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Crimes em nome do amor?

Mais um crime bárbaro em nome do amor... Já não se consegue definir mais o que se chama de amor. Posso estar vivendo em um mundo poético e fantástico, distante do que percebemos nas relações que falam em nome do amor, mas, que mal conseguem se estabelecer como afetividade. Posso até estar fora de moda, ser considerada uma saudosista utópica e me perceberem como sonhadora, mas o que sinto em relação ao amor é diferente do que vejo. Ficar procurando culpados para a distorção de um sentimento tão nobre, não ajuda a transformá-lo. O fato é que apesar de rogarem por amor, o ser humano, sem querer generalizar, afasta-se todos os dias da essência do amor. Meios de comunicação estimulam a liberação da sexualidade. Crescem as distorções dos relacionamentos. As famílias, em novas proporções, diretrizes e estruturas, já não conseguem lidar com as demandas das crianças, dos adolescentes, porque já não lidam nem ao menos com as próprias questões. Pais que não cresceram que não aprenderam a amar. Falta de tempo, ou melhor, de organização do mesmo, excesso de materialismo, ganância, poder, desejo de ter. Um leque de deficiências afetivas, que passaram a fazer parte dos nossos dias e que apesar de desumanas, absurdas e inconseqüentes, estão tornando-se normais. Sentimos, mas depois passa. É mais um fato em um emaranhado de equívocos que nos afasta cada vez mais da essência de tudo que deveríamos ter aprendido sobre amar. Crimes em nome do amor... Que já aconteciam desde o início do mundo, mas que hoje, a meu ver, deveriam ser menos hediondos, porque informação não nos falta. Especialistas que tratam do assunto muito menos; divulgação da necessidade de afeto é o que pregam todas as religiões, crenças, sociedades. Há na fala, no pensamento e no comportamento humano um desejo grande de Amor, mas a solidão tem tomado conta de todos os lares (quando existem), de todas as pessoas. Não importa idade, sexo, crença, todos se queixam da falta de amor. Custa-me crer que estejamos caminhando pra uma era onde a violência será vista como normal, que sentimentos serão traduzidos em fantasias, que o amor seja apenas um ato momentâneo, onde se importa pouco com o que se deixa no coração das pessoas. A conquista é uma arte... o esquecimento um exercício doloroso. Às vezes, não nos damos conta dos estragos que causamos no coração das pessoas e saímos, distribuindo ilusões, sem nenhum compromisso e respeito pelo outro. Essa ausência pode causar danos irreversíveis. A carência é o que há de mais real nos dias de hoje e apegar-se se tornou perigoso, porque nos esquecemos do sentido do amor. Wanderlúcia Welerson Sott Meyer Publicado no Recanto das Letras

Gratidão

Certezas de Amor

Estavas ali, sempre estivestes.

Não era matéria palpável

Nem ilusão temporária

Fazia parte dos dias

Desde sempre...

Um alento nos momentos de dor

Uma esperança de amor

Visitava-me nos sonhos

Acariciava-me o rosto

Registrava-se a presença

Partia...

Permanecia a sensação do encontro

Serenidade pretendida

Essência de sentimentos duradouros

Suavidade que se sente

Tal brisa suave tocando o corpo

Indivisível êxtase

Emoções desejadas

Puras, intensas

Tradução apropriada de Amor!

Amor maduro

Será preciso tempo para regenerar as lesões provocadas pelo desvario dos sentimentos. Não é possível afirmar se era amor de fato. Serviu como alento enquanto próximo estava. Agora, que apreende e absorve palavras proferidas sem nenhum compromisso estreito com a verdade, analisando frases soltas e atitudes contraditórias, percebe-se claramente a ineficiência das palavras que não condizem com a verdade. Realidade tão intensa quanto a fugacidade dos anseios de porvir. Confia cegamente na maturidade que se adquire, grata pelo aprendizado rápido e eficaz de que o amor, de fato, só existe nos atropelos da convivência, no encontro dos desajustes, no sentir mesmo nas turbulências, na expressão de respeito pelo que se é. Constância inconstante de emoções indefinidas e necessárias. Amadurecimento vagaroso determinado por momentos de desordem interna e externa. Cumplicidade que se expressa apesar dos enigmas e contradições de seres opostos que jamais se completam, apenas evoluem entre possíveis …

Caminhos dicotômicos

Não lhe diria verdades, nunca as conheci. Tampouco desfecharia os inúmeros sonhos inconclusos que permaneceram latentes enquanto pensávamos estar no caminho. Nunca saberíamos se as estradas que escolhemos e as trajetórias que fizemos foram realmente escolhas. De fato, pouco valeria lastimar e fazer conjecturas. Basta-me a realidade detectada pela pupila dos olhos teus e meus, sentida na pele como distante toque etéreo. Adormecida, enquanto em vigília presumes e anseias o que jamais viverás. Reformulas vontades, despertando sorrisos que se encontram longe de ser o que desejas. Não seria lamento, apenas dúvida, suspeita de equívocos... Desconfiança de que, se os caminhos não fossem bifurcados e dicotômicos, se os desejos não fossem imaturos, ainda estarias ao meu lado.
Wanderlúcia Welerson Sott Meyer