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Sentimentos

Sentimentos são indescritíveis. Não nos damos conta da extensão e influência dos mesmos em nossas vidas. Dominam nossas ações e pensamentos mais do que imaginamos. Influenciam o funcionamento orgânico, as emoções, reações, tudo... Negá-los, não os extingue. Ocultá-los, mesmo que por um tempo, não determina seu desaparecimento. Pelo contrário, se guardados, sufocam. O ar se torna insuportável. Ocasionam dores inexplicáveis e odores que provocam grande mal-estar. Sem a pretensão de minimizar algo tão complexo, acredito que se levássemos mais a sério o que sentimos, passaríamos também a nos conhecer melhor. Há pessoas que se dizem racionais e com o tempo se descobrem doentes física e mentalmente. Não se dão conta de que, mesmo atitudes mais racionalizadas, sempre estarão repletas de emoções e sentimentos. Outras se deixam levar pelo descontrole emocional e, expõem excessivamente seus sentimentos. Quando nos damos conta do que realmente sentimos, nesse universo de pensamentos, situações, observações, atitudes e relações que estabelecemos com o mundo e com as pessoas, conseguimos manter uma relação mais efetiva, verdadeira e tranqüila com o nosso eu interior. Aceitamos melhor as limitações que temos, os defeitos que ainda não vencemos, passamos a nos perdoar mais e entender melhor o que nos chega. A idéia de continuidade e evolução favorece, a generosidade que deveríamos ter com tudo que pensamos, dizemos e fazemos. Certamente, aprenderíamos também a perdoar e aceitar mais aquilo que o outro nos oferece. Esperando menos, expressando o que sentimos, sem, contudo, usar de palavras agressivas e pejorativas, para dizer o que nos incomoda. Nem sempre ou quase nunca o que nos perturba está no outro. Perceber a parte que nos cabe, eis o grande desafio! O entendimento dos sentimentos que emanam das relações que estabelecemos diariamente, a aceitação e reconhecimento das sensações adormecidas de fatos que nos marcaram e a redução de expectativas de mudanças externas. A verdadeira mudança se encontra dentro de nós. Wanderlúcia Welerson Sott Meyer Publicado no Recanto das Letras em 09/10/2008Código do texto: T1219884

Gratidão

Certezas de Amor

Estavas ali, sempre estivestes.

Não era matéria palpável

Nem ilusão temporária

Fazia parte dos dias

Desde sempre...

Um alento nos momentos de dor

Uma esperança de amor

Visitava-me nos sonhos

Acariciava-me o rosto

Registrava-se a presença

Partia...

Permanecia a sensação do encontro

Serenidade pretendida

Essência de sentimentos duradouros

Suavidade que se sente

Tal brisa suave tocando o corpo

Indivisível êxtase

Emoções desejadas

Puras, intensas

Tradução apropriada de Amor!

Amor maduro

Será preciso tempo para regenerar as lesões provocadas pelo desvario dos sentimentos. Não é possível afirmar se era amor de fato. Serviu como alento enquanto próximo estava. Agora, que apreende e absorve palavras proferidas sem nenhum compromisso estreito com a verdade, analisando frases soltas e atitudes contraditórias, percebe-se claramente a ineficiência das palavras que não condizem com a verdade. Realidade tão intensa quanto a fugacidade dos anseios de porvir. Confia cegamente na maturidade que se adquire, grata pelo aprendizado rápido e eficaz de que o amor, de fato, só existe nos atropelos da convivência, no encontro dos desajustes, no sentir mesmo nas turbulências, na expressão de respeito pelo que se é. Constância inconstante de emoções indefinidas e necessárias. Amadurecimento vagaroso determinado por momentos de desordem interna e externa. Cumplicidade que se expressa apesar dos enigmas e contradições de seres opostos que jamais se completam, apenas evoluem entre possíveis …

Caminhos dicotômicos

Não lhe diria verdades, nunca as conheci. Tampouco desfecharia os inúmeros sonhos inconclusos que permaneceram latentes enquanto pensávamos estar no caminho. Nunca saberíamos se as estradas que escolhemos e as trajetórias que fizemos foram realmente escolhas. De fato, pouco valeria lastimar e fazer conjecturas. Basta-me a realidade detectada pela pupila dos olhos teus e meus, sentida na pele como distante toque etéreo. Adormecida, enquanto em vigília presumes e anseias o que jamais viverás. Reformulas vontades, despertando sorrisos que se encontram longe de ser o que desejas. Não seria lamento, apenas dúvida, suspeita de equívocos... Desconfiança de que, se os caminhos não fossem bifurcados e dicotômicos, se os desejos não fossem imaturos, ainda estarias ao meu lado.
Wanderlúcia Welerson Sott Meyer