27 de mar de 2008

Era amor...

E era amor...


Era amor o que sentia, quando lhe conheci,
Sentimento intraduzível,
Que despertava ansiedade
Vendava nossos olhos aos defeitos
E exaltava as qualidades.
Era amor...
As noites, sempre muito calorosas que passávamos juntos,
Onde os corpos pareciam apenas um.
Onde a sintonia era traduzida em prazer.
Onde me encontrava junto a você.
Era amor...
A cumplicidade, o afago, o afeto
Traduzido em palavras, em gestos, em olhares.
Toques suaves de mãos que transmitiam energias intensas
Desejos incontidos, momentos inesquecíveis.
Era amor...
Também quando percebendo o desencanto,
Expus a você o que sentia...
O vazio, a solidão, a rotina que se impunha.
A vontade que foi deixando de existir.
Era amor...
E as palavras já não vinham,
O cansaço, à distância, a insensibilidade, a ausência.
A certeza de possuir, substituída pela perda gradativa.
O desencanto, a falta de cuidado e a dor.Era amor...
E, quantas vezes implorei para que você percebesse
Que, apesar do tempo, de toda a segurança
Que lhe oferecia... ainda precisava de você.
Ainda preferia seus carinhos, ainda a vontade de te ter.
Era amor...
E diferente dos amantes, nos tornamos próximos,
Quase irmãos, sintonia que não movimenta o desejo,
Que impede que a relação floresça.
Que distancia a paixão que se sente ao tocar o outro.
Era amor...
Eu sei que era... forte e absoluto.
Mas, o descuido foi levando os sentimentos fortes.
Absorvendo a vontade,
Aniquilando o desejo,
E nos vimos assim, em caminhos distantes e opostos.
Já não era amor...



Wanderlúcia Welerson Sott Meyer
Publicado no Recanto das Letras em 29/02/2008
Código do texto: T880866