanto pensávamos estar no caminho. Nunca saberíamos se as estradas que escolhemos e as trajetórias que fizemos foram realmente escolhas. De fato, pouco valeria lastimar e fazer conjecturas. Basta-me a realidade detectada pela pupila dos olhos teus e meus, sentida na pele como distante toque etéreo. Adormecida, enquanto em vigília presumes e anseias o que jamais viverás. Reformulas vontades, despertando sorrisos que se encontram longe de ser o que desejas. Não seria lamento, apenas dúvida, suspeita de equívocos... Desconfiança de que, se os caminhos não fossem bifurcados e dicotômicos, se os desejos não fossem imaturos, ainda estarias ao meu lado.
Wanderlúcia Welerson Sott Meyer