Delibero que, única, de muitas existências, embora me encontre neste século, ainda sinto-me presa conceitualmente a velhos hábitos. Difícil me acostumar com os descartáveis. Minha alma ainda se prende as relações duradouras, sentimentos preservados e reconstruções. Digo reconstruções porque não compreendo como pessoas podem ser tratadas como objetos de uso temporário, passados podem ser negados, recomeços considerados como inícios, recusa de toda experiência vivenciada. Sou da época em que as geladeiras e casamentos faziam bodas de ouro, não pela idade, mas pela necessidade de acrescer, pela certeza de pertencer ao mundo e de evoluir diariamente. Época em que o carro seguia o dono e, durava até acabar ou, não acabava porque era conduzido e conservado com zelo, diferente do que percebemos nas relações passageiras, onde o egocentrismo nos impossibilita a compreensão. Pessoas não competiam, sentiam. Amizades eram para sempre e, relacionamentos faziam jus ao nome... Convivência bené...