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Não são os homens ou as mulheres que se tornaram insensíveis na modernidade. Na verdade o que se vê são equívocos, palavras que não foram ditas gerando controvérsias, distorcendo o que realmente se deseja, ofuscando o brilho que se tem nos olhos de quem ama. Ambos perderam-se em discussões inúteis de papéis e lugares, uma disputa que acarretou distorções e que transformou o ato sexual mais importante que o respeito mútuo. Percebo que, homens e mulheres buscam afeto, companheirismo, carinho, amizade, mas, colocam o desejo sexual acima do conhecimento de si mesmo e do outro. Buscam, mas temem o amor, porque se criou uma idéia de que quando se ama, perde-se a liberdade. Muitos se valem do acúmulo de relações que têm para afugentar a solidão que sofrem. Relações essas, tão superficiais quanto ao amor que dizem sentir. Desgastam-se em palavras e atitudes que não preenchem. Usam-se e são usados. Não percebem o quanto se ganha quando há em uma relação uma troca maior do que simplesmente o encontro de corpos. Não que relações e desejos sexuais não sejam importantes, mas sozinhos, não preenchem o vazio que a grande maioria demonstra sentir. Como droga que sacia momentaneamente e que depois, aumenta a dor de se conviver com a realidade. Há prazeres tão efêmeros e embriagantes que quando terminam, deixam a sensação de incompletude, que por sua vez, nos leva a novas buscas. Insaciáveis e insatisfeitos trocam de parceiros como se substitui um objeto que já não nos vale. Consultórios repletos de pessoas queixando-se de solidão, atordoando-se com a depressão e tão fechados quanto casulos que guardam o que há de melhor dentro de si. Falam de amor, querem amar e nem percebem o quanto fogem do que desejam. Banalizam o que precisam e sofrem por não perceberem o que, de tão simples, se tornou escasso. Homens não são insensíveis, são humanos. Demonstram menos, mas nem por isso deixam de sentir. Mulheres precisam sim ser independentes, mas nem por isso, precisam perder a sensibilidade, o feminino. Ambos, apesar de negarem, amam o romantismo dos enamorados, o pieguismo existente nas manifestações de afeto, nas palavras que encantam e que, aí sim seriam preenchidas pela união de corpos, a troca absoluta de carinhos, a energia que emana de pessoas que se encontram além do momento. Não importa o quanto dure, se para sempre ou o tempo necessário para ser eterno, há algo de mágico no Amor que dignifica, enobrece e sustenta todo o alicerce desse ser tão complexo e indefinido, chamado SER HUMANO.
Wanderlúcia Welerson Sott Meyer Publicado no Recanto das Letras em 10/10/2008Código do texto: T1221391

Gratidão

Certezas de Amor

Estavas ali, sempre estivestes.

Não era matéria palpável

Nem ilusão temporária

Fazia parte dos dias

Desde sempre...

Um alento nos momentos de dor

Uma esperança de amor

Visitava-me nos sonhos

Acariciava-me o rosto

Registrava-se a presença

Partia...

Permanecia a sensação do encontro

Serenidade pretendida

Essência de sentimentos duradouros

Suavidade que se sente

Tal brisa suave tocando o corpo

Indivisível êxtase

Emoções desejadas

Puras, intensas

Tradução apropriada de Amor!

Amor maduro

Será preciso tempo para regenerar as lesões provocadas pelo desvario dos sentimentos. Não é possível afirmar se era amor de fato. Serviu como alento enquanto próximo estava. Agora, que apreende e absorve palavras proferidas sem nenhum compromisso estreito com a verdade, analisando frases soltas e atitudes contraditórias, percebe-se claramente a ineficiência das palavras que não condizem com a verdade. Realidade tão intensa quanto a fugacidade dos anseios de porvir. Confia cegamente na maturidade que se adquire, grata pelo aprendizado rápido e eficaz de que o amor, de fato, só existe nos atropelos da convivência, no encontro dos desajustes, no sentir mesmo nas turbulências, na expressão de respeito pelo que se é. Constância inconstante de emoções indefinidas e necessárias. Amadurecimento vagaroso determinado por momentos de desordem interna e externa. Cumplicidade que se expressa apesar dos enigmas e contradições de seres opostos que jamais se completam, apenas evoluem entre possíveis …

Caminhos dicotômicos

Não lhe diria verdades, nunca as conheci. Tampouco desfecharia os inúmeros sonhos inconclusos que permaneceram latentes enquanto pensávamos estar no caminho. Nunca saberíamos se as estradas que escolhemos e as trajetórias que fizemos foram realmente escolhas. De fato, pouco valeria lastimar e fazer conjecturas. Basta-me a realidade detectada pela pupila dos olhos teus e meus, sentida na pele como distante toque etéreo. Adormecida, enquanto em vigília presumes e anseias o que jamais viverás. Reformulas vontades, despertando sorrisos que se encontram longe de ser o que desejas. Não seria lamento, apenas dúvida, suspeita de equívocos... Desconfiança de que, se os caminhos não fossem bifurcados e dicotômicos, se os desejos não fossem imaturos, ainda estarias ao meu lado.
Wanderlúcia Welerson Sott Meyer