13 de jun de 2011

Conto amoroso cotidiano

Conto amoroso cotidiano


Ele proferiu que a queria e de tão só, desejando amar, ela se compôs de alegria, permitindo-se sentir. Era tarde... Não tão tarde como pensava ser. Afinal, a natureza ensina que o entardecer é promessa de novo dia, certeza de amanhecer.

Ele confessou seu sonho, aspiração antiga de ser amado. Ela, entregue a uma carência definida que a consumia, pôs-se a vislumbrar histórias adormecidas. Ou seriam Estórias, dessas que não se encaixam com a realidade, escondendo-se na fantasias dos amantes, não desavisados, no entanto, desatentos.

Ele lhe afirmou que a amava... Ouvir tal melodia é como fertilizar plantas sem viço. A falta conduz à morte, o excesso entorpece, permitindo que o “vegetal” ofereça o melhor de si, extirpando toda sua força e beleza e, esgotado de tanto servir, encerre sua vida brevemente.

Ela se esqueceu dos dardos antigos que ainda lhe causavam dores. Resplandeceu! Entrega absoluta de si, perdeu-se no outro. Ouvia que a espera, mesmo que longa, era certa. Mimos, agrados, sorrisos... Alienação.

Ele no seu papel, descendente de homem, sensibilidade confusa por um momento também pensou ser dela o seu amor. Da maneira que seres amam desconhecendo à responsabilidade de se dizer ao outro o verbo amar. Conjugou em diversos tempos... Passado: “Sempre a amei, mesmo antes de lhe conhecer!” Presente: “Eu a amo mais que minha própria vida!” Futuro: “Amarei amor eterno e para sempre!” Como se possível fosse amar quem não se conhece. Como se o amor pudesse lhe pedir a vida(Que espécie de amor é esse que tem como recompensa à morte?). Como se em meio a milhares de pessoas o desejo não passasse a falar mais alto e, o amor pudesse ser partilhado em outro corpo. Quando os corpos se unem por desejo é o animal adormecido que comanda os sentidos. Que espécie de amor eterno é esse que necessita de outro corpo para satisfazer os desejos da carne?

Ela acreditou até aonde seus sentidos permitiram tamanha ausência de sentido e, o que era para ser belo, eterno, cúmplice, sublime... Transfigurou-se em cotidiana história. Ambos igualmente carentes. Tamanha falta de significação dominando e provocando o cérebro para encontrar-se novamente o raciocínio. Despertar é o verbo que transita... Escrito e descrito no gerúndio, despertando.

A espera longa e indefinida fragiliza sentimentos e nem ao menos se sabe que sentimentos foram. O sensato é dizer que não era amor!

Wanderlúcia Welerson Sott Meyer
Publicado no Recanto das Letras em 13/06/2011
Código do texto: T3031886