10 de mar de 2016

Direito à diferença

A vida pede mudanças, todos os dias a natureza se transforma e, aprendemos que a renovação é necessária, contudo, existem alguns conceitos que precisam ser preservados para que o Ser consiga harmonizar-se com o meio em que vive.
Vivenciamos uma época de mudanças de paradigmas, rupturas... precisamos nos prevenir das atitudes impensadas, dos conceitos deturpados, do incentivo à correria dos dias e, o pouquíssimo tempo que nos dispomos a pensar.
Isso tem se apresentado no consumo desenfreado, nas atitudes de violência aceitas com naturalidade, nos conceitos de dignidade e honestidade observados como algo sobre-humano, nas delações premiadas que aceitamos e transformamos réus em heróis, nas opiniões que não se formam por conhecimento do processo Histórico, da influência absurda da mídia, hoje, muito mais próxima e disponível, que modela opiniões e aliena. Tenho medo que a geração vindoura perca a vontade de ser Agente, de ser crítico, de não acreditar que à condição humana exige que o Ser raciocine, seja autônomo e, ainda assim, pertença e atue em um grupo, comunidade, país... Com o desejo de ser coletivo.
A corrupção no Brasil vem de longa data, antes sobrevivia pela conveniência, pelo acordo de “cavalheiros”, pelo desejo de favorecimento próprio, pela impunidade. Na escola, quando algum colega denuncia o outro, educadores conversam e ensinam que os dois lados precisam pensar: um porque transgrediu regras...  outro, porque apontou o erro; um precisa ser corrigido, orientado... o outro, precisa centrar-se na observação minuciosa de suas próprias atitudes, não existe “delação premiada”.


Desejamos a liberdade de expressão, o respeito às diferenças... mas, vivemos em uma época onde o pensar diferente, se tornou crime. Em momentos de crise, em um regime “democrático”, temos o direito e o dever de refletir. E que as diferenças se sobreponham aos achismos, autoritarismos e a leviandades!

Wanderlúcia Welerson Sott Meyer